Varal ecológico
Varal Ecológico é uma atividade que divulgo desde 1983 em encontros ou atividades ecológicas. Nesta página apresento, desde 2009, imagens com pequenas sínteses de alguns dos artigos editados em GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 58
Metade dos ambientes aquáticos contém lixo
E a grande maioria do detritos é de apenas dois tipos: plástico e bitucas.
Metade de todos os ambientes aquáticos (rios, praias e manguezais) do planeta está contaminada por lixo. (…)
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 16
Logo se chegou à ideia de armazenar a água em cisternas, guardando-a para épocas de carência
Como já se tinha reconhecido que, para as épocas de carência de água, a solução eram os reservatórios especiais (…)
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 58
O negacionismo das vacinas nos Estados Unidos
Os resultados [do negacionismo] já aparecem: em pleno 2025, os EUA vivem o maior surto de sarampo desde que ganharam o selo de livre do vírus pela OMS, em 2000. (…)
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 55
A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa
O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. (…)
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 15
Existia o perigo de que o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água
(…) Além disso, a luta pela existência também coagia os nossos antepassados, mas por motivo diverso daquele, a economizar água: (…)
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 14
As latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, usavam a água que escoava dos banhos públicos
Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia. (…)
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Dia Mundial de Luta Contra a AIDS
O Dia Mundial da Luta Contra AIDS é um dia que, cada ano, deve servir para desenvolver e reforçar o esforço mundial da luta contra a AIDS. (…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 37 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 5
As condições climáticas ideais no Império Romano favoreceram uma explosão do cultivo de cereais
A vida dentro dessas fronteiras [do Império Romano] costumava ser próspera e pacífica. (…)
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Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos nº 20
Os navajos defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com heroísmo
Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros [indígenas] eram apenas bocas e corpos: (…)
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52
Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena
Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. (…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 36 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 4
O Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C.
… essa fase “ótima” se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores. (…)
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 56
O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas arrotando metano
O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas (218 milhões, conforme dados do IBGE, no Brasil). (…)
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51
A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento
Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. (…)
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A pecuária e as emissões de gases geradores de efeito estufa
A pecuária é responsável por 7.4% das emissões mundiais de gases geradores de efeito estufa. (…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 35 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 3
Os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura
Os desastres ocorridos a partir de 166 d.C. talvez tenham sido ainda mais dolorosos porque vieram na esteira de alguns séculos de bonança (…)
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 55
Aquecimento global – a febre de Gaia, o planeta vivo doente
Dados confirmaram que 2024 foi o primeiro ano a ultrapassar a marca de 1,5 º C de aquecimento global em relação a níveis pré-industriais. (…)
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Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 17
Os navajos consideravam o escalpo um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis
(…) (… colonos espanhóis, holandeses, franceses e ingleses tornaram popular o costume de se oferecerem prêmios pelos escalpos de seus respectivos inimigos.)
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 9
Documentos escritos antigos assinalam a significação que se dava ao uso da água
(…) Também no Velho Testamento se encontram inúmeros indícios da importância que se conferia à água. (…)
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Alesc debate uso e acesso a medicamentos à base de cannabis em SC
O uso medicinal da cannabis como alternativa para o tratamento de doenças crônicas e neurológicas foi debatido em Audiência Pública da Assembleia Legislativa na segunda-feira (25). (…)
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 54
Acesso à água em tempos de guerra
A ligação entre conflitos armados e escassez de água nem sempre é óbvia.
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Dia Nacional da Saúde
Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 8
As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água
(…) 1. As leis das águas foram os primeiros códigos dos homens (…)
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47
As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese
(…) Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (…)
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 7
Hoje em dia vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente
(…) Existem muitos outros exemplos que nos fazem supor que os danos causados ao meio ambiente intervieram também, em larga escala, na História.
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Teoria de Gaia
Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra
(…) Ele evita que as noites sejam insuportavelmente frias, e mantém a temperatura média do globo em um patamar agradável de 14 °C. (…)
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 52
Em regiões costeiras a redução das vazões fluviais pode provocar o avanço de água salgada em direção ao continente
(…) Isso pode comprometer a saúde das pessoas que consomem água com alto teor de sal, aumentando o risco de hipertensão; danificar sistemas de adutoras e tubulações; além de comprometer o solo e a flora local.
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 46
A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas
As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. (…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 10
Em Atenas surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História
Entretanto, foi justamente a queda dos governos palacianos que abriu espaço para uma reconstrução quase total da vida política e social na Grécia. (…)
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Como animais extintos estão voltando às florestas de Florianópolis
(…) “O fato de estarmos numa ilha dificulta a refaunação natural. Por isso, a reintrodução acaba sendo uma ferramenta importante para espécies que dificilmente voltariam naturalmente” (…)
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Dia Mundial do Meio Ambiente

O Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado no dia 5 de junho. Foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na resolução (XXVII) de 15 de dezembro de 1972…
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 5
Os maias fracassaram por não terem conseguido solucionar os problemas ecológicos
A concentração de massas humanas cada vez maiores tornou acentuadamente mais difícil o abastecimento de gêneros alimentícios. (…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 9
A Idade do Bronze acaba, dando origem à Idade do Ferro
(…) Na verdade, a produção de ferro já era conhecida por algumas das civilizações da Idade do Bronze, mas…
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A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo. (…)
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Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos nº 12
A grande nação cherokee, que sobrevivera a mais de cem anos de guerras, agora seria dizimada
Para os índios, parecia que os europeus odiavam tudo na natureza – as florestas vivas e seus pássaros e bichos, as extensões de grama, a água, o solo e o próprio ar. (…)
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 4
As antigas realizações técnicas tinham relações com a defesa, a obtenção e o armazenamento de água
(…) De um lado, as águas produzidas por fontes nas proximidades das grandes cidades tinham de ser captadas, armazenadas e conduzidas às povoações. (…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 29 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 8
Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário
(…) E há, é claro, um fator ainda mais crucial: água. Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário. (…)
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Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos nº 11
Para os índios parecia que os europeus odiavam tudo na natureza
No continente, os wampanoags de Massasoit e do rei Philip haviam desaparecido, junto com os chesapeakes, os chickahominys e os potomacs da grande confederação Powhatan. (…)
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 3
O que mais o impressionou um pigmeu que vivia ainda na selva foi a água canalizada de nossas cidades
(…) Com seu instinto seguro, o pigmeu tinha reconhecido que não invejava o homem civilizado por possuir aquelas torres de cimento e tijolos e suas autoestradas. (…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 28 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 7
As potências mesopotâmicas estavam relativamente longe do Mediterrâneo, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar
(…) Na categoria dos sobreviventes, cada caso é um caso, mas há alguns pontos interessantes em comum. Talvez a situação mais simples de entender seja a da Mesopotâmia. (…)
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 2
Nas épocas pré-cristãs das civilizações mediterrâneas existiam metrópoles que já enfrentavam problemas ecológicos
Já há algumas décadas comecei a me conscientizar de que a humanidade se encontra à beira do maior perigo que enfrentou até hoje. (…)
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Gelo polar deve seguir derretendo até 2300
(…) Essa é a conclusão pouco animadora de uma simulação feita por cientistas da Coréia do Sul, que analisaram áreas cobertas por permafrost: (…)
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Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 41
O convívio não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios
” (…) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morreriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam.”
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Série de GaiaNet nº 25
Mensagem à COP 30 nº 6
Podemos transformar em mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas
(…) O que mais importa, nessas tradicionais zonas de cultivo, é realizar florestamento limitado, para conservar, por exemplo, os vales relvados dos maciços centrais e os pastos no alto das serras.(…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 26 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 5
Um estudo da Universidade Cornell (EUA) mostrou que todo o século anterior ao colapso do Mediterrâneo Oriental foi marcado por secas
(…) Por fim, pouco depois de 1200 a.C., três anos consecutivos de seca totalmente fora do comum chegaram, coincidindo, ao que parece, com o abandono de Hattusa, a capital hitita.
