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Saúde ambiental

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Informações sobre as condições de saúde da Terra, um planeta doente, com humanos e outros animais transtornados, solo contaminado e em desertificação, rios, lagos, mares e atmosfera poluídos e insalubres.

 

Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 41 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 9

No ano 249 surge outra pandemia que devasta a população imperial

A Peste Antonina durou até o ano 180 d.C.. Após uma década e meia de horror, seus efeitos mais graves começaram a se diluir, provavelmente porque quem sobreviveu ganhou imunidade à doença. (…) Não foi exatamente fácil, mas as instituições romanas aguentaram esse primeiro tranco.

A coisa mudou significativamente de figura, porém, no século seguinte. Mais uma vez, os sedimentos marinhos de Tarento registram uma queda abrupta da temperatura e da umidade, que começa por volta do ano 245 d.C. e se prolonga por pelo menos três décadas. Aí, no ano 249, surge outra pandemia que devasta a população imperial.

A doença ficou conhecida como Peste de Cipriano, por causa do santo de mesmo nome, então bispo da cidade de Cartago (atual Tunísia). Cipriano foi um dos responsáveis por registrar a chegada da moléstia. Há grandes dúvidas sobre o causador da pandemia, mas uma possibilidade é que se tratasse de um parente do vírus Ebola, por causa da presença de sintomas hemorrágicos severos. (…) A Peste de Cipriano durou até 262 d.C., e causou enorme destruição.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Brasil Escola – UOL.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 56 

Os índios são envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita    

Considerados reserva de mão de obra utilizável nos momentos que as fainas agrícolas de plantio ou colheita chegam ao auge, os indígenas são para os agricultores regionais mais uma garantia do sucesso de seus empreendimentos, pelo menos no que se refere ao atendimento das necessidades de trabalho manual. Os índios são assim envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita, quase sempre sob o regime de empreitada ou diária.

O trabalho indígena em toda a região é bastante desvalorizado. Mas ninguém deixa de utilizá-lo. Na maioria dos postos indígenas tornou-se comum, aos domingos pela tarde, chegar caminhões para apanhar índios para o trabalho em fazendas ou em propriedades de pequenos ou médios agricultores das vizinhanças. Já existe uma certa institucionalização para o uso dessa mão de obra. O interessado obtém em primeiro lugar a anuência do chefe do Posto e em seguida acerta com um índio, quase sempre rotulado como “chefe de turma”, as condições de trabalho, número de homens necessários, prazo de permanência e forma de pagamento. A supervisão do chefe do posto, em princípio, pretende eliminar formas vis de exploração, responsabilizando também o interessado quanto à condição particular de tutela a que estão sujeitos os indígenas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; página 33; foto: Brasil de Fato. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 24

Micróbios pioram o aquecimento global

O aumento na temperatura do planeta está derretendo o Ártico – e isso, como aponta um estudo publicado pela Universidade da Califórnia, vem estimulando a proliferação de micróbios que produzem metano, gás que retém calor na atmosfera e agrava o problema.

Os cientistas analisaram o nível de metano atmosférico entre 2006 e 2023 (período em que ele aumentou), e encontraram uma relação direta entre o teor desse gás no Ártico e o aquecimento global.

Além do fenômeno apontado pelo estudo, atividades humanas como a agricultura e a pecuária também geram muito metano – cada bovino arrota 100 kg desse gás, que se forma durante a digestão, por ano. (BG)

Super Interessante, edição 483, janeiro 2026, página 15; foto: Janela para a Rússia.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

Metade dos ambientes aquáticos contém lixo

E a grande maioria do detritos é de apenas dois tipos: plástico e bitucas.

Metade de todos os ambientes aquáticos (rios, praias e manguezais) do planeta está contaminada por lixo.

Essa  é a conclusão de um trabalho de cientistas da Unifesp, que analisaram 298 estudos sobre o tema.

Fonte: Super Interessante, edição 483, janeiro de 2026, página 12; foto: Revista Fapesp

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 16

Logo se chegou à ideia de armazenar a água em cisternas, guardando-a para épocas de carência

Como já se tinha reconhecido que, para as épocas de carência de água, a solução eram os reservatórios especiais, dotados de canos de escoamento em alturas diversas, também se chegou à ideia, óbvia, de que se poderia tentar encontrá-la dentro dos muros da cidade.

Só que nas cidades de então, que, por motivos estratégicos, eram construídas nas encostas das montanhas, apenas raramente se encontravam fontes perenes dentro de seus muros. No entanto, sempre acontecia, durante os períodos chuvosos, que caía mais água dos céus do que se necessitava naquele momento. É por isso que logo se chegou à ideia de armazenar essa água em cisternas, guardando-a para épocas de carência.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 95 e 96; foto: Reddit.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 40 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 8

O vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império

A sociedade romana já enfrentava uma crise na produção e distribuição de alimentos quando o vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império.

O estrago da pancada epidemiológica teria sido multiplicado pela dificuldade de levar recursos às populações afetadas, o que impulsionou a mortalidade. Era a primeira pandemia da época imperial. Mas não seria a última.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Gazeta do Povo.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

O negacionismo das vacinas nos Estados Unidos

Os resultados [do negacionismo] já aparecem: em pleno 2025, os EUA vivem o maior surto de sarampo desde que ganharam o selo de livre do vírus pela OMS, em 2000. Já são mais de 1800 casos da doença (que é altamente contagiosa) e três mortes, sendo duas crianças.

O surto começou no Texas e está se espalhando para outros estados, cortesia da baixa vacinação. Se o problema não for contido até janeiro de 2026, o país pode perder o status de eliminação. Casos de coqueluche também aumentam rapidamente por lá.

Fonte: Super Interessante, edição 482, dezembro de 2025, O lobo do negacionismo está no poder, página 8; foto: Dr. Consulta. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 55 

A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa   

O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. A extração de erva mate não chega a garantir condições para a manutenção sazonal das famílias envolvidas nessa atividade. O mesmo ocorre com a coleta do fruto do pinhão.

Somente em Ibirama, onde os recursos existentes quanto à palmeira Euterp edulis eram fartos, os índios por largo tempo viveram dependentes da sua extração. A destruição sistemática dos recursos naturais, especialmente a flora, existentes nas reservas indígenas e procedida por civilizados, aniquilou, na maioria dos postos, a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa. Em Ibirama, por exemplo, a coleta de palmitos é feita fora da reserva indígena, atuando os Xokleng apenas como mão de obra na exploração de palmitais particulares.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; páginas 32 e 33; foto: Jardineiro.net. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 15

Existia o perigo de que o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água

Como ficou explicado [no artigo anterior], as condições climáticas dominantes naquelas épocas remotas nas regiões em que se desenvolviam as antigas civilizações conduziram à necessidade de se armazenar água, pois o volume de água das vertentes e dos rios estava sujeito a consideráveis variações, de acordo com as estações do ano.

Além disso, a luta pela existência também coagia os nossos antepassados, mas por motivo diverso daquele, a economizar água: é que muitos dos dispositivos técnicos descritos, que serviam para o transporte e o armazenamento de água, encontravam-se fora das muralhas de proteção das cidades. Existia pois o perigo de que, por ocasião de algum cerco, o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 95; foto: Metrópoles.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 39 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 7

Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma

E aquela mania de botar gladiadores para brigar com leões, girafas e rinocerontes no Coliseu era alimentada por contatos comerciais com a África subsaariana, que eram intermediados pela Núbia (mais ou menos o atual Sudão) e pelos funcionários provinciais do Egito – dominado por Roma desde os tempos de Augusto.

Tudo isso significava um intenso e constante deslocamento de bens, pessoas e micróbios. Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma. Do ponto de vista epidemiológico, o Império Romano era uma bomba-relógio. Ela explodiu pela primeira vez com a Peste Antonina.
E isso aconteceu no pior momento possível. A Peste Antonina estourou poucas décadas após o final do Ótimo Climático Romano, numa fase que, segundo o estudo paleoclimático de Harper, foi caracterizada por diversos pulsos de resfriamento e diminuição da chuva.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, páginas 50 e 51 ; foto: Toda Matéria 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 57

No Brasil, a maior parte dos gases de efeito estufa vem da troca de florestas por pastos ou lavouras   

Enquanto a queima de carvão mineral – principalmente por China e Estados Unidos para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras.

Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO, equivalente (o cálculo de CO, equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990.

Galileu, edição 329, dezembro 2018, O país do futuro, página 27; foto: Blog do Valdemir.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 54 

Os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado aos indígenas  

Os índios de Ibirama, no caso, se viram momentaneamente privados de uma fonte de renda sem poder, obviamente, compreender as razões do impedimento. Mas, o aspecto que mais nos impressionou, foi reconhecer que os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado de modo inequívoco, aos indígenas.  No PI [Posto Indígena] Guarita, localizado no noroeste do Rio Grande do Sul, verificamos que os índios abandonaram as atividades de pescaria. “O rio não tem mais peixe bom. O que tem não se pode comer”.

As plantações de soja das vizinhanças da área indígena, e as realizadas na própria área pela FUNAI, vêm sendo pulverizadas com inseticidas para a prevenção da lagarta. Tais inseticidas não só matam os insetos, como as aves que circulam pelas plantações e que, às vezes, comem insetos e larvas envenenadas. Quebrado o equilíbrio pelo desaparecimento das aves, as quantidades de insetos aumentam assustadoramente. A cada novo ano, torna-se necessário aumentar as quantidades de inseticidas e, assim, a contaminação passa para a terra. Com as chuvas, parte dessa terra contaminada é levada para o rio, aniquilando também a fauna fluvial.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 31; foto: Instituto Humanitas Unisinos. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 14

As latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, usavam a água que escoava dos banhos públicos  

Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia. (…) Já atendia à necessidade de se economizar água o simples fato de que as latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, não eram servidas com agua potável, pois se usava a água que escoava dos banhos públicos.

Nós, hoje em dia, acreditamos que, com relação ao consumo de água, podemos nos permitir maiores liberalidades que o normal das grandes cidades da Antiguidade: que erro mais fatal!

No futuro, como acontecia nos séculos passados, vamos ter de usar a água potável somente para beber. Do contrário, ela se tornará cara demais, principalmente porque temos de mantê-la livre não só de germes patogênicos mas também da presença de produtos de combate a animais daninhos, hormônios, detergentes, essências aromáticas, etc. Queiramos ou não, num futuro próximo teremos de adotar os antigos métodos que serviam para economizar a água potável.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 94 e 95; foto: MDig.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 38 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 6

Dia a dia os romanos empurravam as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada

Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da “região metropolitana” de Roma. Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.

Além disso, os romanos se transformaram numa superpotência dos cereais incorporando terras cada vez mais marginais (como encostas de morros na Itália, ou a beirada do deserto no Oriente Médio) em suas zonas cultivadas. “Dia a dia eles empurram as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada”, escreveu o poeta Lucrécio, que morreu por volta do ano 55 a.C.

O problema é que essas são justamente as áreas mais vulneráveis a alterações no clima. Bastava esfriar alguns graus ou deixar de chover alguns dias por ano – e, no caso do clima do Mediterrâneo, não é incomum que essas coisas venham juntas – para que as plantações “de fronteira” se tornassem inviáveis, e até as áreas mais propícias para o cultivo passassem a produzir bem menos. Em suma, o lado agrícola do Império tinha bases frágeis.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 50; foto: National Geographic.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 21

Os navajos voltaram para casa mas muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos  

Antes de poderem partir [de volta para suas casas], os chefes tiveram de assinar o novo tratado (1º de junho de 1868), que começava assim: “A partir deste dia, deve cessar, para sempre, toda guerra entre as partes deste acordo”. Barboncito assinou primeiro, depois Armijo, Delgadito, Manuelito, Herrero Grande e sete outros.

“As noites e os dias ficaram compridos antes que chegasse a hora de irmos para nossos lares”, disse Manuelito. “Um dia antes da partida, andamos um pouco na direção de casa, porque estávamos muito ansiosos para partir. (…) Quando vimos o cimo da montanha de Albuquerque, imaginamos que fosse nossa montanha, sentimo-nos como que conversando com o chão, tanto gostávamos dele, e alguns dos velhos e das mulheres gritavam de alegria quando atingiram seus lares.”

E assim, os navajos voltaram para casa. Quando as novas fronteiras da reserva foram demarcadas, muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos. A vida não seria fácil. Teriam de lutar para resistir. Apesar de tudo, os navajos viriam a saber que eram os menos infelizes dos índios do Oeste. Para os outros, mal começara a provação.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas 52 e 53; foto: Native Indian Tribes.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 53 

Em muitas reservas indígenas não existe uma única área coberta por floresta primária ou secundária   

Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados. (…)

Mas não só o pinheiro foi explorado. As madeiras de lei são, ainda hoje, a razão de diversos contratos, e o palmito foi motivo, inclusive, para que toda a população Xokleng abandonasse as atividades agrícolas que desde a sua pacificação vinham servindo como base para sua sobrevivência.

Não é de se estranhar, pois, que em muitas reservas indígenas não exista uma única área coberta por floresta primária ou secundária. A destruição da cobertura florestal, nesses casos, foi drástica. Com ela, naturalmente, desapareceu a fauna. Assim, a maioria dos índios não tem como complementar sua dieta alimentar, seja pela caça, seja pela coleta de frutos silvestres ou mel.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 29; foto: MST. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 13

Nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia 

A água subterrânea sobe ou desce de acordo com as precipitações pluviais. Se o volume de água que jorra das vertentes aumenta ou diminui, a mesma coisa acontece com as águas dos rios. Este fato era tão conhecido na Antiguidade como hoje em dia. Só que nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia.

