Florestas brasileiras
Nesta página apresento informações, reflexões e ações sobre a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, o Pantanal, a Caatinga, o Cerrado e o Pampa.


Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 56
Os índios são envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita

Considerados reserva de mão de obra utilizável nos momentos que as fainas agrícolas de plantio ou colheita chegam ao auge, os indígenas são para os agricultores regionais mais uma garantia do sucesso de seus empreendimentos, pelo menos no que se refere ao atendimento das necessidades de trabalho manual. Os índios são assim envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita, quase sempre sob o regime de empreitada ou diária.
O trabalho indígena em toda a região é bastante desvalorizado. Mas ninguém deixa de utilizá-lo. Na maioria dos postos indígenas tornou-se comum, aos domingos pela tarde, chegar caminhões para apanhar índios para o trabalho em fazendas ou em propriedades de pequenos ou médios agricultores das vizinhanças. Já existe uma certa institucionalização para o uso dessa mão de obra. O interessado obtém em primeiro lugar a anuência do chefe do Posto e em seguida acerta com um índio, quase sempre rotulado como “chefe de turma”, as condições de trabalho, número de homens necessários, prazo de permanência e forma de pagamento. A supervisão do chefe do posto, em princípio, pretende eliminar formas vis de exploração, responsabilizando também o interessado quanto à condição particular de tutela a que estão sujeitos os indígenas.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; página 33; foto: Brasil de Fato.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 55
A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa

O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. A extração de erva mate não chega a garantir condições para a manutenção sazonal das famílias envolvidas nessa atividade. O mesmo ocorre com a coleta do fruto do pinhão.
Somente em Ibirama, onde os recursos existentes quanto à palmeira Euterp edulis eram fartos, os índios por largo tempo viveram dependentes da sua extração. A destruição sistemática dos recursos naturais, especialmente a flora, existentes nas reservas indígenas e procedida por civilizados, aniquilou, na maioria dos postos, a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa. Em Ibirama, por exemplo, a coleta de palmitos é feita fora da reserva indígena, atuando os Xokleng apenas como mão de obra na exploração de palmitais particulares.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; páginas 32 e 33; foto: Jardineiro.net.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 57
No Brasil, a maior parte dos gases de efeito estufa vem da troca de florestas por pastos ou lavouras

Enquanto a queima de carvão mineral – principalmente por China e Estados Unidos para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras.
Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO, equivalente (o cálculo de CO, equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990.
Galileu, edição 329, dezembro 2018, O país do futuro, página 27; foto: Blog do Valdemir.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 54
Os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado aos indígenas

Os índios de Ibirama, no caso, se viram momentaneamente privados de uma fonte de renda sem poder, obviamente, compreender as razões do impedimento. Mas, o aspecto que mais nos impressionou, foi reconhecer que os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado de modo inequívoco, aos indígenas. No PI [Posto Indígena] Guarita, localizado no noroeste do Rio Grande do Sul, verificamos que os índios abandonaram as atividades de pescaria. “O rio não tem mais peixe bom. O que tem não se pode comer”.
As plantações de soja das vizinhanças da área indígena, e as realizadas na própria área pela FUNAI, vêm sendo pulverizadas com inseticidas para a prevenção da lagarta. Tais inseticidas não só matam os insetos, como as aves que circulam pelas plantações e que, às vezes, comem insetos e larvas envenenadas. Quebrado o equilíbrio pelo desaparecimento das aves, as quantidades de insetos aumentam assustadoramente. A cada novo ano, torna-se necessário aumentar as quantidades de inseticidas e, assim, a contaminação passa para a terra. Com as chuvas, parte dessa terra contaminada é levada para o rio, aniquilando também a fauna fluvial.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 31; foto: Instituto Humanitas Unisinos.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 53
Em muitas reservas indígenas não existe uma única área coberta por floresta primária ou secundária

Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados. (…)
Mas não só o pinheiro foi explorado. As madeiras de lei são, ainda hoje, a razão de diversos contratos, e o palmito foi motivo, inclusive, para que toda a população Xokleng abandonasse as atividades agrícolas que desde a sua pacificação vinham servindo como base para sua sobrevivência.
Não é de se estranhar, pois, que em muitas reservas indígenas não exista uma única área coberta por floresta primária ou secundária. A destruição da cobertura florestal, nesses casos, foi drástica. Com ela, naturalmente, desapareceu a fauna. Assim, a maioria dos índios não tem como complementar sua dieta alimentar, seja pela caça, seja pela coleta de frutos silvestres ou mel.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 29; foto: MST.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52
Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena

Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. Depois de mais de 20 anos de exploração em pequena escala, onde a conivência do chefe do posto indígena estabelecia a quantidade de pinheiros que seriam derrubados, a inspetoria do SPI em Curitiba decidiu formalizar um contrato de exploração com madeireiros locais. Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; páginas 28 e 29; foto: PrePara Enem.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51
A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento

Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. O surgimento do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, basicamente não veio alterar este quadro.
Na medida em que os recursos naturais localizados na região eram explorados, o potencial existente nas terras ocupadas pelos índios começava a ser alvo do interesse de civilizados. No sul do Brasil, as reservas indígenas começaram inicialmente a ser exploradas em seus recursos florestais. Prevalecendo como cobertura florestal, na maioria das reservas, a Araucária angustifólia, espécie de grande valor econômico, foi explorada até seu quase esgotamento.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 28; foto: CicloVivo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 50
A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro

Atraídos ao convívio com representantes da sociedade nacional, os integrantes dos diversos grupos indígenas logo ficaram em situação de dependência. Dependência decorrente, em termos de macro visão, do fato das sociedades indígenas não disporem de conhecimentos capazes de fundamentar uma oposição lógica à sua dominação. Daí se compreende que o destino de muitos grupos indígenas foi e é decidido por detentores de condições que permitem orientar os rumos da utilização dos espaços geográficos e seus recursos naturais.
No passado, isto ocorreu quando companhias julgaram conveniente, em termos financeiros, estimular a migração de contingentes europeus para as terras recém-descobertas da América. Hoje, quando se decide, com base em dados obtidos por meios tecnologicamente sofisticados, como por exemplo aqueles fornecidos pelos satélites, a exploração de jazidas minerais, a sistemática decisória continua a mesma. Apenas a agressividade com que as novas decisões são tomadas chama a atenção. Agressividade que se expressa pela rapidez com que recursos financeiros e humanos são alocados, para a obtenção, no menor prazo, de resultados compensadores. A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro, e, nesse afă, ele está a utilizar e a destruir, irrefletidamente, largas parcelas do quadro natural existente na superfície terrestre.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, página 27; foto: AgroSaber.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 49
Pode-se dizer que os Xetá estão extintos

Os Xetá eram nômades. Sua alimentação baseava-se na caça e na coleta de alimentos, destacando-se na sua dieta o aproveitamento dos frutos e da medula da palmeira macaúba. Possuíam aldeias temporárias, localizadas em pequenas clareiras. Não conheciam instrumentos de cerâmica. Usavam implementos feitos de ossos, dentes, pedras e madeira.
Seguramente, pode-se dizer que o grupo está extinto. Os Xetá sobreviventes foram localizados separadamente, de maneira que as possibilidades de socialização dos membros jovens segundo os padrões do grupo foram eliminadas. E, a tal ponto isto ocorreu, que as únicas crianças sobreviventes, com aproximadamente 12 e 10 anos de idade, falam a língua Kaingang e não Xetá.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 26; foto: JOTA.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 48
No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio.

