Antropoceno
Informações sobre as transformações do planeta Terra produzidas pela espécie humana no último milhão de anos, desde que iniciamos e aprimoramos o controle e o uso do fogo, de ferramentas e de armas – o Antropoceno.
Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 1
Apresento, a partir de hoje, esta nova Série de GaiaNet com cerca de 60 pequenos artigos extraídos dos capítulos III – O Meio Ambiente na Antiguidade, IV – O Meio Ambiente na Idade Média e V – Como Escapar da Catástrofe Ecológica do livro Terra -Um Planeta Inabitável? do alemão Hans Liebmann, de 1973.
Estamos fazendo que o nosso planeta acabe por se tornar artificialmente inabitável nas próximas décadas
A alteração do equilíbrio biológico do nosso meio ambiente e os tantos focos de perigo que nós próprios criamos através da poluição do nosso espaço vital, quer terrestre, aquático ou atmosférico – todos esses sinais de alarma e suas consequências para cada um de nós em particular são de tal forma graves que não podemos ficar à espera de medidas legais que possam salvar o nosso planeta. Já tão-somente o nosso instinto de conservação deveria ser suficiente para nos livrar dos terríveis acontecimentos que se anunciam.
No entanto, sabemos todos nós muito bem que isso não acontece e que, a passos de gigante, por nos afastarmos sempre mais da vida natural, estamos fazendo que o nosso planeta acabe por se tornar artificialmente inabitável nas próximas décadas.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 79; foto: Dreamstime.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 9
Os holandeses ordenaram o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam
Quando os holandeses chegaram à ilha de Manhattan, Peter Minuit comprou-a por sessenta florins em anzóis e contas de vidro, mas eles encorajaram os índios a permanecer e continuar trocando suas valiosas peles por tais bugigangas.
Em 1641, Willem Kieft cobrou tributos dos mahicans e enviou soldados à ilha Staten para punir os raritans por ofensas cometidas por colonos brancos, não por eles. Quando os índios revidaram, matando quatro holandeses, Kieft ordenou o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam. Os holandeses passaram à baioneta homens, mulheres e crianças, cortaram seus corpos em pedaços e arrasaram as aldeias com fogo.
Por mais dois séculos, esses fatos se repetiram, enquanto os colonos europeus deslocavam=se para o interior, através de passagens entre os montes Alleghenies, e para os rios que corriam no rumo oeste, para o Grandes Águas (o Mississippi) e para o Grande Barrento (o Missouri).
Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 22; foto: InfoEscola.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 41
O convívio não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios
As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.
Assim sendo, compreende-se porque as técnicas de persuasão empregadas pelo novo e vigoroso Serviço de Proteção aos Índios, além da bravura do jovem Eduardo Hoerhan, convenceram a maioria dos Shokleng sobreviventes ao convívio pacífico. Convívio que entretanto não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios. E isto se depreende nitidamente do seguinte depoimento do pacificador:
” (…) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morreriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam.”
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: AgroSaber.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 25
Mensagem à COP 30 – nº 6
Podemos transformar em mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas
Não será através de um reflorestamento geral de uma paisagem, há muito tempo cultivada, que se poderá fomentar a preservação ou a ampliação de uma paisagem de regeneração.
O que mais importa, nessas tradicionais zonas de cultivo, é realizar florestamento limitado, para conservar, por exemplo, os vales relvados dos maciços centrais e os pastos no alto das serras.
Mesmo assim, ainda fica a possibilidade de se transformar numa mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas que se encontram à disposição.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, páginas 174 e 175; foto: Diário do Nordeste.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 26 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 5
Um estudo da Universidade Cornell (EUA) mostrou que todo o século anterior ao colapso do Mediterrâneo Oriental foi marcado por secas
Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados, a população grega pode ter caído pela metade e até a arte da escrita foi completamente esquecida. Mas os Povos do Mar (quem quer que fossem eles) não podem ser responsabilizados sozinhos por tanta desgraça.