Lavar o carro quando há falta de água, usar água potável na descarga dos vasos sanitários, utilizar água pura para a limpeza das ruas, são coisas a que só nós nos damos ao luxo. Nos últimos tempos, porém, já estão aparecendo exemplos de uso econômico da água. Em Paris, a limpeza das sarjetas é realizada, de quando em quando, não com água potável mas com água retirada do Sena.

Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 93 e 94; foto: Culturalizando.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 37 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 5

As condições climáticas ideais no Império Romano favoreceram uma explosão do cultivo de cereais 

A vida dentro dessas fronteiras [do Império Romano] costumava ser próspera e pacífica. Raramente algum inimigo ousava desafiar o imperador para valer. (…)

Para alcançar esse sucesso, é claro que Roma podia contar com exércitos profissionais muito bem organizados, estradas planejadas com esmero e uma engenharia civil de dar inveja a muitas prefeituras por aí. Mas a verdadeira base do mundo romano, assim como a de quase qualquer outra civilização antiga, era a produtividade agrícola. E as condições climáticas ideais até 130 d.C., junto com o crescimento de uma espécie de “agronegócio” (turbinado por trabalho escravo em grandes fazendas), favoreceram uma explosão do cultivo de cereais, em especial o trigo e a cevada.

Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da “região metropolitana” de Roma.

Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 49; foto: Padre Paulo Ricardo.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 20

Os navajos defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com heroísmo 

Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros [indígenas] eram apenas bocas e corpos: (…) E nenhum defensor de Destino Manifesto jamais expressou seu apoio a essa filosofia mais lisonjeiramente que ele:

“O êxodo de todo esse povo da terra de seus pais é uma visão não só interessante, como também tocante. Combateram-nos corajosamente anos e anos; defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com um heroísmo que qualquer povo poderia se orgulhar de igualar; mas, quando afinal descobriram que seu destino, também como o de seus irmãos, tribo após tribo, no sentido contrário do nascer do sol, era dar lugar ao insaciável progresso de nossa raça, depuseram suas armas e, como homens corajosos merecedores de nossa admiração e respeito, vieram a nós com confiança em nossa magnanimidade, julgando que éramos um povo demasiado poderoso e justo para retribuir essa confiança com baixeza e negligência – achando que, tendo-nos sacrificado sua bela região, seus lares, as amizades de suas vidas, as cenas tornadas clássicas em suas tradições, não lhes daríamos uma recompensa miserável em troca do que eles e nós sabemos ser uma região magnífica.”

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas  48 e 49; foto: Texas Angels.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52 

Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena  

Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. Depois de mais de 20 anos de exploração em pequena escala, onde a conivência do chefe do posto indígena estabelecia a quantidade de pinheiros que seriam derrubados, a inspetoria do SPI em Curitiba decidiu formalizar um contrato de exploração com madeireiros locais. Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; páginas 28 e 29; foto: PrePara Enem. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 12

O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais 

Acompanhando a construção dos aquedutos, foram erguidos também castelos de água (castella) que em geral possuíam três câmaras. A câmara central, que recebia o excedente de ambas as câmaras externas, alimentava as fontes, enquanto que das câmaras externas saíam os encanamentos para os banhos públicos e para as casas de particulares.

O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais. Nas canalizações eram construídos tanques de sedimentação (piscinae) que serviam de filtro, dispositivo que já se conhecia dos encanamentos dos palácios micênicos. Não se sabe ainda com certeza se esses tanques serviam, além disso, como tanques de peixes ou tanques experimentais de peixes, utilizados para se verificar a qualidade da água segundo o comportamento dos peixes. Tal como nós, hoje em dia, construímos tanques experimentais de peixes vinculados aos medidores estacionários da qualidade das águas, para daí se tirarem as correspondentes conclusões quanto à qualidade da água, de acordo com o comportamento dos peixes, é possível também que os romanos usassem seus tanques com idêntica finalidade.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 92 e 93; foto: Conhecimento Científico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 36 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 4

O Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C. 

… essa fase “ótima” se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.

Um estudo recente, assinado pela geóloga Karin Zonneveld, da Universidade de Bremen, e pelo historiador Kyle Harper, da Universidade de Oklahoma, reconstruiu as condições climáticas desse período e dos séculos que o seguiram. Os pesquisadores conseguiram fazer isso com alta precisão: sua margem de erro é de apenas três anos.

O estudo concluiu que o Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C.. É justamente a fase em que os exércitos romanos foram conquistando cada vez mais territórios Mediterrâneo afora, da Espanha á Ásia Menor (atual Turquia). A supremacia deles se tornou tão incontestável que eles passaram a chamar a bacia de Mare Nostrum: “nosso mar”.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 48; foto: Guia da Itália.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 56

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas arrotando metano 

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas (218 milhões, conforme dados do IBGE, no Brasil). E esses animais arrotam metano, que piora o aquecimento global: esse gás permanece menos tempo na atmosfera do que o CO₂, mas, enquanto está lá, é capaz de reter [20 vezes] mais calor do que ele .

Super Interessante, edição 467, setembro 2024, Vacina [no gado] promete ajuda contra aquecimento global, página 11; foto: Brasilagro.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 19

O magnífico território pastoril e mineral que nos cederam é um território cujo valor dificilmente pode ser estimado  

Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.

Enquanto isso, o Chefe Estrelado Carleton convencera o vigário de Santa Fé a cantar um Te Deum em homenagem à bem-sucedida remoção dos navajos para o Bosque, empreendida pelo Exército. O general descreveu o lugar para seus em Washington como “uma excelente reserva… não há razão para que eles (os navajos) não sejam os índios mais felizes, prósperos e bem providos  dos Estados Unidos… De qualquer modo… podemos alimentá-los a preço bem menor do que guerrear com eles”.

Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros eram apenas bocas e corpos:

“Essas seis mil bocas precisam comer, e esses seis mil corpos precisam se vestir. Quando se considera o magnífico território pastoril e mineral que nos cederam – um território cujo valor dificilmente pode ser estimado -, a ninharia, em comparação, que lhes deve ser dada para sobreviver representa uma insignificância como paga da sua herança natural.”

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, página 48; foto: iStock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51 

A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento  

Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. O surgimento do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, basicamente não veio alterar este quadro.

Na medida em que os recursos naturais localizados na região eram explorados, o potencial existente nas terras ocupadas pelos índios começava a ser alvo do interesse de civilizados. No sul do Brasil, as reservas indígenas começaram inicialmente a ser exploradas em seus recursos florestais. Prevalecendo como cobertura florestal, na maioria das reservas, a Araucária angustifólia, espécie de grande valor econômico, foi explorada até seu quase esgotamento.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 28; foto: CicloVivo. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 11

Os grandiosos aquedutos de Roma mostravam o poderio político do império

O motivo principal de tão grandiosos aquedutos [de Roma] gira em torno de uma auto-afirmação do poderio político do império que justifica a construção de arcos tão grandes que podem ser vistos à distância. Já naquela época, quando se tratava da construção de aquedutos, entravam em linha de conta certas contingencias políticas. É por isso que mesmo a história do desenvolvimento das estações de tratamento de água não se orienta apenas pelos conhecimentos proporcionados pelo progresso técnico.

Também aqui têm influência certos aspectos ligados à política da época. Toda pessoa que exerce atividade no setor da economia hídrica sabe que, por motivos tanto ópticos como políticos, é mais difícil conseguir verbas para a construção de canalizações e câmaras subterrâneas de tratamento de água do que para uma estação de tratamento que pode ser vista e visitada por qualquer pessoa; isto é, o político pode mostrar o que vem realizando. Tais ponderações não são realmente apenas de hoje, pois já eram conhecidas na Antiguidade.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 91; foto: Shutterstock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 35 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 3

Os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura

Os desastres ocorridos a partir de 166 d.C. talvez tenham sido ainda mais dolorosos porque vieram na esteira de alguns séculos de bonança, durante os quais as divindades pareciam ter abençoado as vastas terras regidas por Roma. De fato, de acordo com vários estudos paleoclimatológicos (que reconstroem o clima do passado), os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura.

Esse período foi tão bom que recebeu a designação oficial de “ótimo”. Para ser mais exato, o de Ótimo Climático Romano (a palavra, nesse contexto, tem o sentido de “condições ideais”). Embora a Itália e as regiões vizinhas da bacia do mar Mediterrâneo, que sempre foram o núcleo mais importante da civilização romana, sejam notórias pela relativa instabilidade climática, com presença intermitente de grandes secas e invernos severos, essa fase “ótima” se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Itálica.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 55

Aquecimento global – a febre de Gaia, o planeta vivo doente

Dados confirmaram que 2024 foi o primeiro ano a ultrapassar a marca de 1,5 º C de aquecimento global em relação a níveis pré-industriais. (1)

Um estudo analisou 23 mil espécies de peixes e crustáceos de água doce – e descobriu que 24% correm risco de extinção. (2)

Fonte: Super Interessante, edição 472, fevereiro 2025, página 32; 1 – Organização Mundial de Meteorologia; 2 – International Union for Conservation of Nature (IUCN); foto: Pensamento verde.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 18

Todas as árvores da região foram cortadas, só sobrando raízes para queimar 

Durante o outono, os navajos que haviam escapado do Bosque Redondo começaram a voltar para sua terra, com histórias terríveis do que estava acontecendo ali ao povo. Era uma terra ruim, disseram. Os soldados os empurravam com baionetas e os arrebanhavam em recintos de paredes de adobe, onde os chefes dos soldados sempre os estavam contando e anotando números em livrinhos. Os chefes dos soldados prometeram-lhes roupas, cobertores e melhor comida, mas suas promessas nunca foram cumpridas.

Todos os choupos-do-canadá e mesquites [árvores da região] foram cortados, só sobrando raízes para queimar. Para se abrigar da chuva e do sol, precisavam cavar buracos no chão arenoso, cobri-los e forrá-los com montes de grama trançada. Viviam como marmotas em tocas. Com as poucas ferramentas que os soldados lhes deram, rasgaram o solo das terras de aluvião do rio Pecos e plantaram cereal, mas as enchentes, as secas e os insetos mataram as colheitas e, agora, todos viviam com meia-ração. Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas 47 e 48; foto: Got2Globe.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 50 

A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro  

Atraídos ao convívio com representantes da sociedade nacional, os integrantes dos diversos grupos indígenas logo ficaram em situação de dependência. Dependência decorrente, em termos de macro visão, do fato das sociedades indígenas não disporem de conhecimentos capazes de fundamentar uma oposição lógica à sua dominação. Daí se compreende que o destino de muitos grupos indígenas foi e é decidido por detentores de condições que permitem orientar os rumos da utilização dos espaços geográficos e seus recursos naturais.

No passado, isto ocorreu quando companhias julgaram conveniente, em termos financeiros, estimular a migração de contingentes europeus para as terras recém-descobertas da América. Hoje, quando se decide, com base em dados obtidos por meios tecnologicamente sofisticados, como por exemplo aqueles fornecidos pelos satélites, a exploração de jazidas minerais, a sistemática decisória continua a mesma. Apenas a agressividade com que as novas decisões são tomadas chama a atenção. Agressividade que se expressa pela rapidez com que recursos financeiros e humanos são alocados, para a obtenção, no menor prazo, de resultados compensadores. A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro, e, nesse afă, ele está a utilizar e a destruir, irrefletidamente, largas parcelas do quadro natural existente na superfície terrestre.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, página 27; foto: AgroSaber. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 10

Bem cedo foi notado que a presença de água límpida em quantidade suficiente podia saciar a sede e atender as exigências higiênicas 

No início, as povoações sempre foram erguidas nas proximidades de fontes de água. Com a transformação dos povoados em cidades, as reservas das vertentes das proximidades deixavam, em muitos casos, de ser suficientes, ainda mais que se encontravam muito expostas à contaminação.

Bem cedo foi notado que, graças à presença de água límpida em quantidade suficiente, não só se podia saciar a sede e fazer funcionar muitos poços e banhos públicos, mas também, além disso, podia-se atender a exigências higiênicas importantes. O que nos deve causar admiração não é o fato de que a água potável tenha sido transportada através de longas distâncias, mas que tenha sido reconhecida a tempo a necessidade de se realizarem tais obras para manter saudáveis as populações.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 88; foto: Mega Curioso.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 34 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 2

O Império Romano sofreu com mudanças climáticas

Novos estudos sobre os micróbios e o clima do passado têm revelado que os romanos tiveram de enfrentar forças ainda mais insidiosas e destrutivas que os deuses do Olimpo. Além dessa primeira pandemia [a Peste Antonina – provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas], que realmente ocorreu, o Império Romano sofreu com mudanças climáticas e, ironicamente, foi vítima de seu próprio sucesso, que o levara às regiões mais distantes da Ásia e da África – mas acabou tornando Roma vulnerável a uma sucessão de golpes do destino, que levaram seu poderio à fragmentação e ao desaparecimento.