Sobrevivem apenas 8 indivíduos do grupo indígena Xetá, no presente. No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes, pelo que se tem conhecimento na literatura e junto aos órgãos oficiais, sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio.
Os Xetá ocupavam a região da serra de Dourados, nó noroeste do Paraná. Com a movimentação da frente pioneira que se instalou no norte do Paraná, a partir dos anos trinta [do século XX], o território indígena foi alcançado e pulverizado. Em 1949, quando começou a divisão em glebas da serra de Dourados, falou-se da presença de índios. A seguir, em 1952, uma criança Xetá foi aprisionada e entregue a um funcionário do antigo SPI [Serviço de Proteção aos Índios]. Mas só em 1955, quando, depois de um rigoroso inverno, um grupo de índios com visíveis sinais de fome crônica se apresentou na fazenda Santa Clara, foi que o SPI tomou as primeiras providências para socorrê-los e protegê-los.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 25; foto: SciELO.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 53
17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados como arsênio, cádmio, cobalto, cromo, níquel e chumbo. Essa é a estimativa alarmante de um grupo de pesquisadores chineses, que analisaram os dados de 1.493 estudos realizados em diversas regiões do planeta, totalizando mais de 796 mil amostras do solo.
Esses metais podem estar naturalmente presentes na terra, ou chegar até ela por meio do descarte de resíduos industriais. As plantas acabam absorvendo esses elementos, que são altamente tóxicos e podem estar contaminando a alimentação de centenas de milhões de pessoas.
Fonte: Super Interessante, edição 475, maio 2025; Supernovas, página 13; foto: Geo Agri
Rui Iwersen, editor de GaiaNet

Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47
As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese

Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.
Tanto nos agrupamentos existentes nos postos, como naqueles localizados junto a áreas urbanas, incluindo neste caso famílias isoladas, os indivíduos mantêm em operação unidades de sua cultura tradicional de maneira bem mais característica do que entre Kaingang e Xokleng. Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (…)
As populações indígenas que viviam no litoral sul, à época da descoberta do Brasil, foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, trazidas pelo europeu, pela escravização e pelo próprio trabalho de catequese dos jesuítas.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Instituto Búzios.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 52
Em regiões costeiras a redução das vazões fluviais pode provocar o avanço de água salgada em direção ao continente

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.
Isso pode impactar a segurança hídrica e alimentar, diminuindo a disponibilidade de água para o abastecimento humano e a irrigação; a segurança energética, reduzindo o volume de água nos reservatórios [das hidrelétricas]; e os serviços ecossistêmicos, uma vez que é essencial manter uma vazão mínima no rio para garantir a conservação da vida no ecossistema aquático.
Em regiões costeiras, a redução das vazões fluviais pode provocar a intrusão salina, que ocorre quando a menor chegada de água doce ao oceano permite o avanço de água salgada em direção ao continente. Isso pode comprometer a saúde das pessoas que consomem água com alto teor de sal, aumentando o risco de hipertensão; danificar sistemas de adutoras e tubulações; além de comprometer o solo e a flora local.
Fonte: Super Interessante, edição 474, Rios brasileiros correm o risco de perder água; abril 2025, página 12; foto: Freepik
Rui Iwersen, editor de GaiaNet

Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 46
A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas

As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. É comum também a opinião dos chefes de postos sobre a continua mobilidade desses índios. Dizem: “os Guarani não usam muito o posto. Ficam sempre localizados num fundo da área. Ali fazem uma rocinha; caçam; vez ou outra aparecem na sede para vender algum balaio. E quando a gente menos espera, desaparecem…”
Essa situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas. Não há na região sul um único posto para atendê-los. Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Gazeta do Povo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Como animais extintos estão voltando às florestas de Florianópolis

