Antropoceno
Informações sobre as transformações do planeta Terra produzidas pela espécie humana no último milhão de anos, desde que iniciamos e aprimoramos o controle e o uso do fogo, de ferramentas e de armas – o Antropoceno.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 41 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 9
No ano 249 surge outra pandemia que devasta a população imperial
A Peste Antonina durou até o ano 180 d.C.. Após uma década e meia de horror, seus efeitos mais graves começaram a se diluir, provavelmente porque quem sobreviveu ganhou imunidade à doença. (…) Não foi exatamente fácil, mas as instituições romanas aguentaram esse primeiro tranco.
A coisa mudou significativamente de figura, porém, no século seguinte. Mais uma vez, os sedimentos marinhos de Tarento registram uma queda abrupta da temperatura e da umidade, que começa por volta do ano 245 d.C. e se prolonga por pelo menos três décadas. Aí, no ano 249, surge outra pandemia que devasta a população imperial.
A doença ficou conhecida como Peste de Cipriano, por causa do santo de mesmo nome, então bispo da cidade de Cartago (atual Tunísia). Cipriano foi um dos responsáveis por registrar a chegada da moléstia. Há grandes dúvidas sobre o causador da pandemia, mas uma possibilidade é que se tratasse de um parente do vírus Ebola, por causa da presença de sintomas hemorrágicos severos. (…) A Peste de Cipriano durou até 262 d.C., e causou enorme destruição.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Brasil Escola – UOL.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 56
Os índios são envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita
Considerados reserva de mão de obra utilizável nos momentos que as fainas agrícolas de plantio ou colheita chegam ao auge, os indígenas são para os agricultores regionais mais uma garantia do sucesso de seus empreendimentos, pelo menos no que se refere ao atendimento das necessidades de trabalho manual. Os índios são assim envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita, quase sempre sob o regime de empreitada ou diária.
O trabalho indígena em toda a região é bastante desvalorizado. Mas ninguém deixa de utilizá-lo. Na maioria dos postos indígenas tornou-se comum, aos domingos pela tarde, chegar caminhões para apanhar índios para o trabalho em fazendas ou em propriedades de pequenos ou médios agricultores das vizinhanças. Já existe uma certa institucionalização para o uso dessa mão de obra. O interessado obtém em primeiro lugar a anuência do chefe do Posto e em seguida acerta com um índio, quase sempre rotulado como “chefe de turma”, as condições de trabalho, número de homens necessários, prazo de permanência e forma de pagamento. A supervisão do chefe do posto, em princípio, pretende eliminar formas vis de exploração, responsabilizando também o interessado quanto à condição particular de tutela a que estão sujeitos os indígenas.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; página 33; foto: Brasil de Fato.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 23
Biodiversidade nº 24
Micróbios pioram o aquecimento global
O aumento na temperatura do planeta está derretendo o Ártico – e isso, como aponta um estudo publicado pela Universidade da Califórnia, vem estimulando a proliferação de micróbios que produzem metano, gás que retém calor na atmosfera e agrava o problema.
Os cientistas analisaram o nível de metano atmosférico entre 2006 e 2023 (período em que ele aumentou), e encontraram uma relação direta entre o teor desse gás no Ártico e o aquecimento global.
Além do fenômeno apontado pelo estudo, atividades humanas como a agricultura e a pecuária também geram muito metano -cada bovino arrota 100 kg desse gás, que se forma durante a digestão, por ano. (BG)
Super Interessante, edição 483, janeiro 2026, página 15; foto: Janela para a Rússia.
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 58
Metade dos ambientes aquáticos contém lixo
E a grande maioria do detritos é de apenas dois tipos: plástico e bitucas.
Metade de todos os ambientes aquáticos (rios, praias e manguezais) do planeta está contaminada por lixo.
Essa é a conclusão de um trabalho de cientistas da Unifesp, que analisaram 298 estudos sobre o tema.
Fonte: Super Interessante, edição 483, janeiro de 2026, página 12; foto: Revista Fapesp
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 16
Logo se chegou à ideia de armazenar a água em cisternas, guardando-a para épocas de carência
Como já se tinha reconhecido que, para as épocas de carência de água, a solução eram os reservatórios especiais, dotados de canos de escoamento em alturas diversas, também se chegou à ideia, óbvia, de que se poderia tentar encontrá-la dentro dos muros da cidade.