Essa nova visão sobre o declínio e a queda do Império Romano não descarta, é claro, a relevância dos inimigos externos (principalmente os chamados bárbaros, em geral tribos guerreiras que falavam línguas germânicas, como as ancestrais do alemão e do inglês de hoje). Também não ignora as picuinhas e os duelos mortais que devastavam a elite romana de vez em quando, enfraquecendo ainda mais o domínio dos Césares. Esses fatores foram importantes – e podem ter sido alimentados pelos demais, criando uma espiral de desastres.

Mas a nova abordagem histórica de Roma admite a profunda dependência que as civilizações antigas, mesmo as mais sofisticadas, tinham em relação ao seu ambiente natural – algo que, num mundo de emergência climática e pandemias como o nosso, se torna cada vez mais familiar.

Fonte: Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 47 e 48; foto: PrePara Enem   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 49 

Pode-se dizer que os Xetá estão extintos 

Os Xetá eram nômades. Sua alimentação baseava-se na caça e na coleta de alimentos, destacando-se na sua dieta o aproveitamento dos frutos e da medula da palmeira macaúba. Possuíam aldeias temporárias, localizadas em pequenas clareiras. Não conheciam instrumentos de cerâmica. Usavam implementos feitos de ossos, dentes, pedras e madeira.

Seguramente, pode-se dizer que o grupo está extinto. Os Xetá sobreviventes foram localizados separadamente, de maneira que as possibilidades de socialização dos membros jovens segundo os padrões do grupo foram eliminadas. E, a tal ponto isto ocorreu, que as únicas crianças sobreviventes, com aproximadamente 12 e 10 anos de idade, falam a língua Kaingang e não Xetá.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 26; foto: JOTA.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 9

Documentos escritos antigos assinalam a significação que se dava ao uso da água

São muitos os dados contidos em antigos documentos escritos que assinalam a significação que se emprestava ao uso da água. No [rio] Eufrates, por exemplo, foi encontrada uma lápide de pedra calcária de mais ou menos 2300 a.C., com a seguinte inscrição: “Ur – Namu foi quem ordenou que se realizassem as obras dos canais; mas ele cede aos deuses a honra de fornecer a dádiva que é a água, abençoada, que dá fertilidade às terras”.

Também no Velho Testamento se encontram inúmeros indícios da importância que se conferia à água. Eis um exemplo: “Empreendi grandes obras, edifiquei para mim casas, plantei para mim vinhas. Fiz jardim e pomares para mim, e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie. Fiz para mim açudes para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.” (Eclesiastes 2, vers. 4 a 6).

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 86; foto: Pngtree.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 33 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 1

Como o Império Romano realmente acabou

As invasões bárbaras e os conflitos da elite romana foram importantes. Mas outros elementos podem ter sido igualmente fortes: as mudanças climáticas e, com elas, uma sucessão de epidemias e crises agrícolas. Conheça as novas descobertas que estão reescrevendo a história de Roma.

Estamos no ano 166 d.C. O exército romano, sob liderança do senador Avídio Cássio, cerca a rica cidade de Selêucia (na região da atual Bagdá, no Iraque). Selêucia rapidamente se rende ante o poderio de Roma, mas os homens de Cássio iniciam um saque de grandes proporções mesmo assim. Um dos soldados invade o templo do deus Apolo e abre uma antiga arca. Reza a lenda que esse ato de sacrilégio fez com que saísse do baú um vapor pestilento, o qual “poluía tudo com contágio e morte, desde as fronteiras da Pérsia até o rio Reno e a Gália [França]”, segundo cronistas da época.

Assim teria começado a Peste Antonina – provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas, ou 10% da população do Império Romano, na época o Estado mais populoso e poderoso do planeta. Jogar a culpa da tragédia no desrespeito a Apolo casava bem com a cultura greco-romana.

Fonte: Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 46 e 47; foto: National Geographic  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 54

Acesso à água em tempos de guerra  

A ligação entre conflitos armados e escassez de água nem sempre é óbvia. Em Gaza, por exemplo, o controle da água se tornou uma arma de guerra desde o início da ofensiva israelense.

Em julho de 2024. um relatório da Oxfam apontou que as pessoas tinham acesso a apenas 4,74 litros por dia para todos os usos – incluindo beber, cozinhar e higiene pessoal -, muito menos que o padrão mínimo aceito internacionalmente para a sobrevivência básica em emergências, que é de 20 litros por dia.

Aa qualidade da pouca água disponível em Gaza também é preocupante…

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, página 7; foto: CNN Brasil.   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 16

O capitão Graydon enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando  

Grayton fingiu grande amizade pelos mescaleros, chegando a lhes dar farinha de trigo e carne para a longa viagem. Pouco tempo depois, perto de Gallina Springs, o grupo de Graydon encontrou outra vez os mescaleros. Ninguém sabe o que aconteceu, pois nenhum mescalero sobreviveu ao incidente. Um oficial branco fez o seguinte relato:

“A operação foi realizada de forma estranha e pelo  que pude saber, ele enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando; os índios, sem dúvida, acharam que ele viera com propósitos amistosos, já que lhes tinha dado farinha de trigo, carne e provisões.”

Os outros três chefes, Cadette, Chato e Estrella, chegaram a Santa Fé e garantiram ao general Carleton que seu povo estava em paz com os brancos e apenas queria ser deixado sozinho em suas montanhas. “Vocês são mais fortes que nós”, disse Cadette. “Lutaríamos com vocês se tivéssemos rifles e pólvora; mas suas armas são melhores que as nossas. Deem-nos armas iguais e nos deixem livres, que também os combateremos; mas estamos abatidos; não temos mais ânimo; não temos provisões, nenhum meio de vida; suas tropas estão em toda parte; nossas fontes e nossos poços estão ocupados ou vigiados por seus jovens. Vocês nos tiraram de nosso último e melhor baluarte, e não temos mais ânimo. Façam conosco o que bem entenderem, mas não se esqueçam de que somos homens e bravos.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 38 e 39; foto: InfoEscola. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 48 

No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio. 

Sobrevivem apenas 8 indivíduos do grupo indígena Xetá, no presente. No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes, pelo que se tem conhecimento na literatura e junto aos órgãos oficiais, sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio.

Os Xetá ocupavam a região da serra de Dourados, nó noroeste do Paraná. Com a movimentação da frente pioneira que se instalou no norte do Paraná, a partir dos anos trinta [do século XX], o território indígena foi alcançado e pulverizado. Em 1949, quando começou a divisão em glebas da serra de Dourados, falou-se da presença de índios. A seguir, em 1952, uma criança Xetá foi aprisionada e entregue a um funcionário do antigo SPI [Serviço de Proteção aos Índios]. Mas só em 1955, quando, depois de um rigoroso inverno, um grupo de índios com visíveis sinais de fome crônica se apresentou na fazenda Santa Clara, foi que o SPI tomou as primeiras providências para socorrê-los e protegê-los.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 25; foto: SciELO.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Dia Nacional da Saúde

Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 8

As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água 

Nas civilizações da região mediterrânea de antes de Cristo, no Egito, no Oriente Próximo (persas, hititas, assírios, babilônios) e no Suleste da Europa (etruscos, gregos, romanos) parece que três problemas de defesa ecológica desempenharam papel de relevo: 1. A economia dos recursos hídricos; 2. A erosão do solo; 3. A higiene.

1. As leis das águas foram os primeiros códigos dos homens

É característico que os primeiros documentos escritos da humanidade, obras dos sumérios, que os tornaram conhecidos por volta do ano 4000 a. C., continham instruções sobre a irrigação de lavouras dispostas em forma de terraços. Como nas modernas regiões industrializadas, também nas civilizações antigas as preocupações com a água foram, desde os seus primórdios, um fator econômico predominante. As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 84; foto: Portal Saneamento Básico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 32

Civilização maia: motivo para o declínio é surpreendente e liga alerta

Você sabe o que causou o fim da civilização maia? Novos estudos sugerem um novo motivo, que deve ligar o alerta para os tempos atuais.


Cidade Maia de Chichen Itza (Crédito: Aleksandr Medvedkov/ Shutterstock)

A civilização maia foi uma das mais sofisticadas e impressionantes da América pré-colonização, tendo existido onde atualmente é o sul do México, Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador entre os séculos III e XV a.C. [do século XX a.C. ao século XVII d.C. segundo o Google e o Chat GPT]. Depois disso, no entanto, os maias tiveram um declínio misterioso. Agora, os pesquisadores associam esse fim a mudanças climáticas [locais e contemporâneas].
Os maias se organizavam em cidades-estados e a agricultura era a base de sua subsistência, mas, além disso, eles também se dedicavam às ciências, astronomia, arte e matemática, tendo deixado para trás pirâmides e observatórios.
Fonte: Olhar Digital
Rui Iwersen, editor de GaiaNet

Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 53

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados  

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados como arsênio, cádmio, cobalto, cromo, níquel e chumbo. Essa é a estimativa alarmante de um grupo de pesquisadores chineses, que analisaram os dados de 1.493 estudos realizados em diversas regiões do planeta, totalizando mais de 796 mil amostras do solo.

Esses metais podem estar naturalmente presentes na terra, ou chegar até ela por meio do descarte de resíduos industriais. As plantas acabam absorvendo esses elementos, que são altamente tóxicos e podem estar contaminando a alimentação de centenas de milhões de pessoas.

Fonte: Super Interessante, edição 475, maio 2025; Supernovas, página 13; foto: Geo Agri   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 15

Os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las 

Por tanto tempo quanto alguém podia lembrar, os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las; por tanto tempo quanto alguém podia recordar, os navajos revidavam com ataques contra os mexicanos.

Depois que os americanos chegaram a Santa Fé e chamaram o lugar de Novo México, protegeram os mexicanos, pois eles haviam se tornado cidadãos americanos. Os navajos não eram cidadãos, pois eram índios; quando atacavam os mexicanos, os soldados invadiam o território navajo para puni-los como fora da lei. Isso era um enigma terrível para Manuelito e seu povo, pois eles sabiam que muitos dos mexicanos tinham sangue índio; os soldados nunca perseguiam os mexicanos para puni-los por roubar crianças navajas.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 33 e 34; foto: Spiritualité autochtone. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21 

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47 

As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese

Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Tanto nos agrupamentos existentes nos postos, como naqueles localizados junto a áreas urbanas, incluindo neste caso famílias isoladas, os indivíduos mantêm em operação unidades de sua cultura tradicional de maneira bem mais característica do que entre Kaingang e Xokleng. Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (…)

As populações indígenas que viviam no litoral sul, à época da descoberta do Brasil, foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, trazidas pelo europeu, pela escravização e pelo próprio trabalho de catequese dos jesuítas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Instituto Búzios.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26 

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 7

Hoje em dia vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente

É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?

Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente. Lesões pulmonares devidas ao péssimo ar que respiramos, lesões do fígado através dos tóxicos presentes na nossa alimentação, doenças infecciosas causadas por agentes patogênicos (transmitidas principalmente através das águas e dos esgotos) e crescentes manifestações alérgicas fazem que, anualmente, milhões de pessoas pereçam em conseqüência do meio ambiente doentio. Ao contrário dos nossos antepassados da Antiguidade, conhecemos hoje, perfeitamente, as correlações aí atuantes e as formas de ação dos germes patogênicos, inclusive seu ciclo de desenvolvimento.

Sabemos também que um grande número de personalidades históricas encontrou a morte devida a doenças infecciosas, pois não dominavam o seu meio ambiente – a começar pelos faraós, em cujas múmias foram encontrados transmissores de doenças altamente nocivos à vida humana (…) Existem muitos outros exemplos que nos fazem supor que os danos causados ao meio ambiente intervieram também, em larga escala, na História.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 83 ; foto: Socialismo Criativo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Teoria de Gaia

Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra

A superfície da Terra e a água do mar absorvem luz solar durante o dia. À noite, esse calorzinho vai sendo liberado de volta na atmosfera na forma de radiação infravermelha, e sobe até escapar para o vácuo do espaço. Parte da radiação, porém, não chega a sair da Terra: fica retida por moléculas como o gás carbônico (CO₂) e o metano (CH). Dai eles se chamarem gases de efeito estufa: é como se estivéssemos sob uma redoma.

Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra. Ele evita que as noites sejam insuportavelmente frias, e mantém a temperatura média do globo em um patamar agradável de 14 °C. Sem o dito-cujo, seriam 18 °C negativos. O tanto exato de calorzinho noturno em cada lugar do planeta, é claro, flutua conforme particularidades geográficas: cidades litorâneas são abafadas à noite porque a água do mar é eficaz em guardar calor, enquanto as areias de um deserto esfriam rápido e causam noites congelantes. Um céu nublado, por sua vez, é ótimo em evitar que o infravermelho escape enquanto você dorme.

Fonte: Super Interessante, edição 474, Oráculo; abril 2025, página 60; foto: Brasil Escola – UOL 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 20 

Saúde do Planeta nº 52

Em regiões costeiras a redução das vazões fluviais pode provocar o avanço de água salgada em direção ao continente 

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.

Isso pode impactar a segurança hídrica e alimentar, diminuindo a disponibilidade de água para o abastecimento humano e a irrigação; a segurança energética, reduzindo o volume de água nos reservatórios [das hidrelétricas]; e os serviços ecossistêmicos, uma vez que é essencial manter uma vazão mínima no rio para garantir a conservação da vida no ecossistema aquático.

