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Florestas brasileiras

quinta-feira, 26 março 2009 by Rui Iwersen

Nesta página apresento informações, reflexões e ações sobre a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, o Pantanal, a Caatinga, o Cerrado e o Pampa.

Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 56 

Os índios são envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita    

Considerados reserva de mão de obra utilizável nos momentos que as fainas agrícolas de plantio ou colheita chegam ao auge, os indígenas são para os agricultores regionais mais uma garantia do sucesso de seus empreendimentos, pelo menos no que se refere ao atendimento das necessidades de trabalho manual. Os índios são assim envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita, quase sempre sob o regime de empreitada ou diária.

O trabalho indígena em toda a região é bastante desvalorizado. Mas ninguém deixa de utilizá-lo. Na maioria dos postos indígenas tornou-se comum, aos domingos pela tarde, chegar caminhões para apanhar índios para o trabalho em fazendas ou em propriedades de pequenos ou médios agricultores das vizinhanças. Já existe uma certa institucionalização para o uso dessa mão de obra. O interessado obtém em primeiro lugar a anuência do chefe do Posto e em seguida acerta com um índio, quase sempre rotulado como “chefe de turma”, as condições de trabalho, número de homens necessários, prazo de permanência e forma de pagamento. A supervisão do chefe do posto, em princípio, pretende eliminar formas vis de exploração, responsabilizando também o interessado quanto à condição particular de tutela a que estão sujeitos os indígenas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; página 33; foto: Brasil de Fato. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 55 

A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa   

O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. A extração de erva mate não chega a garantir condições para a manutenção sazonal das famílias envolvidas nessa atividade. O mesmo ocorre com a coleta do fruto do pinhão.

Somente em Ibirama, onde os recursos existentes quanto à palmeira Euterp edulis eram fartos, os índios por largo tempo viveram dependentes da sua extração. A destruição sistemática dos recursos naturais, especialmente a flora, existentes nas reservas indígenas e procedida por civilizados, aniquilou, na maioria dos postos, a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa. Em Ibirama, por exemplo, a coleta de palmitos é feita fora da reserva indígena, atuando os Xokleng apenas como mão de obra na exploração de palmitais particulares.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; páginas 32 e 33; foto: Jardineiro.net. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 57

No Brasil, a maior parte dos gases de efeito estufa vem da troca de florestas por pastos ou lavouras   

Enquanto a queima de carvão mineral – principalmente por China e Estados Unidos para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras.

Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO, equivalente (o cálculo de CO, equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990.

Galileu, edição 329, dezembro 2018, O país do futuro, página 27; foto: Blog do Valdemir.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 54 

Os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado aos indígenas  

Os índios de Ibirama, no caso, se viram momentaneamente privados de uma fonte de renda sem poder, obviamente, compreender as razões do impedimento. Mas, o aspecto que mais nos impressionou, foi reconhecer que os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado de modo inequívoco, aos indígenas.  No PI [Posto Indígena] Guarita, localizado no noroeste do Rio Grande do Sul, verificamos que os índios abandonaram as atividades de pescaria. “O rio não tem mais peixe bom. O que tem não se pode comer”.

As plantações de soja das vizinhanças da área indígena, e as realizadas na própria área pela FUNAI, vêm sendo pulverizadas com inseticidas para a prevenção da lagarta. Tais inseticidas não só matam os insetos, como as aves que circulam pelas plantações e que, às vezes, comem insetos e larvas envenenadas. Quebrado o equilíbrio pelo desaparecimento das aves, as quantidades de insetos aumentam assustadoramente. A cada novo ano, torna-se necessário aumentar as quantidades de inseticidas e, assim, a contaminação passa para a terra. Com as chuvas, parte dessa terra contaminada é levada para o rio, aniquilando também a fauna fluvial.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 31; foto: Instituto Humanitas Unisinos. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 53 

Em muitas reservas indígenas não existe uma única área coberta por floresta primária ou secundária   

Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados. (…)

Mas não só o pinheiro foi explorado. As madeiras de lei são, ainda hoje, a razão de diversos contratos, e o palmito foi motivo, inclusive, para que toda a população Xokleng abandonasse as atividades agrícolas que desde a sua pacificação vinham servindo como base para sua sobrevivência.

Não é de se estranhar, pois, que em muitas reservas indígenas não exista uma única área coberta por floresta primária ou secundária. A destruição da cobertura florestal, nesses casos, foi drástica. Com ela, naturalmente, desapareceu a fauna. Assim, a maioria dos índios não tem como complementar sua dieta alimentar, seja pela caça, seja pela coleta de frutos silvestres ou mel.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 29; foto: MST. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52 

Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena  

Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. Depois de mais de 20 anos de exploração em pequena escala, onde a conivência do chefe do posto indígena estabelecia a quantidade de pinheiros que seriam derrubados, a inspetoria do SPI em Curitiba decidiu formalizar um contrato de exploração com madeireiros locais. Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; páginas 28 e 29; foto: PrePara Enem. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51 

A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento  

Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. O surgimento do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, basicamente não veio alterar este quadro.

Na medida em que os recursos naturais localizados na região eram explorados, o potencial existente nas terras ocupadas pelos índios começava a ser alvo do interesse de civilizados. No sul do Brasil, as reservas indígenas começaram inicialmente a ser exploradas em seus recursos florestais. Prevalecendo como cobertura florestal, na maioria das reservas, a Araucária angustifólia, espécie de grande valor econômico, foi explorada até seu quase esgotamento.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 28; foto: CicloVivo. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 50 

A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro  

Atraídos ao convívio com representantes da sociedade nacional, os integrantes dos diversos grupos indígenas logo ficaram em situação de dependência. Dependência decorrente, em termos de macro visão, do fato das sociedades indígenas não disporem de conhecimentos capazes de fundamentar uma oposição lógica à sua dominação. Daí se compreende que o destino de muitos grupos indígenas foi e é decidido por detentores de condições que permitem orientar os rumos da utilização dos espaços geográficos e seus recursos naturais.

No passado, isto ocorreu quando companhias julgaram conveniente, em termos financeiros, estimular a migração de contingentes europeus para as terras recém-descobertas da América. Hoje, quando se decide, com base em dados obtidos por meios tecnologicamente sofisticados, como por exemplo aqueles fornecidos pelos satélites, a exploração de jazidas minerais, a sistemática decisória continua a mesma. Apenas a agressividade com que as novas decisões são tomadas chama a atenção. Agressividade que se expressa pela rapidez com que recursos financeiros e humanos são alocados, para a obtenção, no menor prazo, de resultados compensadores. A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro, e, nesse afă, ele está a utilizar e a destruir, irrefletidamente, largas parcelas do quadro natural existente na superfície terrestre.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, página 27; foto: AgroSaber. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 49 

Pode-se dizer que os Xetá estão extintos 

Os Xetá eram nômades. Sua alimentação baseava-se na caça e na coleta de alimentos, destacando-se na sua dieta o aproveitamento dos frutos e da medula da palmeira macaúba. Possuíam aldeias temporárias, localizadas em pequenas clareiras. Não conheciam instrumentos de cerâmica. Usavam implementos feitos de ossos, dentes, pedras e madeira.

Seguramente, pode-se dizer que o grupo está extinto. Os Xetá sobreviventes foram localizados separadamente, de maneira que as possibilidades de socialização dos membros jovens segundo os padrões do grupo foram eliminadas. E, a tal ponto isto ocorreu, que as únicas crianças sobreviventes, com aproximadamente 12 e 10 anos de idade, falam a língua Kaingang e não Xetá.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 26; foto: JOTA.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 48 

No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio. 

Sobrevivem apenas 8 indivíduos do grupo indígena Xetá, no presente. No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes, pelo que se tem conhecimento na literatura e junto aos órgãos oficiais, sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio.

Os Xetá ocupavam a região da serra de Dourados, nó noroeste do Paraná. Com a movimentação da frente pioneira que se instalou no norte do Paraná, a partir dos anos trinta [do século XX], o território indígena foi alcançado e pulverizado. Em 1949, quando começou a divisão em glebas da serra de Dourados, falou-se da presença de índios. A seguir, em 1952, uma criança Xetá foi aprisionada e entregue a um funcionário do antigo SPI [Serviço de Proteção aos Índios]. Mas só em 1955, quando, depois de um rigoroso inverno, um grupo de índios com visíveis sinais de fome crônica se apresentou na fazenda Santa Clara, foi que o SPI tomou as primeiras providências para socorrê-los e protegê-los.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 25; foto: SciELO.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20 

Saúde do Planeta nº 53

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados  

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados como arsênio, cádmio, cobalto, cromo, níquel e chumbo. Essa é a estimativa alarmante de um grupo de pesquisadores chineses, que analisaram os dados de 1.493 estudos realizados em diversas regiões do planeta, totalizando mais de 796 mil amostras do solo.

Esses metais podem estar naturalmente presentes na terra, ou chegar até ela por meio do descarte de resíduos industriais. As plantas acabam absorvendo esses elementos, que são altamente tóxicos e podem estar contaminando a alimentação de centenas de milhões de pessoas.

Fonte: Super Interessante, edição 475, maio 2025; Supernovas, página 13; foto: Geo Agri   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47 

As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese

Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Tanto nos agrupamentos existentes nos postos, como naqueles localizados junto a áreas urbanas, incluindo neste caso famílias isoladas, os indivíduos mantêm em operação unidades de sua cultura tradicional de maneira bem mais característica do que entre Kaingang e Xokleng. Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (…)

As populações indígenas que viviam no litoral sul, à época da descoberta do Brasil, foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, trazidas pelo europeu, pela escravização e pelo próprio trabalho de catequese dos jesuítas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Instituto Búzios.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 52

Em regiões costeiras a redução das vazões fluviais pode provocar o avanço de água salgada em direção ao continente 

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.

Isso pode impactar a segurança hídrica e alimentar, diminuindo a disponibilidade de água para o abastecimento humano e a irrigação; a segurança energética, reduzindo o volume de água nos reservatórios [das hidrelétricas]; e os serviços ecossistêmicos, uma vez que é essencial manter uma vazão mínima no rio para garantir a conservação da vida no ecossistema aquático.

Em regiões costeiras, a redução das vazões fluviais pode provocar a intrusão salina, que ocorre quando a menor chegada de água doce ao oceano permite o avanço de água salgada em direção ao continente. Isso pode comprometer a saúde das pessoas que consomem água com alto teor de sal, aumentando o risco de hipertensão; danificar sistemas de adutoras e tubulações; além de comprometer o solo e a flora local.

Fonte: Super Interessante, edição 474, Rios brasileiros correm o risco de perder água; abril 2025, página 12; foto: Freepik  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 46 

A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas 

As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. É comum também a opinião dos chefes de postos sobre a continua mobilidade desses índios. Dizem: “os Guarani não usam muito o posto. Ficam sempre localizados num fundo da área. Ali fazem uma rocinha; caçam; vez ou outra aparecem na sede para vender algum balaio. E quando a gente menos espera, desaparecem…”

Essa situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas. Não há na região sul um único posto para atendê-los. Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Gazeta do Povo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Como animais extintos estão voltando às florestas de Florianópolis

Em Florianópolis, o Vem Passarinhar começou a ser realizado em 2022 como uma forma de engajar as pessoas a verem os animais que tinham sido tratados, a partir de resgate, apreensão e entrega voluntária de todo o estado, e depois reintroduzidos na natureza pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama (Cetas). (…)

Em 2023 nasceu o Instituto Fauna Brasil, que deu continuidade ao Vem Passarinhar e ao projeto dos papagaios, além de expandir as espécies para reintrodução na Ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis, desta vez com foco na fauna extinta: bugios-ruivos e pequenos felinos. “O fato de estarmos numa ilha dificulta a refaunação natural. Por isso, a reintrodução acaba sendo uma ferramenta importante para espécies que dificilmente voltariam naturalmente”, explica Vanessa Kanaan. No ano passado, o primeiro projeto de soltura de silvestres trouxe de volta cinco grupos de bugios-ruivos aos remanescentes de Mata Atlântica. (…)

1763 tinha sido o último ano  dos bugios-ruivos (Alouatta guariba) nas florestas da ilha de Santa Catarina, segundo relatos científicos. A extinção deles e de tantas outras espécies ali se deu principalmente devido à fragmentação de habitats, ao desmatamento e à caça ilegal. Em 2024, a extinção dos bugios começou a ser revertida com a reintrodução de 16 indivíduos na natureza, sendo três famílias no norte da ilha, no Parque Estadual do Rio Vermelho, e duas famílias no sul, no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri. (…) Cada bugio [resgatado de outras regiões do estado] recebeu um microchip de identificação, e as famílias foram reintroduzidas uma por vez ao longo do primeiro semestre, depois de passar quatro semanas em um recinto telado na floresta para se acostumar com o ambiente novo. (…)

Segundo estudos do Projeto Fauna Floripa, a ilha tem capacidade para abrigar até 1500 indivíduos da espécie. (…) “já sinalizamos para os órgãos ambientais que, no segundo semestre, nós conseguiríamos atender animais encontrados em situação de deslocamento, que vêm de vida livre, de Santa Catarina, Rio Grande do Sul ou da Argentina, que é a nossa unidade genética”, afirma Vanessa. (…)

O trabalho do Instituto para trazer de volta pequenos felinos começou em 2023, com base nos estudos do Projeto Fauna Floripa, que identificou a extinção de seis espécies da família na ilha: suçuarana, onça-pintada, jaguatirica, gato-mourisco, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno. (…) A ausência desses predadores perturbou o equilíbrio natural dos ecossistemas da ilha, provocando, entre outros problemas, o avanço de espécies exóticas invasoras, como os saguis, que estão predando aves nativas. (…)

O projeto também inclui ações de sensibilização e educação ambiental com as comunidades locais, incluindo uma pesquisa de percepção humana online e de porta em porta em relação à possível volta dos felinos, que depende ainda de autorização do governo. As pesquisadoras também estão elaborando materiais para capacitar os professores para falarem das reintroduções  de fauna e flora na ilha. (…)

Letícia Klein, Mongabay Brasil, Ecoa e UOL; artigo integral enviado pelo colaborador de GaiaNet Rodrigo Iwersen de São Thiago; foto: Instituto Fauna Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 45 

Os Guarani que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos

Os Guarani estão dispersos em pequenos grupos por vários postos indígenas e, também, por núcleos urbanos. Os que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos. Os grupos desassistidos pelo órgão oficial não têm aldeamentos permanentes. Perambulando de um lugar para outro, esses grupos ora estão na periferia de Porto Alegre, ora nas vizinhanças de Florianópolis ou Curitiba.

Todas as informações que logramos reunir indicam que esses contingentes Guarani pertencem ao grupo Mbüa, oriundos do noroeste da Argentina, do Paraguai e sul do Mato Grosso, sua região tradicional. Esses contingentes não são remanescentes das antigas populações Guarani que, à época da descoberta, ocupavam o litoral do sul do Brasil.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, páginas 23 e 24; foto: Povos Indígenas no Brasil Mirim.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 5

Os maias fracassaram por não terem conseguido solucionar os problemas ecológicos

A concentração de massas humanas cada vez maiores tornou acentuadamente mais difícil o abastecimento de géneros alimentícios. De onde, porém, os habitantes das cidades obtinham suas provisões alimentares? Em que lugares e sob que condições faziam as suas plantações? Havia possibilidades de se incrementar o cultivo agrícola e a criação de animais?

Os maias fracassaram, por exemplo, por não terem conseguido solucionar esses problemas. Embora as suas cidades estivessem localizadas nas úmidas matas tropicais – nas florestas virgens de Palenque e Tical, por exemplo – tiveram que, por fim, abandonar as suas cidades devido à carência de água e à erosão do solo, ocasionada pela derrubada da mata virgem primitiva. Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 82 e 83 ; foto: BigViagem.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


DIA NACIONAL DA MATA ATLÂNTICA

A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo. São 20 mil espécies vegetais, 849 de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e 350 espécies de peixes.

Como a maioria das florestas, esse ecossistema está cada vez mais sofrendo pela ação do homem através do desmatamento e pelas queimadas principalmente.

Assim, por sua importância, dia 27 de maio é comemorado o Dia da Mata Atlântica e tem o objetivo de servir como ponto de reflexão sobre a necessidade de preservação e de conscientização a respeito das ações necessárias para mudar essa realidade. (…)

Fonte: Smart Kids e Página Calendário Ecológico de GaiaNet.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 44

Os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento

A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. “A reserva é um desânimo só”, disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.

Em São João dos Pobres, os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento. Vivem sem assistência oficial. São 4 indivíduos apenas. Um homem e  três mulheres. Outrora, em 1920, ano da atração, somavam 50. A terra que ocupam jamais foi regularizada pelos órgãos assistenciais. O precário apoio que recebem é obtido junto aos postos assistenciais dos governos municipais.

O desaparecimento desse grupo, entretanto, está a ocorrer dentro de um quadro muito especial. Trata-se da negativa flagrante dos descendentes mestiços do grupo a assumir a identificação indígena, decorrente dos estereótipos altamente negativos que os regionais mantêm sobre os índios.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xokleng, página 23; foto: Conselho Indigenista Missionário – Cimi.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 51

Rios brasileiros correm o risco de perder água

Pesquisadores da USP analisaram 17.972 poços localizados a menos de 1 km de rios de todo o Brasil, e encontraram um sinal preocupante: mais da metade deles (55 %) apresentou nível inferior ao do rio mais próximo – indicando que, a longo prazo, os rios podem perder água. (…)

Isso indica que, se existir uma conexão hidráulica entre o rio e o aquífero, esse rio pode estar perdendo água para o aquífero. É um processo natural. Se o nível do aquífero estiver acima do nível do rio, o rio potencialmente está recebendo água do aquífero. Caso contrário, ele está potencialmente perdendo água para o aquífero.

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.

Fonte: Super Interessante, edição 474, abril 2025, página 12; foto: Jota 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 43

A maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais

Orientando o posto indígena desde a pacificação [em 1910] até 1954, Eduardo Hoerhan logrou resguardar a área indígena de Ibirama da exploração dos civilizados regionais. Com a sua destituição, entretanto, esse quadro logo se modificou. Em pouco tempo, os Xokleng passaram a ser utilizados pela sociedade regional em seu potencial de mão de obra e capacidade de consumo, enquanto o potencial florestal da reserva começou a ser sistematicamente explorado.

Sujeitos a situações de trabalho em que predomina a espoliação, a maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais localizadas fora do posto indígena. A agricultura é praticada de modo bastante precário, pois não há condição para os índios, isoladamente, dinamizarem tal atividade. A exploração de madeiras que continuamente vem se fazendo na reserva, pela associação da FUNAI com madeireiros regionais, não utiliza em nenhum momento a mão de obra indígena. A prostituição não é desconhecida por muitos dos elementos do sexo feminino. A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. “A reserva é um desânimo só”, disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 23; foto: BBC News.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 42

Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos

” (…) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam.”

Efetivamente, os Xokleng passaram a enfrentar inimigos mais sutis, mas com maior poder destrutivo. Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos. Os sobreviventes tiveram de se adaptar à vida sedentária, substituindo suas atividades tradicionais de caça e coleta, pelo cultivo de roças. A dieta alimentar foi bruscamente alterada, contribuindo, hoje se sabe, para a disseminação de doenças. O desequilíbrio demográfico, por sua vez, alterou toda a organização tribal, tornando o grupo definitivamente dependente do organismo oficial de proteção.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: Terra.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 41

O convívio não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios

As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.

Assim sendo, compreende-se porque as técnicas de persuasão empregadas pelo novo e vigoroso Serviço de Proteção aos Índios, além da bravura do jovem Eduardo Hoerhan, convenceram a maioria dos Shokleng  sobreviventes ao convívio pacífico. Convívio que entretanto não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios. E isto se depreende nitidamente do seguinte depoimento do pacificador:

” (…) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morreriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam.”

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: AgroSaber.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 6   

Podemos transformar em mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas

Não será através de um reflorestamento geral de uma paisagem, há muito tempo cultivada, que se poderá fomentar a preservação ou a ampliação de uma paisagem de regeneração.

O que mais importa, nessas tradicionais zonas de cultivo, é realizar florestamento limitado, para conservar, por exemplo, os vales relvados dos maciços centrais e os pastos no alto das serras.

Mesmo assim, ainda fica a possibilidade de se transformar numa mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas que se encontram à disposição.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, páginas 174 e 175; foto: Diário do Nordeste.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 40

A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos

Um terceiro grupo [indígena], entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.

A resistência indígena foi enfrentada pelos governos locais e pelas companhias interessadas nos negócios de colonização, com a organização e estipêndio de grupos de bugreiros. A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos. Mas, segundo o objetivo depoimento de um bugreiro, “o negócio era afugentar pela boca da arma”.

As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 21 e 22; foto: Café História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 5   

É preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente

Deve-se encarar a paisagem de regeneração como uma nova forma de exploração do solo, que respeita não só a preservação da natureza, mas que também deve servir ao fomento do turismo. Para que seja garantida a preservação ou a regeneração desta paisagem, é preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente.

Enquanto que nos casos da paisagem da civilização e da de produção agrícola, a ação é dominada pela mentalidade econômica, na paisagem de regeneração é a ecologia que deve ocupar o primeiro plano. É a mentalidade biológica que aqui está a serviço da paisagem considerada globalmente, não importando a rentabilidade que possa ser proporcionada por uma área delimitada. Nos países industrializados, a paisagem de regeneração não mais deve ceder terreno aos outros dois tipos de paisagem.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, página 174; foto: Cesan.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 39

A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi dramática

Os Xokleng estão localizados em Santa Catarina (…) Em Ibirama vivem 270 indivíduos. No núcleo de São João dos Pobres, há 4 sobreviventes Xokleng. Seus descendentes, mestiços, não se identificam como indígenas.

A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi particularmente dramática. A tribo tradicionalmente mantinha suas atividades de subsistência com base nas atividades de caça e coleta. Divididos em grupos de 50 a 200 pessoas, os Xokleng dominavam toda a área de floresta que encobre a área localizada entre o litoral e a encosta do planalto, desde as proximidades de Porto Alegre (RS) até Paranaguá (PR). Esta área somente começou a ser sistematicamente desbravada a partir do momento em que se iniciou a colonização no sul do País, em 1824.

Como o território ocupado pelos Xokleng, à época da colonização, já estava cercada por propriedades civilizadas, os indígenas não tinham para onde fugir. A resistência que opuseram à penetração dos brancos foi contínua e, somente depois da criação do SPI [Serviço de Proteção aos Índios, em 1910], foi possível o contato pacífico com alguns grupos. Assim, Eduardo Hoerhan, em 1914, contatou com um grupo no Alto Vale do Itajaí. Paralelamente, em 1920, João Gomes Pereira travou relações amistosas com o grupo de São João dos Pobres. Um terceiro grupo, entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 21; foto: Instituto Socioambiental.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Saúde ambiental

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Informações sobre as condições de saúde da Terra, um planeta doente, com humanos e outros animais transtornados, solo contaminado e em desertificação, rios, lagos, mares e atmosfera poluídos e insalubres.

 

Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 41 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 9

No ano 249 surge outra pandemia que devasta a população imperial

A Peste Antonina durou até o ano 180 d.C.. Após uma década e meia de horror, seus efeitos mais graves começaram a se diluir, provavelmente porque quem sobreviveu ganhou imunidade à doença. (…) Não foi exatamente fácil, mas as instituições romanas aguentaram esse primeiro tranco.

A coisa mudou significativamente de figura, porém, no século seguinte. Mais uma vez, os sedimentos marinhos de Tarento registram uma queda abrupta da temperatura e da umidade, que começa por volta do ano 245 d.C. e se prolonga por pelo menos três décadas. Aí, no ano 249, surge outra pandemia que devasta a população imperial.

A doença ficou conhecida como Peste de Cipriano, por causa do santo de mesmo nome, então bispo da cidade de Cartago (atual Tunísia). Cipriano foi um dos responsáveis por registrar a chegada da moléstia. Há grandes dúvidas sobre o causador da pandemia, mas uma possibilidade é que se tratasse de um parente do vírus Ebola, por causa da presença de sintomas hemorrágicos severos. (…) A Peste de Cipriano durou até 262 d.C., e causou enorme destruição.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Brasil Escola – UOL.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 56 

Os índios são envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita    

Considerados reserva de mão de obra utilizável nos momentos que as fainas agrícolas de plantio ou colheita chegam ao auge, os indígenas são para os agricultores regionais mais uma garantia do sucesso de seus empreendimentos, pelo menos no que se refere ao atendimento das necessidades de trabalho manual. Os índios são assim envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita, quase sempre sob o regime de empreitada ou diária.