Só que nas cidades de então, que, por motivos estratégicos, eram construídas nas encostas das montanhas, apenas raramente se encontravam fontes perenes dentro de seus muros. No entanto, sempre acontecia, durante os períodos chuvosos, que caía mais água dos céus do que se necessitava naquele momento. É por isso que logo se chegou à ideia de armazenar essa água em cisternas, guardando-a para épocas de carência.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 95 e 96; foto: Reddit.
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 40 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 8
O vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império
A sociedade romana já enfrentava uma crise na produção e distribuição de alimentos quando o vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império.
O estrago da pancada epidemiológica teria sido multiplicado pela dificuldade de levar recursos às populações afetadas, o que impulsionou a mortalidade. Era a primeira pandemia da época imperial. Mas não seria a última.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Gazeta do Povo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 55
A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa
O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. A extração de erva mate não chega a garantir condições para a manutenção sazonal das famílias envolvidas nessa atividade. O mesmo ocorre com a coleta do fruto do pinhão.
Somente em Ibirama, onde os recursos existentes quanto à palmeira Euterp edulis eram fartos, os índios por largo tempo viveram dependentes da sua extração. A destruição sistemática dos recursos naturais, especialmente a flora, existentes nas reservas indígenas e procedida por civilizados, aniquilou, na maioria dos postos, a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa. Em Ibirama, por exemplo, a coleta de palmitos é feita fora da reserva indígena, atuando os Xokleng apenas como mão de obra na exploração de palmitais particulares.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; páginas 32 e 33; foto: Jardineiro.net.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 15
Existia o perigo de que o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água
Como ficou explicado [no artigo anterior], as condições climáticas dominantes naquelas épocas remotas nas regiões em que se desenvolviam as antigas civilizações conduziram à necessidade de se armazenar água, pois o volume de água das vertentes e dos rios estava sujeito a consideráveis variações, de acordo com as estações do ano.
Além disso, a luta pela existência também coagia os nossos antepassados, mas por motivo diverso daquele, a economizar água: é que muitos dos dispositivos técnicos descritos, que serviam para o transporte e o armazenamento de água, encontravam-se fora das muralhas de proteção das cidades. Existia pois o perigo de que, por ocasião de algum cerco, o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 95; foto: Metrópoles.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 39 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 7
Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma
E aquela mania de botar gladiadores para brigar com leões, girafas e rinocerontes no Coliseu era alimentada por contatos comerciais com a África subsaariana, que eram intermediados pela Núbia (mais ou menos o atual Sudão) e pelos funcionários provinciais do Egito – dominado por Roma desde os tempos de Augusto.
Tudo isso significava um intenso e constante deslocamento de bens, pessoas e micróbios. Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma. Do ponto de vista epidemiológico, o Império Romano era uma bomba-relógio. Ela explodiu pela primeira vez com a Peste Antonina.
E isso aconteceu no pior momento possível. A Peste Antonina estourou poucas décadas após o final do Ótimo Climático Romano, numa fase que, segundo o estudo paleoclimático de Harper, foi caracterizada por diversos pulsos de resfriamento e diminuição da chuva.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, páginas 50 e 51 ; foto: Toda Matéria
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 57
No Brasil, a maior parte dos gases de efeito estufa vem da troca de florestas por pastos ou lavouras
Enquanto a queima de carvão mineral – principalmente por China e Estados Unidos para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras.
Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO, equivalente (o cálculo de CO, equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990.
Galileu, edição 329, dezembro 2018, O país do futuro, página 27; foto: Blog do Valdemir.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 54
Os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado aos indígenas
Os índios de Ibirama, no caso, se viram momentaneamente privados de uma fonte de renda sem poder, obviamente, compreender as razões do impedimento. Mas, o aspecto que mais nos impressionou, foi reconhecer que os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado de modo inequívoco, aos indígenas. No PI [Posto Indígena] Guarita, localizado no noroeste do Rio Grande do Sul, verificamos que os índios abandonaram as atividades de pescaria. “O rio não tem mais peixe bom. O que tem não se pode comer”.