Em regiões costeiras, a redução das vazões fluviais pode provocar a intrusão salina, que ocorre quando a menor chegada de água doce ao oceano permite o avanço de água salgada em direção ao continente. Isso pode comprometer a saúde das pessoas que consomem água com alto teor de sal, aumentando o risco de hipertensão; danificar sistemas de adutoras e tubulações; além de comprometer o solo e a flora local.

Fonte: Super Interessante, edição 474, Rios brasileiros correm o risco de perder água; abril 2025, página 12; foto: Freepik  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 31 

O apocalipse da Idade do Bronze nº 11

Grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá

E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.

Do mesmo modo, na terra então conhecida como Canaã, a destruição de cidades-estado antes submetidas ao poder imperial do Egito, junto com a perda da própria influência egípcia, transformou completamente a história da região. Ali, grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá, celebrando sua libertação do domínio do Egito (que eles descreveram como uma escravidão em solo egípcio) e a fé num novo deus chamado Yahweh (ou Javé, na forma aportuguesada).

Começava assim a surgir a tradição religiosa que daria origem à Bíblia e as crenças judaicas, cristãs e islâmicas. Tal como no caso dos gregos, sem a destruição das antigas estruturas imperiais, esses caminhos inovadores talvez nunca chegassem a ser trilhados.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: VEJA. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 14

Em 1860 o número de índios diminuíra à metade desde a chegada dos primeiros colonos

Foi então, no começo da década de 1860, que os homens brancos entraram em guerra entre si – os Casacos Azuis contra os Casacos Cinza, a grande Guerra Civil. Em 1860, havia provavelmente trezentos mil índios nos Estados Unidos e territórios, a maioria deles vivendo a oeste do Mississippi. Segundo cálculos que variam, seu número diminuíra de metade, ou de dois terços, desde a chegada dos primeiros colonos à Virgínia e à Nova Inglaterra.

Os sobreviventes agora estavam pressionados entre as populações brancas em expansão no Leste e no litoral do Pacífico – mais de trinta milhões de europeus e seus descendentes. Se as tribos livres remanescentes acreditavam que a Guerra Civil dos homens brancos trouxesse qualquer trégua em suas pressões por territórios, logo se desiludiriam.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 27; foto: Portal Cavalus. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 46 

A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas 

As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. É comum também a opinião dos chefes de postos sobre a continua mobilidade desses índios. Dizem: “os Guarani não usam muito o posto. Ficam sempre localizados num fundo da área. Ali fazem uma rocinha; caçam; vez ou outra aparecem na sede para vender algum balaio. E quando a gente menos espera, desaparecem…”

Essa situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas. Não há na região sul um único posto para atendê-los. Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Gazeta do Povo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 6

Grandes eventos históricos se devem ao fracasso do homem ao enfrentar o seu meio ambiente 

Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos! Ocorreu algo semelhante com as antigas civilizações da região mediterrânea? Será que, talvez, o ocaso das antigas culturas que existiram no mundo foi amplamente condicionado pelo meio ambiente?

É possível que a história da China tivesse seguido outros rumos se, já nos tempos pré-cristãos, o desmatamento de vastas áreas na região dos rios Hoang e langtsé, vítimas então de grandes inundações, não tivesse deflagrado a cada vez a fome, e esta, por sua vez, as revoluções? É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?

Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 83 ; foto: História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 13

Os europeus eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios – juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais

Em 1848, foi descoberto ouro na Califórnia. Em alguns meses, gente do Leste aos milhares, buscando fortuna, estava cruzando o território índio. Índios que viviam ou caçavam no longo das trilhas de Santa Fé e Oregon acostumaram-se a ver uma caravana ocasional de carroções, autorizada para comerciantes, caçadores ou missionários. Agora, de repente, as trilhas estavam cheias de carroções, e os carroções estavam cheios de gente branca. A maioria indo rumo ao ouro da Califórnia, mas alguns se dirigindo para o sul, para o Novo México ou para o norte, para o território do Oregon.

Para justificar essas quebras da “fronteira índia permanente”, os homens que tomavam decisões em Washington Inventaram o Destino Manifesto, uma expressão que elevava a fome de terras a um plano sublime. Os europeus e seus descendentes haviam sido escolhidos pelo destino para dominar toda a América. Eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios – juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais. Só os habitantes da Nova Inglaterra, que haviam destruído ou expulsado todos seus índios, falaram contra Destino Manifesto.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 26 e 27; foto: mozaWeb. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Como animais extintos estão voltando às florestas de Florianópolis

Em Florianópolis, o Vem Passarinhar começou a ser realizado em 2022 como uma forma de engajar as pessoas a verem os animais que tinham sido tratados, a partir de resgate, apreensão e entrega voluntária de todo o estado, e depois reintroduzidos na natureza pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama (Cetas). (…)

Em 2023 nasceu o Instituto Fauna Brasil, que deu continuidade ao Vem Passarinhar e ao projeto dos papagaios, além de expandir as espécies para reintrodução na Ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis, desta vez com foco na fauna extinta: bugios-ruivos e pequenos felinos. “O fato de estarmos numa ilha dificulta a refaunação natural. Por isso, a reintrodução acaba sendo uma ferramenta importante para espécies que dificilmente voltariam naturalmente”, explica Vanessa Kanaan. No ano passado, o primeiro projeto de soltura de silvestres trouxe de volta cinco grupos de bugios-ruivos aos remanescentes de Mata Atlântica. (…)

1763 tinha sido o último ano  dos bugios-ruivos (Alouatta guariba) nas florestas da ilha de Santa Catarina, segundo relatos científicos. A extinção deles e de tantas outras espécies ali se deu principalmente devido à fragmentação de habitats, ao desmatamento e à caça ilegal. Em 2024, a extinção dos bugios começou a ser revertida com a reintrodução de 16 indivíduos na natureza, sendo três famílias no norte da ilha, no Parque Estadual do Rio Vermelho, e duas famílias no sul, no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri. (…) Cada bugio [resgatado de outras regiões do estado] recebeu um microchip de identificação, e as famílias foram reintroduzidas uma por vez ao longo do primeiro semestre, depois de passar quatro semanas em um recinto telado na floresta para se acostumar com o ambiente novo. (…)

Segundo estudos do Projeto Fauna Floripa, a ilha tem capacidade para abrigar até 1500 indivíduos da espécie. (…) “já sinalizamos para os órgãos ambientais que, no segundo semestre, nós conseguiríamos atender animais encontrados em situação de deslocamento, que vêm de vida livre, de Santa Catarina, Rio Grande do Sul ou da Argentina, que é a nossa unidade genética”, afirma Vanessa. (…)

O trabalho do Instituto para trazer de volta pequenos felinos começou em 2023, com base nos estudos do Projeto Fauna Floripa, que identificou a extinção de seis espécies da família na ilha: suçuarana, onça-pintada, jaguatirica, gato-mourisco, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno. (…) A ausência desses predadores perturbou o equilíbrio natural dos ecossistemas da ilha, provocando, entre outros problemas, o avanço de espécies exóticas invasoras, como os saguis, que estão predando aves nativas. (…)

O projeto também inclui ações de sensibilização e educação ambiental com as comunidades locais, incluindo uma pesquisa de percepção humana online e de porta em porta em relação à possível volta dos felinos, que depende ainda de autorização do governo. As pesquisadoras também estão elaborando materiais para capacitar os professores para falarem das reintroduções  de fauna e flora na ilha. (…)

Letícia Klein, Mongabay Brasil, Ecoa e UOL; artigo integral enviado pelo colaborador de GaiaNet Rodrigo Iwersen de São Thiago; foto: Instituto Fauna Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 45 

Os Guarani que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos

Os Guarani estão dispersos em pequenos grupos por vários postos indígenas e, também, por núcleos urbanos. Os que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos. Os grupos desassistidos pelo órgão oficial não têm aldeamentos permanentes. Perambulando de um lugar para outro, esses grupos ora estão na periferia de Porto Alegre, ora nas vizinhanças de Florianópolis ou Curitiba.

Todas as informações que logramos reunir indicam que esses contingentes Guarani pertencem ao grupo Mbüa, oriundos do noroeste da Argentina, do Paraguai e sul do Mato Grosso, sua região tradicional. Esses contingentes não são remanescentes das antigas populações Guarani que, à época da descoberta, ocupavam o litoral do sul do Brasil.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, páginas 23 e 24; foto: Povos Indígenas no Brasil Mirim.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Dia Mundial do Meio Ambiente

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado no dia 5 de junho. Foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na resolução (XXVII) de 15 de dezembro de 1972 com a qual foi aberta a Conferência de Estocolmo, na Suécia, cujo tema central foi o Ambiente Humano.

Liderado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), o Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado anualmente no dia 5 de junho. (…)

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre e Nações Unidas; página Calendário ecológico de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 5

Os maias fracassaram por não terem conseguido solucionar os problemas ecológicos

A concentração de massas humanas cada vez maiores tornou acentuadamente mais difícil o abastecimento de géneros alimentícios. De onde, porém, os habitantes das cidades obtinham suas provisões alimentares? Em que lugares e sob que condições faziam as suas plantações? Havia possibilidades de se incrementar o cultivo agrícola e a criação de animais?

Os maias fracassaram, por exemplo, por não terem conseguido solucionar esses problemas. Embora as suas cidades estivessem localizadas nas úmidas matas tropicais – nas florestas virgens de Palenque e Tical, por exemplo – tiveram que, por fim, abandonar as suas cidades devido à carência de água e à erosão do solo, ocasionada pela derrubada da mata virgem primitiva. Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 82 e 83 ; foto: BigViagem.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 9

A Idade do Bronze acaba, dando origem à Idade do Ferro

O caso dos habitantes da ilha de Chipre tem algumas semelhanças com a dos fenícios. (…) mas [o arqueólogo americano Eric] Cline destaca outro ponto-chave: inovação tecnológica. “Eles são inovadores, inventivos. Conseguiram mudar de ramo, passando da produção de cobre para a de ferro, embora a de cobre não desapareça totalmente, claro”, explica. Não é por acaso, afinal de contas, que a Idade do Bronze (metal que tem o cobre como uma de suas matérias primas [com o estanho]) tenha acabado, dando origem justamente à Idade do Ferro.

Na verdade, a produção de ferro já era conhecida por algumas das civilizações da Idade do Bronze, mas os processos usados para transformar o metal em armas e utensílios mais confiáveis e bem mais baratos que os de bronze ainda estavam sendo desenvolvidos. E os cipriotas desempenharam um papel crucial nisso.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Mega Curioso. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 12

A grande nação cherokee, que sobrevivera a mais de cem anos de guerras, agora seria dizimada 

Para os índios, parecia que os europeus odiavam tudo na natureza – as florestas vivas e seus pássaros e bichos, as extensões de grama, a água, o solo e o próprio ar.

A década que se seguiu ao estabelecimento da “fronteira índia permanente” foi um período ruim para as tribos orientais. A grande nação cherokee sobrevivera a mais de cem anos de guerras, doenças e uísque do homem branco, mas agora seria dizimada. Como os cherokees eram milhares, sua deslocação para o Oeste havia sido planejada em etapas gradativas, mas a descoberta de ouro apalachiano dentro de seu território causou um clamor por seu êxodo total e imediato.

Durante o outono de 1888, os soldados do general Winfield Scott os cercaram e os concentraram em acampamentos. (…) Dos campos de prisioneiros, começaram a partir para o Oeste, rumo ao Território Índio. Na longa jornada de inverno, um entre quatro cherokees morreu de frio, fome ou doença. Chamaram-na de marcha do “caminho de lágrimas”.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 25 e 26; foto: Portal Cavalus. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 44

Os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento

A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. “A reserva é um desânimo só”, disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.

Em São João dos Pobres, os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento. Vivem sem assistência oficial. São 4 indivíduos apenas. Um homem e  três mulheres. Outrora, em 1920, ano da atração, somavam 50. A terra que ocupam jamais foi regularizada pelos órgãos assistenciais. O precário apoio que recebem é obtido junto aos postos assistenciais dos governos municipais.

O desaparecimento desse grupo, entretanto, está a ocorrer dentro de um quadro muito especial. Trata-se da negativa flagrante dos descendentes mestiços do grupo a assumir a identificação indígena, decorrente dos estereótipos altamente negativos que os regionais mantêm sobre os índios.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xokleng, página 23; foto: Conselho Indigenista Missionário – Cimi.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 51

Rios brasileiros correm o risco de perder água

Pesquisadores da USP analisaram 17.972 poços localizados a menos de 1 km de rios de todo o Brasil, e encontraram um sinal preocupante: mais da metade deles (55 %) apresentou nível inferior ao do rio mais próximo – indicando que, a longo prazo, os rios podem perder água. (…)

Isso indica que, se existir uma conexão hidráulica entre o rio e o aquífero, esse rio pode estar perdendo água para o aquífero. É um processo natural. Se o nível do aquífero estiver acima do nível do rio, o rio potencialmente está recebendo água do aquífero. Caso contrário, ele está potencialmente perdendo água para o aquífero.

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.

Fonte: Super Interessante, edição 474, abril 2025, página 12; foto: Jota 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 4

As antigas realizações técnicas tinham relações com a defesa, a obtenção e o armazenamento de água

O acúmulo de dezenas de milhares de pessoas num espaço reduzido, depois mesmo de centenas de milhares de pessoas, levou o homem, já na Antiguidade, a se ver confrontado com problemas de defesa ecológica, tal como os conhecemos também nas nossas metrópoles.