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Série de GaiaNet nº 25
Mensagem à COP 30 nº 5
É preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente
Deve-se encarar a paisagem de regeneração como uma nova forma de exploração do solo, que respeita não só a preservação da natureza, mas que também deve servir ao fomento do turismo. (…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 25 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 4
Uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental
(…) Quando a poeira do colapso baixou, tudo isso tinha deixado de existir. Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados (…)
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Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos nº 7
A primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses
Depois de os ingleses desembarcarem em Plymouth (1620), a maioria deles teria morrido de fome, não fosse a ajuda que receberam dos nativos amistosos do Novo Mundo. (…)
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Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 49
Cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição
(…) desnutrição, uma doença grave causada pela falta de nutrientes essenciais para a vida saudável. (…)
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Série de GaiaNet nº 22
Colapso nº 24 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 3
O Egito nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze
No caso do Egito, deu ruim para os Povos do Mar, conforme Ramsés III conta em seus monumentos. (…)
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Série de GaiaNet nº 23
Biodiversidade nº 23
O panda se separou mais cedo do ancestral comum do grupo de ursos
Oito espécies de ursos compõem a família Ursidae. Entre todas, a Ailuropoda melanoleuca – o panda – foi a que se separou mais cedo do ancestral comum do grupo, há milhões de anos. (…)
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Área queimada no Brasil cresce 79% em 2024
Território devastado pelo fogo no ano passado é maior que o da Itália; Amazônia foi o bioma mais atingido
A área devastada por queimadas no Brasil cresceu 79% em 2024 com relação a 2023, segundo dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas. (…)
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21 de janeiro de 2025
Série de GaiaNet nº 24: A dramática história dos índios norte-americanos – nº 6
Em pouco tempo, os oito mil índios powhatan foram reduzidos a menos de mil
(…) mas os índios subestimaram o poder das armas inglesas. Em pouco tempo, os oito mil powhatan foram reduzidos a menos de mil.
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Série de GaiaNet nº 20: Saúde do Planeta nº 48
99% do território original do pandas foi perdido devido ao desmatamento e à interferência humana
Os pandas são especialmente sensíveis a mudanças ambientais: qualquer diminuição na área de floresta de bambu pode significar morrer de fome. (…)
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Série de GaiaNet nº 25: Mensagem de 1973 à COP 30 – nº 3
A estrutura agrícola de hoje tem por objetivo maximizar sua produção
O segundo tipo [de estrutura paisagística] é representado pela “paisagem de produção agrícola”, que hoje tem por objetivo maximizar sua produção (…)
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Série de GaiaNet nº 23: Biodiversidade nº 22
Carnes de laboratório
O cultivo de “carne de laboratório” existe desde 2013. (…)
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Série de GaiaNet nº 21: 1501 – O Brasil depois de Cabral nº 37
A frente de expansão portuguesa estimulava a expulsão dos campos dos contingentes indígenas
No ano de 1728 abriu-se uma picada ligando o morro dos Conventos, ao sul de Santa Catarina, com os campos de Lages e Curitiba. (…)
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Série de GaiaNet nº 25: Mensagem de 1973 a nós e à COP 30 – nº 2
A paisagem de civilização fomenta a alteração do equilíbrio biológico
A alteração do equilíbrio ecológico (…) receberá um ponto final no dia em que se conseguir manter em sua forma original ou fazer retornar a ela as unidades paisagísticas hoje ameaçadas de extinção. (…)
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Veja mais…
- Published in Reflexão Ecológica
Reflexões ecológicas
Pequenas sínteses de pensadores como Darwin, Freud, James Lovelock, Jared Diamond, Richard Dawkins e Yuval Harari, e reflexões sobre o Universo, a Terra, a natureza, a vida, o Homem e a História.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 41 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 9
No ano 249 surge outra pandemia que devasta a população imperial
A Peste Antonina durou até o ano 180 d.C.. Após uma década e meia de horror, seus efeitos mais graves começaram a se diluir, provavelmente porque quem sobreviveu ganhou imunidade à doença. (…) Não foi exatamente fácil, mas as instituições romanas aguentaram esse primeiro tranco.
A coisa mudou significativamente de figura, porém, no século seguinte. Mais uma vez, os sedimentos marinhos de Tarento registram uma queda abrupta da temperatura e da umidade, que começa por volta do ano 245 d.C. e se prolonga por pelo menos três décadas. Aí, no ano 249, surge outra pandemia que devasta a população imperial.
A doença ficou conhecida como Peste de Cipriano, por causa do santo de mesmo nome, então bispo da cidade de Cartago (atual Tunísia). Cipriano foi um dos responsáveis por registrar a chegada da moléstia. Há grandes dúvidas sobre o causador da pandemia, mas uma possibilidade é que se tratasse de um parente do vírus Ebola, por causa da presença de sintomas hemorrágicos severos. (…) A Peste de Cipriano durou até 262 d.C., e causou enorme destruição.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Brasil Escola – UOL.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 56
Os índios são envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita
Considerados reserva de mão de obra utilizável nos momentos que as fainas agrícolas de plantio ou colheita chegam ao auge, os indígenas são para os agricultores regionais mais uma garantia do sucesso de seus empreendimentos, pelo menos no que se refere ao atendimento das necessidades de trabalho manual. Os índios são assim envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita, quase sempre sob o regime de empreitada ou diária.
O trabalho indígena em toda a região é bastante desvalorizado. Mas ninguém deixa de utilizá-lo. Na maioria dos postos indígenas tornou-se comum, aos domingos pela tarde, chegar caminhões para apanhar índios para o trabalho em fazendas ou em propriedades de pequenos ou médios agricultores das vizinhanças. Já existe uma certa institucionalização para o uso dessa mão de obra. O interessado obtém em primeiro lugar a anuência do chefe do Posto e em seguida acerta com um índio, quase sempre rotulado como “chefe de turma”, as condições de trabalho, número de homens necessários, prazo de permanência e forma de pagamento. A supervisão do chefe do posto, em princípio, pretende eliminar formas vis de exploração, responsabilizando também o interessado quanto à condição particular de tutela a que estão sujeitos os indígenas.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; página 33; foto: Brasil de Fato.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 23
Biodiversidade nº 24
Micróbios pioram o aquecimento global
O aumento na temperatura do planeta está derretendo o Ártico – e isso, como aponta um estudo publicado pela Universidade da Califórnia, vem estimulando a proliferação de micróbios que produzem metano, gás que retém calor na atmosfera e agrava o problema.
Os cientistas analisaram o nível de metano atmosférico entre 2006 e 2023 (período em que ele aumentou), e encontraram uma relação direta entre o teor desse gás no Ártico e o aquecimento global.
Além do fenômeno apontado pelo estudo, atividades humanas como a agricultura e a pecuária também geram muito metano – cada bovino arrota 100 kg desse gás, que se forma durante a digestão, por ano. (BG)
Super Interessante, edição 483, janeiro 2026, página 15; foto: Janela para a Rússia.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 58
Metade dos ambientes aquáticos contém lixo
E a grande maioria do detritos é de apenas dois tipos: plástico e bitucas.
Metade de todos os ambientes aquáticos (rios, praias e manguezais) do planeta está contaminada por lixo.
Essa é a conclusão de um trabalho de cientistas da Unifesp, que analisaram 298 estudos sobre o tema.
Fonte: Super Interessante, edição 483, janeiro de 2026, página 12; foto: Revista Fapesp
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 16
Logo se chegou à ideia de armazenar a água em cisternas, guardando-a para épocas de carência
Como já se tinha reconhecido que, para as épocas de carência de água, a solução eram os reservatórios especiais, dotados de canos de escoamento em alturas diversas, também se chegou à ideia, óbvia, de que se poderia tentar encontrá-la dentro dos muros da cidade.
Só que nas cidades de então, que, por motivos estratégicos, eram construídas nas encostas das montanhas, apenas raramente se encontravam fontes perenes dentro de seus muros. No entanto, sempre acontecia, durante os períodos chuvosos, que caía mais água dos céus do que se necessitava naquele momento. É por isso que logo se chegou à ideia de armazenar essa água em cisternas, guardando-a para épocas de carência.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 95 e 96; foto: Reddit.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 40 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 8
O vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império
A sociedade romana já enfrentava uma crise na produção e distribuição de alimentos quando o vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império.