O trabalho indígena em toda a região é bastante desvalorizado. Mas ninguém deixa de utilizá-lo. Na maioria dos postos indígenas tornou-se comum, aos domingos pela tarde, chegar caminhões para apanhar índios para o trabalho em fazendas ou em propriedades de pequenos ou médios agricultores das vizinhanças. Já existe uma certa institucionalização para o uso dessa mão de obra. O interessado obtém em primeiro lugar a anuência do chefe do Posto e em seguida acerta com um índio, quase sempre rotulado como “chefe de turma”, as condições de trabalho, número de homens necessários, prazo de permanência e forma de pagamento. A supervisão do chefe do posto, em princípio, pretende eliminar formas vis de exploração, responsabilizando também o interessado quanto à condição particular de tutela a que estão sujeitos os indígenas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; página 33; foto: Brasil de Fato. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 24

Micróbios pioram o aquecimento global

O aumento na temperatura do planeta está derretendo o Ártico – e isso, como aponta um estudo publicado pela Universidade da Califórnia, vem estimulando a proliferação de micróbios que produzem metano, gás que retém calor na atmosfera e agrava o problema.

Os cientistas analisaram o nível de metano atmosférico entre 2006 e 2023 (período em que ele aumentou), e encontraram uma relação direta entre o teor desse gás no Ártico e o aquecimento global.

Além do fenômeno apontado pelo estudo, atividades humanas como a agricultura e a pecuária também geram muito metano – cada bovino arrota 100 kg desse gás, que se forma durante a digestão, por ano. (BG)

Super Interessante, edição 483, janeiro 2026, página 15; foto: Janela para a Rússia.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

Metade dos ambientes aquáticos contém lixo

E a grande maioria do detritos é de apenas dois tipos: plástico e bitucas.

Metade de todos os ambientes aquáticos (rios, praias e manguezais) do planeta está contaminada por lixo.

Essa  é a conclusão de um trabalho de cientistas da Unifesp, que analisaram 298 estudos sobre o tema.

Fonte: Super Interessante, edição 483, janeiro de 2026, página 12; foto: Revista Fapesp

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 16

Logo se chegou à ideia de armazenar a água em cisternas, guardando-a para épocas de carência

Como já se tinha reconhecido que, para as épocas de carência de água, a solução eram os reservatórios especiais, dotados de canos de escoamento em alturas diversas, também se chegou à ideia, óbvia, de que se poderia tentar encontrá-la dentro dos muros da cidade.

Só que nas cidades de então, que, por motivos estratégicos, eram construídas nas encostas das montanhas, apenas raramente se encontravam fontes perenes dentro de seus muros. No entanto, sempre acontecia, durante os períodos chuvosos, que caía mais água dos céus do que se necessitava naquele momento. É por isso que logo se chegou à ideia de armazenar essa água em cisternas, guardando-a para épocas de carência.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 95 e 96; foto: Reddit.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 40 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 8

O vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império

A sociedade romana já enfrentava uma crise na produção e distribuição de alimentos quando o vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império.

O estrago da pancada epidemiológica teria sido multiplicado pela dificuldade de levar recursos às populações afetadas, o que impulsionou a mortalidade. Era a primeira pandemia da época imperial. Mas não seria a última.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Gazeta do Povo.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

O negacionismo das vacinas nos Estados Unidos

Os resultados [do negacionismo] já aparecem: em pleno 2025, os EUA vivem o maior surto de sarampo desde que ganharam o selo de livre do vírus pela OMS, em 2000. Já são mais de 1800 casos da doença (que é altamente contagiosa) e três mortes, sendo duas crianças.

O surto começou no Texas e está se espalhando para outros estados, cortesia da baixa vacinação. Se o problema não for contido até janeiro de 2026, o país pode perder o status de eliminação. Casos de coqueluche também aumentam rapidamente por lá.

Fonte: Super Interessante, edição 482, dezembro de 2025, O lobo do negacionismo está no poder, página 8; foto: Dr. Consulta. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 55 

A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa   

O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. A extração de erva mate não chega a garantir condições para a manutenção sazonal das famílias envolvidas nessa atividade. O mesmo ocorre com a coleta do fruto do pinhão.

Somente em Ibirama, onde os recursos existentes quanto à palmeira Euterp edulis eram fartos, os índios por largo tempo viveram dependentes da sua extração. A destruição sistemática dos recursos naturais, especialmente a flora, existentes nas reservas indígenas e procedida por civilizados, aniquilou, na maioria dos postos, a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa. Em Ibirama, por exemplo, a coleta de palmitos é feita fora da reserva indígena, atuando os Xokleng apenas como mão de obra na exploração de palmitais particulares.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 – Uso do índio como produtor e consumidor; páginas 32 e 33; foto: Jardineiro.net. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 15

Existia o perigo de que o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água

Como ficou explicado [no artigo anterior], as condições climáticas dominantes naquelas épocas remotas nas regiões em que se desenvolviam as antigas civilizações conduziram à necessidade de se armazenar água, pois o volume de água das vertentes e dos rios estava sujeito a consideráveis variações, de acordo com as estações do ano.

Além disso, a luta pela existência também coagia os nossos antepassados, mas por motivo diverso daquele, a economizar água: é que muitos dos dispositivos técnicos descritos, que serviam para o transporte e o armazenamento de água, encontravam-se fora das muralhas de proteção das cidades. Existia pois o perigo de que, por ocasião de algum cerco, o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 95; foto: Metrópoles.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 39 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 7

Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma

E aquela mania de botar gladiadores para brigar com leões, girafas e rinocerontes no Coliseu era alimentada por contatos comerciais com a África subsaariana, que eram intermediados pela Núbia (mais ou menos o atual Sudão) e pelos funcionários provinciais do Egito – dominado por Roma desde os tempos de Augusto.

Tudo isso significava um intenso e constante deslocamento de bens, pessoas e micróbios. Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma. Do ponto de vista epidemiológico, o Império Romano era uma bomba-relógio. Ela explodiu pela primeira vez com a Peste Antonina.
E isso aconteceu no pior momento possível. A Peste Antonina estourou poucas décadas após o final do Ótimo Climático Romano, numa fase que, segundo o estudo paleoclimático de Harper, foi caracterizada por diversos pulsos de resfriamento e diminuição da chuva.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, páginas 50 e 51 ; foto: Toda Matéria 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 57

No Brasil, a maior parte dos gases de efeito estufa vem da troca de florestas por pastos ou lavouras   

Enquanto a queima de carvão mineral – principalmente por China e Estados Unidos para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras.

Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO, equivalente (o cálculo de CO, equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990.

Galileu, edição 329, dezembro 2018, O país do futuro, página 27; foto: Blog do Valdemir.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 54 

Os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado aos indígenas  

Os índios de Ibirama, no caso, se viram momentaneamente privados de uma fonte de renda sem poder, obviamente, compreender as razões do impedimento. Mas, o aspecto que mais nos impressionou, foi reconhecer que os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado de modo inequívoco, aos indígenas.  No PI [Posto Indígena] Guarita, localizado no noroeste do Rio Grande do Sul, verificamos que os índios abandonaram as atividades de pescaria. “O rio não tem mais peixe bom. O que tem não se pode comer”.

As plantações de soja das vizinhanças da área indígena, e as realizadas na própria área pela FUNAI, vêm sendo pulverizadas com inseticidas para a prevenção da lagarta. Tais inseticidas não só matam os insetos, como as aves que circulam pelas plantações e que, às vezes, comem insetos e larvas envenenadas. Quebrado o equilíbrio pelo desaparecimento das aves, as quantidades de insetos aumentam assustadoramente. A cada novo ano, torna-se necessário aumentar as quantidades de inseticidas e, assim, a contaminação passa para a terra. Com as chuvas, parte dessa terra contaminada é levada para o rio, aniquilando também a fauna fluvial.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 31; foto: Instituto Humanitas Unisinos. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 14

As latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, usavam a água que escoava dos banhos públicos  

Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia. (…) Já atendia à necessidade de se economizar água o simples fato de que as latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, não eram servidas com agua potável, pois se usava a água que escoava dos banhos públicos.

Nós, hoje em dia, acreditamos que, com relação ao consumo de água, podemos nos permitir maiores liberalidades que o normal das grandes cidades da Antiguidade: que erro mais fatal!

No futuro, como acontecia nos séculos passados, vamos ter de usar a água potável somente para beber. Do contrário, ela se tornará cara demais, principalmente porque temos de mantê-la livre não só de germes patogênicos mas também da presença de produtos de combate a animais daninhos, hormônios, detergentes, essências aromáticas, etc. Queiramos ou não, num futuro próximo teremos de adotar os antigos métodos que serviam para economizar a água potável.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 94 e 95; foto: MDig.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 38 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 6

Dia a dia os romanos empurravam as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada

Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da “região metropolitana” de Roma. Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.

Além disso, os romanos se transformaram numa superpotência dos cereais incorporando terras cada vez mais marginais (como encostas de morros na Itália, ou a beirada do deserto no Oriente Médio) em suas zonas cultivadas. “Dia a dia eles empurram as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada”, escreveu o poeta Lucrécio, que morreu por volta do ano 55 a.C.

O problema é que essas são justamente as áreas mais vulneráveis a alterações no clima. Bastava esfriar alguns graus ou deixar de chover alguns dias por ano – e, no caso do clima do Mediterrâneo, não é incomum que essas coisas venham juntas – para que as plantações “de fronteira” se tornassem inviáveis, e até as áreas mais propícias para o cultivo passassem a produzir bem menos. Em suma, o lado agrícola do Império tinha bases frágeis.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 50; foto: National Geographic.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 21

Os navajos voltaram para casa mas muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos  

Antes de poderem partir [de volta para suas casas], os chefes tiveram de assinar o novo tratado (1º de junho de 1868), que começava assim: “A partir deste dia, deve cessar, para sempre, toda guerra entre as partes deste acordo”. Barboncito assinou primeiro, depois Armijo, Delgadito, Manuelito, Herrero Grande e sete outros.

“As noites e os dias ficaram compridos antes que chegasse a hora de irmos para nossos lares”, disse Manuelito. “Um dia antes da partida, andamos um pouco na direção de casa, porque estávamos muito ansiosos para partir. (…) Quando vimos o cimo da montanha de Albuquerque, imaginamos que fosse nossa montanha, sentimo-nos como que conversando com o chão, tanto gostávamos dele, e alguns dos velhos e das mulheres gritavam de alegria quando atingiram seus lares.”

E assim, os navajos voltaram para casa. Quando as novas fronteiras da reserva foram demarcadas, muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos. A vida não seria fácil. Teriam de lutar para resistir. Apesar de tudo, os navajos viriam a saber que eram os menos infelizes dos índios do Oeste. Para os outros, mal começara a provação.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas 52 e 53; foto: Native Indian Tribes.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 53 

Em muitas reservas indígenas não existe uma única área coberta por floresta primária ou secundária   

Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados. (…)

Mas não só o pinheiro foi explorado. As madeiras de lei são, ainda hoje, a razão de diversos contratos, e o palmito foi motivo, inclusive, para que toda a população Xokleng abandonasse as atividades agrícolas que desde a sua pacificação vinham servindo como base para sua sobrevivência.

Não é de se estranhar, pois, que em muitas reservas indígenas não exista uma única área coberta por floresta primária ou secundária. A destruição da cobertura florestal, nesses casos, foi drástica. Com ela, naturalmente, desapareceu a fauna. Assim, a maioria dos índios não tem como complementar sua dieta alimentar, seja pela caça, seja pela coleta de frutos silvestres ou mel.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 29; foto: MST. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 13

Nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia 

A água subterrânea sobe ou desce de acordo com as precipitações pluviais. Se o volume de água que jorra das vertentes aumenta ou diminui, a mesma coisa acontece com as águas dos rios. Este fato era tão conhecido na Antiguidade como hoje em dia. Só que nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia.

Lavar o carro quando há falta de água, usar água potável na descarga dos vasos sanitários, utilizar água pura para a limpeza das ruas, são coisas a que só nós nos damos ao luxo. Nos últimos tempos, porém, já estão aparecendo exemplos de uso econômico da água. Em Paris, a limpeza das sarjetas é realizada, de quando em quando, não com água potável mas com água retirada do Sena.

Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 93 e 94; foto: Culturalizando.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 37 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 5

As condições climáticas ideais no Império Romano favoreceram uma explosão do cultivo de cereais 

A vida dentro dessas fronteiras [do Império Romano] costumava ser próspera e pacífica. Raramente algum inimigo ousava desafiar o imperador para valer. (…)

Para alcançar esse sucesso, é claro que Roma podia contar com exércitos profissionais muito bem organizados, estradas planejadas com esmero e uma engenharia civil de dar inveja a muitas prefeituras por aí. Mas a verdadeira base do mundo romano, assim como a de quase qualquer outra civilização antiga, era a produtividade agrícola. E as condições climáticas ideais até 130 d.C., junto com o crescimento de uma espécie de “agronegócio” (turbinado por trabalho escravo em grandes fazendas), favoreceram uma explosão do cultivo de cereais, em especial o trigo e a cevada.

Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da “região metropolitana” de Roma.

Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 49; foto: Padre Paulo Ricardo.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 20

Os navajos defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com heroísmo 

Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros [indígenas] eram apenas bocas e corpos: (…) E nenhum defensor de Destino Manifesto jamais expressou seu apoio a essa filosofia mais lisonjeiramente que ele:

“O êxodo de todo esse povo da terra de seus pais é uma visão não só interessante, como também tocante. Combateram-nos corajosamente anos e anos; defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com um heroísmo que qualquer povo poderia se orgulhar de igualar; mas, quando afinal descobriram que seu destino, também como o de seus irmãos, tribo após tribo, no sentido contrário do nascer do sol, era dar lugar ao insaciável progresso de nossa raça, depuseram suas armas e, como homens corajosos merecedores de nossa admiração e respeito, vieram a nós com confiança em nossa magnanimidade, julgando que éramos um povo demasiado poderoso e justo para retribuir essa confiança com baixeza e negligência – achando que, tendo-nos sacrificado sua bela região, seus lares, as amizades de suas vidas, as cenas tornadas clássicas em suas tradições, não lhes daríamos uma recompensa miserável em troca do que eles e nós sabemos ser uma região magnífica.”

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas  48 e 49; foto: Texas Angels.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52 

Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena  

Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. Depois de mais de 20 anos de exploração em pequena escala, onde a conivência do chefe do posto indígena estabelecia a quantidade de pinheiros que seriam derrubados, a inspetoria do SPI em Curitiba decidiu formalizar um contrato de exploração com madeireiros locais. Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; páginas 28 e 29; foto: PrePara Enem. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 12

O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais 

Acompanhando a construção dos aquedutos, foram erguidos também castelos de água (castella) que em geral possuíam três câmaras. A câmara central, que recebia o excedente de ambas as câmaras externas, alimentava as fontes, enquanto que das câmaras externas saíam os encanamentos para os banhos públicos e para as casas de particulares.

O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais. Nas canalizações eram construídos tanques de sedimentação (piscinae) que serviam de filtro, dispositivo que já se conhecia dos encanamentos dos palácios micênicos. Não se sabe ainda com certeza se esses tanques serviam, além disso, como tanques de peixes ou tanques experimentais de peixes, utilizados para se verificar a qualidade da água segundo o comportamento dos peixes. Tal como nós, hoje em dia, construímos tanques experimentais de peixes vinculados aos medidores estacionários da qualidade das águas, para daí se tirarem as correspondentes conclusões quanto à qualidade da água, de acordo com o comportamento dos peixes, é possível também que os romanos usassem seus tanques com idêntica finalidade.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 92 e 93; foto: Conhecimento Científico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 36 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 4

O Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C. 

… essa fase “ótima” se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.

Um estudo recente, assinado pela geóloga Karin Zonneveld, da Universidade de Bremen, e pelo historiador Kyle Harper, da Universidade de Oklahoma, reconstruiu as condições climáticas desse período e dos séculos que o seguiram. Os pesquisadores conseguiram fazer isso com alta precisão: sua margem de erro é de apenas três anos.

O estudo concluiu que o Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C.. É justamente a fase em que os exércitos romanos foram conquistando cada vez mais territórios Mediterrâneo afora, da Espanha á Ásia Menor (atual Turquia). A supremacia deles se tornou tão incontestável que eles passaram a chamar a bacia de Mare Nostrum: “nosso mar”.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 48; foto: Guia da Itália.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 56

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas arrotando metano 

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas (218 milhões, conforme dados do IBGE, no Brasil). E esses animais arrotam metano, que piora o aquecimento global: esse gás permanece menos tempo na atmosfera do que o CO₂, mas, enquanto está lá, é capaz de reter [20 vezes] mais calor do que ele .

Super Interessante, edição 467, setembro 2024, Vacina [no gado] promete ajuda contra aquecimento global, página 11; foto: Brasilagro.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 19

O magnífico território pastoril e mineral que nos cederam é um território cujo valor dificilmente pode ser estimado  

Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.

Enquanto isso, o Chefe Estrelado Carleton convencera o vigário de Santa Fé a cantar um Te Deum em homenagem à bem-sucedida remoção dos navajos para o Bosque, empreendida pelo Exército. O general descreveu o lugar para seus em Washington como “uma excelente reserva… não há razão para que eles (os navajos) não sejam os índios mais felizes, prósperos e bem providos  dos Estados Unidos… De qualquer modo… podemos alimentá-los a preço bem menor do que guerrear com eles”.

Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros eram apenas bocas e corpos:

“Essas seis mil bocas precisam comer, e esses seis mil corpos precisam se vestir. Quando se considera o magnífico território pastoril e mineral que nos cederam – um território cujo valor dificilmente pode ser estimado -, a ninharia, em comparação, que lhes deve ser dada para sobreviver representa uma insignificância como paga da sua herança natural.”

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, página 48; foto: iStock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51 

A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento  

Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. O surgimento do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, basicamente não veio alterar este quadro.

Na medida em que os recursos naturais localizados na região eram explorados, o potencial existente nas terras ocupadas pelos índios começava a ser alvo do interesse de civilizados. No sul do Brasil, as reservas indígenas começaram inicialmente a ser exploradas em seus recursos florestais. Prevalecendo como cobertura florestal, na maioria das reservas, a Araucária angustifólia, espécie de grande valor econômico, foi explorada até seu quase esgotamento.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 28; foto: CicloVivo. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 11

Os grandiosos aquedutos de Roma mostravam o poderio político do império

O motivo principal de tão grandiosos aquedutos [de Roma] gira em torno de uma auto-afirmação do poderio político do império que justifica a construção de arcos tão grandes que podem ser vistos à distância. Já naquela época, quando se tratava da construção de aquedutos, entravam em linha de conta certas contingencias políticas. É por isso que mesmo a história do desenvolvimento das estações de tratamento de água não se orienta apenas pelos conhecimentos proporcionados pelo progresso técnico.

Também aqui têm influência certos aspectos ligados à política da época. Toda pessoa que exerce atividade no setor da economia hídrica sabe que, por motivos tanto ópticos como políticos, é mais difícil conseguir verbas para a construção de canalizações e câmaras subterrâneas de tratamento de água do que para uma estação de tratamento que pode ser vista e visitada por qualquer pessoa; isto é, o político pode mostrar o que vem realizando. Tais ponderações não são realmente apenas de hoje, pois já eram conhecidas na Antiguidade.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 91; foto: Shutterstock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 35 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 3

Os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura

Os desastres ocorridos a partir de 166 d.C. talvez tenham sido ainda mais dolorosos porque vieram na esteira de alguns séculos de bonança, durante os quais as divindades pareciam ter abençoado as vastas terras regidas por Roma. De fato, de acordo com vários estudos paleoclimatológicos (que reconstroem o clima do passado), os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura.

Esse período foi tão bom que recebeu a designação oficial de “ótimo”. Para ser mais exato, o de Ótimo Climático Romano (a palavra, nesse contexto, tem o sentido de “condições ideais”). Embora a Itália e as regiões vizinhas da bacia do mar Mediterrâneo, que sempre foram o núcleo mais importante da civilização romana, sejam notórias pela relativa instabilidade climática, com presença intermitente de grandes secas e invernos severos, essa fase “ótima” se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Itálica.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 55

Aquecimento global – a febre de Gaia, o planeta vivo doente

Dados confirmaram que 2024 foi o primeiro ano a ultrapassar a marca de 1,5 º C de aquecimento global em relação a níveis pré-industriais. (1)

Um estudo analisou 23 mil espécies de peixes e crustáceos de água doce – e descobriu que 24% correm risco de extinção. (2)

Fonte: Super Interessante, edição 472, fevereiro 2025, página 32; 1 – Organização Mundial de Meteorologia; 2 – International Union for Conservation of Nature (IUCN); foto: Pensamento verde.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 18

Todas as árvores da região foram cortadas, só sobrando raízes para queimar 

Durante o outono, os navajos que haviam escapado do Bosque Redondo começaram a voltar para sua terra, com histórias terríveis do que estava acontecendo ali ao povo. Era uma terra ruim, disseram. Os soldados os empurravam com baionetas e os arrebanhavam em recintos de paredes de adobe, onde os chefes dos soldados sempre os estavam contando e anotando números em livrinhos. Os chefes dos soldados prometeram-lhes roupas, cobertores e melhor comida, mas suas promessas nunca foram cumpridas.

Todos os choupos-do-canadá e mesquites [árvores da região] foram cortados, só sobrando raízes para queimar. Para se abrigar da chuva e do sol, precisavam cavar buracos no chão arenoso, cobri-los e forrá-los com montes de grama trançada. Viviam como marmotas em tocas. Com as poucas ferramentas que os soldados lhes deram, rasgaram o solo das terras de aluvião do rio Pecos e plantaram cereal, mas as enchentes, as secas e os insetos mataram as colheitas e, agora, todos viviam com meia-ração. Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 – A longa marcha dos Navajos, páginas 47 e 48; foto: Got2Globe.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 50 

A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro  

Atraídos ao convívio com representantes da sociedade nacional, os integrantes dos diversos grupos indígenas logo ficaram em situação de dependência. Dependência decorrente, em termos de macro visão, do fato das sociedades indígenas não disporem de conhecimentos capazes de fundamentar uma oposição lógica à sua dominação. Daí se compreende que o destino de muitos grupos indígenas foi e é decidido por detentores de condições que permitem orientar os rumos da utilização dos espaços geográficos e seus recursos naturais.

No passado, isto ocorreu quando companhias julgaram conveniente, em termos financeiros, estimular a migração de contingentes europeus para as terras recém-descobertas da América. Hoje, quando se decide, com base em dados obtidos por meios tecnologicamente sofisticados, como por exemplo aqueles fornecidos pelos satélites, a exploração de jazidas minerais, a sistemática decisória continua a mesma. Apenas a agressividade com que as novas decisões são tomadas chama a atenção. Agressividade que se expressa pela rapidez com que recursos financeiros e humanos são alocados, para a obtenção, no menor prazo, de resultados compensadores. A tônica do homem “civilizado” é produção e lucro, e, nesse afă, ele está a utilizar e a destruir, irrefletidamente, largas parcelas do quadro natural existente na superfície terrestre.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, página 27; foto: AgroSaber. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 10

Bem cedo foi notado que a presença de água límpida em quantidade suficiente podia saciar a sede e atender as exigências higiênicas 

No início, as povoações sempre foram erguidas nas proximidades de fontes de água. Com a transformação dos povoados em cidades, as reservas das vertentes das proximidades deixavam, em muitos casos, de ser suficientes, ainda mais que se encontravam muito expostas à contaminação.

Bem cedo foi notado que, graças à presença de água límpida em quantidade suficiente, não só se podia saciar a sede e fazer funcionar muitos poços e banhos públicos, mas também, além disso, podia-se atender a exigências higiênicas importantes. O que nos deve causar admiração não é o fato de que a água potável tenha sido transportada através de longas distâncias, mas que tenha sido reconhecida a tempo a necessidade de se realizarem tais obras para manter saudáveis as populações.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 88; foto: Mega Curioso.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 34 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 2

O Império Romano sofreu com mudanças climáticas

Novos estudos sobre os micróbios e o clima do passado têm revelado que os romanos tiveram de enfrentar forças ainda mais insidiosas e destrutivas que os deuses do Olimpo. Além dessa primeira pandemia [a Peste Antonina – provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas], que realmente ocorreu, o Império Romano sofreu com mudanças climáticas e, ironicamente, foi vítima de seu próprio sucesso, que o levara às regiões mais distantes da Ásia e da África – mas acabou tornando Roma vulnerável a uma sucessão de golpes do destino, que levaram seu poderio à fragmentação e ao desaparecimento.

Essa nova visão sobre o declínio e a queda do Império Romano não descarta, é claro, a relevância dos inimigos externos (principalmente os chamados bárbaros, em geral tribos guerreiras que falavam línguas germânicas, como as ancestrais do alemão e do inglês de hoje). Também não ignora as picuinhas e os duelos mortais que devastavam a elite romana de vez em quando, enfraquecendo ainda mais o domínio dos Césares. Esses fatores foram importantes – e podem ter sido alimentados pelos demais, criando uma espiral de desastres.

Mas a nova abordagem histórica de Roma admite a profunda dependência que as civilizações antigas, mesmo as mais sofisticadas, tinham em relação ao seu ambiente natural – algo que, num mundo de emergência climática e pandemias como o nosso, se torna cada vez mais familiar.