De um lado, as águas produzidas por fontes nas proximidades das grandes cidades tinham de ser captadas, armazenadas e conduzidas às povoações. Vincula-se a isso a eliminação das águas servidas, ou seja, os esgotos. Não devemos pois nos admirar de que as antigas realizações técnicas do homem tivessem de manter restritas relações com o desenvolvimento de instalações destinadas à defesa, à obtenção e ao armazenamento de água. Foi no âmbito da economia dos recursos hídricos que primeiro se obtiveram conhecimentos que continuam a ser proveitosos ainda nos nossos dias.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 82 ; foto: Guia do Estudante.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 29 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 8

Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário

A sorte de ambas essas potências mesopotâmicas [Assíria e Babilônia] é que, para começo de conversa, elas estavam relativamente longe do Mediterrâneo – e, portanto, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar. O segundo ingrediente da sobrevivência: liderança com a cabeça no lugar. (…)

E há, é claro, um fator ainda mais crucial: água. Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário. “Assírios e babilônios podiam contar com o Tigre e o Eufrates, que continuavam fornecendo água em quantidades adequadas mesmo durante a grande seca”, diz o arqueólogo americano [Eric Cline]. “Os egípcios tinham o Nilo. Já os hititas não contavam com nenhum rio tão resiliente em seu território.”

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Facebook. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 11

Para os índios parecia que os europeus odiavam tudo na natureza 

No continente, os wampanoags de Massasoit e do rei Philip haviam desaparecido, junto com os chesapeakes, os chickahominys e os potomacs da grande confederação Powhatan. (Só Pocahontas era lembrada). Dispersos ou reduzidos a sobreviventes: os pequots, montauks, nanticokes, machapungas, catawbas, cheraws, miamis, hurons, eries, mohawks, senecas e mohegans. (Só Uncas era lembrado). Seus nomes, que se celebrizaram na história da sua pátria, permaneceram para sempre fixados na terra americana; mas seus ossos estavam abandonados, esquecidos em mil aldeias queimadas, perdidos em florestas que logo desapareciam diante dos machados de vinte milhões de invasores.

Os rios, de cujas águas límpidas e cristalinas se serviam eșses povos, a maioria com nomes índios, já estavam turvados pelo lodo e pelos detritos dos intrusos; a própria terra estava sendo devastada e dissipada. Para os índios, parecia que os europeus odiavam tudo na natureza – as florestas vivas e seus pássaros e bichos, as extensões de grama, a água, o solo e o próprio ar.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 25; foto: Portal dos Mitos. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 43

A maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais

Orientando 0 posto indígena desde a pacificação [em 1910] até 1954, Eduardo Hoerhan logrou resguardar a área indígena de Ibirama da exploração dos civilizados regionais. Com a sua destituição, entretanto, esse quadro logo se modificou. Em pouco tempo, os Xokleng passaram a ser utilizados pela sociedade regional em seu potencial de mão de obra e capacidade de consumo, enquanto o potencial florestal da reserva começou a ser sistematicamente explorado.

Sujeitos a situações de trabalho em que predomina a espoliação, a maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais localizadas fora do posto indígena. A agricultura é praticada de modo bastante precário, pois não há condição para os índios, isoladamente, dinamizarem tal atividade. A exploração de madeiras que continuamente vem se fazendo na reserva, pela associação da FUNAI com madeireiros regionais, não utiliza em nenhum momento a mão de obra indígena. A prostituição não é desconhecida por muitos dos elementos do sexo feminino. A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. “A reserva é um desânimo só”, disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 23; foto: BBC News.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 3

O que mais o impressionou um pigmeu que vivia ainda na selva foi a água canalizada de nossas cidades

Quando, há algumas décadas, foi trazido para uma metrópole australiana um pigmeu que vivia ainda na selva, num ambiente da Idade da Pedra, perguntaram-lhe, depois de lhe terem mostrado todas as conquistas da civilização, o que lhe tinha causado maior impressão. Ao contrário do que se esperava, ele não respondeu que tinham sido os “arranha-céus”. O que mais o impressionou foi o fato de que, ao se abrir uma simples torneira, escorria “água” da canalização, em grande quantidade.

Com seu instinto seguro, o pigmeu tinha reconhecido que não invejava o homem civilizado por possuir aquelas torres de cimento e tijolos e suas autoestradas. Portanto, só podia causar-lhe admiração, realmente, o fato de que se podia obter, pela canalização, qualquer quantidade de água, a toda hora do dia ou da noite.

Tratando-se do elemento básico, que é sobreviver na luta pela existência no nosso planeta, a água límpida e potável é mais importante do que o mais rápido e maior dos jatos tipo Jumbo que atravessam os oceanos em tempo recorde.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 81 ; foto: Inforpress.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 28 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 7

As potências mesopotâmicas estavam relativamente longe do Mediterrâneo, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar

Seja como for, o cenário geral da desgraça e suas causas estão ficando razoavelmente claros. O apocalipse da Idade do Bronze está relacionado a guerras e fenômenos climáticos, com suas consequências políticas e econômicas. (…)

Na categoria dos sobreviventes, cada caso é um caso, mas há alguns pontos interessantes em comum. Talvez a situação mais simples de entender seja a da Mesopotâmia (grosso modo, o atual Iraque), onde a Assíria, no norte, e a Babilônia, no sul, mantiveram sua estrutura estatal mais ou menos intacta.

A sorte de ambas essas potências mesopotâmicas é que, para começo de conversa, elas estavam relativamente longe do Mediterrâneo – e, portanto, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar. O segundo ingrediente da sobrevivência: liderança com a cabeça no lugar. “Eles tiveram os líderes certos na hora certa. Enquanto o Império Hitita, por exemplo, bem no momento em que a grande seca causava seus piores efeitos, acabou dilacerado por uma guerra entre membros da família real.”

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, páginas 36 e 39; foto: Planejativo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 10

Os europeus que seguiram Colombo destruíram a vegetação e seus habitantes – homens, animais, pássaros e peixes – da ilha de São Salvador 

Mais de três séculos haviam se passado desde que Cristóvão Colombo desembarcara em São Salvador, mais de dois séculos desde que os colonos ingleses haviam chegado à Virginia e à Nova Inglaterra. Nesse espaço de tempo, os amistosos tainos que receberam Colombo na praia haviam sido completamente dizimados.

Bem antes do último dos tainos morrer, a simplicidade de sua cultura de lavoura e artesanato fora destruída e substituída por plantações de algodão onde trabalhavam escravos. Os colonos brancos abateram as florestas tropicais para aumentar seus campos; os algodoeiros cansaram o solo; sem o escudo das florestas, ventos cobriam os campos de areia.

Quando Colombo viu a ilha pela primeira vez, descreveu-a como “muito grande, muito alta e com árvores muito verdes… o conjunto é tão verde que é um prazer olhá-lo”. Os europeus que o seguiram destruíram sua vegetação e seus habitantes – homens, animais, pássaros e peixes – e, depois de a transformarem num deserto, abandonaram-na.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 24 e 25; foto: Mundo Educação – UOL.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 42

Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos

” (…) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam.”

Efetivamente, os Xokleng passaram a enfrentar inimigos mais sutis, mas com maior poder destrutivo. Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos. Os sobreviventes tiveram de se adaptar à vida sedentária, substituindo suas atividades tradicionais de caça e coleta, pelo cultivo de roças. A dieta alimentar foi bruscamente alterada, contribuindo, hoje se sabe, para a disseminação de doenças. O desequilíbrio demográfico, por sua vez, alterou toda a organização tribal, tornando o grupo definitivamente dependente do organismo oficial de proteção.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: Terra.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 2

Nas épocas pré-cristãs das civilizações mediterrâneas existiam metrópoles que já enfrentavam problemas ecológicos

Já há algumas décadas comecei a me conscientizar de que a humanidade se encontra à beira do maior perigo que enfrentou até hoje. Nem a mais devastadora das guerras, nem a destruição de que são capazes as bombas atômicas têm o poder de ameaçar a existência humana na mesma proporção que o fará a catástrofe ecológica que se avizinha. Eis porque surge, óbvia, a indagação: será que os danos ecológicos são um sinal característico da moderna civilização ou também exerceram marcante influência na Antiguidade?

Nas épocas pré-cristãs das civilizações mediterrâneas existiam metrópoles que, certamente, já enfrentavam problemas de defesa ecológica. Como, por essa época, a utilização da técnica ainda não tinha progredido como hoje em dia, podemos excluir a ameaça da poluição atmosférica. Porém, devemos voltar a nossa atenção para os danos ecológicos ocasionados pelo desmatamento, pela erosão do solo, pelos esgotos e pelo lixo doméstico.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 79 e 80; foto: iStock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Gelo polar deve seguir derretendo até 2300

Mesmo se a humanidade cortar drasticamente as suas emissões de CO2, em quantidade suficiente para alcançar  o estado de “carbono negativo”(situação em que o carbono da atmosfera começa a diminuir), e fizer isso relativamente rápido, já a partir de 2050, o Círculo Polar Ártico deve continuar derretendo por muito tempo, pelo menos até o ano 2300.

Essa é a conclusão pouco animadora de uma simulação feita por cientistas da Coréia do Sul, que analisaram áreas cobertas por permafrost: regiões polares onde o gelo normalmente nunca derrete, mas devido às mudanças climáticas começou a fazer isso [derreter].

Segundo o estudo, os polos vão continuar descongelando porque o aquecimento global já tomou muito impulso – e também porque, ao derreter, o permafrost libera CO2 e metano, que retêm calor na atmosfera e realimentam o processo [e libera também micro-organismos, talvez nocivos à saúde humana ou de outros animais].

Fonte: Bruno Garattoni, Supernovas, Super Interessante, edição 473, março 2025, página 10; foto: Aventuras no Conhecimento.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 27 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 6

O apocalipse da Idade do Bronze está relacionado a guerras e fenômenos climáticos 

“Dois anos contínuos [de seca] costumam destruir as estratégias de resiliência a longo prazo, fazendo com que, por exemplo, não seja mais possível alimentar animais domésticos nas fazendas. Um terceiro ano consecutivo é muito raro, e muito sério”, afirma Manning [Stuart Manning, da Universidade Cornell (EUA)]. “No mundo pré-moderno, isso acabaria minando a autoridade do rei, tanto pela incapacidade de coletar impostos e alimentar o Exército quanto também do ponto de vista simbólico: claramente os deuses abandonaram e rejeitaram os governantes.” (…)

Por outro lado, as colheitas ruins também podem ter estimulado revoltas internas em vários reinos – até porque, na maioria dos casos, não há indício de que uma população vinda de fora tenha conquistado os domínios palacianos.

Seja como for, o cenário geral da desgraça e suas causas estão ficando razoavelmente claros. O apocalipse da Idade do Bronze está relacionado a guerras e fenômenos climáticos, com suas consequências políticas e econômicas.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 36; foto: Notícias Concursos.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 1 

Apresento, a partir de hoje, esta nova Série de GaiaNet com cerca de 60 pequenos artigos extraídos dos capítulos III – O Meio Ambiente na Antiguidade, IV – O Meio Ambiente na Idade Média e V – Como Escapar da Catástrofe Ecológica do livro Terra -Um Planeta Inabitável? do alemão Hans Liebmann, de 1973.

Estamos fazendo que o nosso planeta acabe por se tornar artificialmente inabitável nas próximas décadas 

A alteração do equilíbrio biológico do nosso meio ambiente e os  tantos focos de perigo que nós próprios criamos  através da poluição do nosso espaço vital, quer terrestre, aquático ou atmosférico – todos esses sinais de alarma e suas consequências para cada um de nós em particular são de tal forma graves que não podemos ficar à espera de medidas legais que possam salvar o nosso planeta. Já tão-somente o nosso instinto de conservação deveria ser suficiente para nos livrar dos terríveis acontecimentos que se anunciam.

No entanto, sabemos todos nós muito bem que isso não acontece e que, a passos de gigante, por nos afastarmos sempre mais da vida natural, estamos fazendo que o nosso planeta acabe por se tornar artificialmente inabitável nas próximas décadas.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 79; foto: Dreamstime.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 9

Os holandeses ordenaram o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam

Quando os holandeses chegaram à ilha de Manhattan, Peter Minuit comprou-a por sessenta florins em anzóis e contas de vidro, mas eles encorajaram os índios a permanecer e continuar trocando suas valiosas peles por tais bugigangas.

Em 1641, Willem Kieft cobrou tributos dos mahicans e enviou soldados à ilha Staten para punir os raritans por ofensas cometidas por colonos brancos, não por eles. Quando os índios revidaram, matando quatro holandeses, Kieft ordenou o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam. Os holandeses passaram à baioneta homens, mulheres e crianças, cortaram seus corpos em pedaços e arrasaram as aldeias com fogo.

Por mais dois séculos, esses fatos se repetiram, enquanto os colonos europeus deslocavam=se para o interior, através de passagens entre os montes Alleghenies, e para os rios que corriam no rumo oeste, para o Grandes Águas (o Mississippi) e para o Grande Barrento (o Missouri).

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 22; foto: InfoEscola.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 6   

Podemos transformar em mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas

Não será através de um reflorestamento geral de uma paisagem, há muito tempo cultivada, que se poderá fomentar a preservação ou a ampliação de uma paisagem de regeneração.