O estrago da pancada epidemiológica teria sido multiplicado pela dificuldade de levar recursos às populações afetadas, o que impulsionou a mortalidade. Era a primeira pandemia da época imperial. Mas não seria a última.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Gazeta do Povo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 58
O negacionismo das vacinas nos Estados Unidos
Os resultados [do negacionismo] já aparecem: em pleno 2025, os EUA vivem o maior surto de sarampo desde que ganharam o selo de livre do vírus pela OMS, em 2000. Já são mais de 1800 casos da doença (que é altamente contagiosa) e três mortes, sendo duas crianças.
O surto começou no Texas e está se espalhando para outros estados, cortesia da baixa vacinação. Se o problema não for contido até janeiro de 2026, o país pode perder o status de eliminação. Casos de coqueluche também aumentam rapidamente por lá.
Fonte: Super Interessante, edição 482, dezembro de 2025, O lobo do negacionismo está no poder, página 8; foto: Dr. Consulta.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 55
A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa
O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. A extração de erva mate não chega a garantir condições para a manutenção sazonal das famílias envolvidas nessa atividade. O mesmo ocorre com a coleta do fruto do pinhão.
Somente em Ibirama, onde os recursos existentes quanto à palmeira Euterp edulis eram fartos, os índios por largo tempo viveram dependentes da sua extração. A destruição sistemática dos recursos naturais, especialmente a flora, existentes nas reservas indígenas e procedida por civilizados, aniquilou, na maioria dos postos, a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa. Em Ibirama, por exemplo, a coleta de palmitos é feita fora da reserva indígena, atuando os Xokleng apenas como mão de obra na exploração de palmitais particulares.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; páginas 32 e 33; foto: Jardineiro.net.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 15
Existia o perigo de que o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água
Como ficou explicado [no artigo anterior], as condições climáticas dominantes naquelas épocas remotas nas regiões em que se desenvolviam as antigas civilizações conduziram à necessidade de se armazenar água, pois o volume de água das vertentes e dos rios estava sujeito a consideráveis variações, de acordo com as estações do ano.
Além disso, a luta pela existência também coagia os nossos antepassados, mas por motivo diverso daquele, a economizar água: é que muitos dos dispositivos técnicos descritos, que serviam para o transporte e o armazenamento de água, encontravam-se fora das muralhas de proteção das cidades. Existia pois o perigo de que, por ocasião de algum cerco, o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 95; foto: Metrópoles.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 39 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 7
Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma
E aquela mania de botar gladiadores para brigar com leões, girafas e rinocerontes no Coliseu era alimentada por contatos comerciais com a África subsaariana, que eram intermediados pela Núbia (mais ou menos o atual Sudão) e pelos funcionários provinciais do Egito – dominado por Roma desde os tempos de Augusto.
Tudo isso significava um intenso e constante deslocamento de bens, pessoas e micróbios. Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma. Do ponto de vista epidemiológico, o Império Romano era uma bomba-relógio. Ela explodiu pela primeira vez com a Peste Antonina.
E isso aconteceu no pior momento possível. A Peste Antonina estourou poucas décadas após o final do Ótimo Climático Romano, numa fase que, segundo o estudo paleoclimático de Harper, foi caracterizada por diversos pulsos de resfriamento e diminuição da chuva.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, páginas 50 e 51 ; foto: Toda Matéria
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 57
No Brasil, a maior parte dos gases de efeito estufa vem da troca de florestas por pastos ou lavouras
Enquanto a queima de carvão mineral – principalmente por China e Estados Unidos para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras.
Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO, equivalente (o cálculo de CO, equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990.
Galileu, edição 329, dezembro 2018, O país do futuro, página 27; foto: Blog do Valdemir.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 54
Os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado aos indígenas
Os índios de Ibirama, no caso, se viram momentaneamente privados de uma fonte de renda sem poder, obviamente, compreender as razões do impedimento. Mas, o aspecto que mais nos impressionou, foi reconhecer que os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado de modo inequívoco, aos indígenas. No PI [Posto Indígena] Guarita, localizado no noroeste do Rio Grande do Sul, verificamos que os índios abandonaram as atividades de pescaria. “O rio não tem mais peixe bom. O que tem não se pode comer”.
As plantações de soja das vizinhanças da área indígena, e as realizadas na própria área pela FUNAI, vêm sendo pulverizadas com inseticidas para a prevenção da lagarta. Tais inseticidas não só matam os insetos, como as aves que circulam pelas plantações e que, às vezes, comem insetos e larvas envenenadas. Quebrado o equilíbrio pelo desaparecimento das aves, as quantidades de insetos aumentam assustadoramente. A cada novo ano, torna-se necessário aumentar as quantidades de inseticidas e, assim, a contaminação passa para a terra. Com as chuvas, parte dessa terra contaminada é levada para o rio, aniquilando também a fauna fluvial.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 31; foto: Instituto Humanitas Unisinos.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 14
As latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, usavam a água que escoava dos banhos públicos
Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia. (…) Já atendia à necessidade de se economizar água o simples fato de que as latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, não eram servidas com agua potável, pois se usava a água que escoava dos banhos públicos.
Nós, hoje em dia, acreditamos que, com relação ao consumo de água, podemos nos permitir maiores liberalidades que o normal das grandes cidades da Antiguidade: que erro mais fatal!
No futuro, como acontecia nos séculos passados, vamos ter de usar a água potável somente para beber. Do contrário, ela se tornará cara demais, principalmente porque temos de mantê-la livre não só de germes patogênicos mas também da presença de produtos de combate a animais daninhos, hormônios, detergentes, essências aromáticas, etc. Queiramos ou não, num futuro próximo teremos de adotar os antigos métodos que serviam para economizar a água potável.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 94 e 95; foto: MDig.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 38 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 6
Dia a dia os romanos empurravam as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada
Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da “região metropolitana” de Roma. Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.
Além disso, os romanos se transformaram numa superpotência dos cereais incorporando terras cada vez mais marginais (como encostas de morros na Itália, ou a beirada do deserto no Oriente Médio) em suas zonas cultivadas. “Dia a dia eles empurram as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada”, escreveu o poeta Lucrécio, que morreu por volta do ano 55 a.C.
O problema é que essas são justamente as áreas mais vulneráveis a alterações no clima. Bastava esfriar alguns graus ou deixar de chover alguns dias por ano – e, no caso do clima do Mediterrâneo, não é incomum que essas coisas venham juntas – para que as plantações “de fronteira” se tornassem inviáveis, e até as áreas mais propícias para o cultivo passassem a produzir bem menos. Em suma, o lado agrícola do Império tinha bases frágeis.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 50; foto: National Geographic.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Dia Mundial de Luta Contra a AIDS
O Dia Mundial da Luta Contra AIDS é um dia que, cada ano, deve servir para desenvolver e reforçar o esforço mundial da luta contra a AIDS. O objetivo deste dia é estabelecer o entrelaçamento de comunicação, promover troca de informações e experiências, e de criar um espírito de tolerância social.
O Dia Mundial da Luta Contra a AIDS dá a ocasião de se falar da infecção por HIV e da AIDS, de se ocupar das pessoas infectadas pelo HIV e com a AIDS, e de se saber mais sobre esta doença. Este dia internacional de ação coordenada contra a AIDS constitui já um evento anual na maior parte dos países.
Evocando as atividades de luta já em curso e encorajando novas iniciativas, o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS contribui para edificar uma ação durável contra a AIDS.
(Tradução e adaptação do “Journée Mondiale SIDA – Information n.º 1” da Organisation Mondiale de la Santé – Programme Mondial de Lutte Contre le SIDA).
Fonte: Gov org br; foto: Planet Wissen
Editado originalmente na página Calendário ecológico de GaiaNet.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 53
Em muitas reservas indígenas não existe uma única área coberta por floresta primária ou secundária
Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados. (…)
Mas não só o pinheiro foi explorado. As madeiras de lei são, ainda hoje, a razão de diversos contratos, e o palmito foi motivo, inclusive, para que toda a população Xokleng abandonasse as atividades agrícolas que desde a sua pacificação vinham servindo como base para sua sobrevivência.