Tudo indica que, para que eles conseguissem causar tanto estrago, foi preciso que boa parte do Mediterrâneo Oriental já tivesse sido desestabilizada por outros fatores, e o principal parece ter sido o clima. Num estudo publicado em 2023 no periódico especializado Nature, uma equipe liderada por Stuart Manning, da Universidade Cornell (EUA), mostrou que todo o século anterior ao colapso foi marcado por condições cada vez mais secas na esfera de influência dos hititas, por exemplo. Situações parecidas podem ter afetado as ilhas do mar Egeu, a Grécia e talvez a Itália.
Por fim, pouco depois de 1200 a.C., três anos consecutivos de seca totalmente fora do comum chegaram, coincidindo, ao que parece, com o abandono de Hattusa, a capital hitita.
Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, páginas 35 e 36; foto: Escola Kids – UOL.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 8
O poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts
Na época em que Massasoit, grande chefe dos wampanoags, morreu, em 1602, seu povo estava sendo expulso para as florestas. Seu filho Metacom previu que os índios chegariam ao fim, se não se unissem para resistir aos invasores. Embora os habitantes da Nova Inglaterra tentassem agradar Metacom, coroando-o rei Philip de Pokanoket, ele dedicou a maior parte de seu tempo à formação de alianças com os narradansetts e outras tribos da região.
Em 1675, depois de uma série de ações arrogantes por parte dos colonos, o rei Philip [Metacom] levou sua confederação índia a uma guerra destinada a salvar as tribos da extinção. Os índios atacaram 52 acampamentos, destruíram completamente doze, mas, depois de meses de luta, o poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts.
O rei Philip foi morto e sua cabeça exibida publicamente em Plymouth por vinte anos. Juntamente com outras mulheres e crianças índias capturadas, sua mulher e seu filho foram vendidos como escravos nas Índias Ocidentais.
Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 21 e 22; foto: eCycle.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 40
A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos
Um terceiro grupo [indígena], entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.
A resistência indígena foi enfrentada pelos governos locais e pelas companhias interessadas nos negócios de colonização, com a organização e estipêndio de grupos de bugreiros. A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos. Mas, segundo o objetivo depoimento de um bugreiro, “o negócio era afugentar pela boca da arma”.
As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 21 e 22; foto: Café História.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 50
Entre 2022 e 2023 mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos.
Há mais de 120 conflitos armados acontecendo no mundo todo. Muitos nem aparecem nos jornais. Mas em cada um deles há muitas crianças que são obrigadas a viver em meio à violência extrema. (…)
Em zonas de guerras, muitas salas de aula são atingidas por balas e bombardeios, enquanto outras transformam-se em abrigos temporários. Até o caminho torna-se perigoso, e milhões de crianças precisam atravessar campos minados e regiões afetadas por ataques constantes para chegar à sala de aula.
Apenas entre 2022 e 2023, mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos. Em regiões como Gaza, Ucrânia e República Democrática do Congo, centenas de escolas foram ameaçadas ou atingidas por tiros e bombardeios.
Fonte: Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), fevereiro de 2025; foto: Andes – SN
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 25
Mensagem à COP 30 – nº 5
É preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente
Deve-se encarar a paisagem de regeneração como uma nova forma de exploração do solo, que respeita não só a preservação da natureza, mas que também deve servir ao fomento do turismo. Para que seja garantida a preservação ou a regeneração desta paisagem, é preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente.
Enquanto que nos casos da paisagem da civilização e da de produção agrícola, a ação é dominada pela mentalidade econômica, na paisagem de regeneração é a ecologia que deve ocupar o primeiro plano. É a mentalidade biológica que aqui está a serviço da paisagem considerada globalmente, não importando a rentabilidade que possa ser proporcionada por uma área delimitada. Nos países industrializados, a paisagem de regeneração não mais deve ceder terreno aos outros dois tipos de paisagem.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, página 174; foto: Cesan.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 25 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 4
Uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental
No litoral dos atuais Síria, Líbano, Israel e Palestina, muitas cidades-estado antigas e poderosas viraram fumaça, entre as quais Ugarit, a grande senhora do comércio do Mediterrâneo Oriental na época.