O que mais importa, nessas tradicionais zonas de cultivo, é realizar florestamento limitado, para conservar, por exemplo, os vales relvados dos maciços centrais e os pastos no alto das serras.

Mesmo assim, ainda fica a possibilidade de se transformar numa mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas que se encontram à disposição.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, páginas 174 e 175; foto: Diário do Nordeste.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 26 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 5

Um estudo da Universidade Cornell (EUA) mostrou que todo o século anterior ao colapso do Mediterrâneo Oriental foi marcado por secas

Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados, a população grega pode ter caído pela metade e até a arte da escrita foi completamente esquecida. Mas os Povos do Mar (quem quer que fossem eles) não podem ser responsabilizados sozinhos por tanta desgraça.

Tudo indica que, para que eles conseguissem causar tanto estrago, foi preciso que boa parte do Mediterrâneo Oriental já tivesse sido desestabilizada por outros fatores, e o principal parece ter sido o clima. Num estudo publicado em 2023 no periódico especializado Nature, uma equipe liderada por Stuart Manning, da Universidade Cornell (EUA), mostrou que todo o século anterior ao colapso foi marcado por condições cada vez mais secas na esfera de influência dos hititas, por exemplo. Situações parecidas podem ter afetado as ilhas do mar Egeu, a Grécia e talvez a Itália.

Por fim, pouco depois de 1200 a.C., três anos consecutivos de seca totalmente fora do comum chegaram, coincidindo, ao que parece, com o abandono de Hattusa, a capital hitita.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, páginas 35 e 36; foto: Escola Kids – UOL.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 8

O poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts 

Na época em que Massasoit, grande chefe dos wampanoags, morreu, em 1602, seu povo estava sendo expulso para as florestas. Seu filho Metacom previu que os índios chegariam ao fim, se não se unissem para resistir aos invasores. Embora os habitantes da Nova Inglaterra tentassem agradar Metacom, coroando-o rei Philip de Pokanoket, ele dedicou a maior parte de seu tempo à formação de alianças com os narradansetts e outras tribos da região.

Em 1675, depois de uma série de ações arrogantes por parte dos colonos, o rei Philip [Metacom] levou sua confederação índia a uma guerra destinada a salvar as tribos da extinção. Os índios atacaram 52 acampamentos, destruíram completamente doze, mas, depois de meses de luta, o poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts.

O rei Philip foi morto e sua cabeça exibida publicamente em Plymouth por vinte anos. Juntamente com outras mulheres e crianças índias capturadas, sua mulher e seu filho foram vendidos como escravos nas Índias Ocidentais.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 21 e 22; foto: eCycle.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 40

A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos

Um terceiro grupo [indígena], entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.

A resistência indígena foi enfrentada pelos governos locais e pelas companhias interessadas nos negócios de colonização, com a organização e estipêndio de grupos de bugreiros. A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos. Mas, segundo o objetivo depoimento de um bugreiro, “o negócio era afugentar pela boca da arma”.

As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 21 e 22; foto: Café História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 50

Entre 2022 e 2023 mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos.

Há mais de 120 conflitos armados acontecendo no mundo todo. Muitos nem aparecem nos jornais. Mas em cada um deles há muitas crianças que são obrigadas a viver em meio à violência extrema. (…)

Em zonas de guerras, muitas salas de aula são atingidas por balas e bombardeios, enquanto outras transformam-se em abrigos temporários. Até o caminho torna-se perigoso, e milhões de crianças precisam atravessar campos minados e regiões afetadas por ataques constantes para chegar à sala de aula.

Apenas entre 2022 e 2023, mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos. Em regiões como Gaza, Ucrânia e República Democrática do Congo, centenas de escolas foram ameaçadas ou atingidas por tiros e bombardeios.

Fonte: Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), fevereiro de 2025; foto: Andes – SN

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 5   

É preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente

Deve-se encarar a paisagem de regeneração como uma nova forma de exploração do solo, que respeita não só a preservação da natureza, mas que também deve servir ao fomento do turismo. Para que seja garantida a preservação ou a regeneração desta paisagem, é preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente.

Enquanto que nos casos da paisagem da civilização e da de produção agrícola, a ação é dominada pela mentalidade econômica, na paisagem de regeneração é a ecologia que deve ocupar o primeiro plano. É a mentalidade biológica que aqui está a serviço da paisagem considerada globalmente, não importando a rentabilidade que possa ser proporcionada por uma área delimitada. Nos países industrializados, a paisagem de regeneração não mais deve ceder terreno aos outros dois tipos de paisagem.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, página 174; foto: Cesan.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 25 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 4

Uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental

No litoral dos atuais Síria, Líbano, Israel e Palestina, muitas cidades-estado antigas e poderosas viraram fumaça, entre as quais Ugarit, a grande senhora do comércio do Mediterrâneo Oriental na época.

Por fim, uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental. Nessa época, no lugar dos políticos e filósofos que fariam a fama da civilização grega bem mais tarde [após 5 séculos], a região era ocupada por vários pequenos reinos que pareciam “Egitos” em miniatura, na chamada civilização micênica. Os micênicos eram governados por reis extremamente poderosos, cercados de luxo, defendidos por guerreiros que lutavam em carros de guerra (ou bigas, como diriam os romanos). (…)

Quando a poeira do colapso baixou, tudo isso tinha deixado de existir. Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados, a população grega pode ter caído pela metade e até a arte da escrita foi completamente esquecida.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: cidade de Micenas; fonte: Apaixonados por História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 7

A primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses

Em Massachusetts, a história começou de modo algo diverso, mas acabou da mesma forma que na Virginia. Depois de os ingleses desembarcarem em Plymouth (1620), a maioria deles teria morrido de fome, não fosse a ajuda que receberam dos nativos amistosos do Novo Mundo. (…)

Por vários anos, esses ingleses e seus vizinhos índios viveram em paz, mas muitas outras levas de homens brancos continuaram a chegar. O barulho dos machados e o estrondo das árvores que caíam ecoavam pelas costas da terra que os homens brancos agora chamavam de Nova Inglaterra. As colônias começaram a se disseminar por toda parte.

Em 1625, alguns dos colonos pediram a Samoset [indígena designado missionário pelos ingleses] mais doze mil acres de terra dos pemaquids. Samoset sabia que a terra vinha do Grande Espírito, era infinita como o céu e não pertencia a homem algum. Para agradar os estrangeiros e seus costumes estranhos, ele participou  de uma cerimônia em que cedeu a terra e colocou sua marca num papel. Era a primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 21; foto: Dreamstime.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 39

A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi dramática

Os Xokleng estão localizados em Santa Catarina (…) Em Ibirama vivem 270 indivíduos. No núcleo de São João dos Pobres, há 4 sobreviventes Xokleng. Seus descendentes, mestiços, não se identificam como indígenas.

A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi particularmente dramática. A tribo tradicionalmente mantinha suas atividades de subsistência com base nas atividades de caça e coleta. Divididos em grupos de 50 a 200 pessoas, os Xokleng dominavam toda a área de floresta que encobre a área localizada entre o litoral e a encosta do planalto, desde as proximidades de Porto Alegre (RS) até Paranaguá (PR). Esta área somente começou a ser sistematicamente desbravada a partir do momento em que se iniciou a colonização no sul do País, em 1824.

Como o território ocupado pelos Xokleng, à época da colonização, já estava cercada por propriedades civilizadas, os indígenas não tinham para onde fugir. A resistência que opuseram à penetração dos brancos foi contínua e, somente depois da criação do SPI [Serviço de Proteção aos Índios, em 1910], foi possível o contato pacífico com alguns grupos. Assim, Eduardo Hoerhan, em 1914, contatou com um grupo no Alto Vale do Itajaí. Paralelamente, em 1920, João Gomes Pereira travou relações amistosas com o grupo de São João dos Pobres. Um terceiro grupo, entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 21; foto: Instituto Socioambiental.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 49

Cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição, uma doença grave causada pela falta de nutrientes essenciais para a vida saudável.

Estamos diante de uma crise absolutamente assustadora. Só no Sudão, estima-se que quase 5 milhões de crianças e mulheres grávidas ou amamentando estejam com desnutrição grave.

Fonte: Médicos Sem fronteiras, novembro de 2024.

Na República Centro-Africana (RCA), as mulheres são 138 vezes mais propensas a morrer de complicações de gravidez e do parto do que na União Europeia, enquanto uma criança no país tem 25 vezes mais chance de morrer antes do seu primeiro aniversário do que se tivesse nascido na Europa.

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, janeiro de 2025.

Foto: Sete Margens.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 4   

É possível criar liames estreitos entre a paisagem de regeneração e os interesses da silvicultura e da defesa ecológica

Se, pois, a paisagem da civilização e a paisagem da produção agrícola quase não concedem possibilidades de regeneração ao solo, elevada significação ganha a terceira forma típica, que é a “paisagem de regeneração”. O que houver de essencial, com relação à defesa ecológica, no sentido de alcançar a regeneração geral de uma paisagem, situa-se, em última análise, neste tipo de paisagem.

Encontra-se a paisagem de regeneração nos lugares em que as grandes concentrações urbanas e industriais não entram em cogitação por motivos geográficos, bem como onde a qualidade do solo não permite uma intensificação das atividades agrícolas. Este tipo de paisagem, que antigamente carregava também o símbolo da presença das chamadas terras improdutivas, transformou-se hoje [1973], sob o signo das ameaças representadas pela poluição ambiental, num sinal positivo.

Uma chance de sobrevivência, só existirá se esse terceiro tipo de paisagem for utilizado conscientemente como centro de regeneração. Dentro desta perspectiva, é possível criar liames bastante estreitos entre a paisagem de regeneração e os interesses da silvicultura e da defesa ecológica.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 173 e 174; foto: Diário do Nordeste.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapso nº 24 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 3

O Egito nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze

As inscrições egípcias indicam, com segurança, que os Povos do Mar vinham de regiões periféricas dos grandes impérios da Idade do Bronze, e parecem ter operado como uma mescla de piratas e refugiados armados. Atacavam, pilhavam e incendiavam cidades costeiras (…)

No caso do Egito, deu ruim para os Povos do Mar, conforme Ramsés III conta em seus monumentos. O esforço de guerra, porém, drenou tanto os recursos egípcios, além de arrancar outras regiões da esfera de influência dos faraós, que o reino do Nilo nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze.

E os egípcios até que saíram no lucro. As invasões “bárbaras” parecem ter sido, por exemplo, um fator importante para o completo desaparecimento do Império Hitita, que tinha unificado quase todo o território da atual Turquia sob seu comando nos séculos anteriores. No litoral dos atuais Síria, Líbano, Israel e Palestina, muitas cidades-estado antigas e poderosas viraram fumaça, entre as quais Ugarit, a grande senhora do comércio do Mediterrâneo Oriental na época.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: Escola Kids – UOL.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 23

O panda se separou mais cedo do ancestral comum do grupo de ursos

Oito espécies de ursos compõem a família Ursidae. Entre todas, a Ailuropoda melanoleuca – o panda – foi a que se separou mais cedo do ancestral comum do grupo, há milhões de anos.

Por isso, os comedores de bambu pretos e brancos são bastante diferentes de seus primos polares, pardos ou negros.

Fonte: Super Interessante, edição 470, setembro de 2024, A geopolítica dos pandas, página 48; foto: UOL.

Rui Iwersen, editor.


Área queimada no Brasil cresce 79% em 2024

Território devastado pelo fogo no ano passado é maior que o da Itália; Amazônia foi o bioma mais atingido

A área devastada por queimadas no Brasil cresceu 79% em 2024 com relação a 2023, segundo dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas. Foram queimados 30.867.676 hectares no ano passado –uma área maior que todo o território da Itália.  Desses mais de 30 milhões de hectares, 73% foram de vegetação nativa, sendo 25% em formações florestais. Os fogos em áreas de pastagens somaram 21,9% do total de 2024.

“Chama a atenção a área afetada por incêndios florestais em 2024. Normalmente, na Amazônia, a classe de uso da terra mais afetada pelo fogo tem sido historicamente as pastagens. Em 2024, foi a 1ª vez desde que começamos a monitorar a área queimada que essa lógica se inverteu. A floresta úmida passou a representar a maioria absoluta da área queimada, sem dúvida um fato preocupante visto que uma vez queimada, aumenta a vulnerabilidade e a chance dessa floresta queimar novamente”, disse Ane Alencar, diretora de Ciências do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e coordenadora do MapBiomas.

A Amazônia foi o bioma com o maior número de área devastada pelo fogo: foram 17,9 milhões de hectares incendiados em 2024. É seguida por Cerrado (9,7 milhões), Pantanal (1,9 milhão), Mata Atlântica (1 milhão), Caatinga (330 mil) e Pampa (3.400).  (…)

Fonte: Poder 360; foto: ANDI – Comunicação e Direitos.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 6

Em pouco tempo, os oito mil índios powhatan foram reduzidos a menos de mil

Porém a resistência dos arawak deu origem a que os invasores fizessem uso de armas de fogo e sabres, trucidando centenas de milhares de pessoas e destruindo tribos inteiras, em menos de uma década após Colombo ter pisado na praia de São Salvador, a 12 de outubro de 1492.