As plantações de soja das vizinhanças da área indígena, e as realizadas na própria área pela FUNAI, vêm sendo pulverizadas com inseticidas para a prevenção da lagarta. Tais inseticidas não só matam os insetos, como as aves que circulam pelas plantações e que, às vezes, comem insetos e larvas envenenadas. Quebrado o equilíbrio pelo desaparecimento das aves, as quantidades de insetos aumentam assustadoramente. A cada novo ano, torna-se necessário aumentar as quantidades de inseticidas e, assim, a contaminação passa para a terra. Com as chuvas, parte dessa terra contaminada é levada para o rio, aniquilando também a fauna fluvial.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 31; foto: Instituto Humanitas Unisinos.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 14
As latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, usavam a água que escoava dos banhos públicos
Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia. (…) Já atendia à necessidade de se economizar água o simples fato de que as latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, não eram servidas com agua potável, pois se usava a água que escoava dos banhos públicos.
Nós, hoje em dia, acreditamos que, com relação ao consumo de água, podemos nos permitir maiores liberalidades que o normal das grandes cidades da Antiguidade: que erro mais fatal!
No futuro, como acontecia nos séculos passados, vamos ter de usar a água potável somente para beber. Do contrário, ela se tornará cara demais, principalmente porque temos de mantê-la livre não só de germes patogênicos mas também da presença de produtos de combate a animais daninhos, hormônios, detergentes, essências aromáticas, etc. Queiramos ou não, num futuro próximo teremos de adotar os antigos métodos que serviam para economizar a água potável.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 94 e 95; foto: MDig.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 38 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 6
Dia a dia os romanos empurravam as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada
Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da “região metropolitana” de Roma. Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.
Além disso, os romanos se transformaram numa superpotência dos cereais incorporando terras cada vez mais marginais (como encostas de morros na Itália, ou a beirada do deserto no Oriente Médio) em suas zonas cultivadas. “Dia a dia eles empurram as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada”, escreveu o poeta Lucrécio, que morreu por volta do ano 55 a.C.
O problema é que essas são justamente as áreas mais vulneráveis a alterações no clima. Bastava esfriar alguns graus ou deixar de chover alguns dias por ano – e, no caso do clima do Mediterrâneo, não é incomum que essas coisas venham juntas – para que as plantações “de fronteira” se tornassem inviáveis, e até as áreas mais propícias para o cultivo passassem a produzir bem menos. Em suma, o lado agrícola do Império tinha bases frágeis.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 50; foto: National Geographic.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos nº 21
Os navajos voltaram para casa mas muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos
Antes de poderem partir [de volta para suas casas], os chefes tiveram de assinar o novo tratado (1º de junho de 1868), que começava assim: “A partir deste dia, deve cessar, para sempre, toda guerra entre as partes deste acordo”. Barboncito assinou primeiro, depois Armijo, Delgadito, Manuelito, Herrero Grande e sete outros.
“As noites e os dias ficaram compridos antes que chegasse a hora de irmos para nossos lares”, disse Manuelito. “Um dia antes da partida, andamos um pouco na direção de casa, porque estávamos muito ansiosos para partir. (…) Quando vimos o cimo da montanha de Albuquerque, imaginamos que fosse nossa montanha, sentimo-nos como que conversando com o chão, tanto gostávamos dele, e alguns dos velhos e das mulheres gritavam de alegria quando atingiram seus lares.”
E assim, os navajos voltaram para casa. Quando as novas fronteiras da reserva foram demarcadas, muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos. A vida não seria fácil. Teriam de lutar para resistir. Apesar de tudo, os navajos viriam a saber que eram os menos infelizes dos índios do Oeste. Para os outros, mal começara a provação.
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas 52 e 53; foto: Native Indian Tribes.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 53
Em muitas reservas indígenas não existe uma única área coberta por floresta primária ou secundária
Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados. (…)
Mas não só o pinheiro foi explorado. As madeiras de lei são, ainda hoje, a razão de diversos contratos, e o palmito foi motivo, inclusive, para que toda a população Xokleng abandonasse as atividades agrícolas que desde a sua pacificação vinham servindo como base para sua sobrevivência.