Fonte: Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 47 e 48; foto: PrePara Enem   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 49 

Pode-se dizer que os Xetá estão extintos 

Os Xetá eram nômades. Sua alimentação baseava-se na caça e na coleta de alimentos, destacando-se na sua dieta o aproveitamento dos frutos e da medula da palmeira macaúba. Possuíam aldeias temporárias, localizadas em pequenas clareiras. Não conheciam instrumentos de cerâmica. Usavam implementos feitos de ossos, dentes, pedras e madeira.

Seguramente, pode-se dizer que o grupo está extinto. Os Xetá sobreviventes foram localizados separadamente, de maneira que as possibilidades de socialização dos membros jovens segundo os padrões do grupo foram eliminadas. E, a tal ponto isto ocorreu, que as únicas crianças sobreviventes, com aproximadamente 12 e 10 anos de idade, falam a língua Kaingang e não Xetá.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 26; foto: JOTA.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 9

Documentos escritos antigos assinalam a significação que se dava ao uso da água

São muitos os dados contidos em antigos documentos escritos que assinalam a significação que se emprestava ao uso da água. No [rio] Eufrates, por exemplo, foi encontrada uma lápide de pedra calcária de mais ou menos 2300 a.C., com a seguinte inscrição: “Ur – Namu foi quem ordenou que se realizassem as obras dos canais; mas ele cede aos deuses a honra de fornecer a dádiva que é a água, abençoada, que dá fertilidade às terras”.

Também no Velho Testamento se encontram inúmeros indícios da importância que se conferia à água. Eis um exemplo: “Empreendi grandes obras, edifiquei para mim casas, plantei para mim vinhas. Fiz jardim e pomares para mim, e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie. Fiz para mim açudes para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.” (Eclesiastes 2, vers. 4 a 6).

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 86; foto: Pngtree.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 33 – A crise climática que acabou com o Império Romano nº 1

Como o Império Romano realmente acabou

As invasões bárbaras e os conflitos da elite romana foram importantes. Mas outros elementos podem ter sido igualmente fortes: as mudanças climáticas e, com elas, uma sucessão de epidemias e crises agrícolas. Conheça as novas descobertas que estão reescrevendo a história de Roma.

Estamos no ano 166 d.C. O exército romano, sob liderança do senador Avídio Cássio, cerca a rica cidade de Selêucia (na região da atual Bagdá, no Iraque). Selêucia rapidamente se rende ante o poderio de Roma, mas os homens de Cássio iniciam um saque de grandes proporções mesmo assim. Um dos soldados invade o templo do deus Apolo e abre uma antiga arca. Reza a lenda que esse ato de sacrilégio fez com que saísse do baú um vapor pestilento, o qual “poluía tudo com contágio e morte, desde as fronteiras da Pérsia até o rio Reno e a Gália [França]”, segundo cronistas da época.

Assim teria começado a Peste Antonina – provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas, ou 10% da população do Império Romano, na época o Estado mais populoso e poderoso do planeta. Jogar a culpa da tragédia no desrespeito a Apolo casava bem com a cultura greco-romana.

Fonte: Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 46 e 47; foto: National Geographic  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 54

Acesso à água em tempos de guerra  

A ligação entre conflitos armados e escassez de água nem sempre é óbvia. Em Gaza, por exemplo, o controle da água se tornou uma arma de guerra desde o início da ofensiva israelense.

Em julho de 2024. um relatório da Oxfam apontou que as pessoas tinham acesso a apenas 4,74 litros por dia para todos os usos – incluindo beber, cozinhar e higiene pessoal -, muito menos que o padrão mínimo aceito internacionalmente para a sobrevivência básica em emergências, que é de 20 litros por dia.

Aa qualidade da pouca água disponível em Gaza também é preocupante…

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, página 7; foto: CNN Brasil.   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 16

O capitão Graydon enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando  

Grayton fingiu grande amizade pelos mescaleros, chegando a lhes dar farinha de trigo e carne para a longa viagem. Pouco tempo depois, perto de Gallina Springs, o grupo de Graydon encontrou outra vez os mescaleros. Ninguém sabe o que aconteceu, pois nenhum mescalero sobreviveu ao incidente. Um oficial branco fez o seguinte relato:

“A operação foi realizada de forma estranha e pelo  que pude saber, ele enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando; os índios, sem dúvida, acharam que ele viera com propósitos amistosos, já que lhes tinha dado farinha de trigo, carne e provisões.”

Os outros três chefes, Cadette, Chato e Estrella, chegaram a Santa Fé e garantiram ao general Carleton que seu povo estava em paz com os brancos e apenas queria ser deixado sozinho em suas montanhas. “Vocês são mais fortes que nós”, disse Cadette. “Lutaríamos com vocês se tivéssemos rifles e pólvora; mas suas armas são melhores que as nossas. Deem-nos armas iguais e nos deixem livres, que também os combateremos; mas estamos abatidos; não temos mais ânimo; não temos provisões, nenhum meio de vida; suas tropas estão em toda parte; nossas fontes e nossos poços estão ocupados ou vigiados por seus jovens. Vocês nos tiraram de nosso último e melhor baluarte, e não temos mais ânimo. Façam conosco o que bem entenderem, mas não se esqueçam de que somos homens e bravos.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 38 e 39; foto: InfoEscola. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 48 

No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio. 

Sobrevivem apenas 8 indivíduos do grupo indígena Xetá, no presente. No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes, pelo que se tem conhecimento na literatura e junto aos órgãos oficiais, sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio.

Os Xetá ocupavam a região da serra de Dourados, nó noroeste do Paraná. Com a movimentação da frente pioneira que se instalou no norte do Paraná, a partir dos anos trinta [do século XX], o território indígena foi alcançado e pulverizado. Em 1949, quando começou a divisão em glebas da serra de Dourados, falou-se da presença de índios. A seguir, em 1952, uma criança Xetá foi aprisionada e entregue a um funcionário do antigo SPI [Serviço de Proteção aos Índios]. Mas só em 1955, quando, depois de um rigoroso inverno, um grupo de índios com visíveis sinais de fome crônica se apresentou na fazenda Santa Clara, foi que o SPI tomou as primeiras providências para socorrê-los e protegê-los.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 25; foto: SciELO.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Dia Nacional da Saúde

Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 8

As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água 

Nas civilizações da região mediterrânea de antes de Cristo, no Egito, no Oriente Próximo (persas, hititas, assírios, babilônios) e no Suleste da Europa (etruscos, gregos, romanos) parece que três problemas de defesa ecológica desempenharam papel de relevo: 1. A economia dos recursos hídricos; 2. A erosão do solo; 3. A higiene.

1. As leis das águas foram os primeiros códigos dos homens

É característico que os primeiros documentos escritos da humanidade, obras dos sumérios, que os tornaram conhecidos por volta do ano 4000 a. C., continham instruções sobre a irrigação de lavouras dispostas em forma de terraços. Como nas modernas regiões industrializadas, também nas civilizações antigas as preocupações com a água foram, desde os seus primórdios, um fator econômico predominante. As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 84; foto: Portal Saneamento Básico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 32

Civilização maia: motivo para o declínio é surpreendente e liga alerta

Você sabe o que causou o fim da civilização maia? Novos estudos sugerem um novo motivo, que deve ligar o alerta para os tempos atuais.


Cidade Maia de Chichen Itza (Crédito: Aleksandr Medvedkov/ Shutterstock)

A civilização maia foi uma das mais sofisticadas e impressionantes da América pré-colonização, tendo existido onde atualmente é o sul do México, Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador entre os séculos III e XV a.C. [do século XX a.C. ao século XVII d.C. segundo o Google e o Chat GPT]. Depois disso, no entanto, os maias tiveram um declínio misterioso. Agora, os pesquisadores associam esse fim a mudanças climáticas [locais e contemporâneas].
Os maias se organizavam em cidades-estados e a agricultura era a base de sua subsistência, mas, além disso, eles também se dedicavam às ciências, astronomia, arte e matemática, tendo deixado para trás pirâmides e observatórios.
Fonte: Olhar Digital
Rui Iwersen, editor de GaiaNet

Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 53

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados  

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados como arsênio, cádmio, cobalto, cromo, níquel e chumbo. Essa é a estimativa alarmante de um grupo de pesquisadores chineses, que analisaram os dados de 1.493 estudos realizados em diversas regiões do planeta, totalizando mais de 796 mil amostras do solo.

Esses metais podem estar naturalmente presentes na terra, ou chegar até ela por meio do descarte de resíduos industriais. As plantas acabam absorvendo esses elementos, que são altamente tóxicos e podem estar contaminando a alimentação de centenas de milhões de pessoas.

Fonte: Super Interessante, edição 475, maio 2025; Supernovas, página 13; foto: Geo Agri   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 15

Os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las 

Por tanto tempo quanto alguém podia lembrar, os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las; por tanto tempo quanto alguém podia recordar, os navajos revidavam com ataques contra os mexicanos.

Depois que os americanos chegaram a Santa Fé e chamaram o lugar de Novo México, protegeram os mexicanos, pois eles haviam se tornado cidadãos americanos. Os navajos não eram cidadãos, pois eram índios; quando atacavam os mexicanos, os soldados invadiam o território navajo para puni-los como fora da lei. Isso era um enigma terrível para Manuelito e seu povo, pois eles sabiam que muitos dos mexicanos tinham sangue índio; os soldados nunca perseguiam os mexicanos para puni-los por roubar crianças navajas.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 33 e 34; foto: Spiritualité autochtone. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21 

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47 

As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese

Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Tanto nos agrupamentos existentes nos postos, como naqueles localizados junto a áreas urbanas, incluindo neste caso famílias isoladas, os indivíduos mantêm em operação unidades de sua cultura tradicional de maneira bem mais característica do que entre Kaingang e Xokleng. Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (…)

As populações indígenas que viviam no litoral sul, à época da descoberta do Brasil, foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, trazidas pelo europeu, pela escravização e pelo próprio trabalho de catequese dos jesuítas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Instituto Búzios.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26 

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 7

Hoje em dia vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente

É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?

Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente. Lesões pulmonares devidas ao péssimo ar que respiramos, lesões do fígado através dos tóxicos presentes na nossa alimentação, doenças infecciosas causadas por agentes patogênicos (transmitidas principalmente através das águas e dos esgotos) e crescentes manifestações alérgicas fazem que, anualmente, milhões de pessoas pereçam em conseqüência do meio ambiente doentio. Ao contrário dos nossos antepassados da Antiguidade, conhecemos hoje, perfeitamente, as correlações aí atuantes e as formas de ação dos germes patogênicos, inclusive seu ciclo de desenvolvimento.

Sabemos também que um grande número de personalidades históricas encontrou a morte devida a doenças infecciosas, pois não dominavam o seu meio ambiente – a começar pelos faraós, em cujas múmias foram encontrados transmissores de doenças altamente nocivos à vida humana (…) Existem muitos outros exemplos que nos fazem supor que os danos causados ao meio ambiente intervieram também, em larga escala, na História.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 83 ; foto: Socialismo Criativo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Teoria de Gaia

Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra

A superfície da Terra e a água do mar absorvem luz solar durante o dia. À noite, esse calorzinho vai sendo liberado de volta na atmosfera na forma de radiação infravermelha, e sobe até escapar para o vácuo do espaço. Parte da radiação, porém, não chega a sair da Terra: fica retida por moléculas como o gás carbônico (CO₂) e o metano (CH). Dai eles se chamarem gases de efeito estufa: é como se estivéssemos sob uma redoma.

Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra. Ele evita que as noites sejam insuportavelmente frias, e mantém a temperatura média do globo em um patamar agradável de 14 °C. Sem o dito-cujo, seriam 18 °C negativos. O tanto exato de calorzinho noturno em cada lugar do planeta, é claro, flutua conforme particularidades geográficas: cidades litorâneas são abafadas à noite porque a água do mar é eficaz em guardar calor, enquanto as areias de um deserto esfriam rápido e causam noites congelantes. Um céu nublado, por sua vez, é ótimo em evitar que o infravermelho escape enquanto você dorme.

Fonte: Super Interessante, edição 474, Oráculo; abril 2025, página 60; foto: Brasil Escola – UOL 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 20 

Saúde do Planeta nº 52

Em regiões costeiras a redução das vazões fluviais pode provocar o avanço de água salgada em direção ao continente 

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.

Isso pode impactar a segurança hídrica e alimentar, diminuindo a disponibilidade de água para o abastecimento humano e a irrigação; a segurança energética, reduzindo o volume de água nos reservatórios [das hidrelétricas]; e os serviços ecossistêmicos, uma vez que é essencial manter uma vazão mínima no rio para garantir a conservação da vida no ecossistema aquático.

Em regiões costeiras, a redução das vazões fluviais pode provocar a intrusão salina, que ocorre quando a menor chegada de água doce ao oceano permite o avanço de água salgada em direção ao continente. Isso pode comprometer a saúde das pessoas que consomem água com alto teor de sal, aumentando o risco de hipertensão; danificar sistemas de adutoras e tubulações; além de comprometer o solo e a flora local.

Fonte: Super Interessante, edição 474, Rios brasileiros correm o risco de perder água; abril 2025, página 12; foto: Freepik  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 31 

O apocalipse da Idade do Bronze nº 11

Grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá

E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.

Do mesmo modo, na terra então conhecida como Canaã, a destruição de cidades-estado antes submetidas ao poder imperial do Egito, junto com a perda da própria influência egípcia, transformou completamente a história da região. Ali, grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá, celebrando sua libertação do domínio do Egito (que eles descreveram como uma escravidão em solo egípcio) e a fé num novo deus chamado Yahweh (ou Javé, na forma aportuguesada).

Começava assim a surgir a tradição religiosa que daria origem à Bíblia e as crenças judaicas, cristãs e islâmicas. Tal como no caso dos gregos, sem a destruição das antigas estruturas imperiais, esses caminhos inovadores talvez nunca chegassem a ser trilhados.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: VEJA. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 14

Em 1860 o número de índios diminuíra à metade desde a chegada dos primeiros colonos

Foi então, no começo da década de 1860, que os homens brancos entraram em guerra entre si – os Casacos Azuis contra os Casacos Cinza, a grande Guerra Civil. Em 1860, havia provavelmente trezentos mil índios nos Estados Unidos e territórios, a maioria deles vivendo a oeste do Mississippi. Segundo cálculos que variam, seu número diminuíra de metade, ou de dois terços, desde a chegada dos primeiros colonos à Virgínia e à Nova Inglaterra.

Os sobreviventes agora estavam pressionados entre as populações brancas em expansão no Leste e no litoral do Pacífico – mais de trinta milhões de europeus e seus descendentes. Se as tribos livres remanescentes acreditavam que a Guerra Civil dos homens brancos trouxesse qualquer trégua em suas pressões por territórios, logo se desiludiriam.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 27; foto: Portal Cavalus. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 46 

A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas 

As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. É comum também a opinião dos chefes de postos sobre a continua mobilidade desses índios. Dizem: “os Guarani não usam muito o posto. Ficam sempre localizados num fundo da área. Ali fazem uma rocinha; caçam; vez ou outra aparecem na sede para vender algum balaio. E quando a gente menos espera, desaparecem…”

Essa situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas. Não há na região sul um único posto para atendê-los. Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Gazeta do Povo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 6

Grandes eventos históricos se devem ao fracasso do homem ao enfrentar o seu meio ambiente 

Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos! Ocorreu algo semelhante com as antigas civilizações da região mediterrânea? Será que, talvez, o ocaso das antigas culturas que existiram no mundo foi amplamente condicionado pelo meio ambiente?

É possível que a história da China tivesse seguido outros rumos se, já nos tempos pré-cristãos, o desmatamento de vastas áreas na região dos rios Hoang e langtsé, vítimas então de grandes inundações, não tivesse deflagrado a cada vez a fome, e esta, por sua vez, as revoluções? É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?

Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 83 ; foto: História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 13

Os europeus eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios – juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais

Em 1848, foi descoberto ouro na Califórnia. Em alguns meses, gente do Leste aos milhares, buscando fortuna, estava cruzando o território índio. Índios que viviam ou caçavam no longo das trilhas de Santa Fé e Oregon acostumaram-se a ver uma caravana ocasional de carroções, autorizada para comerciantes, caçadores ou missionários. Agora, de repente, as trilhas estavam cheias de carroções, e os carroções estavam cheios de gente branca. A maioria indo rumo ao ouro da Califórnia, mas alguns se dirigindo para o sul, para o Novo México ou para o norte, para o território do Oregon.

Para justificar essas quebras da “fronteira índia permanente”, os homens que tomavam decisões em Washington Inventaram o Destino Manifesto, uma expressão que elevava a fome de terras a um plano sublime. Os europeus e seus descendentes haviam sido escolhidos pelo destino para dominar toda a América. Eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios – juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais. Só os habitantes da Nova Inglaterra, que haviam destruído ou expulsado todos seus índios, falaram contra Destino Manifesto.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 26 e 27; foto: mozaWeb. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Como animais extintos estão voltando às florestas de Florianópolis

Em Florianópolis, o Vem Passarinhar começou a ser realizado em 2022 como uma forma de engajar as pessoas a verem os animais que tinham sido tratados, a partir de resgate, apreensão e entrega voluntária de todo o estado, e depois reintroduzidos na natureza pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama (Cetas). (…)

Em 2023 nasceu o Instituto Fauna Brasil, que deu continuidade ao Vem Passarinhar e ao projeto dos papagaios, além de expandir as espécies para reintrodução na Ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis, desta vez com foco na fauna extinta: bugios-ruivos e pequenos felinos. “O fato de estarmos numa ilha dificulta a refaunação natural. Por isso, a reintrodução acaba sendo uma ferramenta importante para espécies que dificilmente voltariam naturalmente”, explica Vanessa Kanaan. No ano passado, o primeiro projeto de soltura de silvestres trouxe de volta cinco grupos de bugios-ruivos aos remanescentes de Mata Atlântica. (…)

1763 tinha sido o último ano  dos bugios-ruivos (Alouatta guariba) nas florestas da ilha de Santa Catarina, segundo relatos científicos. A extinção deles e de tantas outras espécies ali se deu principalmente devido à fragmentação de habitats, ao desmatamento e à caça ilegal. Em 2024, a extinção dos bugios começou a ser revertida com a reintrodução de 16 indivíduos na natureza, sendo três famílias no norte da ilha, no Parque Estadual do Rio Vermelho, e duas famílias no sul, no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri. (…) Cada bugio [resgatado de outras regiões do estado] recebeu um microchip de identificação, e as famílias foram reintroduzidas uma por vez ao longo do primeiro semestre, depois de passar quatro semanas em um recinto telado na floresta para se acostumar com o ambiente novo. (…)

Segundo estudos do Projeto Fauna Floripa, a ilha tem capacidade para abrigar até 1500 indivíduos da espécie. (…) “já sinalizamos para os órgãos ambientais que, no segundo semestre, nós conseguiríamos atender animais encontrados em situação de deslocamento, que vêm de vida livre, de Santa Catarina, Rio Grande do Sul ou da Argentina, que é a nossa unidade genética”, afirma Vanessa. (…)

O trabalho do Instituto para trazer de volta pequenos felinos começou em 2023, com base nos estudos do Projeto Fauna Floripa, que identificou a extinção de seis espécies da família na ilha: suçuarana, onça-pintada, jaguatirica, gato-mourisco, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno. (…) A ausência desses predadores perturbou o equilíbrio natural dos ecossistemas da ilha, provocando, entre outros problemas, o avanço de espécies exóticas invasoras, como os saguis, que estão predando aves nativas. (…)

O projeto também inclui ações de sensibilização e educação ambiental com as comunidades locais, incluindo uma pesquisa de percepção humana online e de porta em porta em relação à possível volta dos felinos, que depende ainda de autorização do governo. As pesquisadoras também estão elaborando materiais para capacitar os professores para falarem das reintroduções  de fauna e flora na ilha. (…)

Letícia Klein, Mongabay Brasil, Ecoa e UOL; artigo integral enviado pelo colaborador de GaiaNet Rodrigo Iwersen de São Thiago; foto: Instituto Fauna Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 45 

Os Guarani que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos

Os Guarani estão dispersos em pequenos grupos por vários postos indígenas e, também, por núcleos urbanos. Os que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos. Os grupos desassistidos pelo órgão oficial não têm aldeamentos permanentes. Perambulando de um lugar para outro, esses grupos ora estão na periferia de Porto Alegre, ora nas vizinhanças de Florianópolis ou Curitiba.

Todas as informações que logramos reunir indicam que esses contingentes Guarani pertencem ao grupo Mbüa, oriundos do noroeste da Argentina, do Paraguai e sul do Mato Grosso, sua região tradicional. Esses contingentes não são remanescentes das antigas populações Guarani que, à época da descoberta, ocupavam o litoral do sul do Brasil.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, páginas 23 e 24; foto: Povos Indígenas no Brasil Mirim.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Dia Mundial do Meio Ambiente

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado no dia 5 de junho. Foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na resolução (XXVII) de 15 de dezembro de 1972 com a qual foi aberta a Conferência de Estocolmo, na Suécia, cujo tema central foi o Ambiente Humano.

Liderado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), o Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado anualmente no dia 5 de junho. (…)

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre e Nações Unidas; página Calendário ecológico de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 5

Os maias fracassaram por não terem conseguido solucionar os problemas ecológicos

A concentração de massas humanas cada vez maiores tornou acentuadamente mais difícil o abastecimento de géneros alimentícios. De onde, porém, os habitantes das cidades obtinham suas provisões alimentares? Em que lugares e sob que condições faziam as suas plantações? Havia possibilidades de se incrementar o cultivo agrícola e a criação de animais?

Os maias fracassaram, por exemplo, por não terem conseguido solucionar esses problemas. Embora as suas cidades estivessem localizadas nas úmidas matas tropicais – nas florestas virgens de Palenque e Tical, por exemplo – tiveram que, por fim, abandonar as suas cidades devido à carência de água e à erosão do solo, ocasionada pela derrubada da mata virgem primitiva. Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 82 e 83 ; foto: BigViagem.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 9

A Idade do Bronze acaba, dando origem à Idade do Ferro

O caso dos habitantes da ilha de Chipre tem algumas semelhanças com a dos fenícios. (…) mas [o arqueólogo americano Eric] Cline destaca outro ponto-chave: inovação tecnológica. “Eles são inovadores, inventivos. Conseguiram mudar de ramo, passando da produção de cobre para a de ferro, embora a de cobre não desapareça totalmente, claro”, explica. Não é por acaso, afinal de contas, que a Idade do Bronze (metal que tem o cobre como uma de suas matérias primas [com o estanho]) tenha acabado, dando origem justamente à Idade do Ferro.

Na verdade, a produção de ferro já era conhecida por algumas das civilizações da Idade do Bronze, mas os processos usados para transformar o metal em armas e utensílios mais confiáveis e bem mais baratos que os de bronze ainda estavam sendo desenvolvidos. E os cipriotas desempenharam um papel crucial nisso.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Mega Curioso. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 12

A grande nação cherokee, que sobrevivera a mais de cem anos de guerras, agora seria dizimada 

Para os índios, parecia que os europeus odiavam tudo na natureza – as florestas vivas e seus pássaros e bichos, as extensões de grama, a água, o solo e o próprio ar.

A década que se seguiu ao estabelecimento da “fronteira índia permanente” foi um período ruim para as tribos orientais. A grande nação cherokee sobrevivera a mais de cem anos de guerras, doenças e uísque do homem branco, mas agora seria dizimada. Como os cherokees eram milhares, sua deslocação para o Oeste havia sido planejada em etapas gradativas, mas a descoberta de ouro apalachiano dentro de seu território causou um clamor por seu êxodo total e imediato.

Durante o outono de 1888, os soldados do general Winfield Scott os cercaram e os concentraram em acampamentos. (…) Dos campos de prisioneiros, começaram a partir para o Oeste, rumo ao Território Índio. Na longa jornada de inverno, um entre quatro cherokees morreu de frio, fome ou doença. Chamaram-na de marcha do “caminho de lágrimas”.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 25 e 26; foto: Portal Cavalus. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 44

Os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento

A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. “A reserva é um desânimo só”, disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.

Em São João dos Pobres, os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento. Vivem sem assistência oficial. São 4 indivíduos apenas. Um homem e  três mulheres. Outrora, em 1920, ano da atração, somavam 50. A terra que ocupam jamais foi regularizada pelos órgãos assistenciais. O precário apoio que recebem é obtido junto aos postos assistenciais dos governos municipais.

O desaparecimento desse grupo, entretanto, está a ocorrer dentro de um quadro muito especial. Trata-se da negativa flagrante dos descendentes mestiços do grupo a assumir a identificação indígena, decorrente dos estereótipos altamente negativos que os regionais mantêm sobre os índios.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xokleng, página 23; foto: Conselho Indigenista Missionário – Cimi.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 51

Rios brasileiros correm o risco de perder água

Pesquisadores da USP analisaram 17.972 poços localizados a menos de 1 km de rios de todo o Brasil, e encontraram um sinal preocupante: mais da metade deles (55 %) apresentou nível inferior ao do rio mais próximo – indicando que, a longo prazo, os rios podem perder água. (…)

Isso indica que, se existir uma conexão hidráulica entre o rio e o aquífero, esse rio pode estar perdendo água para o aquífero. É um processo natural. Se o nível do aquífero estiver acima do nível do rio, o rio potencialmente está recebendo água do aquífero. Caso contrário, ele está potencialmente perdendo água para o aquífero.