Por fim, uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental. Nessa época, no lugar dos políticos e filósofos que fariam a fama da civilização grega bem mais tarde [após 5 séculos], a região era ocupada por vários pequenos reinos que pareciam “Egitos” em miniatura, na chamada civilização micênica. Os micênicos eram governados por reis extremamente poderosos, cercados de luxo, defendidos por guerreiros que lutavam em carros de guerra (ou bigas, como diriam os romanos). (…)
Quando a poeira do colapso baixou, tudo isso tinha deixado de existir. Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados, a população grega pode ter caído pela metade e até a arte da escrita foi completamente esquecida.
Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: cidade de Micenas; fonte: Apaixonados por História.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 7
A primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses
Em Massachusetts, a história começou de modo algo diverso, mas acabou da mesma forma que na Virginia. Depois de os ingleses desembarcarem em Plymouth (1620), a maioria deles teria morrido de fome, não fosse a ajuda que receberam dos nativos amistosos do Novo Mundo. (…)
Por vários anos, esses ingleses e seus vizinhos índios viveram em paz, mas muitas outras levas de homens brancos continuaram a chegar. O barulho dos machados e o estrondo das árvores que caíam ecoavam pelas costas da terra que os homens brancos agora chamavam de Nova Inglaterra. As colônias começaram a se disseminar por toda parte.
Em 1625, alguns dos colonos pediram a Samoset [indígena designado missionário pelos ingleses] mais doze mil acres de terra dos pemaquids. Samoset sabia que a terra vinha do Grande Espírito, era infinita como o céu e não pertencia a homem algum. Para agradar os estrangeiros e seus costumes estranhos, ele participou de uma cerimônia em que cedeu a terra e colocou sua marca num papel. Era a primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses.
Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 21; foto: Dreamstime.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 39
A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi dramática
Os Xokleng estão localizados em Santa Catarina (…) Em Ibirama vivem 270 indivíduos. No núcleo de São João dos Pobres, há 4 sobreviventes Xokleng. Seus descendentes, mestiços, não se identificam como indígenas.
A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi particularmente dramática. A tribo tradicionalmente mantinha suas atividades de subsistência com base nas atividades de caça e coleta. Divididos em grupos de 50 a 200 pessoas, os Xokleng dominavam toda a área de floresta que encobre a área localizada entre o litoral e a encosta do planalto, desde as proximidades de Porto Alegre (RS) até Paranaguá (PR). Esta área somente começou a ser sistematicamente desbravada a partir do momento em que se iniciou a colonização no sul do País, em 1824.
Como o território ocupado pelos Xokleng, à época da colonização, já estava cercada por propriedades civilizadas, os indígenas não tinham para onde fugir. A resistência que opuseram à penetração dos brancos foi contínua e, somente depois da criação do SPI [Serviço de Proteção aos Índios, em 1910], foi possível o contato pacífico com alguns grupos. Assim, Eduardo Hoerhan, em 1914, contatou com um grupo no Alto Vale do Itajaí. Paralelamente, em 1920, João Gomes Pereira travou relações amistosas com o grupo de São João dos Pobres. Um terceiro grupo, entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 21; foto: Instituto Socioambiental.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 49
Cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição, uma doença grave causada pela falta de nutrientes essenciais para a vida saudável.
Estamos diante de uma crise absolutamente assustadora. Só no Sudão, estima-se que quase 5 milhões de crianças e mulheres grávidas ou amamentando estejam com desnutrição grave.
Fonte: Médicos Sem fronteiras, novembro de 2024.
Na República Centro-Africana (RCA), as mulheres são 138 vezes mais propensas a morrer de complicações de gravidez e do parto do que na União Europeia, enquanto uma criança no país tem 25 vezes mais chance de morrer antes do seu primeiro aniversário do que se tivesse nascido na Europa.
Fonte: Médicos Sem Fronteiras, janeiro de 2025.
Foto: Sete Margens.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 25
Mensagem à COP 30 – nº 4
É possível criar liames estreitos entre a paisagem de regeneração e os interesses da silvicultura e da defesa ecológica
Se, pois, a paisagem da civilização e a paisagem da produção agrícola quase não concedem possibilidades de regeneração ao solo, elevada significação ganha a terceira forma típica, que é a “paisagem de regeneração”. O que houver de essencial, com relação à defesa ecológica, no sentido de alcançar a regeneração geral de uma paisagem, situa-se, em última análise, neste tipo de paisagem.