Não é de se estranhar, pois, que em muitas reservas indígenas não exista uma única área coberta por floresta primária ou secundária. A destruição da cobertura florestal, nesses casos, foi drástica. Com ela, naturalmente, desapareceu a fauna. Assim, a maioria dos índios não tem como complementar sua dieta alimentar, seja pela caça, seja pela coleta de frutos silvestres ou mel.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 29; foto: MST.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 13
Nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia
A água subterrânea sobe ou desce de acordo com as precipitações pluviais. Se o volume de água que jorra das vertentes aumenta ou diminui, a mesma coisa acontece com as águas dos rios. Este fato era tão conhecido na Antiguidade como hoje em dia. Só que nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia.
Lavar o carro quando há falta de água, usar água potável na descarga dos vasos sanitários, utilizar água pura para a limpeza das ruas, são coisas a que só nós nos damos ao luxo. Nos últimos tempos, porém, já estão aparecendo exemplos de uso econômico da água. Em Paris, a limpeza das sarjetas é realizada, de quando em quando, não com água potável mas com água retirada do Sena.
Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 93 e 94; foto: Culturalizando.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 37 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 5
As condições climáticas ideais no Império Romano favoreceram uma explosão do cultivo de cereais
A vida dentro dessas fronteiras [do Império Romano] costumava ser próspera e pacífica. Raramente algum inimigo ousava desafiar o imperador para valer. (…)
Para alcançar esse sucesso, é claro que Roma podia contar com exércitos profissionais muito bem organizados, estradas planejadas com esmero e uma engenharia civil de dar inveja a muitas prefeituras por aí. Mas a verdadeira base do mundo romano, assim como a de quase qualquer outra civilização antiga, era a produtividade agrícola. E as condições climáticas ideais até 130 d.C., junto com o crescimento de uma espécie de “agronegócio” (turbinado por trabalho escravo em grandes fazendas), favoreceram uma explosão do cultivo de cereais, em especial o trigo e a cevada.
Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da “região metropolitana” de Roma.
Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 49; foto: Padre Paulo Ricardo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos nº 20
Os navajos defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com heroísmo
Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros [indígenas] eram apenas bocas e corpos: (…) E nenhum defensor de Destino Manifesto jamais expressou seu apoio a essa filosofia mais lisonjeiramente que ele:
“O êxodo de todo esse povo da terra de seus pais é uma visão não só interessante, como também tocante. Combateram-nos corajosamente anos e anos; defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com um heroísmo que qualquer povo poderia se orgulhar de igualar; mas, quando afinal descobriram que seu destino, também como o de seus irmãos, tribo após tribo, no sentido contrário do nascer do sol, era dar lugar ao insaciável progresso de nossa raça, depuseram suas armas e, como homens corajosos merecedores de nossa admiração e respeito, vieram a nós com confiança em nossa magnanimidade, julgando que éramos um povo demasiado poderoso e justo para retribuir essa confiança com baixeza e negligência – achando que, tendo-nos sacrificado sua bela região, seus lares, as amizades de suas vidas, as cenas tornadas clássicas em suas tradições, não lhes daríamos uma recompensa miserável em troca do que eles e nós sabemos ser uma região magnífica.”
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas 48 e 49; foto: Texas Angels.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52
Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena
Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. Depois de mais de 20 anos de exploração em pequena escala, onde a conivência do chefe do posto indígena estabelecia a quantidade de pinheiros que seriam derrubados, a inspetoria do SPI em Curitiba decidiu formalizar um contrato de exploração com madeireiros locais. Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; páginas 28 e 29; foto: PrePara Enem.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 12
O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais
Acompanhando a construção dos aquedutos, foram erguidos também castelos de água (castella) que em geral possuíam três câmaras. A câmara central, que recebia o excedente de ambas as câmaras externas, alimentava as fontes, enquanto que das câmaras externas saíam os encanamentos para os banhos públicos e para as casas de particulares.