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.

Fonte: Super Interessante, edição 474, abril 2025, página 12; foto: Jota 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 4

As antigas realizações técnicas tinham relações com a defesa, a obtenção e o armazenamento de água

O acúmulo de dezenas de milhares de pessoas num espaço reduzido, depois mesmo de centenas de milhares de pessoas, levou o homem, já na Antiguidade, a se ver confrontado com problemas de defesa ecológica, tal como os conhecemos também nas nossas metrópoles.

De um lado, as águas produzidas por fontes nas proximidades das grandes cidades tinham de ser captadas, armazenadas e conduzidas às povoações. Vincula-se a isso a eliminação das águas servidas, ou seja, os esgotos. Não devemos pois nos admirar de que as antigas realizações técnicas do homem tivessem de manter restritas relações com o desenvolvimento de instalações destinadas à defesa, à obtenção e ao armazenamento de água. Foi no âmbito da economia dos recursos hídricos que primeiro se obtiveram conhecimentos que continuam a ser proveitosos ainda nos nossos dias.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 82 ; foto: Guia do Estudante.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 29 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 8

Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário

A sorte de ambas essas potências mesopotâmicas [Assíria e Babilônia] é que, para começo de conversa, elas estavam relativamente longe do Mediterrâneo – e, portanto, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar. O segundo ingrediente da sobrevivência: liderança com a cabeça no lugar. (…)

E há, é claro, um fator ainda mais crucial: água. Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário. “Assírios e babilônios podiam contar com o Tigre e o Eufrates, que continuavam fornecendo água em quantidades adequadas mesmo durante a grande seca”, diz o arqueólogo americano [Eric Cline]. “Os egípcios tinham o Nilo. Já os hititas não contavam com nenhum rio tão resiliente em seu território.”

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Facebook. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 11

Para os índios parecia que os europeus odiavam tudo na natureza 

No continente, os wampanoags de Massasoit e do rei Philip haviam desaparecido, junto com os chesapeakes, os chickahominys e os potomacs da grande confederação Powhatan. (Só Pocahontas era lembrada). Dispersos ou reduzidos a sobreviventes: os pequots, montauks, nanticokes, machapungas, catawbas, cheraws, miamis, hurons, eries, mohawks, senecas e mohegans. (Só Uncas era lembrado). Seus nomes, que se celebrizaram na história da sua pátria, permaneceram para sempre fixados na terra americana; mas seus ossos estavam abandonados, esquecidos em mil aldeias queimadas, perdidos em florestas que logo desapareciam diante dos machados de vinte milhões de invasores.

Os rios, de cujas águas límpidas e cristalinas se serviam eșses povos, a maioria com nomes índios, já estavam turvados pelo lodo e pelos detritos dos intrusos; a própria terra estava sendo devastada e dissipada. Para os índios, parecia que os europeus odiavam tudo na natureza – as florestas vivas e seus pássaros e bichos, as extensões de grama, a água, o solo e o próprio ar.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 25; foto: Portal dos Mitos. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 43

A maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais

Orientando 0 posto indígena desde a pacificação [em 1910] até 1954, Eduardo Hoerhan logrou resguardar a área indígena de Ibirama da exploração dos civilizados regionais. Com a sua destituição, entretanto, esse quadro logo se modificou. Em pouco tempo, os Xokleng passaram a ser utilizados pela sociedade regional em seu potencial de mão de obra e capacidade de consumo, enquanto o potencial florestal da reserva começou a ser sistematicamente explorado.

Sujeitos a situações de trabalho em que predomina a espoliação, a maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais localizadas fora do posto indígena. A agricultura é praticada de modo bastante precário, pois não há condição para os índios, isoladamente, dinamizarem tal atividade. A exploração de madeiras que continuamente vem se fazendo na reserva, pela associação da FUNAI com madeireiros regionais, não utiliza em nenhum momento a mão de obra indígena. A prostituição não é desconhecida por muitos dos elementos do sexo feminino. A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. “A reserva é um desânimo só”, disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 23; foto: BBC News.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 3

O que mais o impressionou um pigmeu que vivia ainda na selva foi a água canalizada de nossas cidades

Quando, há algumas décadas, foi trazido para uma metrópole australiana um pigmeu que vivia ainda na selva, num ambiente da Idade da Pedra, perguntaram-lhe, depois de lhe terem mostrado todas as conquistas da civilização, o que lhe tinha causado maior impressão. Ao contrário do que se esperava, ele não respondeu que tinham sido os “arranha-céus”. O que mais o impressionou foi o fato de que, ao se abrir uma simples torneira, escorria “água” da canalização, em grande quantidade.

Com seu instinto seguro, o pigmeu tinha reconhecido que não invejava o homem civilizado por possuir aquelas torres de cimento e tijolos e suas autoestradas. Portanto, só podia causar-lhe admiração, realmente, o fato de que se podia obter, pela canalização, qualquer quantidade de água, a toda hora do dia ou da noite.

Tratando-se do elemento básico, que é sobreviver na luta pela existência no nosso planeta, a água límpida e potável é mais importante do que o mais rápido e maior dos jatos tipo Jumbo que atravessam os oceanos em tempo recorde.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 81 ; foto: Inforpress.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 28 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 7

As potências mesopotâmicas estavam relativamente longe do Mediterrâneo, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar

Seja como for, o cenário geral da desgraça e suas causas estão ficando razoavelmente claros. O apocalipse da Idade do Bronze está relacionado a guerras e fenômenos climáticos, com suas consequências políticas e econômicas. (…)

Na categoria dos sobreviventes, cada caso é um caso, mas há alguns pontos interessantes em comum. Talvez a situação mais simples de entender seja a da Mesopotâmia (grosso modo, o atual Iraque), onde a Assíria, no norte, e a Babilônia, no sul, mantiveram sua estrutura estatal mais ou menos intacta.

A sorte de ambas essas potências mesopotâmicas é que, para começo de conversa, elas estavam relativamente longe do Mediterrâneo – e, portanto, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar. O segundo ingrediente da sobrevivência: liderança com a cabeça no lugar. “Eles tiveram os líderes certos na hora certa. Enquanto o Império Hitita, por exemplo, bem no momento em que a grande seca causava seus piores efeitos, acabou dilacerado por uma guerra entre membros da família real.”

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, páginas 36 e 39; foto: Planejativo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 10

Os europeus que seguiram Colombo destruíram a vegetação e seus habitantes – homens, animais, pássaros e peixes – da ilha de São Salvador 

Mais de três séculos haviam se passado desde que Cristóvão Colombo desembarcara em São Salvador, mais de dois séculos desde que os colonos ingleses haviam chegado à Virginia e à Nova Inglaterra. Nesse espaço de tempo, os amistosos tainos que receberam Colombo na praia haviam sido completamente dizimados.

Bem antes do último dos tainos morrer, a simplicidade de sua cultura de lavoura e artesanato fora destruída e substituída por plantações de algodão onde trabalhavam escravos. Os colonos brancos abateram as florestas tropicais para aumentar seus campos; os algodoeiros cansaram o solo; sem o escudo das florestas, ventos cobriam os campos de areia.

Quando Colombo viu a ilha pela primeira vez, descreveu-a como “muito grande, muito alta e com árvores muito verdes… o conjunto é tão verde que é um prazer olhá-lo”. Os europeus que o seguiram destruíram sua vegetação e seus habitantes – homens, animais, pássaros e peixes – e, depois de a transformarem num deserto, abandonaram-na.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 24 e 25; foto: Mundo Educação – UOL.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 42

Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos

” (…) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam.”

Efetivamente, os Xokleng passaram a enfrentar inimigos mais sutis, mas com maior poder destrutivo. Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos. Os sobreviventes tiveram de se adaptar à vida sedentária, substituindo suas atividades tradicionais de caça e coleta, pelo cultivo de roças. A dieta alimentar foi bruscamente alterada, contribuindo, hoje se sabe, para a disseminação de doenças. O desequilíbrio demográfico, por sua vez, alterou toda a organização tribal, tornando o grupo definitivamente dependente do organismo oficial de proteção.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: Terra.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 2

Nas épocas pré-cristãs das civilizações mediterrâneas existiam metrópoles que já enfrentavam problemas ecológicos

Já há algumas décadas comecei a me conscientizar de que a humanidade se encontra à beira do maior perigo que enfrentou até hoje. Nem a mais devastadora das guerras, nem a destruição de que são capazes as bombas atômicas têm o poder de ameaçar a existência humana na mesma proporção que o fará a catástrofe ecológica que se avizinha. Eis porque surge, óbvia, a indagação: será que os danos ecológicos são um sinal característico da moderna civilização ou também exerceram marcante influência na Antiguidade?

Nas épocas pré-cristãs das civilizações mediterrâneas existiam metrópoles que, certamente, já enfrentavam problemas de defesa ecológica. Como, por essa época, a utilização da técnica ainda não tinha progredido como hoje em dia, podemos excluir a ameaça da poluição atmosférica. Porém, devemos voltar a nossa atenção para os danos ecológicos ocasionados pelo desmatamento, pela erosão do solo, pelos esgotos e pelo lixo doméstico.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, páginas 79 e 80; foto: iStock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Gelo polar deve seguir derretendo até 2300

Mesmo se a humanidade cortar drasticamente as suas emissões de CO2, em quantidade suficiente para alcançar  o estado de “carbono negativo”(situação em que o carbono da atmosfera começa a diminuir), e fizer isso relativamente rápido, já a partir de 2050, o Círculo Polar Ártico deve continuar derretendo por muito tempo, pelo menos até o ano 2300.

Essa é a conclusão pouco animadora de uma simulação feita por cientistas da Coréia do Sul, que analisaram áreas cobertas por permafrost: regiões polares onde o gelo normalmente nunca derrete, mas devido às mudanças climáticas começou a fazer isso [derreter].

Segundo o estudo, os polos vão continuar descongelando porque o aquecimento global já tomou muito impulso – e também porque, ao derreter, o permafrost libera CO2 e metano, que retêm calor na atmosfera e realimentam o processo [e libera também micro-organismos, talvez nocivos à saúde humana ou de outros animais].

Fonte: Bruno Garattoni, Supernovas, Super Interessante, edição 473, março 2025, página 10; foto: Aventuras no Conhecimento.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 27 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 6

O apocalipse da Idade do Bronze está relacionado a guerras e fenômenos climáticos 

“Dois anos contínuos [de seca] costumam destruir as estratégias de resiliência a longo prazo, fazendo com que, por exemplo, não seja mais possível alimentar animais domésticos nas fazendas. Um terceiro ano consecutivo é muito raro, e muito sério”, afirma Manning [Stuart Manning, da Universidade Cornell (EUA)]. “No mundo pré-moderno, isso acabaria minando a autoridade do rei, tanto pela incapacidade de coletar impostos e alimentar o Exército quanto também do ponto de vista simbólico: claramente os deuses abandonaram e rejeitaram os governantes.” (…)

Por outro lado, as colheitas ruins também podem ter estimulado revoltas internas em vários reinos – até porque, na maioria dos casos, não há indício de que uma população vinda de fora tenha conquistado os domínios palacianos.

Seja como for, o cenário geral da desgraça e suas causas estão ficando razoavelmente claros. O apocalipse da Idade do Bronze está relacionado a guerras e fenômenos climáticos, com suas consequências políticas e econômicas.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 36; foto: Notícias Concursos.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 1 

Apresento, a partir de hoje, esta nova Série de GaiaNet com cerca de 60 pequenos artigos extraídos dos capítulos III – O Meio Ambiente na Antiguidade, IV – O Meio Ambiente na Idade Média e V – Como Escapar da Catástrofe Ecológica do livro Terra -Um Planeta Inabitável? do alemão Hans Liebmann, de 1973.

Estamos fazendo que o nosso planeta acabe por se tornar artificialmente inabitável nas próximas décadas 

A alteração do equilíbrio biológico do nosso meio ambiente e os  tantos focos de perigo que nós próprios criamos  através da poluição do nosso espaço vital, quer terrestre, aquático ou atmosférico – todos esses sinais de alarma e suas consequências para cada um de nós em particular são de tal forma graves que não podemos ficar à espera de medidas legais que possam salvar o nosso planeta. Já tão-somente o nosso instinto de conservação deveria ser suficiente para nos livrar dos terríveis acontecimentos que se anunciam.

No entanto, sabemos todos nós muito bem que isso não acontece e que, a passos de gigante, por nos afastarmos sempre mais da vida natural, estamos fazendo que o nosso planeta acabe por se tornar artificialmente inabitável nas próximas décadas.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? – Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III – O meio ambiente na Antiguidade, página 79; foto: Dreamstime.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 9

Os holandeses ordenaram o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam

Quando os holandeses chegaram à ilha de Manhattan, Peter Minuit comprou-a por sessenta florins em anzóis e contas de vidro, mas eles encorajaram os índios a permanecer e continuar trocando suas valiosas peles por tais bugigangas.

Em 1641, Willem Kieft cobrou tributos dos mahicans e enviou soldados à ilha Staten para punir os raritans por ofensas cometidas por colonos brancos, não por eles. Quando os índios revidaram, matando quatro holandeses, Kieft ordenou o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam. Os holandeses passaram à baioneta homens, mulheres e crianças, cortaram seus corpos em pedaços e arrasaram as aldeias com fogo.

Por mais dois séculos, esses fatos se repetiram, enquanto os colonos europeus deslocavam=se para o interior, através de passagens entre os montes Alleghenies, e para os rios que corriam no rumo oeste, para o Grandes Águas (o Mississippi) e para o Grande Barrento (o Missouri).

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 22; foto: InfoEscola.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 6   

Podemos transformar em mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas

Não será através de um reflorestamento geral de uma paisagem, há muito tempo cultivada, que se poderá fomentar a preservação ou a ampliação de uma paisagem de regeneração.

O que mais importa, nessas tradicionais zonas de cultivo, é realizar florestamento limitado, para conservar, por exemplo, os vales relvados dos maciços centrais e os pastos no alto das serras.

Mesmo assim, ainda fica a possibilidade de se transformar numa mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas que se encontram à disposição.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, páginas 174 e 175; foto: Diário do Nordeste.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 26 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 5

Um estudo da Universidade Cornell (EUA) mostrou que todo o século anterior ao colapso do Mediterrâneo Oriental foi marcado por secas

Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados, a população grega pode ter caído pela metade e até a arte da escrita foi completamente esquecida. Mas os Povos do Mar (quem quer que fossem eles) não podem ser responsabilizados sozinhos por tanta desgraça.

Tudo indica que, para que eles conseguissem causar tanto estrago, foi preciso que boa parte do Mediterrâneo Oriental já tivesse sido desestabilizada por outros fatores, e o principal parece ter sido o clima. Num estudo publicado em 2023 no periódico especializado Nature, uma equipe liderada por Stuart Manning, da Universidade Cornell (EUA), mostrou que todo o século anterior ao colapso foi marcado por condições cada vez mais secas na esfera de influência dos hititas, por exemplo. Situações parecidas podem ter afetado as ilhas do mar Egeu, a Grécia e talvez a Itália.

Por fim, pouco depois de 1200 a.C., três anos consecutivos de seca totalmente fora do comum chegaram, coincidindo, ao que parece, com o abandono de Hattusa, a capital hitita.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, páginas 35 e 36; foto: Escola Kids – UOL.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 8

O poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts 

Na época em que Massasoit, grande chefe dos wampanoags, morreu, em 1602, seu povo estava sendo expulso para as florestas. Seu filho Metacom previu que os índios chegariam ao fim, se não se unissem para resistir aos invasores. Embora os habitantes da Nova Inglaterra tentassem agradar Metacom, coroando-o rei Philip de Pokanoket, ele dedicou a maior parte de seu tempo à formação de alianças com os narradansetts e outras tribos da região.

Em 1675, depois de uma série de ações arrogantes por parte dos colonos, o rei Philip [Metacom] levou sua confederação índia a uma guerra destinada a salvar as tribos da extinção. Os índios atacaram 52 acampamentos, destruíram completamente doze, mas, depois de meses de luta, o poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts.

O rei Philip foi morto e sua cabeça exibida publicamente em Plymouth por vinte anos. Juntamente com outras mulheres e crianças índias capturadas, sua mulher e seu filho foram vendidos como escravos nas Índias Ocidentais.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 21 e 22; foto: eCycle.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 40

A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos

Um terceiro grupo [indígena], entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.

A resistência indígena foi enfrentada pelos governos locais e pelas companhias interessadas nos negócios de colonização, com a organização e estipêndio de grupos de bugreiros. A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos. Mas, segundo o objetivo depoimento de um bugreiro, “o negócio era afugentar pela boca da arma”.

As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 21 e 22; foto: Café História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 50

Entre 2022 e 2023 mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos.

Há mais de 120 conflitos armados acontecendo no mundo todo. Muitos nem aparecem nos jornais. Mas em cada um deles há muitas crianças que são obrigadas a viver em meio à violência extrema. (…)

Em zonas de guerras, muitas salas de aula são atingidas por balas e bombardeios, enquanto outras transformam-se em abrigos temporários. Até o caminho torna-se perigoso, e milhões de crianças precisam atravessar campos minados e regiões afetadas por ataques constantes para chegar à sala de aula.

Apenas entre 2022 e 2023, mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos. Em regiões como Gaza, Ucrânia e República Democrática do Congo, centenas de escolas foram ameaçadas ou atingidas por tiros e bombardeios.

Fonte: Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), fevereiro de 2025; foto: Andes – SN

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 5   

É preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente

Deve-se encarar a paisagem de regeneração como uma nova forma de exploração do solo, que respeita não só a preservação da natureza, mas que também deve servir ao fomento do turismo. Para que seja garantida a preservação ou a regeneração desta paisagem, é preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente.

Enquanto que nos casos da paisagem da civilização e da de produção agrícola, a ação é dominada pela mentalidade econômica, na paisagem de regeneração é a ecologia que deve ocupar o primeiro plano. É a mentalidade biológica que aqui está a serviço da paisagem considerada globalmente, não importando a rentabilidade que possa ser proporcionada por uma área delimitada. Nos países industrializados, a paisagem de regeneração não mais deve ceder terreno aos outros dois tipos de paisagem.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, página 174; foto: Cesan.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 25 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 4

Uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental

No litoral dos atuais Síria, Líbano, Israel e Palestina, muitas cidades-estado antigas e poderosas viraram fumaça, entre as quais Ugarit, a grande senhora do comércio do Mediterrâneo Oriental na época.

Por fim, uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental. Nessa época, no lugar dos políticos e filósofos que fariam a fama da civilização grega bem mais tarde [após 5 séculos], a região era ocupada por vários pequenos reinos que pareciam “Egitos” em miniatura, na chamada civilização micênica. Os micênicos eram governados por reis extremamente poderosos, cercados de luxo, defendidos por guerreiros que lutavam em carros de guerra (ou bigas, como diriam os romanos). (…)

Quando a poeira do colapso baixou, tudo isso tinha deixado de existir. Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados, a população grega pode ter caído pela metade e até a arte da escrita foi completamente esquecida.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: cidade de Micenas; fonte: Apaixonados por História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 7

A primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses

Em Massachusetts, a história começou de modo algo diverso, mas acabou da mesma forma que na Virginia. Depois de os ingleses desembarcarem em Plymouth (1620), a maioria deles teria morrido de fome, não fosse a ajuda que receberam dos nativos amistosos do Novo Mundo. (…)

Por vários anos, esses ingleses e seus vizinhos índios viveram em paz, mas muitas outras levas de homens brancos continuaram a chegar. O barulho dos machados e o estrondo das árvores que caíam ecoavam pelas costas da terra que os homens brancos agora chamavam de Nova Inglaterra. As colônias começaram a se disseminar por toda parte.

Em 1625, alguns dos colonos pediram a Samoset [indígena designado missionário pelos ingleses] mais doze mil acres de terra dos pemaquids. Samoset sabia que a terra vinha do Grande Espírito, era infinita como o céu e não pertencia a homem algum. Para agradar os estrangeiros e seus costumes estranhos, ele participou  de uma cerimônia em que cedeu a terra e colocou sua marca num papel. Era a primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 21; foto: Dreamstime.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 39

A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi dramática

Os Xokleng estão localizados em Santa Catarina (…) Em Ibirama vivem 270 indivíduos. No núcleo de São João dos Pobres, há 4 sobreviventes Xokleng. Seus descendentes, mestiços, não se identificam como indígenas.

A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi particularmente dramática. A tribo tradicionalmente mantinha suas atividades de subsistência com base nas atividades de caça e coleta. Divididos em grupos de 50 a 200 pessoas, os Xokleng dominavam toda a área de floresta que encobre a área localizada entre o litoral e a encosta do planalto, desde as proximidades de Porto Alegre (RS) até Paranaguá (PR). Esta área somente começou a ser sistematicamente desbravada a partir do momento em que se iniciou a colonização no sul do País, em 1824.

Como o território ocupado pelos Xokleng, à época da colonização, já estava cercada por propriedades civilizadas, os indígenas não tinham para onde fugir. A resistência que opuseram à penetração dos brancos foi contínua e, somente depois da criação do SPI [Serviço de Proteção aos Índios, em 1910], foi possível o contato pacífico com alguns grupos. Assim, Eduardo Hoerhan, em 1914, contatou com um grupo no Alto Vale do Itajaí. Paralelamente, em 1920, João Gomes Pereira travou relações amistosas com o grupo de São João dos Pobres. Um terceiro grupo, entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 21; foto: Instituto Socioambiental.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 49

Cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição, uma doença grave causada pela falta de nutrientes essenciais para a vida saudável.

Estamos diante de uma crise absolutamente assustadora. Só no Sudão, estima-se que quase 5 milhões de crianças e mulheres grávidas ou amamentando estejam com desnutrição grave.

Fonte: Médicos Sem fronteiras, novembro de 2024.

Na República Centro-Africana (RCA), as mulheres são 138 vezes mais propensas a morrer de complicações de gravidez e do parto do que na União Europeia, enquanto uma criança no país tem 25 vezes mais chance de morrer antes do seu primeiro aniversário do que se tivesse nascido na Europa.

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, janeiro de 2025.

Foto: Sete Margens.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 4   

É possível criar liames estreitos entre a paisagem de regeneração e os interesses da silvicultura e da defesa ecológica

Se, pois, a paisagem da civilização e a paisagem da produção agrícola quase não concedem possibilidades de regeneração ao solo, elevada significação ganha a terceira forma típica, que é a “paisagem de regeneração”. O que houver de essencial, com relação à defesa ecológica, no sentido de alcançar a regeneração geral de uma paisagem, situa-se, em última análise, neste tipo de paisagem.

Encontra-se a paisagem de regeneração nos lugares em que as grandes concentrações urbanas e industriais não entram em cogitação por motivos geográficos, bem como onde a qualidade do solo não permite uma intensificação das atividades agrícolas. Este tipo de paisagem, que antigamente carregava também o símbolo da presença das chamadas terras improdutivas, transformou-se hoje [1973], sob o signo das ameaças representadas pela poluição ambiental, num sinal positivo.

Uma chance de sobrevivência, só existirá se esse terceiro tipo de paisagem for utilizado conscientemente como centro de regeneração. Dentro desta perspectiva, é possível criar liames bastante estreitos entre a paisagem de regeneração e os interesses da silvicultura e da defesa ecológica.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 173 e 174; foto: Diário do Nordeste.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapso nº 24 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 3

O Egito nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze

As inscrições egípcias indicam, com segurança, que os Povos do Mar vinham de regiões periféricas dos grandes impérios da Idade do Bronze, e parecem ter operado como uma mescla de piratas e refugiados armados. Atacavam, pilhavam e incendiavam cidades costeiras (…)

No caso do Egito, deu ruim para os Povos do Mar, conforme Ramsés III conta em seus monumentos. O esforço de guerra, porém, drenou tanto os recursos egípcios, além de arrancar outras regiões da esfera de influência dos faraós, que o reino do Nilo nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze.

E os egípcios até que saíram no lucro. As invasões “bárbaras” parecem ter sido, por exemplo, um fator importante para o completo desaparecimento do Império Hitita, que tinha unificado quase todo o território da atual Turquia sob seu comando nos séculos anteriores. No litoral dos atuais Síria, Líbano, Israel e Palestina, muitas cidades-estado antigas e poderosas viraram fumaça, entre as quais Ugarit, a grande senhora do comércio do Mediterrâneo Oriental na época.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: Escola Kids – UOL.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 23

O panda se separou mais cedo do ancestral comum do grupo de ursos

Oito espécies de ursos compõem a família Ursidae. Entre todas, a Ailuropoda melanoleuca – o panda – foi a que se separou mais cedo do ancestral comum do grupo, há milhões de anos.