Em Florianópolis, o Vem Passarinhar começou a ser realizado em 2022 como uma forma de engajar as pessoas a verem os animais que tinham sido tratados, a partir de resgate, apreensão e entrega voluntária de todo o estado, e depois reintroduzidos na natureza pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama (Cetas). (…)
Em 2023 nasceu o Instituto Fauna Brasil, que deu continuidade ao Vem Passarinhar e ao projeto dos papagaios, além de expandir as espécies para reintrodução na Ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis, desta vez com foco na fauna extinta: bugios-ruivos e pequenos felinos. “O fato de estarmos numa ilha dificulta a refaunação natural. Por isso, a reintrodução acaba sendo uma ferramenta importante para espécies que dificilmente voltariam naturalmente”, explica Vanessa Kanaan. No ano passado, o primeiro projeto de soltura de silvestres trouxe de volta cinco grupos de bugios-ruivos aos remanescentes de Mata Atlântica. (…)
1763 tinha sido o último ano dos bugios-ruivos (Alouatta guariba) nas florestas da ilha de Santa Catarina, segundo relatos científicos. A extinção deles e de tantas outras espécies ali se deu principalmente devido à fragmentação de habitats, ao desmatamento e à caça ilegal. Em 2024, a extinção dos bugios começou a ser revertida com a reintrodução de 16 indivíduos na natureza, sendo três famílias no norte da ilha, no Parque Estadual do Rio Vermelho, e duas famílias no sul, no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri. (…) Cada bugio [resgatado de outras regiões do estado] recebeu um microchip de identificação, e as famílias foram reintroduzidas uma por vez ao longo do primeiro semestre, depois de passar quatro semanas em um recinto telado na floresta para se acostumar com o ambiente novo. (…)
Segundo estudos do Projeto Fauna Floripa, a ilha tem capacidade para abrigar até 1500 indivíduos da espécie. (…) “já sinalizamos para os órgãos ambientais que, no segundo semestre, nós conseguiríamos atender animais encontrados em situação de deslocamento, que vêm de vida livre, de Santa Catarina, Rio Grande do Sul ou da Argentina, que é a nossa unidade genética”, afirma Vanessa. (…)
O trabalho do Instituto para trazer de volta pequenos felinos começou em 2023, com base nos estudos do Projeto Fauna Floripa, que identificou a extinção de seis espécies da família na ilha: suçuarana, onça-pintada, jaguatirica, gato-mourisco, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno. (…) A ausência desses predadores perturbou o equilíbrio natural dos ecossistemas da ilha, provocando, entre outros problemas, o avanço de espécies exóticas invasoras, como os saguis, que estão predando aves nativas. (…)
O projeto também inclui ações de sensibilização e educação ambiental com as comunidades locais, incluindo uma pesquisa de percepção humana online e de porta em porta em relação à possível volta dos felinos, que depende ainda de autorização do governo. As pesquisadoras também estão elaborando materiais para capacitar os professores para falarem das reintroduções de fauna e flora na ilha. (…)
Letícia Klein, Mongabay Brasil, Ecoa e UOL; artigo integral enviado pelo colaborador de GaiaNet Rodrigo Iwersen de São Thiago; foto: Instituto Fauna Brasil.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 45
Os Guarani que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos

Os Guarani estão dispersos em pequenos grupos por vários postos indígenas e, também, por núcleos urbanos. Os que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos. Os grupos desassistidos pelo órgão oficial não têm aldeamentos permanentes. Perambulando de um lugar para outro, esses grupos ora estão na periferia de Porto Alegre, ora nas vizinhanças de Florianópolis ou Curitiba.
Todas as informações que logramos reunir indicam que esses contingentes Guarani pertencem ao grupo Mbüa, oriundos do noroeste da Argentina, do Paraguai e sul do Mato Grosso, sua região tradicional. Esses contingentes não são remanescentes das antigas populações Guarani que, à época da descoberta, ocupavam o litoral do sul do Brasil.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, páginas 23 e 24; foto: Povos Indígenas no Brasil Mirim.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 5
Os maias fracassaram por não terem conseguido solucionar os problemas ecológicos

A concentração de massas humanas cada vez maiores tornou acentuadamente mais difícil o abastecimento de géneros alimentícios. De onde, porém, os habitantes das cidades obtinham suas provisões alimentares? Em que lugares e sob que condições faziam as suas plantações? Havia possibilidades de se incrementar o cultivo agrícola e a criação de animais?
Os maias fracassaram, por exemplo, por não terem conseguido solucionar esses problemas. Embora as suas cidades estivessem localizadas nas úmidas matas tropicais – nas florestas virgens de Palenque e Tical, por exemplo – tiveram que, por fim, abandonar as suas cidades devido à carência de água e à erosão do solo, ocasionada pela derrubada da mata virgem primitiva. Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 82 e 83 ; foto: BigViagem.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
DIA NACIONAL DA MATA ATLÂNTICA