O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais. Nas canalizações eram construídos tanques de sedimentação (piscinae) que serviam de filtro, dispositivo que já se conhecia dos encanamentos dos palácios micênicos. Não se sabe ainda com certeza se esses tanques serviam, além disso, como tanques de peixes ou tanques experimentais de peixes, utilizados para se verificar a qualidade da água segundo o comportamento dos peixes. Tal como nós, hoje em dia, construímos tanques experimentais de peixes vinculados aos medidores estacionários da qualidade das águas, para daí se tirarem as correspondentes conclusões quanto à qualidade da água, de acordo com o comportamento dos peixes, é possível também que os romanos usassem seus tanques com idêntica finalidade.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 92 e 93; foto: Conhecimento Científico.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 36 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 4
O Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C.
… essa fase “ótima” se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.
Um estudo recente, assinado pela geóloga Karin Zonneveld, da Universidade de Bremen, e pelo historiador Kyle Harper, da Universidade de Oklahoma, reconstruiu as condições climáticas desse período e dos séculos que o seguiram. Os pesquisadores conseguiram fazer isso com alta precisão: sua margem de erro é de apenas três anos.
O estudo concluiu que o Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C.. É justamente a fase em que os exércitos romanos foram conquistando cada vez mais territórios Mediterrâneo afora, da Espanha á Ásia Menor (atual Turquia). A supremacia deles se tornou tão incontestável que eles passaram a chamar a bacia de Mare Nostrum: “nosso mar”.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Guia da Itália.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 19
O magnífico território pastoril e mineral que nos cederam é um território cujo valor dificilmente pode ser estimado
Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.
Enquanto isso, o Chefe Estrelado Carleton convencera o vigário de Santa Fé a cantar um Te Deum em homenagem à bem-sucedida remoção dos navajos para o Bosque, empreendida pelo Exército. O general descreveu o lugar para seus em Washington como “uma excelente reserva… não há razão para que eles (os navajos) não sejam os índios mais felizes, prósperos e bem providos dos Estados Unidos… De qualquer modo… podemos alimentá-los a preço bem menor do que guerrear com eles”.
Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros eram apenas bocas e corpos:
“Essas seis mil bocas precisam comer, e esses seis mil corpos precisam se vestir. Quando se considera o magnífico território pastoril e mineral que nos cederam – um território cujo valor dificilmente pode ser estimado -, a ninharia, em comparação, que lhes deve ser dada para sobreviver representa uma insignificância como paga da sua herança natural.”
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, página 48; foto: iStock.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51
A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento
Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. O surgimento do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, basicamente não veio alterar este quadro.
Na medida em que os recursos naturais localizados na região eram explorados, o potencial existente nas terras ocupadas pelos índios começava a ser alvo do interesse de civilizados. No sul do Brasil, as reservas indígenas começaram inicialmente a ser exploradas em seus recursos florestais. Prevalecendo como cobertura florestal, na maioria das reservas, a Araucária angustifólia, espécie de grande valor econômico, foi explorada até seu quase esgotamento.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 28; foto: CicloVivo.
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A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 11
Os grandiosos aquedutos de Roma mostravam o poderio político do império
O motivo principal de tão grandiosos aquedutos [de Roma] gira em torno de uma auto-afirmação do poderio político do império que justifica a construção de arcos tão grandes que podem ser vistos à distância. Já naquela época, quando se tratava da construção de aquedutos, entravam em linha de conta certas contingencias políticas. É por isso que mesmo a história do desenvolvimento das estações de tratamento de água não se orienta apenas pelos conhecimentos proporcionados pelo progresso técnico.
Também aqui têm influência certos aspectos ligados à política da época. Toda pessoa que exerce atividade no setor da economia hídrica sabe que, por motivos tanto ópticos como políticos, é mais difícil conseguir verbas para a construção de canalizações e câmaras subterrâneas de tratamento de água do que para uma estação de tratamento que pode ser vista e visitada por qualquer pessoa; isto é, o político pode mostrar o que vem realizando. Tais ponderações não são realmente apenas de hoje, pois já eram conhecidas na Antiguidade.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 91; foto: Shutterstock.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 35 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 3
Os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura
Os desastres ocorridos a partir de 166 d.C. talvez tenham sido ainda mais dolorosos porque vieram na esteira de alguns séculos de bonança, durante os quais as divindades pareciam ter abençoado as vastas terras regidas por Roma. De fato, de acordo com vários estudos paleoclimatológicos (que reconstroem o clima do passado), os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura.