Por isso, os comedores de bambu pretos e brancos são bastante diferentes de seus primos polares, pardos ou negros.

Fonte: Super Interessante, edição 470, setembro de 2024, A geopolítica dos pandas, página 48; foto: UOL.

Rui Iwersen, editor.


Área queimada no Brasil cresce 79% em 2024

Território devastado pelo fogo no ano passado é maior que o da Itália; Amazônia foi o bioma mais atingido

A área devastada por queimadas no Brasil cresceu 79% em 2024 com relação a 2023, segundo dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas. Foram queimados 30.867.676 hectares no ano passado –uma área maior que todo o território da Itália.  Desses mais de 30 milhões de hectares, 73% foram de vegetação nativa, sendo 25% em formações florestais. Os fogos em áreas de pastagens somaram 21,9% do total de 2024.

“Chama a atenção a área afetada por incêndios florestais em 2024. Normalmente, na Amazônia, a classe de uso da terra mais afetada pelo fogo tem sido historicamente as pastagens. Em 2024, foi a 1ª vez desde que começamos a monitorar a área queimada que essa lógica se inverteu. A floresta úmida passou a representar a maioria absoluta da área queimada, sem dúvida um fato preocupante visto que uma vez queimada, aumenta a vulnerabilidade e a chance dessa floresta queimar novamente”, disse Ane Alencar, diretora de Ciências do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e coordenadora do MapBiomas.

A Amazônia foi o bioma com o maior número de área devastada pelo fogo: foram 17,9 milhões de hectares incendiados em 2024. É seguida por Cerrado (9,7 milhões), Pantanal (1,9 milhão), Mata Atlântica (1 milhão), Caatinga (330 mil) e Pampa (3.400).  (…)

Fonte: Poder 360; foto: ANDI – Comunicação e Direitos.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 6

Em pouco tempo, os oito mil índios powhatan foram reduzidos a menos de mil

Porém a resistência dos arawak deu origem a que os invasores fizessem uso de armas de fogo e sabres, trucidando centenas de milhares de pessoas e destruindo tribos inteiras, em menos de uma década após Colombo ter pisado na praia de São Salvador, a 12 de outubro de 1492.

Eram lentas, naquela época, as comunicações entre as tribos do Novo Mundo, e raramente as notícias das barbaridades dos europeus ultrapassavam a disseminação rápida de novas conquistas e colonizações. Porém, bem antes dos homens brancos que falavam inglês chegarem à Virginia em 1607, os powhatan haviam ouvido algo sobre as técnicas civilizatórias dos espanhóis. Os ingleses passaram a usar métodos mais sutis.

E para garantir a paz por tempo suficiente, enquanto estabeleciam uma colônia em Jamestown, colocaram uma coroa de ouro na cabeça de Wahunsonacook, chamaram-no rei Powhatan e o convenceram de que deveria  pôr seu povo a trabalhar, fornecendo comida para os colonizadores brancos. (…) Depois da morte de Wahunsonacook, os powhatan insurgiram-se para mandar os ingleses de volta ao mar de onde haviam vindo, mas os índios subestimaram o poder das armas inglesas. Em pouco tempo, os oito mil powhatan foram reduzidos a menos de mil.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 20 e 21; foto: InfoEscola.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 38

Os brancos submeteram os indígenas a um contínuo processo de desintegração social, cultural e biológica

Paralelamente às disputas pelo domínio da terra, os brancos submeteram os indígenas a um contínuo processo de desintegração social, cultural e biológica. A utilização do indígena como mão de obra, desarticulou rapidamente o sistema econômico tribal, com reflexos diretos em todos os demais aspectos da sociedade, enquanto entidade autônoma.

O mesmo ocorreu em decorrência da utilização sexual da mulher indígena. A contaminação do grupo com doenças até então desconhecidas, e para as quais os indivíduos não apresentavam qualquer resistência biológica, rebentou definitivamente com as possibilidades de o grupo continuar a viver independente. A submissão foi total.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 18 e 19; foto: Mongabay Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 48

99% do território original do pandas foi perdido devido ao desmatamento e à interferência humana

Os pandas são especialmente sensíveis a mudanças ambientais: qualquer diminuição na área de floresta de bambu pode significar morrer de fome.

Há milhares de anos, a espécie se estendia por todo o sudeste asiático; hoje, 99% de seu território original foi perdido devido ao desmatamento e à interferência humana. Agora, pandas existem em apenas seis pequenas regiões montanhosas no interior da china.

Fonte: Super Interessante, edição 470, dezembro de 2024, A geopolítica dos pandas, página 48; foto: G1 – Globo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 3   

A estrutura agrícola de hoje tem por objetivo maximizar sua produção

O segundo tipo [de estrutura paisagística] é representado pela “paisagem de produção agrícola”, que hoje tem por objetivo maximizar sua produção por meio de ampla mecanização das empresas de produção agrícola. A paisagem de civilização, devido à sua concentração humana, só pode suprir sua demanda alimentar quando está presente a de produção agrícola.

Embora, nesta, os danos causados à paisagem primitiva local não sejam tão elevados como os ocasionados pela da civilização, continuam a predominar, com vistas à economia da natureza, os sinais negativos. Desmatamentos, monoculturas, o perigo das erosões, a regulagem dos cursos de água, a drenagem e o emprego excessivo de fertilizantes caracterizam este tipo de paisagem.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, página 173; foto: Geo Agri.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 22

Carnes de laboratório

O cultivo de “carne de laboratório” existe desde 2013. Cientistas coletam células de boi ou de frango e as multiplicam em biorreatores (grandes tanques cheios de aminoácidos e nutrientes) para gerar pedaços de carne sem precisar matar nenhum animal.

Fonte: Super Interessante, edição 453, junho de 2023, Supernovas, página 12; foto: Capital Reset – UOL.

Rui Iwersen, editor.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 5

Dez anos após Colombo ter pisado na praia de São Salvador os espanhóis já haviam trucidado centenas de milhares de pessoas e destruído tribos inteiras 

 Como era costume do povo ao receber estrangeiros, os tainos da ilha de São Salvador [ilha de Guanahani, atual Bahamas] presentearam generosamente Colombo e seus homens com dádivas e os trataram com honra. (…) Colombo raptou dez de seus amistosos anfitriões tainos e levou-os à Espanha, onde eles poderiam ser apresentados para se adaptarem aos costumes do homem branco. Um deles morreu logo depois de chegar, mas não antes de ser batizado cristão. Os espanhóis gostaram tanto de possibilitar ao primeiro índio a entrada ao céu que se apressaram em espalhar a boa nova pelas Índias Ocidentais.

Os tainos e outros povos arawak não relutaram em se converter aos costumes religiosos europeus, mas resistiram fortemente quando hordas de estrangeiros barbudos começaram a explorar suas ilhas em busca de ouro e pedras preciosas. Os espanhóis saquearam e queimaram aldeias, raptaram centenas de homens e crianças e os mandaram à Europa para serem vendidos como escravos. Porém a resistência dos arawak deu origem a que os invasores fizessem uso de armas de fogo e sabres, trucidando centenas de milhares de pessoas e destruindo tribos inteiras, em menos de uma década após Colombo ter pisado na praia de São Salvador, a 12 de outubro de 1492.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 19 e 20; foto: Humanidades.com.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 47

A humanidade extraiu 2,1 trilhões de toneladas de água do subsolo e deslocou  o eixo rotacional da Terra  

0,8 m foi quanto a humanidade deslocou  o eixo rotacional da Terra entre 1993 e 2010, segundo um novo estudo publicado por cientistas da Universidade Nacional de Seul (Coréia do Sul). Segundo eles, isso aconteceu por causa da extração de água do subsolo.

Nas duas décadas analisadas, a humanidade extraiu 2,1 trilhões de toneladas de água, e a maior parte dela foi parar nos oceanos – o que redistribuiu a massa do planeta, e empurrou o eixo da Terra 80 cm na direção leste.

Fonte: Super Interessante, edição 453, julho de 2023, Supernovas, página 13; foto: Freepik.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 2  

A paisagem de civilização fomenta a alteração do equilíbrio biológico

A alteração do equilíbrio ecológico (…) receberá um ponto final no dia em que se conseguir manter em sua forma original ou fazer retornar a ela as unidades paisagísticas hoje ameaçadas de extinção. (…) A evolução previsível [das terras improdutivas] conduz, mais ou menos, à formação característica de três tipos diferentes de formas ou estruturas paisagísticas [paisagem de civilização, paisagem de produção agrícola e paisagem de regeneração].

O primeiro tipo, a que se pode dar o nome de “paisagem de civilização”, é assinalado pela concentração de pessoas, povoações e distritos industriais. A paisagem de civilização, por estar peculiarmente condicionada à economia, fomenta a alteração do equilíbrio biológico, representando assim um sinal negativo para a economia da natureza. É por isso que, com respeito a esse tipo de paisagem, deve-se prestar especial atenção ao cultivo de áreas verdes e ao plantio de árvores em geral. Essa paisagem não produz qualquer efeito regenerativo sobre a economia primitiva da natureza local.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 172 e 173; foto: Rádio Maringá.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22 

Colapso nº 22 – O apocalipse da Idade do Bronze

Essa realidade próspera e tranquila veio abaixo em pouco tempo e arrasou civilizações da Grécia à Síria, passando pelo Egito faraônico

Era o ano 1.177 a.C., e o mundo estava acabando. Ou, pelo menos, o mundo que havia sido construído durante séculos (ou até milênios) por reis, guerreiros e burocratas do Mediterrâneo.

Essa gente tinha se acostumado a uma espécie de globalização em pequena escala, graças à qual era possível navegar, comercializar objetos luxuosos e enviar cartas com propostas de casamento, ameaças ou simples saudações a pessoas do outro lado do mar [Mediterrâneo].

Era uma realidade próspera e relativamente tranquila. Mas veio abaixo em pouco tempo – e nunca se reergueu por completo. Trata-se do “apocalipse da Idade do Bronze” [3.3oo a.C. – 1.200 a.C.], um fenômeno histórico que arrasou civilizações da Grécia à Síria, passando pelo Egito faraônico, no século 12 a.C. – e até hoje não foi plenamente esclarecido.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 33; foto: Candeias Mix.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 21

Desde a Idade Média os ingleses cruzam raças de cachorros para produzir cães lutadores

Para criar bons cães lutadores, os ingleses cruzaram buldogues com raças mais ágeis de terrier, um tipo de cachorro usado para caça. Nasciam aí os bull terriers, que dariam origem aos pit bulls – um termo guarda-chuva, que abrange várias raças.

O adestramento era cruel. Os cães de rinha precisavam ser agressivos (para atacar outros cães) e, ao mesmo tempo, subservientes (para não atacar seus donos).

Fonte: Super Interessante, edição 464, junho de 2024, Os pit bulls nascem maus ou a sociedade os corrompe?, página 9; foto: Bnews.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 4

Colombo escreveu ao rei que o povo deveria “ser posto a trabalhar, plantar e fazer tudo que é necessário e adotar nossos costumes”

Tudo começou com Cristóvão Colombo, que deu ao povo o nome de índios. Os europeus, os homens brancos, falavam com dialetos diferentes, e alguns pronunciavam a palavra “indien”, ou “indianer”, ou “indian”. Peaux-rouges, ou “red skins” (peles vermelhas), veio depois. Como era costume do povo ao receber estrangeiros, os tainos da ilha de São Salvador [ilha de Guanahani, atual Bahamas] presentearam generosamente Colombo e seus homens com dádivas e os trataram com honra.

“Tão afáveis, tão pacíficos, são eles”, escreveu Colombo ao rei e à rainha da Espanha, “que juro a Vossas Majestades que não há no mundo uma nação melhor. Amam a seus próximos como a si mesmos, e sua conversação é sempre suave e gentil, e acompanhada de sorrisos; embora seja verdade que andam nus, suas maneiras são decentes e elogiáveis.”

Claro que tudo isso foi tomado como sinal de fraqueza, senão de barbárie, e Colombo, sendo um europeu bem-intencionado, convenceu-se de que o povo deveria “ser posto a trabalhar, plantar e fazer tudo que é necessário e adotar nossos costumes”. Nos quatro séculos seguintes (1492-1890), vários milhões de europeus e seus descendentes tentaram impor seus costumes ao povo do Novo Mundo.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 19 e 20; foto: MeisterDrucke.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 36 – Grupos tribais sobreviventes

Com 6.616 indivíduos, os Kaingang formam uma das maiores tribos que sobrevivem no Brasil presente

Distribuídos pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, os Kaingang formam uma das maiores tribos que sobrevivem no Brasil presente. Sua população aldeada em postos indígenas atinge 6.616 indivíduos. Um número de indivíduos não conhecido, mas seguramente com certa agressividade, vive disperso nas fazendas e outras  propriedades rurais. (…)

Tudo indica que o território tradicional dos Kaingang era toda a área de campo compreendida entre os rios Uruguai e Iguaçu. Na medida em que os interesses coloniais facilitaram, no século XVII, o aniquilamento das populações Guarani aldeadas pelos jesuítas espanhóis, os Kaingang puderam se expandir para o norte e sul daqueles rios. Conseguiram, assim, temporariamente, o domínio dos campos do planalto, em toda a região sul.

A partir do momento em que os jesuítas e suas reduções foram destruídos, diminuindo os lucros do bandeirantes pela comercialização dos espólios de guerra, especialmente escravos índios, o comércio do gado existente à solta nos campos do sul serviu de motivo para manter o interesse dos paulistas na região. E, aos poucos, o gado tornou-se a razão econômica de contingentes nacionais que logo foram disputar com os Kaingang o domínio dos campos naturais do planalto.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 17; foto: A GRANJA – Total Agro.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 46

Os desertos surgem do esgotamento lento do solo através de uma exploração crescente de seus recursos

Quando a erosão do solo alcança determinados níveis, a terra se torna estéril. Os efeitos dos desmatamentos podem ser detectados em todo o mundo, nas suas consequências mais devastadoras.

Sobre isso escrevem, por exemplo, Jacks e White: “Os desertos da China Setentrional, Pérsia, Mesopotâmia e da África do Norte contam, todos eles, a mesma história do esgotamento lento do solo através de uma exploração crescente de seus recursos, determinada por uma civilização que foi se expandindo. Ele foi explorado de tal forma que não lhe restou força alguma para se recuperar. Naturalmente, à exaustão do solo seguiu-se – um fato que hoje se pode constatar – a erosão. (…)”

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, página 33; foto: Freepik.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 1  

A sobrevivência de uma humanidade sadia custa dinheiro, muito dinheiro

O problema principal da defesa ecológica é que, em se tratando do nosso meio ambiente, cada indivíduo deve se conscientizar de que tem de modificar, a esse respeito, seus conceitos e sua mentalidade. Quanto a isso, é preciso que se diga claramente que a sobrevivência de uma humanidade sadia custa dinheiro, muito dinheiro.  Cada membro de uma sociedade que se baseia no bem-estar social deverá estar disposto, para que isso se concretize, a grandes sacrifícios.

Muitas das coisas que hoje deixamos de fazer, no sentido de uma estruturação do meio ambiente, não poderão ser recuperadas amanhã, pois terão de ser consideradas como irremediavelmente perdidas.

Pode-se afirmar, com certeza, que o dinheiro que “hoje” se colocar à disposição da preservação do meio ambiente será menor do que o montante que se exigirá dentro de poucos anos. Se não se levar em consideração as exigências atuais da defesa ecológica, a soma a ser despendida crescerá dia a dia.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 153 e 154; foto: Portal Gov.br.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 3

Os que lerem este livro poderão aprender algo sobre sua própria relação com a terra, com um povo que era de conservacionistas verdadeiros 

Este não é um livro alegre, mas a história tem um jeito de se introduzir no presente, e talvez os que o lerem tenham uma compreensão mais clara do que é um índio americano, sabendo o que ele foi. Poderão surpreender-se ao ouvir que palavras gentis e ponderadas saem da boca de índios estereotipados no mito americano como selvagens impiedosos. Poderão aprender algo sobre sua própria relação com a terra, com um povo que era de conservacionistas verdadeiros.

Os índios sabiam que a vida equivale à terra e seus recursos, que a América era um paraíso, e não podiam compreender por que os invasores do Leste estavam decididos a destruir tudo que era índio e a própria América.

E se os leitores deste livro alguma vez puderem ver a pobreza, a desesperança e a miséria de uma reserva índia moderna, acharão possível compreender realmente as razões disso.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Introdução, página 17; foto: Toda Matéria.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 20

Pelo menos nos mamíferos, o comportamento homossexual pode ter surgido por razões sociais

Recentemente, um grupo de biólogos propôs uma terceira hipótese: pelo menos nos mamíferos, o comportamento homossexual pode ter surgido por razões sociais, e não puramente reprodutivas.

Em um artigo de 2023, esses pesquisadores analisaram a prevalência das relações em mais de 260 espécies de mamíferos – e notaram que a homossexualidade era especialmente comum nos que vivem em sociedade, com destaque para os primatas: 51 espécies, de lêmures a gorilas, apresentam o comportamento.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, As origens biológicas da Homossexualidade, página 43; foto: DCM.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 2

Esta série mostra o Capitalismo maquiavélico dos colonizadores europeus da América do Norte, como ocorreu na América do Sul (como veremos futuramente na Série de GaiaNet nº 21: “1501 – O Brasil depois de Cabral”).

Enterrem meu coração na curva do rio é um livro de advertência sobre o problema das minorias raciais em confronto com uma cultura tecnologicamente adiantada

O livro de Dee Brown chegou à lista de best-sellers e passou mais de um ano sacudindo consciências e revelando uma face triste da formação dos Estados Unidos, reabilitando os pobres subumanos mostrados pelo cinema e pela televisão de massas. Revela outro aspecto importante dessas décadas impiedosas: o papel do homem branco como o agente poluidor da natureza exuberante da região habitada pelos índios. Os brancos introduziram a fumaça dos trens, o uísque, as doenças infecciosas e acabaram com as florestas e a vida selvagem. (…)

[Dee Brown] Foi um pesquisador nato e provou isso em Enterrem meu coração na curva do rio, revelando uma quantidade imensa de material original e desconhecido sobre os índios. (…)

No Brasil, além do interesse natural por uma obra sobre o assunto, Enterrem meu coração na curva do rio é um livro de advertência, profundamente atual, sobre o problema das minorias raciais em confronto com uma cultura tecnologicamente adiantada.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte-americanos, Coleção L&PM Pocket, 2003; Geraldo Galvão Ferraz, Apresentação, páginas 6 e 7; foto: Facebook – Buenas ideias.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20 

Saúde do Planeta nº 45

Acredita-se em contaminação por mercúrio a morte de botos e tucuxis na região amazônica do Médio Solimões

As cenas foram de cortar o coração: ao menos 130 botos e tucuxis apareceram mortos em Tefé, na região amazônica do Médio Solimões. As causas ainda estão sendo investigadas, mas acredita-se em contaminação, possivelmente por mercúrio.

A temperatura da água dos rios, que atingiu mais de 40 graus, certamente também contribuiu para a tragédia. Os picos do termômetro provocaram a mais severa seca da história e alguns trechos do Rio Negro ficaram completamente secos. Para além do triste cenário revelado pela fauna – um barco com piscina abrigava os animais resgatados com vida -, há implicações para as populações ribeirinhas, de circulação restrita, sem acesso a escolas e a alimentos que chegam de barcos.

Fonte: Veja, Editora Abril, edição 2862, ano 56, número 40, 6 de outubro de 2023, Tragédia Amazônica, página 23; foto: Projeto Colabora.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

Esta nova Série de GaiaNet mostra o Capitalismo maquiavélico dos colonizadores europeus da América do Norte. Esta ideologia foi descrita em 1532 por Nicolau Maquiavel no livro O Príncipe, e é apresentada atualmente na Série de GaiaNet nº21: 1501 – O Brasil depois de Cabral.

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 1

Dee Brown conseguiu mostrar a grande tragédia dos índios norte-americanos

Enterrem meu coração na curva do rio

Enterrem meu coração na curva do rio (Bury my Heart at Wounded Knee), o best-seller de Dee Brown, conta o outro lado da história, a história índia do Oeste Americano. (…) A tal gente pintada que berrava é um povo altivo, nobre, com uma cultura própria, que só entra em guerra defendendo o direito de viver nas terras que sempre foram suas. (…)

Os brancos guardam a memória dos massacres Fatterman e de Little Big Horn, onde morreu o general Custer. Ficou relegado aos livros especializados e a documentos de difícil acesso o grande número de massacres de aldeias índias, com morte a sangue frio de velhos, mulheres e crianças. (…)

Dee Brown, nesta sua obra que veio na hora certa, quando a consciência do povo norte-americano estava sendo incomodada pela guerra vietnamita e pela questão racial, conseguiu mostrar, em primeiro lugar, a grande tragédia do índio, uma minoria incômoda para a expressão desenvolvimentista de uma nação em progresso, que precisava de terras para ampliar seu território, para fazer estradas e colonizar o interior.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio (A dramática história dos índios norte-americanos), Coleção L&PM Pocket, 2003; Geraldo Galvão Ferraz, Apresentação, páginas 5 e 6; foto: Dois Pontos.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 19

Biodiversidade da flora amazônica

“Há cerca de 40 mil espécies vegetais na Amazônia.”

Fonte: Canal Gov; foto: Conhecimento científico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 44

53,6% da humanidade não têm acesso a água limpa para beber

4,4 bilhões de pessoas, ou 53,6% da humanidade, não têm acesso a água limpa para beber. Essa é a constatação, alarmante, de um novo estudo publicado por cientistas suíços.

Eles analisaram dados de 135 países em desenvolvimento e descobriram que, em muitos casos, a água que essas populações consomem apresenta níveis inaceitáveis de coliformes fecais.

O número é muito maior que o calculado pela OMS – em 2020, ela estimou que 2 bilhões de pessoas não tinham acesso a água limpa. *

Super Interessante, edição 467, setembro de 2024, Bruno Garattoni, Supernovas, página 13; foto: Águas do Rio. 

* Ver “Saúde do Planeta nº 37” de 2/4/24 onde a ONU nos alertava na época: “Agora, se mantivermos nosso padrão de consumo e de devastação do meio ambiente, o quadro irá se agravar muito rapidamente. Em 2025, dois terços da população do planeta (5,5 bilhões de pessoas) poderão ter dificuldade de acesso à água potável.”

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Séries de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 18

Biodiversidade da fauna brasileira

“Em Santa Catarina há 701 espécies de aves registradas, 35% das aves do Brasil.”

Fonte: NSC, Jornal do Almoço, 17 de julho de 2024; foto: Fauna News.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº20

Saúde do Planeta nº 43

O Brasil registrou 68.635 focos de queimadas em agosto

O Brasil registrou 68.635 focos de queimadas em agosto, de acordo com dados do “Programa Queimadas”, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

É o pior resultado para o mês desde 2010, quando 90.444 focos ativos foram detectados pelo satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Considerando os dados históricos coletados pelo Inpe desde 1998, os números do governo federal colocam o período como o quinto pior mês de agosto no total de focos de queimadas para o Brasil.

A taxa também mais que dobrou na comparação com o ano passado, quando o país teve 28.056 focos no mesmo período. A média de queimadas para o mês é de 46.529 focos. Já o mínimo de focos registrado pelo Inpe aconteceu em 2013, quando cerca de 21 mil foram contabilizados em todo o país. Ainda segundo o Inpe, mais de 80% desses focos ocorreram na Amazônia e no Cerrado.

Na Amazônia, a temporada de incêndios geralmente ocorre entre junho e outubro, mas fazendeiros, garimpeiros e grileiros derrubam a floresta e se preparam para queimá-la durante todo o ano. E de acordo com o Programa Queimadas, o bioma registrou 65.667 focos de fogo desde janeiro até agora (1º setembro). O número representa um aumento de 104% quando comparado com o mesmo período do ano passado, quando 32.145 focos foram contados pelo instituto. (…)

Fonte: G1; Foto: Blog Nossa Voz.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Séries de GaiaNet nº23

Biodiversidade nº 17

Brasil tem mais gado que gente

“O Brasil tem 240 milhões de cabeças de gado.”

Fonte: Globo News, Prejuízo na Agropecuária [dos incêndios florestais], 7 de maio de 2024; foto: Animal Business Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


A desertificação e a seca ameaçam vidas e meios de subsistência em todo o planeta

Mais de 2 bilhões de hectares das terras do mundo estão degradados, afetando mais de 3 bilhões de pessoas.
A desertificação e a seca ameaçam vidas e meios de subsistência em todo o planeta. Ecossistemas vitais e inúmeras espécies estão sob ameaça.
Em face de secas mais severas e prolongadas, tempestades de areia e aumento das temperaturas, é fundamental encontrar maneiras de impedir que a terra seca se transforme em deserto, que as fontes de água doce evaporem e que o solo fértil se transforme em pó.
De empresas e governos a indivíduos, todos podem ajudar a acabar com a degradação da terra, restaurar paisagens destruídas e criar um planeta habitável para as próximas gerações.
Fonte: Programa da ONU para o meio ambiente.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 42

Dia da Sobrecarga da Terra, indicador calculado desde 1971, mostra que em 2023 usamos 75% mais recursos do que o planeta pode suportar

Hoje, o aquecimento global e outros problemas ambientais são temas dominantes – e urgentes. Todo ano, a ong americana Global Footprint Network calcula o chamado Dia da Sobrecarga da Terra, a data em que ultrapassamos a capacidade do planeta de reequilibrar seus sistemas ecológicos e regenerar recursos naturais.