Encontra-se a paisagem de regeneração nos lugares em que as grandes concentrações urbanas e industriais não entram em cogitação por motivos geográficos, bem como onde a qualidade do solo não permite uma intensificação das atividades agrícolas. Este tipo de paisagem, que antigamente carregava também o símbolo da presença das chamadas terras improdutivas, transformou-se hoje [1973], sob o signo das ameaças representadas pela poluição ambiental, num sinal positivo.
Uma chance de sobrevivência, só existirá se esse terceiro tipo de paisagem for utilizado conscientemente como centro de regeneração. Dentro desta perspectiva, é possível criar liames bastante estreitos entre a paisagem de regeneração e os interesses da silvicultura e da defesa ecológica.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 173 e 174; foto: Diário do Nordeste.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapso nº 24 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 3
O Egito nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze
As inscrições egípcias indicam, com segurança, que os Povos do Mar vinham de regiões periféricas dos grandes impérios da Idade do Bronze, e parecem ter operado como uma mescla de piratas e refugiados armados. Atacavam, pilhavam e incendiavam cidades costeiras (…)
No caso do Egito, deu ruim para os Povos do Mar, conforme Ramsés III conta em seus monumentos. O esforço de guerra, porém, drenou tanto os recursos egípcios, além de arrancar outras regiões da esfera de influência dos faraós, que o reino do Nilo nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze.
E os egípcios até que saíram no lucro. As invasões “bárbaras” parecem ter sido, por exemplo, um fator importante para o completo desaparecimento do Império Hitita, que tinha unificado quase todo o território da atual Turquia sob seu comando nos séculos anteriores. No litoral dos atuais Síria, Líbano, Israel e Palestina, muitas cidades-estado antigas e poderosas viraram fumaça, entre as quais Ugarit, a grande senhora do comércio do Mediterrâneo Oriental na época.
Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: Escola Kids – UOL.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Área queimada no Brasil cresce 79% em 2024
Território devastado pelo fogo no ano passado é maior que o da Itália; Amazônia foi o bioma mais atingido
A área devastada por queimadas no Brasil cresceu 79% em 2024 com relação a 2023, segundo dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas. Foram queimados 30.867.676 hectares no ano passado –uma área maior que todo o território da Itália. Desses mais de 30 milhões de hectares, 73% foram de vegetação nativa, sendo 25% em formações florestais. Os fogos em áreas de pastagens somaram 21,9% do total de 2024.
“Chama a atenção a área afetada por incêndios florestais em 2024. Normalmente, na Amazônia, a classe de uso da terra mais afetada pelo fogo tem sido historicamente as pastagens. Em 2024, foi a 1ª vez desde que começamos a monitorar a área queimada que essa lógica se inverteu. A floresta úmida passou a representar a maioria absoluta da área queimada, sem dúvida um fato preocupante visto que uma vez queimada, aumenta a vulnerabilidade e a chance dessa floresta queimar novamente”, disse Ane Alencar, diretora de Ciências do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e coordenadora do MapBiomas.
A Amazônia foi o bioma com o maior número de área devastada pelo fogo: foram 17,9 milhões de hectares incendiados em 2024. É seguida por Cerrado (9,7 milhões), Pantanal (1,9 milhão), Mata Atlântica (1 milhão), Caatinga (330 mil) e Pampa (3.400). (…)
Fonte: Poder 360; foto: ANDI – Comunicação e Direitos.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 6
Em pouco tempo, os oito mil índios powhatan foram reduzidos a menos de mil
Porém a resistência dos arawak deu origem a que os invasores fizessem uso de armas de fogo e sabres, trucidando centenas de milhares de pessoas e destruindo tribos inteiras, em menos de uma década após Colombo ter pisado na praia de São Salvador, a 12 de outubro de 1492.
Eram lentas, naquela época, as comunicações entre as tribos do Novo Mundo, e raramente as notícias das barbaridades dos europeus ultrapassavam a disseminação rápida de novas conquistas e colonizações. Porém, bem antes dos homens brancos que falavam inglês chegarem à Virginia em 1607, os powhatan haviam ouvido algo sobre as técnicas civilizatórias dos espanhóis. Os ingleses passaram a usar métodos mais sutis.