Eram lentas, naquela época, as comunicações entre as tribos do Novo Mundo, e raramente as notícias das barbaridades dos europeus ultrapassavam a disseminação rápida de novas conquistas e colonizações. Porém, bem antes dos homens brancos que falavam inglês chegarem à Virginia em 1607, os powhatan haviam ouvido algo sobre as técnicas civilizatórias dos espanhóis. Os ingleses passaram a usar métodos mais sutis.

E para garantir a paz por tempo suficiente, enquanto estabeleciam uma colônia em Jamestown, colocaram uma coroa de ouro na cabeça de Wahunsonacook, chamaram-no rei Powhatan e o convenceram de que deveria  pôr seu povo a trabalhar, fornecendo comida para os colonizadores brancos. (…) Depois da morte de Wahunsonacook, os powhatan insurgiram-se para mandar os ingleses de volta ao mar de onde haviam vindo, mas os índios subestimaram o poder das armas inglesas. Em pouco tempo, os oito mil powhatan foram reduzidos a menos de mil.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 20 e 21; foto: InfoEscola.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 38

Os brancos submeteram os indígenas a um contínuo processo de desintegração social, cultural e biológica

Paralelamente às disputas pelo domínio da terra, os brancos submeteram os indígenas a um contínuo processo de desintegração social, cultural e biológica. A utilização do indígena como mão de obra, desarticulou rapidamente o sistema econômico tribal, com reflexos diretos em todos os demais aspectos da sociedade, enquanto entidade autônoma.

O mesmo ocorreu em decorrência da utilização sexual da mulher indígena. A contaminação do grupo com doenças até então desconhecidas, e para as quais os indivíduos não apresentavam qualquer resistência biológica, rebentou definitivamente com as possibilidades de o grupo continuar a viver independente. A submissão foi total.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 18 e 19; foto: Mongabay Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 48

99% do território original do pandas foi perdido devido ao desmatamento e à interferência humana

Os pandas são especialmente sensíveis a mudanças ambientais: qualquer diminuição na área de floresta de bambu pode significar morrer de fome.

Há milhares de anos, a espécie se estendia por todo o sudeste asiático; hoje, 99% de seu território original foi perdido devido ao desmatamento e à interferência humana. Agora, pandas existem em apenas seis pequenas regiões montanhosas no interior da china.

Fonte: Super Interessante, edição 470, dezembro de 2024, A geopolítica dos pandas, página 48; foto: G1 – Globo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 3   

A estrutura agrícola de hoje tem por objetivo maximizar sua produção

O segundo tipo [de estrutura paisagística] é representado pela “paisagem de produção agrícola”, que hoje tem por objetivo maximizar sua produção por meio de ampla mecanização das empresas de produção agrícola. A paisagem de civilização, devido à sua concentração humana, só pode suprir sua demanda alimentar quando está presente a de produção agrícola.

Embora, nesta, os danos causados à paisagem primitiva local não sejam tão elevados como os ocasionados pela da civilização, continuam a predominar, com vistas à economia da natureza, os sinais negativos. Desmatamentos, monoculturas, o perigo das erosões, a regulagem dos cursos de água, a drenagem e o emprego excessivo de fertilizantes caracterizam este tipo de paisagem.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, página 173; foto: Geo Agri.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 22

Carnes de laboratório

O cultivo de “carne de laboratório” existe desde 2013. Cientistas coletam células de boi ou de frango e as multiplicam em biorreatores (grandes tanques cheios de aminoácidos e nutrientes) para gerar pedaços de carne sem precisar matar nenhum animal.

Fonte: Super Interessante, edição 453, junho de 2023, Supernovas, página 12; foto: Capital Reset – UOL.

Rui Iwersen, editor.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 5

Dez anos após Colombo ter pisado na praia de São Salvador os espanhóis já haviam trucidado centenas de milhares de pessoas e destruído tribos inteiras 

 Como era costume do povo ao receber estrangeiros, os tainos da ilha de São Salvador [ilha de Guanahani, atual Bahamas] presentearam generosamente Colombo e seus homens com dádivas e os trataram com honra. (…) Colombo raptou dez de seus amistosos anfitriões tainos e levou-os à Espanha, onde eles poderiam ser apresentados para se adaptarem aos costumes do homem branco. Um deles morreu logo depois de chegar, mas não antes de ser batizado cristão. Os espanhóis gostaram tanto de possibilitar ao primeiro índio a entrada ao céu que se apressaram em espalhar a boa nova pelas Índias Ocidentais.

Os tainos e outros povos arawak não relutaram em se converter aos costumes religiosos europeus, mas resistiram fortemente quando hordas de estrangeiros barbudos começaram a explorar suas ilhas em busca de ouro e pedras preciosas. Os espanhóis saquearam e queimaram aldeias, raptaram centenas de homens e crianças e os mandaram à Europa para serem vendidos como escravos. Porém a resistência dos arawak deu origem a que os invasores fizessem uso de armas de fogo e sabres, trucidando centenas de milhares de pessoas e destruindo tribos inteiras, em menos de uma década após Colombo ter pisado na praia de São Salvador, a 12 de outubro de 1492.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 19 e 20; foto: Humanidades.com.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 47

A humanidade extraiu 2,1 trilhões de toneladas de água do subsolo e deslocou  o eixo rotacional da Terra  

0,8 m foi quanto a humanidade deslocou  o eixo rotacional da Terra entre 1993 e 2010, segundo um novo estudo publicado por cientistas da Universidade Nacional de Seul (Coréia do Sul). Segundo eles, isso aconteceu por causa da extração de água do subsolo.

Nas duas décadas analisadas, a humanidade extraiu 2,1 trilhões de toneladas de água, e a maior parte dela foi parar nos oceanos – o que redistribuiu a massa do planeta, e empurrou o eixo da Terra 80 cm na direção leste.

Fonte: Super Interessante, edição 453, julho de 2023, Supernovas, página 13; foto: Freepik.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 2  

A paisagem de civilização fomenta a alteração do equilíbrio biológico

A alteração do equilíbrio ecológico (…) receberá um ponto final no dia em que se conseguir manter em sua forma original ou fazer retornar a ela as unidades paisagísticas hoje ameaçadas de extinção. (…) A evolução previsível [das terras improdutivas] conduz, mais ou menos, à formação característica de três tipos diferentes de formas ou estruturas paisagísticas [paisagem de civilização, paisagem de produção agrícola e paisagem de regeneração].

O primeiro tipo, a que se pode dar o nome de “paisagem de civilização”, é assinalado pela concentração de pessoas, povoações e distritos industriais. A paisagem de civilização, por estar peculiarmente condicionada à economia, fomenta a alteração do equilíbrio biológico, representando assim um sinal negativo para a economia da natureza. É por isso que, com respeito a esse tipo de paisagem, deve-se prestar especial atenção ao cultivo de áreas verdes e ao plantio de árvores em geral. Essa paisagem não produz qualquer efeito regenerativo sobre a economia primitiva da natureza local.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 172 e 173; foto: Rádio Maringá.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22 

Colapso nº 22 – O apocalipse da Idade do Bronze

Essa realidade próspera e tranquila veio abaixo em pouco tempo e arrasou civilizações da Grécia à Síria, passando pelo Egito faraônico

Era o ano 1.177 a.C., e o mundo estava acabando. Ou, pelo menos, o mundo que havia sido construído durante séculos (ou até milênios) por reis, guerreiros e burocratas do Mediterrâneo.

Essa gente tinha se acostumado a uma espécie de globalização em pequena escala, graças à qual era possível navegar, comercializar objetos luxuosos e enviar cartas com propostas de casamento, ameaças ou simples saudações a pessoas do outro lado do mar [Mediterrâneo].

Era uma realidade próspera e relativamente tranquila. Mas veio abaixo em pouco tempo – e nunca se reergueu por completo. Trata-se do “apocalipse da Idade do Bronze” [3.3oo a.C. – 1.200 a.C.], um fenômeno histórico que arrasou civilizações da Grécia à Síria, passando pelo Egito faraônico, no século 12 a.C. – e até hoje não foi plenamente esclarecido.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 33; foto: Candeias Mix.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 21

Desde a Idade Média os ingleses cruzam raças de cachorros para produzir cães lutadores

Para criar bons cães lutadores, os ingleses cruzaram buldogues com raças mais ágeis de terrier, um tipo de cachorro usado para caça. Nasciam aí os bull terriers, que dariam origem aos pit bulls – um termo guarda-chuva, que abrange várias raças.

O adestramento era cruel. Os cães de rinha precisavam ser agressivos (para atacar outros cães) e, ao mesmo tempo, subservientes (para não atacar seus donos).

Fonte: Super Interessante, edição 464, junho de 2024, Os pit bulls nascem maus ou a sociedade os corrompe?, página 9; foto: Bnews.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 4

Colombo escreveu ao rei que o povo deveria “ser posto a trabalhar, plantar e fazer tudo que é necessário e adotar nossos costumes”

Tudo começou com Cristóvão Colombo, que deu ao povo o nome de índios. Os europeus, os homens brancos, falavam com dialetos diferentes, e alguns pronunciavam a palavra “indien”, ou “indianer”, ou “indian”. Peaux-rouges, ou “red skins” (peles vermelhas), veio depois. Como era costume do povo ao receber estrangeiros, os tainos da ilha de São Salvador [ilha de Guanahani, atual Bahamas] presentearam generosamente Colombo e seus homens com dádivas e os trataram com honra.

“Tão afáveis, tão pacíficos, são eles”, escreveu Colombo ao rei e à rainha da Espanha, “que juro a Vossas Majestades que não há no mundo uma nação melhor. Amam a seus próximos como a si mesmos, e sua conversação é sempre suave e gentil, e acompanhada de sorrisos; embora seja verdade que andam nus, suas maneiras são decentes e elogiáveis.”

Claro que tudo isso foi tomado como sinal de fraqueza, senão de barbárie, e Colombo, sendo um europeu bem-intencionado, convenceu-se de que o povo deveria “ser posto a trabalhar, plantar e fazer tudo que é necessário e adotar nossos costumes”. Nos quatro séculos seguintes (1492-1890), vários milhões de europeus e seus descendentes tentaram impor seus costumes ao povo do Novo Mundo.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 19 e 20; foto: MeisterDrucke.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 36 – Grupos tribais sobreviventes

Com 6.616 indivíduos, os Kaingang formam uma das maiores tribos que sobrevivem no Brasil presente

Distribuídos pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, os Kaingang formam uma das maiores tribos que sobrevivem no Brasil presente. Sua população aldeada em postos indígenas atinge 6.616 indivíduos. Um número de indivíduos não conhecido, mas seguramente com certa agressividade, vive disperso nas fazendas e outras  propriedades rurais. (…)

Tudo indica que o território tradicional dos Kaingang era toda a área de campo compreendida entre os rios Uruguai e Iguaçu. Na medida em que os interesses coloniais facilitaram, no século XVII, o aniquilamento das populações Guarani aldeadas pelos jesuítas espanhóis, os Kaingang puderam se expandir para o norte e sul daqueles rios. Conseguiram, assim, temporariamente, o domínio dos campos do planalto, em toda a região sul.

A partir do momento em que os jesuítas e suas reduções foram destruídos, diminuindo os lucros do bandeirantes pela comercialização dos espólios de guerra, especialmente escravos índios, o comércio do gado existente à solta nos campos do sul serviu de motivo para manter o interesse dos paulistas na região. E, aos poucos, o gado tornou-se a razão econômica de contingentes nacionais que logo foram disputar com os Kaingang o domínio dos campos naturais do planalto.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 17; foto: A GRANJA – Total Agro.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 46

Os desertos surgem do esgotamento lento do solo através de uma exploração crescente de seus recursos

Quando a erosão do solo alcança determinados níveis, a terra se torna estéril. Os efeitos dos desmatamentos podem ser detectados em todo o mundo, nas suas consequências mais devastadoras.

Sobre isso escrevem, por exemplo, Jacks e White: “Os desertos da China Setentrional, Pérsia, Mesopotâmia e da África do Norte contam, todos eles, a mesma história do esgotamento lento do solo através de uma exploração crescente de seus recursos, determinada por uma civilização que foi se expandindo. Ele foi explorado de tal forma que não lhe restou força alguma para se recuperar. Naturalmente, à exaustão do solo seguiu-se – um fato que hoje se pode constatar – a erosão. (…)”

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, página 33; foto: Freepik.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 1  

A sobrevivência de uma humanidade sadia custa dinheiro, muito dinheiro

O problema principal da defesa ecológica é que, em se tratando do nosso meio ambiente, cada indivíduo deve se conscientizar de que tem de modificar, a esse respeito, seus conceitos e sua mentalidade. Quanto a isso, é preciso que se diga claramente que a sobrevivência de uma humanidade sadia custa dinheiro, muito dinheiro.  Cada membro de uma sociedade que se baseia no bem-estar social deverá estar disposto, para que isso se concretize, a grandes sacrifícios.

Muitas das coisas que hoje deixamos de fazer, no sentido de uma estruturação do meio ambiente, não poderão ser recuperadas amanhã, pois terão de ser consideradas como irremediavelmente perdidas.