Esse indicador é calculado desde 1971; naquele ano, a humanidade atravessou o limite em dezembro. Já em 2023, isso aconteceu no dia 2 de agosto. Isso significa que, no ano passado, usamos 75% mais recursos do que o planeta pode suportar.

Fonte: Super Interessante, edição 459, janeiro de 2024, O fim da superpopulação, página 22; foto: A Terra é Redonda.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Séries de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 16

Refugiados políticos e refugiados do clima no Planeta  

“Existem 100 milhões de refugiados no mundo”.

Fonte: COI, Abertura dos jogos Olímpicos de Paris; foto: Conexão UFRJ. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 41

Modelo teórico mostra a dinâmica do colapso ambiental 

Os vínculos intrincados entre algas que vivem nos oceanos, produção de gás enxofre, química atmosférica, física das nuvens e clima vêm, aos poucos, sendo descobertos em dezenas de laboratórios ao redor do mundo. (…)

Quando executamos nosso modelo aumentando gradualmente a entrada de calor do Sol, ou  mantendo o Sol constante mas aumentando a entrada de dióxido de carbono, como estamos fazendo agora no mundo real, o modelo mostrou um bom equilíbrio, com os ecossistemas oceânico e terrestre desempenhando seus papéis. Mas, quando a quantidade de dióxido de carbono se aproximou de 500 ppm, o equilíbrio começou a falhar, e ocorreu um súbito aumento de temperatura. A causa foi o colapso do ecossistema oceânico. Com o aquecimento do mundo, a expansão da superfície morna dos oceanos privou as algas de nutrientes, até que elas se extinguissem. Com a diminuição da área de oceano coberta por algas, seu efeito resfriador diminuiu e a temperatura disparou.

James Lovelock, A Vingança de Gaia, Editora Intrínseca, 2006, páginas 40 e 41; foto: Olhar Digital.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Séries de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 15

Sete em cada dez brasileiros têm animal de estimação 

  • 94% dos brasileiros têm ou já tiveram algum animal de estimação.
  • 72% dos brasileiros têm algum animal de estimação.
  • Brasil é o 3º país do mundo com a maior população de pets, 149 milhões, atrás da China e Estados Unidos.

Fonte: GloboNews, edição das 18h, 2 de julho de 2024; foto: Jornal Imparcial.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Colapsos – Série de GaiaNet nº 22

Colapso nº 16 – Apocalipse bíblico

O primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe 

O próprio Apocalípse de João, apesar de todo o sofrimento que prevê para a parte pecadora não arrependida da humanidade, deixa esperanças no final. O homem, enfim, viverá em comunhão com Deus e todas as dores terão acabado. O ciclo se fecha.

“Vi então um novo céu e uma nova terra”, escreve o profeta. “Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, vestida como noiva enfeitada para o seu esposo. Então, ouvi uma voz forte que saía do trono e dizia: “Esta é a morada de Deus com os homens. Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus com eles será seu Deus. Ele enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram.”

Fonte: Super Interessante, Edição Especial, Apocalipse – O fim do mundo, Edição 291-A, maio de 2011, página 13, Apocalipse bíblico; foto: Central da Oração.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

 

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Músicas ecológicas

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Nesta página apresento, com som, letra, imagem e informações sobre a música, o autor e o interprete, músicas consideradas ecológicas por GaiaNet, isto é, músicas com mensagens sobre o meio ambiente natural, social e cultural.

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Alô Alô Marciano

| Rita Lee – 1980 |

Nesta música Rita Lee envia uma mensagem a um possível extra terrestre e fala da Terra e da humanidade: “aqui quem fala é da Terra, pra variar estamos em guerra, você não imagina a loucura, o ser humano tá na maior fissura, porque…”

 

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ALÔ ALÔ MARCIANO

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society

Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down

Alô, alô, marciano
A crise tá virando zona
Cada um por si todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down the high society

Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down

Alô, alô, marciano
A coisa tá ficando ruça
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá pra atola, Alá
Tá cada vez mais down the high society

Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society

Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society

Ui, gente fina é outra coisa, entende?
Down, down, down
High society
Down, down, down, down, down
High society

Hoje não se fazem mais countries como antigamente, não é?
High society, high society, high society, high society
Down, down, down
High society
Down, down, down, down down
High society

Ai que chique é o jazz, meu Deus
Down, down, down
High society
Down, down, down
Ah, Deus

 

 

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Amazônia

| Roberto Carlos – 1989 |

Nesta música Roberto Carlos fala da “Amazônia, insônia do mundo”, descrevendo uma selva de enganos, uma selva ferida, uma incerteza no futuro devido a absurdos contra o destino da vida; tolices fatais.

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AMAZÔNIA

Tanto amor perdido no mundo
Verdadeira selva de enganos
A visão cruel e deserta
De um futuro de poucos ano
sSangue verde derramado
O solo manchado
Feridas na selva
A lei do machado

Avalanches de desatinos
Numa ambição desmedida
Absurdos contra os destinos
De tantas fontes de vida

Quanta falta de juízo
Tolices fatais
Quem desmata, mata
Não sabe o que faz

Como dormir e sonhar
Quando a fumaça no ar
Arde nos olhos
De quem pode ver

Terríveis sinais
De alerta
Desperta
Pra selva viver

Amazônia, insônia do mundo
Amazônia, insônia do mundo

Todos os gigantes tombados
Deram suas folhas ao vento
Folhas são bilhetes deixados
Aos homens do nosso tempo

Quantos anjos queridos
Guerreiros de fato
De morte feridos
Caídos no mato

Como dormir e sonhar
Quando a fumaça no ar
Arde nos olhos
De quem pode ver

Terríveis sinais
De alerta
Desperta
Pra selva viver

Amazônia, insônia do mundo
Amazônia, insônia do mundo

 

 

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A Novidade

| Bi Ribeiro – Gilberto Gil – Herbert Vianna – Joao Barone – 2012 |

Nesta música os autores descrevem um “mundo tão desigual, de um lado este carnaval, do outro a fome total”.

Gilberto Gil
A Novidade
Gilberto GilA Novidade
Gilberto GilA Novidade
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A NOVIDADE

A novidade veio dar à praia
Na qualidade rara de sereia
Metade, o busto de uma deusa maia
Metade, um grande rabo de baleia

A novidade era o máximo
Do paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia

Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Uo-o-o-o-o-o

Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total
Uo-o-o-o-o-o

E a novidade que seria um sonho
O milagre risonho da sereia
Virava um pesadelo tão medonho
Ali naquela praia, ali na areia

A novidade era a guerra
Entre o feliz poeta e o esfomeado
Estraçalhando uma sereia bonita
Despedaçando o sonho pra cada lado

Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Uo-o-o-o-o-o

Ó, de um lado esse carnaval
Do outro a fome total
Uo-o-o-o-o-o

 

 

A Novidade A Novidade A Novidade

 

As baleias

| Roberto Carlos & Erasmo Carlos, 1981 |

Os autores se dirigem aos caçadores de baleias, falam da falta que elas farão aos seus netos, espantam-se com a indiferença ao ver o animal se debater no mar, e mostram esperança que o Homem pare essa matança.

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AS BALEIAS

Não é possível que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor neste momento

Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão

Como é possível que você tenha coragem
De não deixar nascer a vida que se faz
Em outra vida que sem ter lugar seguro
Te pede a chance de existência no futuro

Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos
Vai te fazer um verdadeiro vencedor
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Numa canção que fala muito mais de amor

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão

Não é possível que você suporte a barra

 

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Balada do Louco

| Arnaldo Batista e Rita Lee, 1972 |

Nesta música dizem os autores, dois componentes da extinta banda Os Mutantes, “se eu sou muito louco por eu ser feliz, mais louco é quem me diz e não é feliz”.

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BALADA DO LOUCO

Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se sou muito louco
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz

Se eles são bonitos
Sou Alain Delon
Se eles são famosos
Sou Napoleão
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu

Se eles têm três carros
Eu posso voar
Se eles rezam muito
Eu já estou no céu
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Não é feliz

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu

Sim, sou muito louco
Não vou me curar
Já não sou o único
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz

 

 

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Bié bié Brazil

| Luiz Gonzaga Jr (Gonzaguinha) – 1980 |

 Gonzaguinha diz nesta música: “Salve a maravilha eletrônica que já resolveu a fome crônica; mares de antenas de TV pelo país tornam nosso índio mais alegre mais feliz”.

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BIÉ BIÉ BRASIL

Bye bye Brasil, adeus

Tanto faz se eu cantar em português ou inglês

Pois se mudou foi Deus, foi Deus

Salve a maravilha eletrônica

Que já resolveu a fome crônica

Mares de antenas de TV pelo país

Tornam nosso índio mais alegre e mais feliz

E ninguém segura esse milagre

Até Frank Sinatra veio à festa

Pois esse é um país que foi pra frente meu bem

E se ele foi, foi Deus, foi Deus

Pois esse é um país que foi pra frente meu bem

E se ele foi, foi Deus, foi Deus

 

 

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Brasis

| Seu Jorge – 2007 |

Seu Jorge descreve o Brasil, os brasileiros, suas lutas, suas tramoias e seus crimes: “Tem um Brasil que é próspero, outro não muda; um Brasil que investe, outro que suga”.

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BRASIS

Tem um Brasil que é próspero
Outro não muda
Um Brasil que investe
Outro que suga…

Um de sunga
Outro de gravata
Tem um que faz amor
E tem o outro que mata
Brasil do ouro
Brasil da prata
Brasil do balacochê
Da mulata…

Tem um Brasil que é lindo
Outro que fede
O Brasil que dá
É igualzinho ao que pede…

Pede paz, saúde
Trabalho e dinheiro
Pede pelas crianças
Do país inteiro
Lararará!…

Tem um Brasil que soca
Outro que apanha
Um Brasil que saca
Outro que chuta
Perde, ganha
Sobe, desce
Vai à luta bate bola
Porém não vai à escola…

Brasil de cobre
Brasil de lata
É negro, é branco, é nissei
É verde, é índio peladão
É mameluco, é cafuso
É confusão
É negro, é branco, é nissei
É verde, é índio peladão
É mameluco, é cafuso
É confusão…

Oh pindorama eu quero
Seu porto seguro
Suas palmeiras
Suas feiras, seu café
Suas riquezas
Praias, cachoeiras
Quero ver o seu povo
De cabeça em pé…(2x)

(Repetir a letra)

Quero ver o seu povo
De cabeça em pé…(final 2x)

 

 

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Cálice (cale-se)

| Chico Buarque – 1978 |

Durante a ditadura militar Chico Buarque compôs músicas de protesto com letras pouco claras e com metáforas. Nesta música cálice significa cale-se e ele pede: “Pai, afasta de mim esse cálice de vinho tinto de sangue; como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano”.

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CÁLICE

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça

 

 

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Canção do Novo Mundo

| Beto Guedes & Ronaldo Bastos – 1981 |

Nesta canção os autores dizem que “as canções em nossa memória vão ficar, a luz das pessoas me faz crer, eu sinto que vamos juntos; nem o tempo nem a força bruta pode um sonho apagar”.

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CANÇÃO DO NOVO MUNDO 

Quem sonhou
Só vale se já sonhou demais
Vertente de muitas gerações
Gravado em nosso corações
Um nome se escreve fundo
As canções em nossa memória
Vão ficar
Profundas raízes vão crescer
A luz das pessoas
Me faz crer
E eu sinto que vamos juntos

Oh! Nem o tempo amigo
Nem a força bruta
Pode um sonho apagar

Quem perdeu o trem da história por querer
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo

Quem souber dizer a exata explicação
Me diz como pode acontecer
Um simples canalha mata um rei
Em menos de um segundo
Oh! Minha estrela amiga
Porque você não fez a bala parar

Oh! Nem o tempo amigo
Nem a força bruta
Pode um sonho apagar

Quem perdeu o trem da história por querer
Saiu do juízo sem saber
Foi mais um covarde a se esconder
Diante de um novo mundo

 

 

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Chega de Mágoa

| Gilberto Gil – Criação Coletiva – 1985 |

A letra da música, interpretada por vários artistas brasileiros, chama a atenção para o povo nordestino que sofre com o clima: “Terra, olha essa terra, raça valente, gente sofrida.”

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Chega de Mágoa

Nós não vamos nos dispersar
Juntos, é tão bom saber
Que passado o tormento
Será nosso esse chão
Água, dona da vida
Ouve essa prece tão comovida
Chega, brinca na fonte
Desce do monte, vem como amiga
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero orvalho toda manhã
Terra, olha essa terra
Raça valente, gente sofrida
Chama, tem que ter feira
Tem que ter pressa, vamos pra vida
Te quero terra pra plantar, ah
Te quero verde
Te quero casa pra morar, ah
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Canto e o nosso canto
Joga no tempo uma semente
Gente, olha essa gente
Olha essa gente, olha essa gente
Te quero água de beber
Um copo d’água
Marola mansa da maré
Mulher amada
Te quero terra pra plantar
Te quero verde, hum
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Canto (eu canto) e o nosso canto (canto)
Joga no tempo (joga no tempo) uma semente (ye ye ye ye
ye)
Gente (quero te ver crescer bonita)
Olha essa gente (quero te ver crescer feliz)
Olha essa gente (olha essa terra, olha essa gente)
Olha essa gente (Gente pra ser feliz, feliz)
Te quero água de beber (me dê um copo)
Um copo d’água
Marola mansa da maré (ye ye ye ye ye)
Mulher amada (mulher amada)
Te quero terra pra plantar (plantar)
Te quero verde (te quer verde)
Te quero casa pra morar
Te quero rede
Depois da chuva o Sol da manhã
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Chega de mágoa
Chega de tanto penar
Ah!

 

 

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Coração de Estudante

| Milton Nascimento & Wagner Tiso – 1983 |

Esta música, que foi um hino na luta pelas Eleições Diretas (o fim da ditadura militar) em 1984, diz que “há que se cuidar da vida, há que se cuidar do mundo, tomar conta da amizade”.

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CORAÇÃO DE ESTUDANTE

Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor

Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor, flor e fruto

Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração
Juventude e fé

 

 

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De Toda Cor

| Renato Luciano – 2017 |

Nesta bela música o autor fala das cores e diversidades dos pássaros e dos seres humanos.

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DE TODA COR

Passarinho de toda cor
Gente de toda cor
Amarelo, rosa e azul
Me aceita como eu sou

Passarinho de toda cor
Gente de toda cor
Amarelo, rosa e azul
Me aceita como eu sou

Eu sou amarelo claro
Sou meio errado
Pra lidar com amor
No mundo tem tantas cores
Sao tantos sabores
Me aceita como eu sou

Passarinho de toda cor
Gente de toda cor
Amarelo, rosa e azul
Me aceita como eu sou

Eu sou ciumento, quente, friorento
Mudo de opinião
Você é a rosa certa
Bonita e esperta
Segura na minha mão

Passarinho de toda cor
Gente de toda cor
Amarelo, rosa e azul
Me aceita como eu sou

Que o mundo é sortido
Toda vida soube
Quantas vezes
Quantos versos de mim em minha alma houve
Árvore, tronco, maré, tufão, capim, madrugada, aurora, sol a pino e poente
Tudo carrega seus tons, seu carmim
O vício, o hábito, o monge
O que dentro de nós se esconde
O amor
O amor
A gente é que é pequeno
E a estrelinha é que é grande
Só que ela tá bem longe
Sei quase nada meu Senhor
Só que sou pétala, espinho, flor
Só que sou fogo, cheiro, tato, plateia e ator
Água, terra, calmaria e fervor
Sou homem, mulher
Igual e diferente de fato
Sou mamífero, sortudo, sortido, mutante, colorido, surpreendente, medroso e estupefato
Sou ser humano, sou inexato

Passarinho de toda cor
Gente de toda cor
Amarelo, rosa e azul
Me aceita com eu sou

Eu sou amarelo claro
Sou meio errado pra lhe dar com amor
No mundo tem tantas cores
São tantos sabores
Me aceita como eu sou

Passarinho de toda cor
Gente de toda cor
Amarelo, rosa e azul
Me aceita como eu sou

Eu sou ciumento, quente, friorento, mudo de opinião
Você é a rosa certa, bonita e esperta
Segura na minha mão

Passarinho de toda cor
Gente de toda cor
Amarelo, rosa e azul
Me aceita como eu sou

 

 

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Eternas Ondas

| Zé Ramalho – 1982 |

O autor descreve uma ventania que produz ondas, devasta matagais, devora árvores e arrasta multidões.

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ETERNAS ONDAS

Quanto tempo temos antes de voltarem aquelas ondas
Que vieram como gotas em silêncio tão furioso;

Derrubando homens entre outros animais,
Devastando a sede desses matagais; (bis)

Devorando árvores, pensamentos seguindo
A linha do que foi escrito pelo mesmo lábio tão furioso.

E se teu amigo vento não te procurar
É porque multidões ele foi arrastar. (bis)

 

 

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Fora da Ordem

| Caetano Veloso – 2012 |

Nesta música denuncia Caetano diz: Aqui tudo parece Que era ainda construção E já é ruína Tudo é menino, menina No olho da rua; Alguma coisa está fora da ordem

 

Caetano Veloso
Fora da Ordem
Caetano VelosoFora da Ordem
Caetano VelosoFora da Ordem
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FORA DA ORDEM

Vapor barato
Um mero serviçal
Do narcotráfico
Foi encontrado na ruína
De uma escola em construção

Aqui tudo parece
Que era ainda construção
E já é ruína
Tudo é menino, menina
No olho da rua
O asfalto, a ponte, o viaduto
Ganindo pra lua
Nada continua

E o cano da pistola
Que as crianças mordem
Reflete todas as cores
Da paisagem da cidade
Que é muito mais bonita
E muito mais intensa
Do que no cartão postal

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Escuras coxas duras
Tuas duas de acrobata mulata
Tua batata da perna moderna
A trupe intrépida em que fluis

Te encontro em Sampa
De onde mal se vê
Quem sobe ou desce a rampa
Alguma coisa em nossa transa
É quase luz forte demais
Parece pôr tudo à prova
Parece fogo, parece
Parece paz, parece paz

Pletora de alegria
Um show de Jorge Benjor
Dentro de nós
É muito, é grande
É total

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Meu canto esconde-se
Como um bando de Ianomâmis
Na floresta
Na minha testa caem
Vem colocar-se plumas
De um velho cocar

Estou de pé em cima
Do monte de imundo
Lixo baiano
Cuspo chicletes do ódio
No esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela
Do garoto de frete
Do Trianon
Eu sei o que é bom

Eu não espero pelo dia
Em que todos
Os homens concordem
Apenas sei de diversas
Harmonias bonitas
Possíveis sem juízo final

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa (It’s something)
Está fora da ordem (Out of order)
Out of new order

It’s something
Is going out of order
Out of new order

It’s something
Is going out of order
Out of new order

It’s something
Is going out of order
Fora da nova ordem
Mundial

It’s something
Is going out of order
Fuera de nueva ordem mundial

Algo parece
Estar fuera del ordem
Out of new order

Algo parece
Estar fuera del ordem
Out of new order

Alguma coisa
Está fora da ordem
Out of new order

Algo parece
Estar fuera del ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial

Alguma coisa
Está fora da ordem
新世界秩序

It’s something
Is going out of order
新世界秩序

It’s something
Is going out of order
新世界秩序

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial…

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial…

Alguma coisa
Está fora da ordem
Out of da velha ordem
Mundial…

Alguma coisa
Está fora da ordem
Out of da velha ordem
Mundial…

It’s something
Is going out of order
Out of da velha ordem
Mundial…

It’s something
Is going out of order
Out of new order

Alguma coisa
Está fora da ordem
Fora da nova ordem
Mundial…

Alguma coisa
Está fora da ordem
新世界秩序

Out of da velha ordem mundial

 

 

Fora da Ordem Fora da Ordem Youtube Video

 

Homo sapiens

| Milton Nascimento & Paulo Ricardo – 1987 |

Nesta música os autores nos perguntam: “Que faz você ver só lixo na vida, que faz alguém chorar? Que clima é esse? Chove mas queima, que quase deixa sem ar?

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HOMO SAPIENS
Que faz você ver
Só lixo na vida
Que faz alguém chorar?
Que clima é esse
Chove, mas queima
Que quase me deixa sem ar
Que te pintaram no coração
Porque procuras ser um bicho em extinção
Não quero o rumo das previsões
Quero futuro, como as dimensões do sonho
Olha esse povo
E sente a criança
Não há lugar pra a dor
Somos da aurora
Não tão distante
Chamada ato de amor
Que vale o hoje
Se atrai o fim
Não pra meu filho
O que não pedi pra mim
Honra de homem, enquanto há luz
Ou tudo cai
No mais escuro dos silêncios
Cai toda a história
Some o pensamento
Dar adeus à raça
Pra que agir assim
Cai toda a história
Some o pensamento
Dar adeus à raça
Pra que agir assim
Que vale o hoje
Se atrai o fim
Não pra meu filho
O que não pedi pra mim
Não quero o rumo das previsões
Ou tudo cai
No mais escuro dos silêncios
Silêncio

 

 

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Imagine

| John Lennon & Yoko Ono – 1971|

Nesta música os autores nos dizem para imaginar um mundo de paz. Dizem eles:
“Imagine não existir países/ Não é difícil/ Nada pelo que matar ou morrer/ E nenhuma religião também/ Imagine todas as pessoas/ Vivendo a vida em paz.”

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IMAGINE

Imagine there’s no heaven
It’s easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope some day you’ll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope some day you’ll join us
And the world will live as one

 

 

John Lennon - Imagine John Lennon - Imagine - Legendado Imagine - Jack Johnson Roberto Carlos - Imagine YImagine - Emeli Sande Gilberto Gil

 

O dia em que a terra parou

| Raul Seixas – 1977 |

Nesta música de 1977 Raul Seixas nos diz: “maluco que sou eu sonhei com o dia em que a Terra parou, como se fosse combinado em todo o planeta, e acordei no dia em que a Terra parou”, como em 2020, na pandemia do coronavírus. Bem vindo Raul.

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O DIA EM QUE A TERRA PAROU

Essa noite, eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou, eu sonhei
Com o dia em que a Terra parou
Com o dia em que a Terra parou. Foi assim
No dia em que todas as pessoas
Do planeta inteiro
Resolveram que ninguém ia sair de casa
Como que se fosse combinado em todo
O planeta
Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém. O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não tava lá
Dona de casa não saiu pra comprar pão
Pois sabia que o padeiro também não tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão também não tava lá
E o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar. No dia em que a Terra parou (êêê)
No dia em que a Terra parou (ôôô)
No dia em que a Terra parou (ôôô)
No dia em que a Terra parou

E nas Igrejas nem um sino a badalar
Pois sabiam que os fiéis também não tavam lá
E os fiéis não saíram pra rezar
Pois sabiam que o padre também não tava lá
E o aluno não saiu para estudar
Pois sabia o professor também não tava lá
E o professor não saiu pra lecionar
Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar

No dia em que a Terra parou (ôôô)
No dia em que a Terra parou (ôôô)
No dia em que a Terra parou (uuu)
No dia em que a Terra parou

O comandante não saiu para o quartel
Pois sabia que o soldado também não tava lá
E o soldado não saiu pra ir pra guerra
Pois sabia que o inimigo também não tava lá
E o paciente não saiu pra se tratar
Pois sabia que o doutor também não tava lá
E o doutor não saiu pra medicar
Pois sabia que não tinha mais doença pra curar

No dia em que a Terra parou (oh, yeah)
No dia em que a Terra parou (foi tudo)
No dia em que a Terra parou (ôôô)
No dia em que a Terra parou

Essa noite, eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou, acordei

No dia em que a Terra parou (oh, yeah)
No dia em que a Terra parou (ôôô)
No dia em que a Terra parou (eu acordei)
No dia em que a Terra parou (acordei)
No dia em que a Terra parou (justamente)
No dia em que a Terra parou (eu não sonhei acordado)
No dia em que a Terra parou (êêê)
No dia em que a Terra parou (no dia em que a terra parou)

 

 

O Dia em que a Terra Parou No Dia em que a Terra parou O Dia em que a Terra Parou

 

O Estrangeiro

| Caetano Veloso – 1989 |

Nesta complexa música Caetano Veloso descreve as belezas e as feiuras da Baia de Guanabara, da natureza, da sociedade, da vida.