E para garantir a paz por tempo suficiente, enquanto estabeleciam uma colônia em Jamestown, colocaram uma coroa de ouro na cabeça de Wahunsonacook, chamaram-no rei Powhatan e o convenceram de que deveria pôr seu povo a trabalhar, fornecendo comida para os colonizadores brancos. (…) Depois da morte de Wahunsonacook, os powhatan insurgiram-se para mandar os ingleses de volta ao mar de onde haviam vindo, mas os índios subestimaram o poder das armas inglesas. Em pouco tempo, os oito mil powhatan foram reduzidos a menos de mil.
Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 20 e 21; foto: InfoEscola.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 38
Os brancos submeteram os indígenas a um contínuo processo de desintegração social, cultural e biológica
Paralelamente às disputas pelo domínio da terra, os brancos submeteram os indígenas a um contínuo processo de desintegração social, cultural e biológica. A utilização do indígena como mão de obra, desarticulou rapidamente o sistema econômico tribal, com reflexos diretos em todos os demais aspectos da sociedade, enquanto entidade autônoma.
O mesmo ocorreu em decorrência da utilização sexual da mulher indígena. A contaminação do grupo com doenças até então desconhecidas, e para as quais os indivíduos não apresentavam qualquer resistência biológica, rebentou definitivamente com as possibilidades de o grupo continuar a viver independente. A submissão foi total.
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 18 e 19; foto: Mongabay Brasil.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 48
99% do território original do pandas foi perdido devido ao desmatamento e à interferência humana
Os pandas são especialmente sensíveis a mudanças ambientais: qualquer diminuição na área de floresta de bambu pode significar morrer de fome.
Há milhares de anos, a espécie se estendia por todo o sudeste asiático; hoje, 99% de seu território original foi perdido devido ao desmatamento e à interferência humana. Agora, pandas existem em apenas seis pequenas regiões montanhosas no interior da china.
Fonte: Super Interessante, edição 470, dezembro de 2024, A geopolítica dos pandas, página 48; foto: G1 – Globo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 25
Mensagem à COP 30 – nº 3
A estrutura agrícola de hoje tem por objetivo maximizar sua produção
O segundo tipo [de estrutura paisagística] é representado pela “paisagem de produção agrícola”, que hoje tem por objetivo maximizar sua produção por meio de ampla mecanização das empresas de produção agrícola. A paisagem de civilização, devido à sua concentração humana, só pode suprir sua demanda alimentar quando está presente a de produção agrícola.
Embora, nesta, os danos causados à paisagem primitiva local não sejam tão elevados como os ocasionados pela da civilização, continuam a predominar, com vistas à economia da natureza, os sinais negativos. Desmatamentos, monoculturas, o perigo das erosões, a regulagem dos cursos de água, a drenagem e o emprego excessivo de fertilizantes caracterizam este tipo de paisagem.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, página 173; foto: Geo Agri.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapso nº 23 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 2
Os Povos do Mar parecem ter operado como uma mescla de piratas e refugiados armados
As semelhanças entre a Idade do Bronze tardia e o século 21 não podem ser desprezadas. Ambos são mundos fortemente conectados pelo comércio internacional, pela difusão de tecnologias e por relações diplomáticas e de competição entre civilizações. (…)
A globalização da Idade do Bronze não se esfacelou num único ano cabalístico. O processo foi mais gradual. (…) 1177 a.C. corresponde ao oitavo ano do reinado do faraó Ramsés III, devidamente registrado em monumentos construídos por ordem dele próprio. Foi quando o soberano egípcio enfrentou e derrotou duas vezes uma aliança de misteriosos invasores que, ao que tudo indica, já havia tocado o terror em outras áreas do Oriente Próximo algum tempo antes. Esse grupo de agressores costuma ser chamado coletivamente de “Povos do Mar”. (…)
As inscrições egípcias indicam, com segurança, que os Povos do Mar vinham de regiões periféricas dos grandes impérios da Idade do Bronze, e parecem ter operado como uma mescla de piratas e refugiados armados. Atacavam, pilhavam e incendiavam cidades costeiras, mas também levavam consigo suas mulheres, filhos, carroças e animais domésticos, provavelmente com a intenção de se fixar nas terras onde desembarcavam.
Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: Aventuras na História.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 23
Biodiversidade nº 22
Carnes de laboratório
O cultivo de “carne de laboratório” existe desde 2013. Cientistas coletam células de boi ou de frango e as multiplicam em biorreatores (grandes tanques cheios de aminoácidos e nutrientes) para gerar pedaços de carne sem precisar matar nenhum animal.
Fonte: Super Interessante, edição 453, junho de 2023, Supernovas, página 12; foto: Capital Reset – UOL.
Rui Iwersen, editor.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 5
Dez anos após Colombo ter pisado na praia de São Salvador os espanhóis já haviam trucidado centenas de milhares de pessoas e destruído tribos inteiras
Como era costume do povo ao receber estrangeiros, os tainos da ilha de São Salvador [ilha de Guanahani, atual Bahamas] presentearam generosamente Colombo e seus homens com dádivas e os trataram com honra. (…) Colombo raptou dez de seus amistosos anfitriões tainos e levou-os à Espanha, onde eles poderiam ser apresentados para se adaptarem aos costumes do homem branco. Um deles morreu logo depois de chegar, mas não antes de ser batizado cristão. Os espanhóis gostaram tanto de possibilitar ao primeiro índio a entrada ao céu que se apressaram em espalhar a boa nova pelas Índias Ocidentais.
Os tainos e outros povos arawak não relutaram em se converter aos costumes religiosos europeus, mas resistiram fortemente quando hordas de estrangeiros barbudos começaram a explorar suas ilhas em busca de ouro e pedras preciosas. Os espanhóis saquearam e queimaram aldeias, raptaram centenas de homens e crianças e os mandaram à Europa para serem vendidos como escravos. Porém a resistência dos arawak deu origem a que os invasores fizessem uso de armas de fogo e sabres, trucidando centenas de milhares de pessoas e destruindo tribos inteiras, em menos de uma década após Colombo ter pisado na praia de São Salvador, a 12 de outubro de 1492.
Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 19 e 20; foto: Humanidades.com.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 37
A frente de expansão portuguesa estimulava a expulsão dos campos dos contingentes indígenas
No ano de 1728 abriu-se uma picada ligando o morro dos Conventos, ao sul de Santa Catarina, com os campos de Lages e Curitiba. Esse caminho passou a permitir que tropas, formadas com o gado arrebanhado no Rio Grande, fossem levadas diretamente às feiras de São Paulo. E em função desse comércio, altamente estimulado pelo auge da exploração das minas, surgiu a vila de Lages, em 1771. As fazendas de criação foram se instalando, determinando a busca de novas pastagens.
A disputa se faz ao índio. Em 1838, conquistaram-se os campos de Guarapuava. Em 1848, dominam-se os campos de Palmas. (…) A motivação econômica dessa frente de expansão estimulava a expulsão dos campos dos contingentes indígenas, substituindo-os por cabeças de gado. Nesse objetivo, os componentes da frente de expansão se valeram da experiência que a metrópole portuguesa acumulou durante o rápido período em que se expandiu, dominando e exterminando centenas de povos tribais da África, Ásia e América.
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 18; foto: Viktor Walwell.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 47
A humanidade extraiu 2,1 trilhões de toneladas de água do subsolo e deslocou o eixo rotacional da Terra
0,8 m foi quanto a humanidade deslocou o eixo rotacional da Terra entre 1993 e 2010, segundo um novo estudo publicado por cientistas da Universidade Nacional de Seul (Coréia do Sul). Segundo eles, isso aconteceu por causa da extração de água do subsolo.
Nas duas décadas analisadas, a humanidade extraiu 2,1 trilhões de toneladas de água, e a maior parte dela foi parar nos oceanos – o que redistribuiu a massa do planeta, e empurrou o eixo da Terra 80 cm na direção leste.
Fonte: Super Interessante, edição 453, julho de 2023, Supernovas, página 13; foto: Freepik.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 25
Mensagem à COP 30 – nº 2
A paisagem de civilização fomenta a alteração do equilíbrio biológico
A alteração do equilíbrio ecológico (…) receberá um ponto final no dia em que se conseguir manter em sua forma original ou fazer retornar a ela as unidades paisagísticas hoje ameaçadas de extinção. (…) A evolução previsível [das terras improdutivas] conduz, mais ou menos, à formação característica de três tipos diferentes de formas ou estruturas paisagísticas [paisagem de civilização, paisagem de produção agrícola e paisagem de regeneração].