Não é de se estranhar, pois, que em muitas reservas indígenas não exista uma única área coberta por floresta primária ou secundária. A destruição da cobertura florestal, nesses casos, foi drástica. Com ela, naturalmente, desapareceu a fauna. Assim, a maioria dos índios não tem como complementar sua dieta alimentar, seja pela caça, seja pela coleta de frutos silvestres ou mel.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 29; foto: MST.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 13
Nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia
A água subterrânea sobe ou desce de acordo com as precipitações pluviais. Se o volume de água que jorra das vertentes aumenta ou diminui, a mesma coisa acontece com as águas dos rios. Este fato era tão conhecido na Antiguidade como hoje em dia. Só que nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia.
Lavar o carro quando há falta de água, usar água potável na descarga dos vasos sanitários, utilizar água pura para a limpeza das ruas, são coisas a que só nós nos damos ao luxo. Nos últimos tempos, porém, já estão aparecendo exemplos de uso econômico da água. Em Paris, a limpeza das sarjetas é realizada, de quando em quando, não com água potável mas com água retirada do Sena.
Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 93 e 94; foto: Culturalizando.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 37 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 5
As condições climáticas ideais no Império Romano favoreceram uma explosão do cultivo de cereais
A vida dentro dessas fronteiras [do Império Romano] costumava ser próspera e pacífica. Raramente algum inimigo ousava desafiar o imperador para valer. (…)
Para alcançar esse sucesso, é claro que Roma podia contar com exércitos profissionais muito bem organizados, estradas planejadas com esmero e uma engenharia civil de dar inveja a muitas prefeituras por aí. Mas a verdadeira base do mundo romano, assim como a de quase qualquer outra civilização antiga, era a produtividade agrícola. E as condições climáticas ideais até 130 d.C., junto com o crescimento de uma espécie de “agronegócio” (turbinado por trabalho escravo em grandes fazendas), favoreceram uma explosão do cultivo de cereais, em especial o trigo e a cevada.
Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da “região metropolitana” de Roma.
Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 49; foto: Padre Paulo Ricardo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos nº 20
Os navajos defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com heroísmo
Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros [indígenas] eram apenas bocas e corpos: (…) E nenhum defensor de Destino Manifesto jamais expressou seu apoio a essa filosofia mais lisonjeiramente que ele:
“O êxodo de todo esse povo da terra de seus pais é uma visão não só interessante, como também tocante. Combateram-nos corajosamente anos e anos; defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com um heroísmo que qualquer povo poderia se orgulhar de igualar; mas, quando afinal descobriram que seu destino, também como o de seus irmãos, tribo após tribo, no sentido contrário do nascer do sol, era dar lugar ao insaciável progresso de nossa raça, depuseram suas armas e, como homens corajosos merecedores de nossa admiração e respeito, vieram a nós com confiança em nossa magnanimidade, julgando que éramos um povo demasiado poderoso e justo para retribuir essa confiança com baixeza e negligência – achando que, tendo-nos sacrificado sua bela região, seus lares, as amizades de suas vidas, as cenas tornadas clássicas em suas tradições, não lhes daríamos uma recompensa miserável em troca do que eles e nós sabemos ser uma região magnífica.”
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas 48 e 49; foto: Texas Angels.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
O que é a COP
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC ou UNFCCC, na sigla em inglês) criou a Conferência das Partes (COP) como órgão responsável por tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos pelos países no combate à mudança do clima. A COP é composta por todos os países que assinaram e ratificaram a Convenção. Atualmente, 198 países participam da UNFCCC, o que faz dela um dos maiores órgãos multilaterais do sistema das Nações Unidas (ONU).
A COP é assessorada por um Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) e outro de Aconselhamento Científico e Tecnológico (SBSTA). Além disso, a COP também atua como Reunião das Partes no Protocolo de Quioto (CMP, na sigla em inglês) e no Acordo de Paris (CMA, na sigla em inglês).
O que é conhecido como “COP” são as cúpulas anuais de mudança do clima, que normalmente acontecem em novembro ou dezembro. Nesse contexto, reúnem-se não apenas a COP, mas também a CMP, a CMA, o SBI e o SBSTA.
Fonte: COP30 Brasil: foto; ONU
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52
Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena
Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. Depois de mais de 20 anos de exploração em pequena escala, onde a conivência do chefe do posto indígena estabelecia a quantidade de pinheiros que seriam derrubados, a inspetoria do SPI em Curitiba decidiu formalizar um contrato de exploração com madeireiros locais. Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; páginas 28 e 29; foto: PrePara Enem.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 12
O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais
Acompanhando a construção dos aquedutos, foram erguidos também castelos de água (castella) que em geral possuíam três câmaras. A câmara central, que recebia o excedente de ambas as câmaras externas, alimentava as fontes, enquanto que das câmaras externas saíam os encanamentos para os banhos públicos e para as casas de particulares.
O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais. Nas canalizações eram construídos tanques de sedimentação (piscinae) que serviam de filtro, dispositivo que já se conhecia dos encanamentos dos palácios micênicos. Não se sabe ainda com certeza se esses tanques serviam, além disso, como tanques de peixes ou tanques experimentais de peixes, utilizados para se verificar a qualidade da água segundo o comportamento dos peixes. Tal como nós, hoje em dia, construímos tanques experimentais de peixes vinculados aos medidores estacionários da qualidade das águas, para daí se tirarem as correspondentes conclusões quanto à qualidade da água, de acordo com o comportamento dos peixes, é possível também que os romanos usassem seus tanques com idêntica finalidade.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 92 e 93; foto: Conhecimento Científico.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 36 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 4
O Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C.
… essa fase “ótima” se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.
Um estudo recente, assinado pela geóloga Karin Zonneveld, da Universidade de Bremen, e pelo historiador Kyle Harper, da Universidade de Oklahoma, reconstruiu as condições climáticas desse período e dos séculos que o seguiram. Os pesquisadores conseguiram fazer isso com alta precisão: sua margem de erro é de apenas três anos.
O estudo concluiu que o Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C.. É justamente a fase em que os exércitos romanos foram conquistando cada vez mais territórios Mediterrâneo afora, da Espanha á Ásia Menor (atual Turquia). A supremacia deles se tornou tão incontestável que eles passaram a chamar a bacia de Mare Nostrum: “nosso mar”.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Guia da Itália.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 56
O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas arrotando metano
O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas (218 milhões, conforme dados do IBGE, no Brasil). E esses animais arrotam metano, que piora o aquecimento global: esse gás permanece menos tempo na atmosfera do que o CO₂, mas, enquanto está lá, é capaz de reter [20 vezes] mais calor do que ele .
Super Interessante, edição 467, setembro 2024, Vacina [no gado] promete ajuda contra aquecimento global, página 11; foto: Brasilagro.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 19
O magnífico território pastoril e mineral que nos cederam é um território cujo valor dificilmente pode ser estimado
Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.
Enquanto isso, o Chefe Estrelado Carleton convencera o vigário de Santa Fé a cantar um Te Deum em homenagem à bem-sucedida remoção dos navajos para o Bosque, empreendida pelo Exército. O general descreveu o lugar para seus em Washington como “uma excelente reserva… não há razão para que eles (os navajos) não sejam os índios mais felizes, prósperos e bem providos dos Estados Unidos… De qualquer modo… podemos alimentá-los a preço bem menor do que guerrear com eles”.
Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros eram apenas bocas e corpos:
“Essas seis mil bocas precisam comer, e esses seis mil corpos precisam se vestir. Quando se considera o magnífico território pastoril e mineral que nos cederam – um território cujo valor dificilmente pode ser estimado -, a ninharia, em comparação, que lhes deve ser dada para sobreviver representa uma insignificância como paga da sua herança natural.”
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, página 48; foto: iStock.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51
A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento
Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. O surgimento do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, basicamente não veio alterar este quadro.
Na medida em que os recursos naturais localizados na região eram explorados, o potencial existente nas terras ocupadas pelos índios começava a ser alvo do interesse de civilizados. No sul do Brasil, as reservas indígenas começaram inicialmente a ser exploradas em seus recursos florestais. Prevalecendo como cobertura florestal, na maioria das reservas, a Araucária angustifólia, espécie de grande valor econômico, foi explorada até seu quase esgotamento.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 28; foto: CicloVivo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 11
Os grandiosos aquedutos de Roma mostravam o poderio político do império
O motivo principal de tão grandiosos aquedutos [de Roma] gira em torno de uma auto-afirmação do poderio político do império que justifica a construção de arcos tão grandes que podem ser vistos à distância. Já naquela época, quando se tratava da construção de aquedutos, entravam em linha de conta certas contingencias políticas. É por isso que mesmo a história do desenvolvimento das estações de tratamento de água não se orienta apenas pelos conhecimentos proporcionados pelo progresso técnico.