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O ESTRANGEIRO

O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara
O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
A Baía de Guanabara
O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara
Pareceu-lhe uma boca banguela
E eu menos a conhecera mais a amara?
Sou cego de tanto vê-la, te tanto tê-la estrela
O que é uma coisa bela?
 
O amor é cego
Ray Charles é cego
Stevie Wonder é cego
E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem
 
Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem?
Uma arara?
Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
Em que se passara passa passará o raro pesadelo
Que aqui começo a construir sempre buscando o belo e o amaro
Eu não sonhei que a praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e de óleo diesel
Sob meus tênis
E o Pão de Açúcar menos óbvio possível
À minha frente
Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas
À áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura
Do branco das areias e das espumas
Que era tudo quanto havia então de aurora
 
Estão às minhas costas um velho com cabelos nas narinas
E uma menina ainda adolescente e muito linda
Não olho pra trás mas sei de tudo
Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo
Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
Nem os dentes quase não púrpura da menina
(Pense Seurat e pense impressionista
Essa coisa de luz nos brancos dentes e onda
Mas não pense surrealista que é outra onda)
 
E ouço as vozes
Os dois me dizem
Num duplo som
Como que sampleados num sinclavier
 
É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai do Filho do Espírito Santo amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho adulto branco sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos)
E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
Sigo mais sozinho caminhando contra o vento
E entendo o centro do que estão dizendo
Aquele cara e aquela
 
É um desmascaro
Singelo grito
O rei está nu
Mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nu
 
E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo
(Some may like a soft brazilian singer
But I’ve given up all attempts at perfection)

 

 

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Página 13

| Gonzaguinha – 1973 |

Nesta música Gonzaguinha conta a história de um rapaz educado, comportado, trabalhador, mas que matou a mulher e as crianças e se suicidou.

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PÁGINA 13

Até que ele era um rapaz muito bem educado
Até que ele tinha um bom coração
Até que ele era um rapaz muito bem comportado
Até que ele era um poço de boa intenção

Não creio que ele fosse complexado
Meio calado, talvez esquisito, mas batalhador
Eu creio que ele era muito inteligente
Eficiente, honesto, honrado e trabalhador

Por mais de dez anos foi meu excelente vizinho
Subia comigo às vezes no elevador
Por certo sabia direito do seu cantinho
Do escuro, tranquilo, com jeito de sonhador

Até que hoje à noite pegando e relendo o jornal
A foto no canto da esquerda me despertou
Matou a mulher e as crianças a golpes de pau
Sem um bilhete, sem explicações, se suicidou

Se bem que a patroa falava “esse cara não presta”
“Tem cara de ser mal marido, de não ter valor”
Se bem que a patroa falava “esse cara não presta”
“Tem cara de anjo, mas nunca que ele me enganou”

Até que ele era um rapaz muito bem comportado
Mas, não, eu nem sei o seu nome, ele nunca falou
Um preto sereno com jeito de sonhador
Mas, não, eu nem sei o seu nome, ele nunca falou

 

 

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Palavras

| Gonzaguinha – 1973 |

Nesta música Gonzaguinha diz que podemos cantar tristes ou contentes, em tempo bom e em tempo ruim, como é a vida.

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PALAVRAS

Palavras, palavras, palavras
Eu já não aguento mais

Palavras, palavras, palavras
Você só fala, promete e nada faz

Palavras, palavras, palavras
Desde quando sorrir é ser feliz?

Cantar nunca foi só de alegria
Com tempo ruim
Todo mundo também dá bom dia!

Cantar nunca foi só de alegria
Com tempo ruim
todo mundo também dá bom dia!

 

 

Palavras - Gonzaguinha Palavras - Gonzaguinha v3

 

Passaredo

| Chico Buarque de Holanda – 2005 |

Nesta música o autor alerta os pássaros a tomar cuidado como bicho homem: “bico calado, muito cuidado, que o Homem vem aí”.

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PASSAREDO

Ei, pintassilgo
Oi, pintarroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiarití
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chupim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

 

 

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Pequena memória para
um tempo sem memória

| Gonzaguinha – 1981 |

Segundo o autor “são tantas lutas inglórias, são histórias que a História qualquer dia contará; memória de um tempo em que lutar por seu direito é um defeito que mata”.

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Pequena Memória Para
Um Tempo Sem Memória

A gente nunca torna ao belo olhar
se abraça e fala da vida que foi por ai
e conta os amigos nas pontas dos dedos
pra ver quantos vivem e quem já morreu
amanhã ou depois

Ê ê ê eu

Quem me dirá onde está
Aquele moço fulano de tal
filho, marido, irmão, namorado
que não voltou mais
insiste um anuncio nos nossos jornais
achados perdidos morridos
saudades demais
mas eu pergunto a resposta
ninguém sabe ninguém nunca viu
só sei quão sumido ele foi
sei é que ele sumiu
e quem souber algo acerca do seu paradeiro, beco
das liberdades estreita e esquecida
uma pequena marginal
dessa imensa avenida Brasil

Memória de um tempo onde lutar
Por seu direito
É um defeito que mata
São tantas lutas inglórias
São histórias que a história
Qualquer dia contará
De obscuros personagens
As passagens, as coragens
São sementes espalhadas nesse chão
De Juvenais e de Raimundos
Tantos Júlios de Santana
Uma crença num enorme coração
Dos humilhados e ofendidos
Explorados e oprimidos

Que tentaram encontrar a solução
São cruzes sem nomes, sem corpos, sem datas
Memória de um tempo onde lutar por seu direito
É um defeito que mata
E tantos são os homens por debaixo das manchetes
São braços esquecidos que fizeram os herois
São forças, são suores que levantam as vedetes
Do teatro de revistas, que é o país de todos nós
São vozes que negaram liberdade concedida
Pois ela é bem mais sangue
Ela é bem mais vida
São vidas que alimentam nosso fogo da esperança
O grito da batalha

Quem espera nunca alcança
Ê ê, quando o Sol nascer
É que eu quero ver quem se lembrará
Ê ê, quando amanhecer
É que eu quero ver quem recordará
Ê ê, não quero esquecer
Essa legião que se entregou por um novo dia
Ê eu quero é cantar essa mão tão calejada
Que nos deu tanta alegria
E vamos à luta.

 

 

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Planeta Água

| Guilherme Arantes – 1981 |

Nesta bela música, Guilherme Arantes fala da beleza e da importância da água para o Planeta e para a vida na Terra.

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Planeta Água

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho
E deságua na corrente do ribeirão

Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população

Águas que caem das pedras
No véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranquilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos

Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d’água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão

Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas na inundação

Águas que movem moinhos
São as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho
E deságua na corrente do ribeirão

Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população

Águas que movem moinhos
São as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água

 

 

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Plataforma

| João Bosco & Aldir Blanc – 1977 |

Este samba é um hino à luta contra a ditadura militar brasileira (1964 – 1985) com um bloco que não se conforma e derruba as amarras

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PLATAFORMA

Não põe corda no meu bloco
Nem vem com teu carro-chefe
Não dá ordem ao pessoal
Não traz lema nem divisa
Que a gente não precisa
Que organizem nosso carnaval
Não sou candidato a nada
Meu negócio é madrugada
Mas meu coração não se conforma
O meu peito é do contra
E por isso mete bronca
Neste samba plataforma
Por um bloco
Que derrube esse coreto
Por passistas à vontade
Que não dancem o minueto
Por um bloco
Sem bandeira ou fingimento
Que balance e abagunce
O desfile e o julgamento
Por um bloco que aumente
O movimento
Que sacuda e arrebente

 

 

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Pra Não Dizer que Não Falei das Flores

Caminhando

| Geraldo Vandré – 1968 |

Típica “música de protesto” contra a Ditadura Militar dos anos 1960, gravada ao vivo durante o “3º Festival Internacional da Canção” em 1968. A censura militar proibiu seu lançamento até 1979.

Geraldo Vandré
Caminhando
Geraldo VandréCaminhando
Geraldo VandréCaminhando
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Pra não dizer que não falei das flores

 

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

 

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

 

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

 

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não

 

Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

 

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora…

 

 

Caminhando - Geraldo Vandré Caminhando - Zé Ramalho Caminhando - Geraldo Vandré

 

 

Sangrando

| Gonzaguinha – 1987 |

Palavra por palavra eis aqui uma pessoa se entregando, sangrando e cantando as lutas dessa nossa vida.

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SANGRANDO

Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo aquilo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar

 

 

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Solar

| Milton Nascimento & Fernando Brant – 1987 |

“Sou filho da terra do sol hoje escuro. O meu futuro é luz e calor, de um novo mundo eu sou, e o mundo novo será mais claro. Tudo está por pensar, tudo está por criar”.

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SOLAR

Venho do sol
A vida inteira no sol
Sou filha da terra do sol
Hoje escuro
O meu futuro é luz e calor
De um novo mundo eu sou
E o mundo novo será mais claro
Mas é no velho que eu procuro
O jeito mais sábio de usar
A força que o sol me dá
Canto o que eu quero viver
É o sol
Somos crianças ao sol
A aprender e viver e sonhar
E o sonho é belo
Pois tudo ainda faremos
Nada está no lugar?
Tudo está por pensar
Tudo está por criar
Saí de casa para ver outro mundo, conheci
Fiz mil amigos na cidade de lá
Amigo é o melhor lugar
Mas me lembrei do nosso inverno azul
Eu quero é viver o sol
É triste ter pouco sol
É triste não ter o azul todo o dia
A nos alegrar
Nossa energia solar
Irá nos iluminar
O caminho

 

 

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Verde

| Fagner, Garcia Lorca & José Ortega Heredia – 1981 |

“Verde que te quiero verde; verde viento, verdes ramas. El barco sobre la mar, el caballo en la montaña. Verde, que yo quiero verde”.

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VERDE

Verde que te quiero verde
Verde viento verdes ramas
El barco sobre la mar
El caballo en la montaña
Verde, que yo te quiero ver (te camelo verde)

Com a sombra na cintura
Ela sonha na varanda
Verdes olhos negro pelo
Seu corpo de fria prata
Verde, que eu te quero verde, sim
Ah, que te quero verde

Compadre quiero cambiar
Mi caballo por tu casa
Mi montura por tu espejo
Mi cutilo por tu manta
Verde, que yo te quiero verde

Compadre vengo sangrando
Desde los puertos de cabra
Y se yo fuera mocito
Ese trato lo cerraba
Verde, que yo te quiero verde, verde …

Compadre donde está dime
Donde está esa niña amarga
Cuantas veces yo lo espere
Cuantas veces yo lo esperaba
Verde, que te quiero verde …

Verde que te quiero verde …

 

 

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Conferências ecológicas

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Nesta página apresento, desde 2009, informações sobre conferências e estudos científicos relacionados ao meio ambiente.

Série de GaiaNet nº 27 

COP 30 nº 10

COP30 é encerrada com o Pacote de Belém aprovado por 195 países

Após 13 dias de articulação, texto de consenso avança em temas como transição justa e financiamento da adaptação.

A COP30 chegou ao fim neste sábado, 22 de novembro, com a aprovação por 195 países do Pacote de Belém (PA). As 29 decisões aprovadas por consenso na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima incluem avanços em temas como transição justa, financiamento da adaptação, comércio, gênero e tecnologia. O texto renova o compromisso coletivo com a ação acelerada, de modo a tornar o regime climático mais conectado à vida das pessoas.

"Ao sairmos de Belém, esse momento não deve ser lembrado como o fim de uma conferência, mas como início de uma década de mudança", afirmou o brasileiro André Corrêa do Lago, presidente da COP30. “O espírito que construímos aqui não termina com o martelo batido. Ele permanece em cada reunião governamental, em cada conselho de administração e sindicato, em cada sala de aula, laboratório, comunidade florestal, grande cidade e cidade costeira”, completou.

Na plenária de encerramento, em que foi aplaudida de pé por mais de três minutos, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) fez um balanço dos trabalhos, entre desafios e conquistas. Para ela, em que pese o fato de não ter havido um consenso global em torno da proposta de estabelecer um Mapa do Caminho da transição energética para um mundo sem combustíveis fósseis, a ideia ficou sedimentada no cenário internacional, com adesão de mais de 80 nações, e houve avanços significativos.

“Demos um passo relevante no reconhecimento do papel de povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes. A transição justa ganhou corpo e voz. Lançamos o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, mecanismo inovador que valoriza aqueles que conservam e mantêm as florestas tropicais”, lembrou Marina. “Cento e vinte e duas Partes apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas, com compromissos em reduzir emissões até 2035. Faltam outras Partes, mas esses resultados são ganhos fundamentais para o multilateralismo climático”, listou.

Fonte: cop30 pa gov br.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 27 

COP 30 nº 9

Agenda de Ação está acelerando a entrega para as pessoas, a economia e o planeta

Este ano, a Presidência da COP30 e os Campeões de Alto Nível para o Clima renovaram a estrutura da Agenda Global de Ação Climática, baseando-se em uma década de progresso desde a COP21 e através da Parceria de Marrakech para coordenar e acelerar a entrega de esforços climáticos essenciais. Pela primeira vez, coalizões ativas estão unificadas sob uma estrutura única, coerente e flexível – projetada para priorizar a implementação prática, fortalecer a transparência e impulsionar resultados no mundo real.

Através dos seis eixos, parceiros de todos os cantos do ecossistema climático apresentaram progressos tangíveis, demonstrando como a Agenda de Ação está acelerando a entrega para as pessoas, a economia e o planeta:

Eixo 1: Transição de Energia, Indústria e Transporte — Uma coalizão global de parceiros concordou em impulsionar um plano de investimento de USD 1 trilhão para triplicar a capacidade renovável até 2030, apoiado por ecossistemas de redes fortalecidas e grandes compromissos de concessionárias, incluindo USD 148 bilhões anuais para redes e armazenamento.

Eixo 2: Gestão de Florestas, Oceanos e Biodiversidade — Governos cumpriram antecipadamente o compromisso de financiamento de posse da terra da COP26 de USD 1,7 bilhão e o renovaram com USD 1,5–2 bilhões adicionais, garantindo que 20% do financiamento flua diretamente para Povos Indígenas e comunidades locais e avançando na proteção em mais de 160 milhões de hectares.

Eixo 3: Transformação da Agricultura e Sistemas Alimentares — Mais de 40 parceiros relataram USD 9 bilhões investidos em paisagens regenerativas, alcançando 12 milhões de agricultores em mais de 110 países e restaurando mais de 210 milhões de hectares.

Eixo 4: Construção de Resiliência para Cidades, Infraestrutura e Água — Cidades e regiões representando 25.000 edifícios e USD 400 bilhões em volume de negócios anual reduziram 850.000 toneladas de CO₂ em 2024, enquanto novas plataformas de financiamento visam alcançar 200 cidades até 2028.

Eixo 5: Fomento ao Desenvolvimento Humano e Social — O Plano de Ação de Saúde de Belém, o primeiro plano internacional de adaptação clima-saúde do mundo, foi lançado com o apoio de 35 instituições filantrópicas e USD 300 milhões comprometidos, enquanto 437,7 milhões de pessoas já obtiveram benefícios de resiliência através das campanhas Race to Resilience.

Eixo 6: Libertando Facilitadores e Aceleradores — Os parceiros de Financiamento da Adaptação (FINI) anunciaram USD 1 trilhão em pipelines de adaptação investíveis até 2028, com 20% provenientes de investidores privados, mais USD 500 milhões de agências multilaterais e filantrópicas, para construir capacidade local para a implementação.

Juntos, esses resultados demonstram que, quando o mundo se alinha em torno de um propósito claro e de uma ação colaborativa, é possível acelerar avanços concretos no ritmo e na escala que este momento exige. Belém mostrou o que é possível quando governos, empresas, investidores, cidades, regiões subnacionais, Povos Indígenas e sociedade civil avançam como um só, no espírito do Mutirão Global, para impulsionar soluções que apoiam as pessoas e o planeta. Por meio da Agenda de Ação refinada, baseada nos esforços dedicados dos últimos anos , a COP30 marca a próxima era da ação climática decisiva, definida pela implementação acelerada.

Fonte: cop30 pa gov br; foto: MPPA.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 27 

COP 30 nº 8

Campeões do Clima aceleram a implementação em Belém e revelam visão de cinco anos para a próxima era da ação climática

A Presidência da COP30, juntamente com os Campeões de Alto Nível para o Clima, marca um grande passo no cumprimento da ação climática no mundo real, encerrando um importante programa temático de duas semanas e revelando uma nova Visão se Cinco Anos para a Agenda Global de Ação Climática. Com base no progresso que antecedeu Belém, a visão traça um caminho coordenado e orientado para a ação para que governos, empresas, investidores, cidades, regiões subnacionais, Povos Indígenas e sociedade civil acelerem a entrega do Acordo de Paris. Esta visão apoia a mudança das negociações para a implementação através da Agenda de Ação redefinida, que unificou e otimizou mais de 480 iniciativas para entregar 117 planos de entrega concretos — conhecidos como Planos para Acelerar Soluções. A visão baseia-se no trabalho no terreno antes e durante Belém, abrangendo o progresso em seis eixos temáticos e 30 objetivos-chave para acelerar a escalabilidade e a entrega do progresso climático no mundo real.

A Agenda de Ação da COP30 representa uma mudança de patamar para o processo de implementação, consolidando uma década de iniciativas e inovações em uma estrutura única, orientada para a ação e alinhada com os resultados do Primeiro Balanço Global. Grupos de Ativação, compostos por especialistas e profissionais intersetoriais, trabalharam juntos ao longo do ano para impulsionar o progresso em energia, florestas, sistemas alimentares, cidades, desenvolvimento humano e finanças, colaborando para desbloquear gargalos e escalar soluções baseadas no impacto no mundo real. Esta é a primeira vez que governos nacionais e atores não estatais trabalharam tão de perto sob uma única agenda de ação coordenada, tendo a continuidade, a ciência, a transparência e a entrega como seus pilares.

Ao longo da COP30, o progresso acelerado pôde ser visto em todos os eixos e objetivos-chave. O recém-lançado Relatório de Resultado da COP30 consolida essas conquistas — desde redes globais fortalecidas, avanços no financiamento florestal e agricultura regenerativa em escala, até progresso transformador em resiliência, sistemas de saúde e financiamento da adaptação. O Relatório também descreve como a Visão de Cinco Anos manterá o ritmo após Belém, ancorando a ação climática em cooperação credível, responsável e de toda a sociedade. (...)

Fonte: cop30 pa gov br; foto: Câmara Municipal de Afuá.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 27 

COP 30 nº 7

Ponto de virada: um mutirão global contra a mudança do clima

A principal decisão formal da COP30 traz um apelo histórico para que a humanidade se una em um mutirão global contra a mudança do clima, marcando um novo capítulo para o regime climático. Por consenso de quase 200 países, a COP30 reafirmou o forte compromisso com o Acordo de Paris e endossou formalmente uma transição de mais de três décadas, desde 1992, centradas em negociações complexas para uma nova fase focada em transformações reais nas economias e sociedades.

Em resposta à urgência climática, a COP30 adotou uma série de medidas para acelerar a implementação e a cooperação internacional:

  1. Lançamento de um Acelerador de Implementação Global: o Acelerador vai priorizar ações com melhor potencial de escala e velocidade na luta climática, incluindo para redução de emissões de metano e para remoção de carbono por soluções baseadas na natureza. Ao mesmo tempo, priorizará intervenções que podem alavancar pontos de virada (‘positive tipping points’), como renováveis, baterias, redução do custo de capital, digitalização e reforma dos bancos multilaterais, para transformações exponenciais e em cadeia. O Acelerador funcionará sinergicamente à Agenda de Ação, que, na COP30, atingiu um novo patamar de mobilização de atores, recursos, processos e soluções.
  2. Triplicação do financiamento para adaptação: um marco para apoiar as populações mais vulneráveis — aquelas menos responsáveis pelas mudanças climáticas, mas mais afetadas por seus impactos.
  3. Criação do Mecanismo de Belém para a Transição Global Justa: um novo instrumento para apoiar os países a garantir que a transição para economias sustentáveis seja justa e inclusiva.
  4. Adoção de indicadores voluntários para medir avanços na construção de resiliência, no marco do Objetivo Global de Adaptação
  5. Lançamento do Programa de Implementação de Tecnologia (TIP), com cronograma e componentes para fortalecer a implementação das prioridades tecnológicas dos países em desenvolvimento
  6. Adoção do novo Plano de Ação sobre Gênero e Clima, com atividades para aumentar a influência de mulheres no combate à mudança do clima
  7. Lançamento de sequência de diálogos sobre comércio internacional e clima
  8. Lançamento de um programa de trabalho de dois anos sobre financiamento climático, com foco na previsão de recursos públicos de países desenvolvidos para países em desenvolvimento
  9. Reconhecimento da importância da atuação das cidades e dos estados e municípios nas ações de combate à mudança do clima

A COP30 encerra-se com manifestações claras de renovado compromisso político e fortalecimento do multilateralismo climático. As decisões adotadas em Belém oferecem instrumentos concretos para intensificar a ação global, reforçam a centralidade da justiça climática e reafirmam a convicção de que somente por meio da cooperação internacional será possível assegurar um futuro seguro, resiliente e sustentável para as próximas gerações.

Fonte: cop30 pa gov br; foto: O Convergente.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 27 

COP 30 nº 6

Negociações apresentam resultados emblemáticos em meio a tensões geopolíticas sem precedentes

Conferência em Belém consolida avanços políticos e técnicos, projeta liderança brasileira e inaugura um mutirão global contra a mudança do clima

Em um momento amplamente reconhecido como o mais desafiador e frágil do ponto de vista geopolítico para o Acordo de Paris desde sua adoção, há uma década, a COP30 aprovou um pacote de decisões robusto que cumpriu seus três objetivos principais: (I) fortalecer o multilateralismo, (II) conectar o multilateralismo climático às pessoas e (III) acelerar a implementação do Acordo de Paris.

A COP30 equilibrou forças entre norte e sul, países desenvolvidos e em desenvolvimento, energia e natureza, tecnologia e pessoas, compromissos e implementação, mitigação e adaptação.

Na dimensão política, o Brasil liderou um debate global sem precedentes sobre o futuro dos combustíveis fósseis. Apesar da ausência de consenso, com mais de 80 países apoiando uma linguagem explícita e mais de 80 se opondo a ela, a Presidência brasileira anunciou, por iniciativa própria, processos para elaboração de duas iniciativas:

• Mapa do Caminho para a Transição dos Combustíveis Fósseis de maneira justa, ordenada e equitativa;
• Mapa do Caminho para interromper e reverter o desmatamento.

O Acordo de Paris foi fortalecido por meio de decisões sobre redução de emissões, adaptação a impactos climáticos e financiamento, tecnologia e capacitação para países em desenvolvimento. Essas decisões refletiram lacunas de ambição reveladas pelas NDCs [Contribuições Nacionalmente Determinadas] e a resposta ao agravamento da urgência climática.

As decisões formais ampliaram os direitos e a inclusão de mulheres, povos indígenas e comunidades afrodescendentes, além de reconhecer o papel fundamental de governos subnacionais na implementação de soluções climáticas. A COP30 na região amazônica elevou a conscientização global sobre a ligação entre natureza e clima,— com iniciativas como o TFFF [Fundo de Florestas Tropicais para Sempre] e o destaque para oceanos. (...)

Fonte: cop30 pa gov br; foto: Agência Pará.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 27 

COP 30 nº 5

Balanço da Agenda de Ação mostra avanços na coordenação das ações climáticas voluntárias para implementar Acordo de Paris

O balanço da Agenda de Ação da COP30 desta sexta-feira, 21/11, na Green Zone, teve como objetivo reconhecer o seu impacto e celebrar os avanços. No total, são 117 Planos de Aceleração de Soluções. A diretora da Agenda de Ação da COP30, Bruna Cerqueira, ressaltou que a mobilização se trata de uma estrutura global e multissetorial capaz de ampliar o efeito dos esforços nos últimos anos.

A Agenda de Ação é o pilar da conferência que mobiliza ações climáticas voluntárias da sociedade civil, empresas, investidores, cidades, estados e países para intensificar a redução das emissões, a adaptação às mudanças do clima e a transição para economias sustentáveis, de acordo com o Acordo de Paris. Desenvolvida para coordenar e acelerar iniciativas já existentes, a proposta da COP30 consolida uma década de mobilização iniciada na COP21.

A diretora destacou o fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), iniciativa global que integra investimentos públicos e privados para impulsionar estratégias de conservação e fortalecer parcerias internacionais na proteção dos ecossistemas tropicais mais vulneráveis. “O TFFF foi uma grande agenda voluntária, não é uma agenda negociada.  “O TFFF foi uma grande agenda voluntária, não é uma agenda negociada. Avançamos em relação ao mercado de carbono, aos biocombustíveis, com uma ampla declaração sobre combustíveis sustentáveis. Também em demarcações de terras indígenas”, lembrou Bruna. (...)