A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo. São 20 mil espécies vegetais, 849 de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e 350 espécies de peixes.
Como a maioria das florestas, esse ecossistema está cada vez mais sofrendo pela ação do homem através do desmatamento e pelas queimadas principalmente.
Assim, por sua importância, dia 27 de maio é comemorado o Dia da Mata Atlântica e tem o objetivo de servir como ponto de reflexão sobre a necessidade de preservação e de conscientização a respeito das ações necessárias para mudar essa realidade. (…)
Fonte: Smart Kids e Página Calendário Ecológico de GaiaNet.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 44
Os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento

A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. “A reserva é um desânimo só”, disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.
Em São João dos Pobres, os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento. Vivem sem assistência oficial. São 4 indivíduos apenas. Um homem e três mulheres. Outrora, em 1920, ano da atração, somavam 50. A terra que ocupam jamais foi regularizada pelos órgãos assistenciais. O precário apoio que recebem é obtido junto aos postos assistenciais dos governos municipais.
O desaparecimento desse grupo, entretanto, está a ocorrer dentro de um quadro muito especial. Trata-se da negativa flagrante dos descendentes mestiços do grupo a assumir a identificação indígena, decorrente dos estereótipos altamente negativos que os regionais mantêm sobre os índios.
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xokleng, página 23; foto: Conselho Indigenista Missionário – Cimi.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 51
Rios brasileiros correm o risco de perder água

Pesquisadores da USP analisaram 17.972 poços localizados a menos de 1 km de rios de todo o Brasil, e encontraram um sinal preocupante: mais da metade deles (55 %) apresentou nível inferior ao do rio mais próximo – indicando que, a longo prazo, os rios podem perder água. (…)
Isso indica que, se existir uma conexão hidráulica entre o rio e o aquífero, esse rio pode estar perdendo água para o aquífero. É um processo natural. Se o nível do aquífero estiver acima do nível do rio, o rio potencialmente está recebendo água do aquífero. Caso contrário, ele está potencialmente perdendo água para o aquífero.
O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.
Fonte: Super Interessante, edição 474, abril 2025, página 12; foto: Jota
Rui Iwersen, editor de GaiaNet

Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 43
A maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais

Orientando o posto indígena desde a pacificação [em 1910] até 1954, Eduardo Hoerhan logrou resguardar a área indígena de Ibirama da exploração dos civilizados regionais. Com a sua destituição, entretanto, esse quadro logo se modificou. Em pouco tempo, os Xokleng passaram a ser utilizados pela sociedade regional em seu potencial de mão de obra e capacidade de consumo, enquanto o potencial florestal da reserva começou a ser sistematicamente explorado.
Sujeitos a situações de trabalho em que predomina a espoliação, a maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais localizadas fora do posto indígena. A agricultura é praticada de modo bastante precário, pois não há condição para os índios, isoladamente, dinamizarem tal atividade. A exploração de madeiras que continuamente vem se fazendo na reserva, pela associação da FUNAI com madeireiros regionais, não utiliza em nenhum momento a mão de obra indígena. A prostituição não é desconhecida por muitos dos elementos do sexo feminino. A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. “A reserva é um desânimo só”, disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 23; foto: BBC News.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 42
Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos

” (…) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam.”
Efetivamente, os Xokleng passaram a enfrentar inimigos mais sutis, mas com maior poder destrutivo. Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos. Os sobreviventes tiveram de se adaptar à vida sedentária, substituindo suas atividades tradicionais de caça e coleta, pelo cultivo de roças. A dieta alimentar foi bruscamente alterada, contribuindo, hoje se sabe, para a disseminação de doenças. O desequilíbrio demográfico, por sua vez, alterou toda a organização tribal, tornando o grupo definitivamente dependente do organismo oficial de proteção.
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: Terra.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 41
O convívio não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios

As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.
Assim sendo, compreende-se porque as técnicas de persuasão empregadas pelo novo e vigoroso Serviço de Proteção aos Índios, além da bravura do jovem Eduardo Hoerhan, convenceram a maioria dos Shokleng sobreviventes ao convívio pacífico. Convívio que entretanto não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios. E isto se depreende nitidamente do seguinte depoimento do pacificador:
” (…) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morreriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam.”
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: AgroSaber.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 25
Mensagem à COP 30 – nº 6
Podemos transformar em mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas

Não será através de um reflorestamento geral de uma paisagem, há muito tempo cultivada, que se poderá fomentar a preservação ou a ampliação de uma paisagem de regeneração.
O que mais importa, nessas tradicionais zonas de cultivo, é realizar florestamento limitado, para conservar, por exemplo, os vales relvados dos maciços centrais e os pastos no alto das serras.
Mesmo assim, ainda fica a possibilidade de se transformar numa mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas que se encontram à disposição.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, páginas 174 e 175; foto: Diário do Nordeste.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 40
A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos

Um terceiro grupo [indígena], entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.
A resistência indígena foi enfrentada pelos governos locais e pelas companhias interessadas nos negócios de colonização, com a organização e estipêndio de grupos de bugreiros. A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos. Mas, segundo o objetivo depoimento de um bugreiro, “o negócio era afugentar pela boca da arma”.
As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 21 e 22; foto: Café História.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 25
Mensagem à COP 30 – nº 5
É preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente

Deve-se encarar a paisagem de regeneração como uma nova forma de exploração do solo, que respeita não só a preservação da natureza, mas que também deve servir ao fomento do turismo. Para que seja garantida a preservação ou a regeneração desta paisagem, é preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente.
Enquanto que nos casos da paisagem da civilização e da de produção agrícola, a ação é dominada pela mentalidade econômica, na paisagem de regeneração é a ecologia que deve ocupar o primeiro plano. É a mentalidade biológica que aqui está a serviço da paisagem considerada globalmente, não importando a rentabilidade que possa ser proporcionada por uma área delimitada. Nos países industrializados, a paisagem de regeneração não mais deve ceder terreno aos outros dois tipos de paisagem.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, página 174; foto: Cesan.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 39
A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi dramática

Os Xokleng estão localizados em Santa Catarina (…) Em Ibirama vivem 270 indivíduos. No núcleo de São João dos Pobres, há 4 sobreviventes Xokleng. Seus descendentes, mestiços, não se identificam como indígenas.
A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi particularmente dramática. A tribo tradicionalmente mantinha suas atividades de subsistência com base nas atividades de caça e coleta. Divididos em grupos de 50 a 200 pessoas, os Xokleng dominavam toda a área de floresta que encobre a área localizada entre o litoral e a encosta do planalto, desde as proximidades de Porto Alegre (RS) até Paranaguá (PR). Esta área somente começou a ser sistematicamente desbravada a partir do momento em que se iniciou a colonização no sul do País, em 1824.
Como o território ocupado pelos Xokleng, à época da colonização, já estava cercada por propriedades civilizadas, os indígenas não tinham para onde fugir. A resistência que opuseram à penetração dos brancos foi contínua e, somente depois da criação do SPI [Serviço de Proteção aos Índios, em 1910], foi possível o contato pacífico com alguns grupos. Assim, Eduardo Hoerhan, em 1914, contatou com um grupo no Alto Vale do Itajaí. Paralelamente, em 1920, João Gomes Pereira travou relações amistosas com o grupo de São João dos Pobres. Um terceiro grupo, entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.
Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 21; foto: Instituto Socioambiental.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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1 Comment to “ Florestas brasileiras”
Daee dotô, blog bombando. Pode crer. valeu meu gaiteiro…