Também aqui têm influência certos aspectos ligados à política da época. Toda pessoa que exerce atividade no setor da economia hídrica sabe que, por motivos tanto ópticos como políticos, é mais difícil conseguir verbas para a construção de canalizações e câmaras subterrâneas de tratamento de água do que para uma estação de tratamento que pode ser vista e visitada por qualquer pessoa; isto é, o político pode mostrar o que vem realizando. Tais ponderações não são realmente apenas de hoje, pois já eram conhecidas na Antiguidade.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 91; foto: Shutterstock.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
A pecuária e as emissões de gases geradores de efeito estufa
A pecuária é responsável por 7.4% das emissões mundiais de gases geradores de efeito estufa. O desmatamento para a produção de soja (que vira ração) e pasto (para abrigar gado) reduz a capacidade das florestas de absorver carbono.
Além disso, o sistema digestivo dos bois não está exatamente preocupado com a crise climática: esses animais liberam metano (CH) no ambiente na forma de puns abundantes.
Super Interessante, edição 470, dezembro 2024, Hambúrguer de proveta, página 40; foto: Climainfo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 35 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 3
Os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura
Os desastres ocorridos a partir de 166 d.C. talvez tenham sido ainda mais dolorosos porque vieram na esteira de alguns séculos de bonança, durante os quais as divindades pareciam ter abençoado as vastas terras regidas por Roma. De fato, de acordo com vários estudos paleoclimatológicos (que reconstroem o clima do passado), os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura.
Esse período foi tão bom que recebeu a designação oficial de “ótimo”. Para ser mais exato, o de Ótimo Climático Romano (a palavra, nesse contexto, tem o sentido de “condições ideais”). Embora a Itália e as regiões vizinhas da bacia do mar Mediterrâneo, que sempre foram o núcleo mais importante da civilização romana, sejam notórias pela relativa instabilidade climática, com presença intermitente de grandes secas e invernos severos, essa fase “ótima” se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Itálica.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 55
Aquecimento global – a febre de Gaia, o planeta vivo doente
Dados confirmaram que 2024 foi o primeiro ano a ultrapassar a marca de 1,5 º C de aquecimento global em relação a níveis pré-industriais. (1)
Um estudo analisou 23 mil espécies de peixes e crustáceos de água doce – e descobriu que 24% correm risco de extinção. (2)
Fonte: Super Interessante, edição 472, fevereiro 2025, página 32; 1 – Organização Mundial de Meteorologia; 2 – International Union for Conservation of Nature (IUCN); foto: Pensamento verde.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 18
Todas as árvores da região foram cortadas, só sobrando raízes para queimar
Durante o outono, os navajos que haviam escapado do Bosque Redondo começaram a voltar para sua terra, com histórias terríveis do que estava acontecendo ali ao povo. Era uma terra ruim, disseram. Os soldados os empurravam com baionetas e os arrebanhavam em recintos de paredes de adobe, onde os chefes dos soldados sempre os estavam contando e anotando números em livrinhos. Os chefes dos soldados prometeram-lhes roupas, cobertores e melhor comida, mas suas promessas nunca foram cumpridas.
Todos os choupos-do-canadá e mesquites [árvores da região] foram cortados, só sobrando raízes para queimar. Para se abrigar da chuva e do sol, precisavam cavar buracos no chão arenoso, cobri-los e forrá-los com montes de grama trançada. Viviam como marmotas em tocas. Com as poucas ferramentas que os soldados lhes deram, rasgaram o solo das terras de aluvião do rio Pecos e plantaram cereal, mas as enchentes, as secas e os insetos mataram as colheitas e, agora, todos viviam com meia-ração. Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas 47 e 48; foto: Got2Globe.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 50
A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro
Atraídos ao convívio com representantes da sociedade nacional, os integrantes dos diversos grupos indígenas logo ficaram em situação de dependência. Dependência decorrente, em termos de macro visão, do fato das sociedades indígenas não disporem de conhecimentos capazes de fundamentar uma oposição lógica à sua dominação. Daí se compreende que o destino de muitos grupos indígenas foi e é decidido por detentores de condições que permitem orientar os rumos da utilização dos espaços geográficos e seus recursos naturais.
No passado, isto ocorreu quando companhias julgaram conveniente, em termos financeiros, estimular a migração de contingentes europeus para as terras recém-descobertas da América. Hoje, quando se decide, com base em dados obtidos por meios tecnologicamente sofisticados, como por exemplo aqueles fornecidos pelos satélites, a exploração de jazidas minerais, a sistemática decisória continua a mesma. Apenas a agressividade com que as novas decisões são tomadas chama a atenção. Agressividade que se expressa pela rapidez com que recursos financeiros e humanos são alocados, para a obtenção, no menor prazo, de resultados compensadores. A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro, e, nesse afă, ele está a utilizar e a destruir, irrefletidamente, largas parcelas do quadro natural existente na superfície terrestre.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, página 27; foto: AgroSaber.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 10
Bem cedo foi notado que a presença de água límpida em quantidade suficiente podia saciar a sede e atender as exigências higiênicas
No início, as povoações sempre foram erguidas nas proximidades de fontes de água. Com a transformação dos povoados em cidades, as reservas das vertentes das proximidades deixavam, em muitos casos, de ser suficientes, ainda mais que se encontravam muito expostas à contaminação.
Bem cedo foi notado que, graças à presença de água límpida em quantidade suficiente, não só se podia saciar a sede e fazer funcionar muitos poços e banhos públicos, mas também, além disso, podia-se atender a exigências higiênicas importantes. O que nos deve causar admiração não é o fato de que a água potável tenha sido transportada através de longas distâncias, mas que tenha sido reconhecida a tempo a necessidade de se realizarem tais obras para manter saudáveis as populações.
Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 88; foto: Mega Curioso.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 34 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 2
O Império Romano sofreu com mudanças climáticas
Novos estudos sobre os micróbios e o clima do passado têm revelado que os romanos tiveram de enfrentar forças ainda mais insidiosas e destrutivas que os deuses do Olimpo. Além dessa primeira pandemia [a Peste Antonina – provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas], que realmente ocorreu, o Império Romano sofreu com mudanças climáticas e, ironicamente, foi vítima de seu próprio sucesso, que o levara às regiões mais distantes da Ásia e da África – mas acabou tornando Roma vulnerável a uma sucessão de golpes do destino, que levaram seu poderio à fragmentação e ao desaparecimento.
Essa nova visão sobre o declínio e a queda do Império Romano não descarta, é claro, a relevância dos inimigos externos (principalmente os chamados bárbaros, em geral tribos guerreiras que falavam línguas germânicas, como as ancestrais do alemão e do inglês de hoje). Também não ignora as picuinhas e os duelos mortais que devastavam a elite romana de vez em quando, enfraquecendo ainda mais o domínio dos Césares. Esses fatores foram importantes – e podem ter sido alimentados pelos demais, criando uma espiral de desastres.
Mas a nova abordagem histórica de Roma admite a profunda dependência que as civilizações antigas, mesmo as mais sofisticadas, tinham em relação ao seu ambiente natural – algo que, num mundo de emergência climática e pandemias como o nosso, se torna cada vez mais familiar.
Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 47 e 48; foto: PrePara Enem
Rui Iwersen, editor de GaiaNet
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 17
Os navajos consideravam o escalpo um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis
Em 18 de agosto [de 1863], o general [Carleton] decidiu “estimular o zelo” de suas tropas, estabelecendo um prêmio em dinheiro pelo gado navajo capturado. Ofereceu vinte dólares por “cada cavalo ou mula sadios e aproveitáveis” e um dólar por cabeça pelos carneiros trazidos ao oficial de intendência, em Fort Canby.