Pode-se afirmar, com certeza, que o dinheiro que “hoje” se colocar à disposição da preservação do meio ambiente será menor do que o montante que se exigirá dentro de poucos anos. Se não se levar em consideração as exigências atuais da defesa ecológica, a soma a ser despendida crescerá dia a dia.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 153 e 154; foto: Portal Gov.br.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 3

Os que lerem este livro poderão aprender algo sobre sua própria relação com a terra, com um povo que era de conservacionistas verdadeiros 

Este não é um livro alegre, mas a história tem um jeito de se introduzir no presente, e talvez os que o lerem tenham uma compreensão mais clara do que é um índio americano, sabendo o que ele foi. Poderão surpreender-se ao ouvir que palavras gentis e ponderadas saem da boca de índios estereotipados no mito americano como selvagens impiedosos. Poderão aprender algo sobre sua própria relação com a terra, com um povo que era de conservacionistas verdadeiros.

Os índios sabiam que a vida equivale à terra e seus recursos, que a América era um paraíso, e não podiam compreender por que os invasores do Leste estavam decididos a destruir tudo que era índio e a própria América.

E se os leitores deste livro alguma vez puderem ver a pobreza, a desesperança e a miséria de uma reserva índia moderna, acharão possível compreender realmente as razões disso.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Introdução, página 17; foto: Toda Matéria.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 20

Pelo menos nos mamíferos, o comportamento homossexual pode ter surgido por razões sociais

Recentemente, um grupo de biólogos propôs uma terceira hipótese: pelo menos nos mamíferos, o comportamento homossexual pode ter surgido por razões sociais, e não puramente reprodutivas.

Em um artigo de 2023, esses pesquisadores analisaram a prevalência das relações em mais de 260 espécies de mamíferos – e notaram que a homossexualidade era especialmente comum nos que vivem em sociedade, com destaque para os primatas: 51 espécies, de lêmures a gorilas, apresentam o comportamento.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, As origens biológicas da Homossexualidade, página 43; foto: DCM.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 2

Esta série mostra o Capitalismo maquiavélico dos colonizadores europeus da América do Norte, como ocorreu na América do Sul (como veremos futuramente na Série de GaiaNet nº 21: “1501 – O Brasil depois de Cabral”).

Enterrem meu coração na curva do rio é um livro de advertência sobre o problema das minorias raciais em confronto com uma cultura tecnologicamente adiantada

O livro de Dee Brown chegou à lista de best-sellers e passou mais de um ano sacudindo consciências e revelando uma face triste da formação dos Estados Unidos, reabilitando os pobres subumanos mostrados pelo cinema e pela televisão de massas. Revela outro aspecto importante dessas décadas impiedosas: o papel do homem branco como o agente poluidor da natureza exuberante da região habitada pelos índios. Os brancos introduziram a fumaça dos trens, o uísque, as doenças infecciosas e acabaram com as florestas e a vida selvagem. (…)

[Dee Brown] Foi um pesquisador nato e provou isso em Enterrem meu coração na curva do rio, revelando uma quantidade imensa de material original e desconhecido sobre os índios. (…)

No Brasil, além do interesse natural por uma obra sobre o assunto, Enterrem meu coração na curva do rio é um livro de advertência, profundamente atual, sobre o problema das minorias raciais em confronto com uma cultura tecnologicamente adiantada.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, Coleção L&PM Pocket, 2003; Geraldo Galvão Ferraz, Apresentação, páginas 6 e 7; foto: Facebook – Buenas ideias.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20 

Saúde do Planeta nº 45

Acredita-se em contaminação por mercúrio a morte de botos e tucuxis na região amazônica do Médio Solimões

As cenas foram de cortar o coração: ao menos 130 botos e tucuxis apareceram mortos em Tefé, na região amazônica do Médio Solimões. As causas ainda estão sendo investigadas, mas acredita-se em contaminação, possivelmente por mercúrio.

A temperatura da água dos rios, que atingiu mais de 40 graus, certamente também contribuiu para a tragédia. Os picos do termômetro provocaram a mais severa seca da história e alguns trechos do Rio Negro ficaram completamente secos. Para além do triste cenário revelado pela fauna – um barco com piscina abrigava os animais resgatados com vida -, há implicações para as populações ribeirinhas, de circulação restrita, sem acesso a escolas e a alimentos que chegam de barcos.

Fonte: Veja, Editora Abril, edição 2862, ano 56, número 40, 6 de outubro de 2023, Tragédia Amazônica, página 23; foto: Projeto Colabora.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

Esta nova Série de GaiaNet mostra o Capitalismo maquiavélico dos colonizadores europeus da América do Norte. Esta ideologia foi descrita em 1532 por Nicolau Maquiavel no livro O Príncipe, e é apresentada atualmente na Série de GaiaNet nº21: 1501 – O Brasil depois de Cabral.

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 1

Dee Brown conseguiu mostrar a grande tragédia dos índios norte-americanos

Enterrem meu coração na curva do rio

Enterrem meu coração na curva do rio (Bury my Heart at Wounded Knee), o best-seller de Dee Brown, conta o outro lado da história, a história índia do Oeste Americano. (…) A tal gente pintada que berrava é um povo altivo, nobre, com uma cultura própria, que só entra em guerra defendendo o direito de viver nas terras que sempre foram suas. (…)

Os brancos guardam a memória dos massacres Fatterman e de Little Big Horn, onde morreu o general Custer. Ficou relegado aos livros especializados e a documentos de difícil acesso o grande número de massacres de aldeias índias, com morte a sangue frio de velhos, mulheres e crianças. (…)

Dee Brown, nesta sua obra que veio na hora certa, quando a consciência do povo norte-americano estava sendo incomodada pela guerra vietnamita e pela questão racial, conseguiu mostrar, em primeiro lugar, a grande tragédia do índio, uma minoria incômoda para a expressão desenvolvimentista de uma nação em progresso, que precisava de terras para ampliar seu território, para fazer estradas e colonizar o interior.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio (A dramática história dos índios norte-americanos), Coleção L&PM Pocket, 2003; Geraldo Galvão Ferraz, Apresentação, páginas 5 e 6; foto: Dois Pontos.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 19

Biodiversidade da flora amazônica

“Há cerca de 40 mil espécies vegetais na Amazônia.”

Fonte: Canal Gov; foto: Conhecimento científico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 44

53,6% da humanidade não têm acesso a água limpa para beber

4,4 bilhões de pessoas, ou 53,6% da humanidade, não têm acesso a água limpa para beber. Essa é a constatação, alarmante, de um novo estudo publicado por cientistas suíços.

Eles analisaram dados de 135 países em desenvolvimento e descobriram que, em muitos casos, a água que essas populações consomem apresenta níveis inaceitáveis de coliformes fecais.

O número é muito maior que o calculado pela OMS – em 2020, ela estimou que 2 bilhões de pessoas não tinham acesso a água limpa. *

Super Interessante, edição 467, setembro de 2024, Bruno Garattoni, Supernovas, página 13; foto: Águas do Rio. 

* Ver “Saúde do Planeta nº 37” de 2/4/24 onde a ONU nos alertava na época: “Agora, se mantivermos nosso padrão de consumo e de devastação do meio ambiente, o quadro irá se agravar muito rapidamente. Em 2025, dois terços da população do planeta (5,5 bilhões de pessoas) poderão ter dificuldade de acesso à água potável.”

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Séries de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 18

Biodiversidade da fauna brasileira

“Em Santa Catarina há 701 espécies de aves registradas, 35% das aves do Brasil.”

Fonte: NSC, Jornal do Almoço, 17 de julho de 2024; foto: Fauna News.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº20

Saúde do Planeta nº 43

O Brasil registrou 68.635 focos de queimadas em agosto

O Brasil registrou 68.635 focos de queimadas em agosto, de acordo com dados do “Programa Queimadas”, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

É o pior resultado para o mês desde 2010, quando 90.444 focos ativos foram detectados pelo satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Considerando os dados históricos coletados pelo Inpe desde 1998, os números do governo federal colocam o período como o quinto pior mês de agosto no total de focos de queimadas para o Brasil.

A taxa também mais que dobrou na comparação com o ano passado, quando o país teve 28.056 focos no mesmo período. A média de queimadas para o mês é de 46.529 focos. Já o mínimo de focos registrado pelo Inpe aconteceu em 2013, quando cerca de 21 mil foram contabilizados em todo o país. Ainda segundo o Inpe, mais de 80% desses focos ocorreram na Amazônia e no Cerrado.

Na Amazônia, a temporada de incêndios geralmente ocorre entre junho e outubro, mas fazendeiros, garimpeiros e grileiros derrubam a floresta e se preparam para queimá-la durante todo o ano. E de acordo com o Programa Queimadas, o bioma registrou 65.667 focos de fogo desde janeiro até agora (1º setembro). O número representa um aumento de 104% quando comparado com o mesmo período do ano passado, quando 32.145 focos foram contados pelo instituto. (…)

Fonte: G1; Foto: Blog Nossa Voz.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Séries de GaiaNet nº23

Biodiversidade nº 17

Brasil tem mais gado que gente

“O Brasil tem 240 milhões de cabeças de gado.”

Fonte: Globo News, Prejuízo na Agropecuária [dos incêndios florestais], 7 de maio de 2024; foto: Animal Business Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


A desertificação e a seca ameaçam vidas e meios de subsistência em todo o planeta

Mais de 2 bilhões de hectares das terras do mundo estão degradados, afetando mais de 3 bilhões de pessoas.
A desertificação e a seca ameaçam vidas e meios de subsistência em todo o planeta. Ecossistemas vitais e inúmeras espécies estão sob ameaça.
Em face de secas mais severas e prolongadas, tempestades de areia e aumento das temperaturas, é fundamental encontrar maneiras de impedir que a terra seca se transforme em deserto, que as fontes de água doce evaporem e que o solo fértil se transforme em pó.
De empresas e governos a indivíduos, todos podem ajudar a acabar com a degradação da terra, restaurar paisagens destruídas e criar um planeta habitável para as próximas gerações.
Fonte: Programa da ONU para o meio ambiente.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 42

Dia da Sobrecarga da Terra, indicador calculado desde 1971, mostra que em 2023 usamos 75% mais recursos do que o planeta pode suportar

Hoje, o aquecimento global e outros problemas ambientais são temas dominantes – e urgentes. Todo ano, a ong americana Global Footprint Network calcula o chamado Dia da Sobrecarga da Terra, a data em que ultrapassamos a capacidade do planeta de reequilibrar seus sistemas ecológicos e regenerar recursos naturais.

Esse indicador é calculado desde 1971; naquele ano, a humanidade atravessou o limite em dezembro. Já em 2023, isso aconteceu no dia 2 de agosto. Isso significa que, no ano passado, usamos 75% mais recursos do que o planeta pode suportar.

Fonte: Super Interessante, edição 459, janeiro de 2024, O fim da superpopulação, página 22; foto: A Terra é Redonda.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Séries de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 16

Refugiados políticos e refugiados do clima no Planeta  

“Existem 100 milhões de refugiados no mundo”.

Fonte: COI, Abertura dos jogos Olímpicos de Paris; foto: Conexão UFRJ. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 41

Modelo teórico mostra a dinâmica do colapso ambiental 

Os vínculos intrincados entre algas que vivem nos oceanos, produção de gás enxofre, química atmosférica, física das nuvens e clima vêm, aos poucos, sendo descobertos em dezenas de laboratórios ao redor do mundo. (…)

Quando executamos nosso modelo aumentando gradualmente a entrada de calor do Sol, ou  mantendo o Sol constante mas aumentando a entrada de dióxido de carbono, como estamos fazendo agora no mundo real, o modelo mostrou um bom equilíbrio, com os ecossistemas oceânico e terrestre desempenhando seus papéis. Mas, quando a quantidade de dióxido de carbono se aproximou de 500 ppm, o equilíbrio começou a falhar, e ocorreu um súbito aumento de temperatura. A causa foi o colapso do ecossistema oceânico. Com o aquecimento do mundo, a expansão da superfície morna dos oceanos privou as algas de nutrientes, até que elas se extinguissem. Com a diminuição da área de oceano coberta por algas, seu efeito resfriador diminuiu e a temperatura disparou.

James Lovelock, A Vingança de Gaia, Editora Intrínseca, 2006, páginas 40 e 41; foto: Olhar Digital.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Séries de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 15

Sete em cada dez brasileiros têm animal de estimação 

  • 94% dos brasileiros têm ou já tiveram algum animal de estimação.
  • 72% dos brasileiros têm algum animal de estimação.
  • Brasil é o 3º país do mundo com a maior população de pets, 149 milhões, atrás da China e Estados Unidos.

Fonte: GloboNews, edição das 18h, 2 de julho de 2024; foto: Jornal Imparcial.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Colapsos – Série de GaiaNet nº 22

Colapso nº 16 – Apocalipse bíblico

O primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe 

O próprio Apocalípse de João, apesar de todo o sofrimento que prevê para a parte pecadora não arrependida da humanidade, deixa esperanças no final. O homem, enfim, viverá em comunhão com Deus e todas as dores terão acabado. O ciclo se fecha.

“Vi então um novo céu e uma nova terra”, escreve o profeta. “Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, vestida como noiva enfeitada para o seu esposo. Então, ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia: “Esta é a morada de Deus com os homens. Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus com eles será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram.”

Fonte: Super Interessante, Edição Especial, Apocalipse – O fim do mundo, Edição 291-A, maio de 2011, página 13, Apocalipse bíblico; foto: Central da Oração.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

 

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