Esse período foi tão bom que recebeu a designação oficial de “ótimo”. Para ser mais exato, o de Ótimo Climático Romano (a palavra, nesse contexto, tem o sentido de “condições ideais”). Embora a Itália e as regiões vizinhas da bacia do mar Mediterrâneo, que sempre foram o núcleo mais importante da civilização romana, sejam notórias pela relativa instabilidade climática, com presença intermitente de grandes secas e invernos severos, essa fase “ótima” se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Itálica.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 55
Aquecimento global – a febre de Gaia, o planeta vivo doente
Dados confirmaram que 2024 foi o primeiro ano a ultrapassar a marca de 1,5 º C de aquecimento global em relação a níveis pré-industriais. (1)
Um estudo analisou 23 mil espécies de peixes e crustáceos de água doce – e descobriu que 24% correm risco de extinção. (2)
Fonte: Super Interessante, edição 472, fevereiro 2025, página 32; 1 – Organização Mundial de Meteorologia; 2 – International Union for Conservation of Nature (IUCN); foto: Pensamento verde.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 18
Todas as árvores da região foram cortadas, só sobrando raízes para queimar
Durante o outono, os navajos que haviam escapado do Bosque Redondo começaram a voltar para sua terra, com histórias terríveis do que estava acontecendo ali ao povo. Era uma terra ruim, disseram. Os soldados os empurravam com baionetas e os arrebanhavam em recintos de paredes de adobe, onde os chefes dos soldados sempre os estavam contando e anotando números em livrinhos. Os chefes dos soldados prometeram-lhes roupas, cobertores e melhor comida, mas suas promessas nunca foram cumpridas.
Todos os choupos-do-canadá e mesquites [árvores da região] foram cortados, só sobrando raízes para queimar. Para se abrigar da chuva e do sol, precisavam cavar buracos no chão arenoso, cobri-los e forrá-los com montes de grama trançada. Viviam como marmotas em tocas. Com as poucas ferramentas que os soldados lhes deram, rasgaram o solo das terras de aluvião do rio Pecos e plantaram cereal, mas as enchentes, as secas e os insetos mataram as colheitas e, agora, todos viviam com meia-ração. Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas 47 e 48; foto: Got2Globe.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 50
A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro
Atraídos ao convívio com representantes da sociedade nacional, os integrantes dos diversos grupos indígenas logo ficaram em situação de dependência. Dependência decorrente, em termos de macro visão, do fato das sociedades indígenas não disporem de conhecimentos capazes de fundamentar uma oposição lógica à sua dominação. Daí se compreende que o destino de muitos grupos indígenas foi e é decidido por detentores de condições que permitem orientar os rumos da utilização dos espaços geográficos e seus recursos naturais.
No passado, isto ocorreu quando companhias julgaram conveniente, em termos financeiros, estimular a migração de contingentes europeus para as terras recém-descobertas da América. Hoje, quando se decide, com base em dados obtidos por meios tecnologicamente sofisticados, como por exemplo aqueles fornecidos pelos satélites, a exploração de jazidas minerais, a sistemática decisória continua a mesma. Apenas a agressividade com que as novas decisões são tomadas chama a atenção. Agressividade que se expressa pela rapidez com que recursos financeiros e humanos são alocados, para a obtenção, no menor prazo, de resultados compensadores. A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro, e, nesse afă, ele está a utilizar e a destruir, irrefletidamente, largas parcelas do quadro natural existente na superfície terrestre.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, página 27; foto: AgroSaber.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 10
Bem cedo foi notado que a presença de água límpida em quantidade suficiente podia saciar a sede e atender as exigências higiênicas
No início, as povoações sempre foram erguidas nas proximidades de fontes de água. Com a transformação dos povoados em cidades, as reservas das vertentes das proximidades deixavam, em muitos casos, de ser suficientes, ainda mais que se encontravam muito expostas à contaminação.