Como o salário dos soldados era de menos de vinte dólares mensais, a oferta generosa estimulou-os bastante, e alguns dos homens estenderam-na aos poucos navajos que podiam matar. Para provar suas habilidades militares, começaram a cortar o punhado de cabelo que os navajos prendiam com uma faixa vermelha na cabeça.
Os navajos não podiam acreditar que Carson [líder dos Casacos Azuis] permitisse o escalpo, que consideravam um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis. (Os europeus podem ou não ter introduzido o escalpo no Novo Mundo, mas colonos espanhóis, holandeses, franceses e ingleses tornaram popular o costume de se oferecerem prêmios pelos escalpos de seus respectivos inimigos.)
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, página 42; foto: FRRRKguys.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 49
Pode-se dizer que os Xetá estão extintos
Os Xetá eram nômades. Sua alimentação baseava-se na caça e na coleta de alimentos, destacando-se na sua dieta o aproveitamento dos frutos e da medula da palmeira macaúba. Possuíam aldeias temporárias, localizadas em pequenas clareiras. Não conheciam instrumentos de cerâmica. Usavam implementos feitos de ossos, dentes, pedras e madeira.
Seguramente, pode-se dizer que o grupo está extinto. Os Xetá sobreviventes foram localizados separadamente, de maneira que as possibilidades de socialização dos membros jovens segundo os padrões do grupo foram eliminadas. E, a tal ponto isto ocorreu, que as únicas crianças sobreviventes, com aproximadamente 12 e 10 anos de idade, falam a língua Kaingang e não Xetá.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 26; foto: JOTA.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 9
Documentos escritos antigos assinalam a significação que se dava ao uso da água
São muitos os dados contidos em antigos documentos escritos que assinalam a significação que se emprestava ao uso da água. No [rio] Eufrates, por exemplo, foi encontrada uma lápide de pedra calcária de mais ou menos 2300 a.C., com a seguinte inscrição: “Ur – Namu foi quem ordenou que se realizassem as obras dos canais; mas ele cede aos deuses a honra de fornecer a dádiva que é a água, abençoada, que dá fertilidade às terras”.
Também no Velho Testamento se encontram inúmeros indícios da importância que se conferia à água. Eis um exemplo: “Empreendi grandes obras, edifiquei para mim casas, plantei para mim vinhas. Fiz jardim e pomares para mim, e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie. Fiz para mim açudes para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.” (Eclesiastes 2, vers. 4 a 6).
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 86; foto: Pngtree.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Alesc debate uso e acesso a medicamentos à base de cannabis em SC
A Santa Cannabis, uma associação dedicada ao acesso à cannabis medicinal, tem participado ativamente de debates e audiências públicas na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) para promover a regulamentação e o uso de tratamentos à base de cannabis no estado.
O uso medicinal da cannabis como alternativa para o tratamento de doenças crônicas e neurológicas foi debatido em Audiência Pública da Assembleia Legislativa na segunda-feira (25). O ponto central da discussão foi a regulamentação da Lei Estadual 19.136, aprovada pela Alesc em novembro de 2024, que determina a distribuição gratuita de medicamentos à base de cannabis pelo SUS em Santa Catarina.
Durante a Audiência discursaram: – deputada Paulinha (Podemos), proponente da audiência pública e autora da Lei 19.136/2024; – deputado Padre Pedro Baldissera (PT); – deputado Marcos José de Abreu (PSOL); – Diego Demarchi, secretario de Estado da Saúde; representantes da UFSC, de Associações de Produtores e de usuários do óleo de cannabis.
Fonte: Agência Alesc; foto: Notícias da UFSC.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 33 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 1
Como o Império Romano realmente acabou
As invasões bárbaras e os conflitos da elite romana foram importantes. Mas outros elementos podem ter sido igualmente fortes: as mudanças climáticas e, com elas, uma sucessão de epidemias e crises agrícolas. Conheça as novas descobertas que estão reescrevendo a história de Roma.
Estamos no ano 166 d.C. O exército romano, sob liderança do senador Avídio Cássio, cerca a rica cidade de Selêucia (na região da atual Bagdá, no Iraque). Selêucia rapidamente se rende ante o poderio de Roma, mas os homens de Cássio iniciam um saque de grandes proporções mesmo assim. Um dos soldados invade o templo do deus Apolo e abre uma antiga arca. Reza a lenda que esse ato de sacrilégio fez com que saísse do baú um vapor pestilento, o qual “poluía tudo com contágio e morte, desde as fronteiras da Pérsia até o rio Reno e a Gália [França]”, segundo cronistas da época.
Assim teria começado a Peste Antonina – provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas, ou 10% da população do Império Romano, na época o Estado mais populoso e poderoso do planeta. Jogar a culpa da tragédia no desrespeito a Apolo casava bem com a cultura greco-romana.
Fonte: Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 46 e 47; foto: National Geographic
Rui Iwersen, editor de GaiaNet
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 54
Acesso à água em tempos de guerra
A ligação entre conflitos armados e escassez de água nem sempre é óbvia. Em Gaza, por exemplo, o controle da água se tornou uma arma de guerra desde o início da ofensiva israelense.
Em julho de 2024. um relatório da Oxfam apontou que as pessoas tinham acesso a apenas 4,74 litros por dia para todos os usos – incluindo beber, cozinhar e higiene pessoal -, muito menos que o padrão mínimo aceito internacionalmente para a sobrevivência básica em emergências, que é de 20 litros por dia.
Aa qualidade da pouca água disponível em Gaza também é preocupante…
Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, página 7; foto: CNN Brasil.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 16
O capitão Graydon enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando
Grayton fingiu grande amizade pelos mescaleros, chegando a lhes dar farinha de trigo e carne para a longa viagem. Pouco tempo depois, perto de Gallina Springs, o grupo de Graydon encontrou outra vez os mescaleros. Ninguém sabe o que aconteceu, pois nenhum mescalero sobreviveu ao incidente. Um oficial branco fez o seguinte relato:
“A operação foi realizada de forma estranha e pelo que pude saber, ele enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando; os índios, sem dúvida, acharam que ele viera com propósitos amistosos, já que lhes tinha dado farinha de trigo, carne e provisões.”
Os outros três chefes, Cadette, Chato e Estrella, chegaram a Santa Fé e garantiram ao general Carleton que seu povo estava em paz com os brancos e apenas queria ser deixado sozinho em suas montanhas. “Vocês são mais fortes que nós”, disse Cadette. “Lutaríamos com vocês se tivéssemos rifles e pólvora; mas suas armas são melhores que as nossas. Deem-nos armas iguais e nos deixem livres, que também os combateremos; mas estamos abatidos; não temos mais ânimo; não temos provisões, nenhum meio de vida; suas tropas estão em toda parte; nossas fontes e nossos poços estão ocupados ou vigiados por seus jovens. Vocês nos tiraram de nosso último e melhor baluarte, e não temos mais ânimo. Façam conosco o que bem entenderem, mas não se esqueçam de que somos homens e bravos.
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 38 e 39; foto: InfoEscola.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 48
No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio.
Sobrevivem apenas 8 indivíduos do grupo indígena Xetá, no presente. No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes, pelo que se tem conhecimento na literatura e junto aos órgãos oficiais, sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio.
Os Xetá ocupavam a região da serra de Dourados, nó noroeste do Paraná. Com a movimentação da frente pioneira que se instalou no norte do Paraná, a partir dos anos trinta [do século XX], o território indígena foi alcançado e pulverizado. Em 1949, quando começou a divisão em glebas da serra de Dourados, falou-se da presença de índios. A seguir, em 1952, uma criança Xetá foi aprisionada e entregue a um funcionário do antigo SPI [Serviço de Proteção aos Índios]. Mas só em 1955, quando, depois de um rigoroso inverno, um grupo de índios com visíveis sinais de fome crônica se apresentou na fazenda Santa Clara, foi que o SPI tomou as primeiras providências para socorrê-los e protegê-los.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 25; foto: SciELO.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Dia Nacional da Saúde
A crise climática é uma crise de saúde
(…) Até alguns anos atrás, a emergência climática era associada a suas consequências mais visíveis, como inundações e tempestades, que destroem infraestrutura, moradias e meios de subsistência. E esse tipo de situação tem sem dúvida aumentado, mas há também implicações menos óbvias, que afetam a saúde e a vida das pessoas. Hoje, já não temos mais dúvida de que a crise climática é uma crise de saúde.