O primeiro tipo, a que se pode dar o nome de “paisagem de civilização”, é assinalado pela concentração de pessoas, povoações e distritos industriais. A paisagem de civilização, por estar peculiarmente condicionada à economia, fomenta a alteração do equilíbrio biológico, representando assim um sinal negativo para a economia da natureza. É por isso que, com respeito a esse tipo de paisagem, deve-se prestar especial atenção ao cultivo de áreas verdes e ao plantio de árvores em geral. Essa paisagem não produz qualquer efeito regenerativo sobre a economia primitiva da natureza local.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 172 e 173; foto: Rádio Maringá.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapso nº 22 – O apocalipse da Idade do Bronze
Essa realidade próspera e tranquila veio abaixo em pouco tempo e arrasou civilizações da Grécia à Síria, passando pelo Egito faraônico
Era o ano 1.177 a.C., e o mundo estava acabando. Ou, pelo menos, o mundo que havia sido construído durante séculos (ou até milênios) por reis, guerreiros e burocratas do Mediterrâneo.
Essa gente tinha se acostumado a uma espécie de globalização em pequena escala, graças à qual era possível navegar, comercializar objetos luxuosos e enviar cartas com propostas de casamento, ameaças ou simples saudações a pessoas do outro lado do mar [Mediterrâneo].
Era uma realidade próspera e relativamente tranquila. Mas veio abaixo em pouco tempo – e nunca se reergueu por completo. Trata-se do “apocalipse da Idade do Bronze” [3.3oo a.C. – 1.200 a.C.], um fenômeno histórico que arrasou civilizações da Grécia à Síria, passando pelo Egito faraônico, no século 12 a.C. – e até hoje não foi plenamente esclarecido.
Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 33; foto: Candeias Mix.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 23
Biodiversidade nº 21
Desde a Idade Média os ingleses cruzam raças de cachorros para produzir cães lutadores
Para criar bons cães lutadores, os ingleses cruzaram buldogues com raças mais ágeis de terrier, um tipo de cachorro usado para caça. Nasciam aí os bull terriers, que dariam origem aos pit bulls – um termo guarda-chuva, que abrange várias raças.
O adestramento era cruel. Os cães de rinha precisavam ser agressivos (para atacar outros cães) e, ao mesmo tempo, subservientes (para não atacar seus donos).
Fonte: Super Interessante, edição 464, junho de 2024, Os pit bulls nascem maus ou a sociedade os corrompe?, página 9; foto: Bnews.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 4
Colombo escreveu ao rei que o povo deveria “ser posto a trabalhar, plantar e fazer tudo que é necessário e adotar nossos costumes”
Tudo começou com Cristóvão Colombo, que deu ao povo o nome de índios. Os europeus, os homens brancos, falavam com dialetos diferentes, e alguns pronunciavam a palavra “indien”, ou “indianer”, ou “indian”. Peaux-rouges, ou “red skins” (peles vermelhas), veio depois. Como era costume do povo ao receber estrangeiros, os tainos da ilha de São Salvador [ilha de Guanahani, atual Bahamas] presentearam generosamente Colombo e seus homens com dádivas e os trataram com honra.
“Tão afáveis, tão pacíficos, são eles”, escreveu Colombo ao rei e à rainha da Espanha, “que juro a Vossas Majestades que não há no mundo uma nação melhor. Amam a seus próximos como a si mesmos, e sua conversação é sempre suave e gentil, e acompanhada de sorrisos; embora seja verdade que andam nus, suas maneiras são decentes e elogiáveis.”
Claro que tudo isso foi tomado como sinal de fraqueza, senão de barbárie, e Colombo, sendo um europeu bem-intencionado, convenceu-se de que o povo deveria “ser posto a trabalhar, plantar e fazer tudo que é necessário e adotar nossos costumes”. Nos quatro séculos seguintes (1492-1890), vários milhões de europeus e seus descendentes tentaram impor seus costumes ao povo do Novo Mundo.
Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 19 e 20; foto: MeisterDrucke.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.