Bem cedo foi notado que, graças à presença de água límpida em quantidade suficiente, não só se podia saciar a sede e fazer funcionar muitos poços e banhos públicos, mas também, além disso, podia-se atender a exigências higiênicas importantes. O que nos deve causar admiração não é o fato de que a água potável tenha sido transportada através de longas distâncias, mas que tenha sido reconhecida a tempo a necessidade de se realizarem tais obras para manter saudáveis as populações.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 88; foto: Mega Curioso.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 34 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 2
O Império Romano sofreu com mudanças climáticas
Novos estudos sobre os micróbios e o clima do passado têm revelado que os romanos tiveram de enfrentar forças ainda mais insidiosas e destrutivas que os deuses do Olimpo. Além dessa primeira pandemia [a Peste Antonina – provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas], que realmente ocorreu, o Império Romano sofreu com mudanças climáticas e, ironicamente, foi vítima de seu próprio sucesso, que o levara às regiões mais distantes da Ásia e da África – mas acabou tornando Roma vulnerável a uma sucessão de golpes do destino, que levaram seu poderio à fragmentação e ao desaparecimento.
Essa nova visão sobre o declínio e a queda do Império Romano não descarta, é claro, a relevância dos inimigos externos (principalmente os chamados bárbaros, em geral tribos guerreiras que falavam línguas germânicas, como as ancestrais do alemão e do inglês de hoje). Também não ignora as picuinhas e os duelos mortais que devastavam a elite romana de vez em quando, enfraquecendo ainda mais o domínio dos Césares. Esses fatores foram importantes – e podem ter sido alimentados pelos demais, criando uma espiral de desastres.
Mas a nova abordagem histórica de Roma admite a profunda dependência que as civilizações antigas, mesmo as mais sofisticadas, tinham em relação ao seu ambiente natural – algo que, num mundo de emergência climática e pandemias como o nosso, se torna cada vez mais familiar.
Fonte: Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 47 e 48; foto: PrePara Enem
Rui Iwersen, editor de GaiaNet
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 17
Os navajos consideravam o escalpo um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis
Em 18 de agosto [de 1863], o general [Carleton] decidiu “estimular o zelo” de suas tropas, estabelecendo um prêmio em dinheiro pelo gado navajo capturado. Ofereceu vinte dólares por “cada cavalo ou mula sadios e aproveitáveis” e um dólar por cabeça pelos carneiros trazidos ao oficial de intendência, em Fort Canby.
Como o salário dos soldados era de menos de vinte dólares mensais, a oferta generosa estimulou-os bastante, e alguns dos homens estenderam-na aos poucos navajos que podiam matar. Para provar suas habilidades militares, começaram a cortar o punhado de cabelo que os navajos prendiam com uma faixa vermelha na cabeça.
Os navajos não podiam acreditar que Carson [líder dos Casacos Azuis] permitisse o escalpo, que consideravam um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis. (Os europeus podem ou não ter introduzido o escalpo no Novo Mundo, mas colonos espanhóis, holandeses, franceses e ingleses tornaram popular o costume de se oferecerem prêmios pelos escalpos de seus respectivos inimigos.)
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, página 42; foto: FRRRKguys.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 49
Pode-se dizer que os Xetá estão extintos
Os Xetá eram nômades. Sua alimentação baseava-se na caça e na coleta de alimentos, destacando-se na sua dieta o aproveitamento dos frutos e da medula da palmeira macaúba. Possuíam aldeias temporárias, localizadas em pequenas clareiras. Não conheciam instrumentos de cerâmica. Usavam implementos feitos de ossos, dentes, pedras e madeira.
Seguramente, pode-se dizer que o grupo está extinto. Os Xetá sobreviventes foram localizados separadamente, de maneira que as possibilidades de socialização dos membros jovens segundo os padrões do grupo foram eliminadas. E, a tal ponto isto ocorreu, que as únicas crianças sobreviventes, com aproximadamente 12 e 10 anos de idade, falam a língua Kaingang e não Xetá.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 26; foto: JOTA.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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- Published in Informação Ecológica

































