Que consequências para a saúde são essas?
São muitas, mas posso destacar o calor extremo, que atinge populações de áreas urbanas, especialmente idosos; e mudanças no regime de chuvas e na temperatura, que facilitam a propagação de vetores de doenças, como mosquitos, que passam a viver onde antes não estavam presentes. Também são mais frequentes secas e inundações, que afetam a agricultura, gerando desnutrição, movimentos migratórios e até disputas por territórios, que podem desencadear conflitos armados. Adicionalmente, a necessidade de se adaptar a essas mudanças tem impacto sobre a saúde mental. (…)
Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, junho 2025; Entrevista, Renata Reis, diretora-executiva do MSF Brasil, página 8; foto: InfoMoney.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Dia Nacional da Saúde
Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 8
As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água
Nas civilizações da região mediterrânea de antes de Cristo, no Egito, no Oriente Próximo (persas, hititas, assírios, babilônios) e no Suleste da Europa (etruscos, gregos, romanos) parece que três problemas de defesa ecológica desempenharam papel de relevo: 1. A economia dos recursos hídricos; 2. A erosão do solo; 3. A higiene.
1. As leis das águas foram os primeiros códigos dos homens
É característico que os primeiros documentos escritos da humanidade, obras dos sumérios, que os tornaram conhecidos por volta do ano 4000 a. C., continham instruções sobre a irrigação de lavouras dispostas em forma de terraços. Como nas modernas regiões industrializadas, também nas civilizações antigas as preocupações com a água foram, desde os seus primórdios, um fator econômico predominante. As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 84; foto: Portal Saneamento Básico.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 32
Civilização maia: motivo para o declínio é surpreendente e liga alerta
Você sabe o que causou o fim da civilização maia? Novos estudos sugerem um novo motivo, que deve ligar o alerta para os tempos atuais.
Cidade Maia de Chichen Itza (Crédito: Aleksandr Medvedkov/ Shutterstock)
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 53
17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados
17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados como arsênio, cádmio, cobalto, cromo, níquel e chumbo. Essa é a estimativa alarmante de um grupo de pesquisadores chineses, que analisaram os dados de 1.493 estudos realizados em diversas regiões do planeta, totalizando mais de 796 mil amostras do solo.
Esses metais podem estar naturalmente presentes na terra, ou chegar até ela por meio do descarte de resíduos industriais. As plantas acabam absorvendo esses elementos, que são altamente tóxicos e podem estar contaminando a alimentação de centenas de milhões de pessoas.
Fonte: Super Interessante, edição 475, maio 2025; Supernovas, página 13; foto: Geo Agri
Rui Iwersen, editor de GaiaNet
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 15
Os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las
Por tanto tempo quanto alguém podia lembrar, os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las; por tanto tempo quanto alguém podia recordar, os navajos revidavam com ataques contra os mexicanos.
Depois que os americanos chegaram a Santa Fé e chamaram o lugar de Novo México, protegeram os mexicanos, pois eles haviam se tornado cidadãos americanos. Os navajos não eram cidadãos, pois eram índios; quando atacavam os mexicanos, os soldados invadiam o território navajo para puni-los como fora da lei. Isso era um enigma terrível para Manuelito e seu povo, pois eles sabiam que muitos dos mexicanos tinham sangue índio; os soldados nunca perseguiam os mexicanos para puni-los por roubar crianças navajas.
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 33 e 34; foto: Spiritualité autochtone.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47
As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese
Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.
Tanto nos agrupamentos existentes nos postos, como naqueles localizados junto a áreas urbanas, incluindo neste caso famílias isoladas, os indivíduos mantêm em operação unidades de sua cultura tradicional de maneira bem mais característica do que entre Kaingang e Xokleng. Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (…)
As populações indígenas que viviam no litoral sul, à época da descoberta do Brasil, foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, trazidas pelo europeu, pela escravização e pelo próprio trabalho de catequese dos jesuítas.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Instituto Búzios.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 7
Hoje em dia vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente
É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?
Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente. Lesões pulmonares devidas ao péssimo ar que respiramos, lesões do fígado através dos tóxicos presentes na nossa alimentação, doenças infecciosas causadas por agentes patogênicos (transmitidas principalmente através das águas e dos esgotos) e crescentes manifestações alérgicas fazem que, anualmente, milhões de pessoas pereçam em conseqüência do meio ambiente doentio. Ao contrário dos nossos antepassados da Antiguidade, conhecemos hoje, perfeitamente, as correlações aí atuantes e as formas de ação dos germes patogênicos, inclusive seu ciclo de desenvolvimento.
Sabemos também que um grande número de personalidades históricas encontrou a morte devida a doenças infecciosas, pois não dominavam o seu meio ambiente – a começar pelos faraós, em cujas múmias foram encontrados transmissores de doenças altamente nocivos à vida humana (…) Existem muitos outros exemplos que nos fazem supor que os danos causados ao meio ambiente intervieram também, em larga escala, na História.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 83 e 84; foto: Socialismo Criativo.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Teoria de Gaia
Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra
A superfície da Terra e a água do mar absorvem luz solar durante o dia. À noite, esse calorzinho vai sendo liberado de volta na atmosfera na forma de radiação infravermelha, e sobe até escapar para o vácuo do espaço. Parte da radiação, porém, não chega a sair da Terra: fica retida por moléculas como o gás carbônico (CO₂) e o metano (CH). Dai eles se chamarem gases de efeito estufa: é como se estivéssemos sob uma redoma.
Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra. Ele evita que as noites sejam insuportavelmente frias, e mantém a temperatura média do globo em um patamar agradável de 14 °C. Sem o dito-cujo, seriam 18 °C negativos. O tanto exato de calorzinho noturno em cada lugar do planeta, é claro, flutua conforme particularidades geográficas: cidades litorâneas são abafadas à noite porque a água do mar é eficaz em guardar calor, enquanto as areias de um deserto esfriam rápido e causam noites congelantes. Um céu nublado, por sua vez, é ótimo em evitar que o infravermelho escape enquanto você dorme.
Fonte: Super Interessante, edição 474, Oráculo; abril 2025, página 60; foto: Brasil Escola – UOL
Rui Iwersen, editor de GaiaNet
Série de GaiaNet nº 20
Saúde do Planeta nº 52
Em regiões costeiras a redução das vazões fluviais pode provocar o avanço de água salgada em direção ao continente
O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.
Isso pode impactar a segurança hídrica e alimentar, diminuindo a disponibilidade de água para o abastecimento humano e a irrigação; a segurança energética, reduzindo o volume de água nos reservatórios [das hidrelétricas]; e os serviços ecossistêmicos, uma vez que é essencial manter uma vazão mínima no rio para garantir a conservação da vida no ecossistema aquático.
Em regiões costeiras, a redução das vazões fluviais pode provocar a intrusão salina, que ocorre quando a menor chegada de água doce ao oceano permite o avanço de água salgada em direção ao continente. Isso pode comprometer a saúde das pessoas que consomem água com alto teor de sal, aumentando o risco de hipertensão; danificar sistemas de adutoras e tubulações; além de comprometer o solo e a flora local.
Fonte: Super Interessante, edição 474, Rios brasileiros correm o risco de perder água; abril 2025, página 12; foto: Freepik
Rui Iwersen, editor de GaiaNet
Série de GaiaNet nº 22
Colapsos nº 31 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 11
Grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá
E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.
Do mesmo modo, na terra então conhecida como Canaã, a destruição de cidades-estado antes submetidas ao poder imperial do Egito, junto com a perda da própria influência egípcia, transformou completamente a história da região. Ali, grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá, celebrando sua libertação do domínio do Egito (que eles descreveram como uma escravidão em solo egípcio) e a fé num novo deus chamado Yahweh (ou Javé, na forma aportuguesada).
Começava assim a surgir a tradição religiosa que daria origem à Bíblia e as crenças judaicas, cristãs e islâmicas. Tal como no caso dos gregos, sem a destruição das antigas estruturas imperiais, esses caminhos inovadores talvez nunca chegassem a ser trilhados.
Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: VEJA.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos nº 14
Em 1860 o número de índios diminuíra à metade desde a chegada dos primeiros colonos
Foi então, no começo da década de 1860, que os homens brancos entraram em guerra entre si – os Casacos Azuis contra os Casacos Cinza, a grande Guerra Civil. Em 1860, havia provavelmente trezentos mil índios nos Estados Unidos e territórios, a maioria deles vivendo a oeste do Mississippi. Segundo cálculos que variam, seu número diminuíra de metade, ou de dois terços, desde a chegada dos primeiros colonos à Virgínia e à Nova Inglaterra.
Os sobreviventes agora estavam pressionados entre as populações brancas em expansão no Leste e no litoral do Pacífico – mais de trinta milhões de europeus e seus descendentes. Se as tribos livres remanescentes acreditavam que a Guerra Civil dos homens brancos trouxesse qualquer trégua em suas pressões por territórios, logo se desiludiriam.
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 27; foto: Portal Cavalus.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 46
A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas
As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. É comum também a opinião dos chefes de postos sobre a continua mobilidade desses índios. Dizem: “os Guarani não usam muito o posto. Ficam sempre localizados num fundo da área. Ali fazem uma rocinha; caçam; vez ou outra aparecem na sede para vender algum balaio. E quando a gente menos espera, desaparecem…”
Essa situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas. Não há na região sul um único posto para atendê-los. Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Gazeta do Povo.
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Série de GaiaNet nº 26
A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 6
Grandes eventos históricos se devem ao fracasso do homem ao enfrentar o seu meio ambiente
Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos! Ocorreu algo semelhante com as antigas civilizações da região mediterrânea? Será que, talvez, o ocaso das antigas culturas que existiram no mundo foi amplamente condicionado pelo meio ambiente?
É possível que a história da China tivesse seguido outros rumos se, já nos tempos pré-cristãos, o desmatamento de vastas áreas na região dos rios Hoang e langtsé, vítimas então de grandes inundações, não tivesse deflagrado a cada vez a fome, e esta, por sua vez, as revoluções? É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?
Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente.
Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 83 ; foto: História.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 10
Em Atenas surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História
Entretanto, foi justamente a queda dos governos palacianos que abriu espaço para uma reconstrução quase total da vida política e social na Grécia. Os antigos monarcas foram substituídos por assembleias dos proprietários de terras, que passaram a tomar decisões coletivamente.
E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.
Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Conhecimento Científico – R7.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 24
A dramática história dos índios norte-americanos – nº 13
Os europeus eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios – juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais
Em 1848, foi descoberto ouro na Califórnia. Em alguns meses, gente do Leste aos milhares, buscando fortuna, estava cruzando o território índio. Índios que viviam ou caçavam no longo das trilhas de Santa Fé e Oregon acostumaram-se a ver uma caravana ocasional de carroções, autorizada para comerciantes, caçadores ou missionários. Agora, de repente, as trilhas estavam cheias de carroções, e os carroções estavam cheios de gente branca. A maioria indo rumo ao ouro da Califórnia, mas alguns se dirigindo para o sul, para o Novo México ou para o norte, para o território do Oregon.
Para justificar essas quebras da “fronteira índia permanente”, os homens que tomavam decisões em Washington Inventaram o Destino Manifesto, uma expressão que elevava a fome de terras a um plano sublime. Os europeus e seus descendentes haviam sido escolhidos pelo destino para dominar toda a América. Eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios – juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais. Só os habitantes da Nova Inglaterra, que haviam destruído ou expulsado todos seus índios, falaram contra Destino Manifesto.
Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 26 e 27; foto: mozaWeb.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Como animais extintos estão voltando às florestas de Florianópolis
Em Florianópolis, o Vem Passarinhar começou a ser realizado em 2022 como uma forma de engajar as pessoas a verem os animais que tinham sido tratados, a partir de resgate, apreensão e entrega voluntária de todo o estado, e depois reintroduzidos na natureza pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama (Cetas). (…)
Em 2023 nasceu o Instituto Fauna Brasil, que deu continuidade ao Vem Passarinhar e ao projeto dos papagaios, além de expandir as espécies para reintrodução na Ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis, desta vez com foco na fauna extinta: bugios-ruivos e pequenos felinos. “O fato de estarmos numa ilha dificulta a refaunação natural. Por isso, a reintrodução acaba sendo uma ferramenta importante para espécies que dificilmente voltariam naturalmente”, explica Vanessa Kanaan. No ano passado, o primeiro projeto de soltura de silvestres trouxe de volta cinco grupos de bugios-ruivos aos remanescentes de Mata Atlântica. (…)
1763 tinha sido o último ano dos bugios-ruivos (Alouatta guariba) nas florestas da ilha de Santa Catarina, segundo relatos científicos. A extinção deles e de tantas outras espécies ali se deu principalmente devido à fragmentação de habitats, ao desmatamento e à caça ilegal. Em 2024, a extinção dos bugios começou a ser revertida com a reintrodução de 16 indivíduos na natureza, sendo três famílias no norte da ilha, no Parque Estadual do Rio Vermelho, e duas famílias no sul, no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri. (…) Cada bugio [resgatado de outras regiões do estado] recebeu um microchip de identificação, e as famílias foram reintroduzidas uma por vez ao longo do primeiro semestre, depois de passar quatro semanas em um recinto telado na floresta para se acostumar com o ambiente novo. (…)
Segundo estudos do Projeto Fauna Floripa, a ilha tem capacidade para abrigar até 1500 indivíduos da espécie. (…) “já sinalizamos para os órgãos ambientais que, no segundo semestre, nós conseguiríamos atender animais encontrados em situação de deslocamento, que vêm de vida livre, de Santa Catarina, Rio Grande do Sul ou da Argentina, que é a nossa unidade genética”, afirma Vanessa. (…)
O trabalho do Instituto para trazer de volta pequenos felinos começou em 2023, com base nos estudos do Projeto Fauna Floripa, que identificou a extinção de seis espécies da família na ilha: suçuarana, onça-pintada, jaguatirica, gato-mourisco, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno. (…) A ausência desses predadores perturbou o equilíbrio natural dos ecossistemas da ilha, provocando, entre outros problemas, o avanço de espécies exóticas invasoras, como os saguis, que estão predando aves nativas. (…)
O projeto também inclui ações de sensibilização e educação ambiental com as comunidades locais, incluindo uma pesquisa de percepção humana online e de porta em porta em relação à possível volta dos felinos, que depende ainda de autorização do governo. As pesquisadoras também estão elaborando materiais para capacitar os professores para falarem das reintroduções de fauna e flora na ilha. (…)
Letícia Klein, Mongabay Brasil, Ecoa e UOL; artigo integral enviado pelo colaborador de GaiaNet Rodrigo Iwersen de São Thiago; foto: Instituto Fauna Brasil.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
Série de GaiaNet nº 21
1501 – O Brasil depois de Cabral nº 45
Os Guarani que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos
Os Guarani estão dispersos em pequenos grupos por vários postos indígenas e, também, por núcleos urbanos. Os que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos. Os grupos desassistidos pelo órgão oficial não têm aldeamentos permanentes. Perambulando de um lugar para outro, esses grupos ora estão na periferia de Porto Alegre, ora nas vizinhanças de Florianópolis ou Curitiba.
Todas as informações que logramos reunir indicam que esses contingentes Guarani pertencem ao grupo Mbüa, oriundos do noroeste da Argentina, do Paraguai e sul do Mato Grosso, sua região tradicional. Esses contingentes não são remanescentes das antigas populações Guarani que, à época da descoberta, ocupavam o litoral do sul do Brasil.
Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, páginas 23 e 24; foto: Povos Indígenas no Brasil Mirim.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.
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- Published in Reflexão Ecológica





































































































































































