Fonte: cop30 pa gov br; foto: Seplad

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 27 

COP 30 nº 4 

Cúpula dos Povos encerra atividades em Belém com carta sobre clima entregue à ONU 

Documento reúne 15 propostas de organizações de 65 países; deputados acompanharam debates sobre justiça climática

A Cúpula dos Povos terminou no domingo (16), em Belém, com a entrega de uma carta aberta à Conferência da ONU sobre Mudança do Clima. Deputados acompanharam o evento e defenderam que as contribuições sejam levadas em conta nas decisões.

As 15 propostas apresentadas por 1,1 mil organizações da sociedade civil de 65 países incluem:

• fim da exploração de combustíveis fósseis;
• reparação de perdas e danos causados a populações afetadas por grandes projetos de energia e mineração;
• gestão popular das políticas climáticas nas cidades;
• demarcação de territórios de povos tradicionais;
• fomento à agroecologia.

A deputada Duda Salabert (PDT-MG), presidente da Subcomissão Especial da Comissão de Meio Ambiente da Câmara sobre a COP30, participou das atividades nos cinco dias do encontro, realizado na Universidade Federal do Pará (UFPA). “Aqui na Cúpula dos Povos há debate sobre justiça climática, com protagonismo de indígenas, mulheres e comunidades tradicionais. Estamos aqui para mostrar que a Amazônia é um território vivo”, disse. Segundo ela, o lobby dos combustíveis fósseis dificulta as negociações, e a diplomacia brasileira tem buscado avanços em temas como financiamento climático, adaptação e critérios para medir injustiças climáticas. 

A Cúpula dos Povos ocorre desde a Eco-92 e é considerada o principal evento paralelo das conferências climáticas. A edição deste ano teve 25 mil credenciados e promoveu a Marcha Global pelo Clima nas ruas de Belém. O "grito das ruas", segundo Salabert, pode influenciar as decisões, mas só se os governos escutarem "quem está do lado de fora" e não apenas "o lobby fóssil". "As ruas de Belém deixaram claro: a paciência acabou", afirmou a deputada, em suas redes sociais.

O deputado Nilto Tatto (PT-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, acompanhou a mobilização. “A participação da Cúpula dos Povos busca influenciar o debate global. A mobilização mostra que não é possível enfrentar a crise climática sem enfrentar a desigualdade.”

“A saída para o colapso climático está aqui nesses movimentos sociais, nesses povos – povos indígenas, povos quilombolas, povos ribeirinhos, povos das florestas e povos das cidades. E é preciso que a unidade desses movimentos e desses povos construa a terra como casa comum e consiga superar as contradições do capitalismo”, disse o deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ). O deputado Chico Alencar (Psol-RJ), coordenador do grupo de trabalho sobre educação ambiental da Frente Parlamentar Ambientalista, também participou das atividades. “Nossos biomas sofrem pressão econômica. Defendemos a luta por justiça climática e ambiental, com educação ambiental para mudar esse cenário.”

A carta final do evento associa a crise climática ao modelo de produção capitalista e critica a privatização, mercantilização e financeirização de bens comuns e serviços públicos. O presidente da COP30, embaixador André Correa do Lago, participou da solenidade de encerramento. “Precisamos ouvir a ciência e os povos”, declarou.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 27

COP 30 nº 3

Rumo a Cúpula dos Povos da COP 30 

Nós, movimentos sociais e sindicais, redes, organizações de representações de mulheres, povos indígenas e tradicionais, da Amazônia brasileira e de outros biomas brasileiros abaixo assinados, estivemos reunidos em Brasília, nos dias 31 de outubro e 01 de novembro, e decidimos construir um amplo processo autônomo da sociedade civil organizada.

A Cúpula dos Povos da COP 30 reunirá centenas de organizações da sociedade civil demandando uma agenda comum socioambiental e climática do governo brasileiro e do restante do mundo. Como próximos passos ampliaremos esse processo e será divulgado um calendário de lutas e atividades com vista a essa construção de unidade na diversidade. Reconhecemos os processos históricos existentes de construção da convergência popular na Pan-Amazônia e da solidariedade entre os povos do mundo frente aos impactos da crise climática e que os mesmos não chegam da mesma forma para todos.

Vivemos uma conjuntura de grandes desafios num contexto de crise ecológica, climática e civilizacional da atualidade. Frente ao avanço da extrema direita no mundo e contradições que ainda persistem entre outras vertentes políticas, o debate climático é especialmente crucial do ponto de vista da construção de lutas comuns e para o avanço no processo de interconexões entre os movimentos sociais, redes e alianças da sociedade civil.

Trabalharemos nos próximos dois anos para que essa Cúpula dos Povos dê seguimento aos processos históricos de lutas populares latino-americanos e para que a COP 30, que ocorrerá no Brasil em 2025, seja um marco para o enfrentamento da profunda desigualdade socioambiental e do racismo estrutural que vivemos e para o avanço de políticas comuns frente a crise climática.

Fonte: Observatório do Clima; foto: Chama Cultural.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 27

 COP 30 nº 2

“COP da verdade” começa com apelo por rapidez para conter aquecimento global

A abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP30, em Belém, foi marcada por um clima de otimismo, com a apresentação de novos planos nacionais nos últimos dias, elevando para 113 o número de países comprometidos com ações para reduzir o aquecimento global. Juntas, essas nações concentram 69% das emissões de gases nocivos na atmosfera.

Em uma análise preliminar a Comissão das Nações Unidas para a Mudança Climática (Unfccc), declarou que com essa atualização, as emissões de gases que causam o efeito estufa devem cair 12% até 2035.

Em outubro, apenas 64 países haviam entregado os planos, conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e a projeção de redução era de 10%.

O presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, destacou em seu discurso que “a mudança do clima não é ameaça para o futuro, mas sim uma tragédia do presente”, citando como exemplos recentes o furacão Melissa no Caribe e o tornado que atingiu o Estado brasileiro do Paraná, na semana passada. Lula destacou preocupação com o ritmo lento da ação climática e com a propagação de desinformação.

“A COP 30 será a COP da verdade. Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidencias da ciência, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam ódio, espalham medo, atacam as instituições, a ciência e as universidades. É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas. Sem o Acordo de Paris o mundo estaria fadado a um aquecimento catastrófico da quase 5°C até o fim do século. Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada. No ritmo atual ainda avançamos rumo a um aumento superior a 1,5°C na temperatura global. (...)

Fonte: ONU News

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 27

COP 30 nº 1

O que é a COP

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC ou UNFCCC, na sigla em inglês) criou a Conferência das Partes (COP) como órgão responsável por tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos pelos países no combate à mudança do clima. A COP é composta por todos os países que assinaram e ratificaram a Convenção. Atualmente, 198 países participam da UNFCCC, o que faz dela um dos maiores órgãos multilaterais do sistema das Nações Unidas (ONU).

A COP é assessorada por um Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) e outro de Aconselhamento Científico e Tecnológico (SBSTA). Além disso, a COP também atua como Reunião das Partes no Protocolo de Quioto (CMP, na sigla em inglês) e no Acordo de Paris (CMA, na sigla em inglês).

O que é conhecido como “COP” são as cúpulas anuais de mudança do clima, que normalmente acontecem em novembro ou dezembro. Nesse contexto, reúnem-se não apenas a COP, mas também a CMP, a CMA, o SBI e o SBSTA.

Fonte: COP30 Brasil: foto; ONU 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


COP30: Pré-COP em Brasília define avanços para Belém

Reunião preparatória termina com avanços na Agenda de Ação, articulada pela Presidência da COP30 e pelo campeão do clima Dan Ioschpe.

Fotos: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR

O caminho para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP30) está sendo pavimentado, e Brasília foi o palco do mais recente e crucial passo dessa jornada. Terminou nesta terça-feira (14) a reunião preparatória para o evento que colocará Belém do Pará no centro do mundo em novembro de 2025. O encontro na capital federal reuniu diplomatas, negociadores e especialistas de 67 países e terminou com um saldo positivo: a apresentação de avanços significativos na Agenda de Ação, um dos pilares para o sucesso da conferência.

Mas, afinal, o que é essa tal de Agenda de Ação? Em meio a tantos termos técnicos que cercam as negociações climáticas, é fácil se perder. Pense na Agenda de Ação como a ponte entre o discurso e a prática. Enquanto os diplomatas e representantes dos governos negociam os acordos oficiais – as metas que os países devem seguir –, a Agenda de Ação mobiliza a sociedade civil, empresas, investidores, cidades e estados para que também mostrem seus compromissos voluntários e ações concretas no combate à crise climática. É a hora em que o "mundo real" entra em campo.

A articulação desse pilar fundamental está nas mãos da Presidência brasileira da COP30 e de Dan Ioschpe, nomeado pelo governo brasileiro como representante de Alto Nível para os assuntos do Clima. O papel de Ioschpe, um empresário com vasta experiência no setor industrial, é justamente engajar esses "atores não-estatais" e garantir que suas iniciativas sejam ambiciosas, transparentes e, principalmente, que saiam do papel. Durante a Pré-COP30 em Brasília, um panorama do que já foi consolidado e as estratégias para catalisar ainda mais projetos foram apresentados.

O principal resultado do encontro foi a construção de "pré-consensos" entre os negociadores. Segundo o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, esses acordos prévios sobre pontos-chave das negociações são essenciais para otimizar o tempo e focar nos temas mais espinhosos quando todos estiverem em Belém. A ideia é chegar à capital paraense com parte do dever de casa feito, evitando que a conferência se transforme em um campo de batalhas intransponíveis e se concentre na busca por soluções. (...)

Fonte: Agência GOV e Portal Belém.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Alesc debate uso e acesso a medicamentos à base de cannabis em SC

A Santa Cannabis, uma associação dedicada ao acesso à cannabis medicinal, tem participado ativamente de debates e audiências públicas na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) para promover a regulamentação e o uso de tratamentos à base de cannabis no estado.

O uso medicinal da cannabis como alternativa para o tratamento de doenças crônicas e neurológicas foi debatido em Audiência Pública da Assembleia Legislativa na segunda-feira (25). O ponto central da discussão foi a regulamentação da Lei Estadual 19.136, aprovada pela Alesc em novembro de 2024, que determina a distribuição gratuita de medicamentos à base de cannabis pelo SUS em Santa Catarina.

Durante a Audiência discursaram: - deputada Paulinha (Podemos), proponente da audiência pública e autora da Lei 19.136/2024; - deputado Padre Pedro Baldissera (PT); - deputado Marcos José de Abreu (PSOL); - Diego Demarchi, secretario de Estado da Saúde; representantes da UFSC, de Associações de Produtores e de usuários do óleo de cannabis.

Fonte: Agência Alesc; foto: Notícias da UFSC.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Conferência dos Oceanos da ONU termina, na França, com série de compromissos

© Taryn Schulz
Coorganizada pela França e pela Costa Rica, a Conferência dos Oceanos reuniu 15 mil participantes, incluindo mais de 60 Chefes de Estado e de Governo, na costa mediterrânea da França, em Nice. Declaração foi adotada por consenso por mais de 170 países que assumiram executar ações urgentes para proteção dos mares; evento reuniu mais de 15 mil pessoas em frente ao Mediterrâneo incluído 60 chefes de Estado e de Governo.

Navios no porto de Nice soaram suas sirenes de nevoeiro, na sexta-feira, num crescendo estridente para um raro momento de unidade global: a adoção, por consenso, da declaração política gerada pela Terceira Conferência dos Oceanos das Nações Unidas. Mais de 170 países adotaram o documento prometendo ações urgentes para proteger o oceano. "Encerramos esta semana histórica não apenas com esperança, mas com um compromisso concreto, uma direção clara e um impulso inegável", disse Li Junhua, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais.

Coorganizado pela França e pela Costa Rica, o evento contou com 15 mil participantes incluindo mais de 60 Chefes de Estado e de Governo, na costa mediterrânea da França. Com mais de 450 eventos paralelos e quase 100 mil visitantes, o encontro, denominado UnoC3, aproveitou a dinâmica das cúpulas anteriores, em Nova York, 2017 e Lisboa, 2022. A reunião fez um apelo comum para expandir a proteção marinha, reduzir a poluição, regular o alto-mar e liberar financiamento para nações costeiras e insulares vulneráveis.

O resultado da conferência, conhecido como Plano de Ação para o Oceano de Nice, é um quadro de duas partes que compreende uma declaração política e mais de 800 compromissos voluntários de governos, cientistas, agências da ONU e sociedade civil desde a conferência anterior. "Estes compromissos vão desde a defesa por parte dos jovens até a alfabetização em ecossistemas de águas profundas, capacitação em ciência e inovação e compromissos para ratificar tratados intergovernamentais".

Os compromissos revelados esta semana refletem a amplitude da crise oceânica. A Comissão Europeia anunciou um investimento de € 1 bilhão para apoiar a conservação dos oceanos, a ciência e a pesca sustentável, enquanto a Polinésia Francesa se comprometeu a criar a maior área marinha protegida do mundo, abrangendo toda a sua zona econômica exclusiva, cerca de 5 milhões km2. (...)

Fonte: Fabrice Robinet, ONU News

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Fórum de Finanças Climáticas discute bioeconomia

As discussões foram sobre assuntos das negociações da COP30

O último dia do II Fórum de Finanças Climáticas foi marcado por discussões sobre os principais assuntos das negociações da COP30, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, para discutir e negociar ações sobre as mudanças climáticas.

Um dos tópicos abordados durante o evento foi o painel: “Destravando Investimentos Privados para a Bioeconomia, Restauração e Agricultura Regenerativa: o Caminho até a COP30”, que discutiu estratégias para criar negócios que gerem cada vez menos impacto ambiental.

A diretora para Políticas Públicas e Relações Governamentais na The Nature Conservancy do Brasil, uma organização global de conservação ambiental, Karen Oliveira, defendeu que as iniciativas de fomento ao desenvolvimento de comunidades do campo e da floresta considerem estimativas que levem em conta perdas e vulnerabilidades. (...)

O diretor-geral de Assuntos Ambientais, Sociais e Governança do BID Invest, braço de investimentos do Banco Mundial, Gabriel Azevedo, avaliou o potencial de impactos positivos que projetos de recuperação florestal podem ter nos biomas brasileiros: “Estamos diante de uma agenda que, embora difícil e complexa, nós conseguimos realizá-la. Nós podemos ter um impacto sistêmico e transformador, não só na região amazônica, como também em outras regiões.”

A COP30 será realizada em Belém, no Pará, em novembro. A expectativa é colocar em pauta assuntos como transição energética, adaptação às mudanças climáticas e soluções conjuntas para a crise climática mundial.

Fonte: Agência Brasil

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


II Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza 

O II Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza , que será realizado nos dias 26 e 27 de maio , no Rio de Janeiro, tem como objetivo fomentar uma reflexão estratégica sobre o papel da arquitetura financeira global na promoção de um desenvolvimento econômico que seja justo, inclusivo e incluído aos compromissos climáticos, de preservação da natureza e de prosperidade. Num cenário em que já não é mais possível dissociar o crescimento econômico das urgências climáticas e ambientais, o Fórum se propõe a ser um espaço internacional de diálogo e colaboração.

A programação do II Fórum explorará caminhos para mobilizar recursos financeiros em escala, impulsionando a transição energética, a conservação de florestas, a segurança alimentar e outras frentes essenciais para uma economia mais positiva para as pessoas, os negócios e a natureza. O evento também apresentará alternativas inovadoras para inovação em políticas públicas e práticas empresariais sustentáveis, fortalecendo a capacidade dos países de retenção de investimentos em soluções tecnológicas que promovam inclusão, geração de renda e redução de desigualdades. (...)

Fonte: FFCN - Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Conclusões da 5ªConferência Nacional do Meio Ambiente

Propostas para uma transição ecológica

As propostas estão distribuídas em cinco eixos temáticos: Mitigação, Adaptação e Preparação para Desastres, Justiça Climática, Transformação Ecológica e Governança e Educação Ambiental, sendo 20 propostas para cada um deles.

Entre as propostas, está o fomento à agricultura sustentável e regenerativa em todo o país, priorizando a agricultura familiar e a regularização fundiária, por meio de sistemas agroflorestais, a implementação e ampliação de áreas verdes, bem como a diversificação dos modais de transporte, sobretudo para o transporte de cargas e na mobilidade urbana.

O documento destaca a necessidade de fortalecer em nível nacional o sistema integrado de gestão de resíduos sólidos e a implementação da coleta seletiva inclusiva em todo território nacional, além da destinação adequada para aterros com incentivo de produção de biogás. Também consta entre as propostas, a regulamentação e o fomento à pesquisa e o uso sustentável da cannabis para fins terapêuticos, nutricionais e industriais, promovendo a economia regenerativa e a conservação da agrobiodiversidade.

Em relação às queimadas, o texto defende o combate por meio da conscientização da população, da criação de projetos de queimadas zero e legislação que restrinja o uso do fogo nas práticas agrícolas. E sobre a agricultura, além da defesa de sistemas agroalimentares resilientes às mudanças climáticas, o documento defende a reforma agrária popular, com foco no cooperativismo, soberania alimentar, resiliência climática e geração de renda, reduzindo o desmatamento e uso de agrotóxicos. Ainda sobre esse aspecto, a declaração final propõe a construção de territórios livres de agrotóxicos, com assistência técnica e extensão rural, melhoria da qualidade de vida e o bem viver, reduzindo o êxodo rural e promovendo a diversidade produtiva nas comunidades. O documento final constando todas as proposições está disponível no site do Ministério do Meio ambiente.

Fonte: Agência Brasil; foto: Portal Gov.br 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Resultados da 5ª Conferência Nacional de Meio Ambiente

Ministra Marina Silva destacou a importância da participação social no enfrentamento da emergência climática

A 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA) foi encerrada nesta sexta-feira (9) em Brasília (DF), com a divulgação das 100 propostas eleitas como prioritárias para o enfrentamento da emergência climática no Brasil. Entre elas, estão a priorização à agricultura familiar e à regularização fundiária e iniciativas de queimadas zero. A atividade reuniu mais de 1.500 delegados de todo o país, eleitos nas conferências estaduais e municipais que ocorreram previamente à etapa nacional.

A ministra Marina Silva participou da atividade de encerramento. “Se a gente quer justiça climática, a gente precisa combater a desigualdade, porque as pessoas mais afetadas pela insegurança climática são as pessoas mais vulnerabilizadas”, disse. “Foi uma conferência bastante intensa, mas dava para ver a felicidade das pessoas, depois de tanto tempo, uma demanda reprimida de 11 anos por participação social, as pessoas vêm com vontade de dizer e, sobretudo, de fazer e que seja feito”, avaliou a ministra.

Marina comentou as recentes pesquisas científicas que alertam para a urgência de medidas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, limitando o aumento da temperatura do planeta a 1,5 º C . “Nós estamos aqui para fazer o dever de casa. Quanto mais grave é o diagnóstico, mais significa que a gente tem que tomar as medidas na quantidade e no tempo certos.”

A ministra acrescentou que a responsabilidade sobre essa meta está nas mãos dos países mais desenvolvidos. “Nós sabemos que 80% das emissões são feitas pelos 20 países do G20. Também, 80% dos recursos financeiros e tecnológicos estão nas mãos desses países. Se esses países tomarem uma decisão de fazerem o dever de casa, a gente consegue um processo de aceleração e reversão. Mas para isso é preciso financiamento climático, e implantar aquilo que já foi decidido.”

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve na cerimônia de encerramento e destacou a importância da participação social na formulação de políticas públicas. “Uma das bandeiras do presidente Lula tem sido a retomada do fortalecimento da participação social nos processos de construção e implementação de políticas públicas. Hoje, as conferências nacionais posicionam a sociedade civil no coração pulsante da construção do que queremos para o nosso país”, disse.

Fonte: Agência Brasil

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Começa nesta terça-feira (6/5) a 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, em Brasília

A 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente começa nesta terça-feira (6), em Brasília, para debater com a população políticas públicas ambientais e de enfrentamento às mudanças climáticas. O espaço de diálogo social é retomado após quase 12 anos da última edição, realizada em 2013.

Com o tema Emergência Climática e o Desafio da Transformação Ecológica, a conferência foi organizada em cinco eixos: Mitigação; Adaptação e Preparação para Desastres; Justiça Climática; Transformação Ecológica; e Governança e Educação Ambiental. Até o dia 9 de maio, grupos organizados em cada eixo debaterão as propostas resultantes dos encontros preliminares, organizados com o apoio da plataforma Brasil Participativo. As etapas que antecederam a conferência tiveram a participação de 2.570 municípios, em 439 conferências municipais, 179 intermunicipais e 287 conferências livres.

Ao todo, 100 propostas serão usadas como base para políticas públicas como a atualização da Política Nacional sobre Mudança do Clima e a construção do Plano Clima. A abertura oficial será às 19 horas, no Centro Internacional de Convenções do Brasil. Na quarta-feira (7), a programação terá continuidade com uma aula magna que antecederá a abertura da apresentação do caderno de propostas a serem debatidas nos grupos. Na quinta-feira ocorrerão as plenárias por eixo temático no período da manhã e, pela tarde, inicia a plenária geral. A apresentação da priorização das propostas e o encerramento da conferência serão na sexta-feira (9), pela manhã. (...)

Fonte: Agência Gov | Via Brasil Participativo

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


21 de abril de 2025

5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente

Como enfrentamos a emergência climática?

UEMA | Uema compõe a delegação maranhense na 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente

O ano de 2023 foi o mais quente da história, e o aumento da temperatura do planeta foi percebido de norte a sul do País na forma de ondas de calor, inundações e secas. Eventos extremos cada vez mais intensos e frequentes são manifestações do aquecimento global. Temos pouco tempo para deter o agravamento da crise climática e garantir uma transição rápida e justa para um modelo de desenvolvimento de baixa emissão de gases de efeito estufa e resiliente às mudanças do clima.

A emergência climática e o desafio da transformação ecológica são os temas desta 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente. As rodadas de conversas em todo o País vão até maio de 2025, com um convite ao debate das melhores escolhas num momento tão desafiador da história, tanto para reduzir as emissões como para nos adaptarmos aos efeitos já visíveis do aquecimento global. Essas escolhas envolvem desde hábitos de consumo da população, com menor geração e melhor destinação de resíduos, até o destino das florestas e dos oceanos, que armazenam uma parcela dos gases causadores do efeito estufa e estão sob ameaça crescente.

(...) Cientistas já não têm dúvidas: o aumento da temperatura do planeta decorre da concentração crescente de gás carbônico e dos demais gases de efeito estufa na atmosfera desde meados do século 19. É, portanto, resultado da ação dos seres humanos. Mundialmente, a queima de combustíveis fósseis é responsável pela maior parcela desses gases. Aqui no Brasil, o principal responsável pelo aquecimento global é o desmatamento, seguido por emissões da agricultura e da pecuária, sobretudo pelo processo digestivo do gado, que lança metano na atmosfera, e dos fertilizantes nitrogenados. Em terceiro lugar, aparecem as emissões no setor de energia, pela queima de combustíveis fósseis nos transportes e na indústria. (...)

Diante dos impactos já notáveis das mudanças climáticas, é preciso encontrar as melhores soluções para cada região do País, cada município, para os diferentes setores da economia, levando em conta que os impactos atingirão a população brasileira de forma desigual.

Esta 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente é uma oportunidade de o país discutir a emergência climática e ouvir a população sobre alternativas disponíveis, quando novas políticas estão sendo definidas no Brasil, alinhadas com objetivos globais. Ainda neste ano, o País terá um novo Plano Clima, com estratégias nacionais de mitigação e adaptação e mais de duas dezenas de planos setoriais.

Fonte: Gov.Br; foto: Uema

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 6   

Podemos transformar em mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas

Não será através de um reflorestamento geral de uma paisagem, há muito tempo cultivada, que se poderá fomentar a preservação ou a ampliação de uma paisagem de regeneração.

O que mais importa, nessas tradicionais zonas de cultivo, é realizar florestamento limitado, para conservar, por exemplo, os vales relvados dos maciços centrais e os pastos no alto das serras.

Mesmo assim, ainda fica a possibilidade de se transformar numa mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas que se encontram à disposição.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, páginas 174 e 175; foto: Diário do Nordeste.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 5   

É preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente

Deve-se encarar a paisagem de regeneração como uma nova forma de exploração do solo, que respeita não só a preservação da natureza, mas que também deve servir ao fomento do turismo. Para que seja garantida a preservação ou a regeneração desta paisagem, é preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente.

Enquanto que nos casos da paisagem da civilização e da de produção agrícola, a ação é dominada pela mentalidade econômica, na paisagem de regeneração é a ecologia que deve ocupar o primeiro plano. É a mentalidade biológica que aqui está a serviço da paisagem considerada globalmente, não importando a rentabilidade que possa ser proporcionada por uma área delimitada. Nos países industrializados, a paisagem de regeneração não mais deve ceder terreno aos outros dois tipos de paisagem.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, página 174; foto: Cesan.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 4   

É possível criar liames estreitos entre a paisagem de regeneração e os interesses da silvicultura e da defesa ecológica

Se, pois, a paisagem da civilização e a paisagem da produção agrícola quase não concedem possibilidades de regeneração ao solo, elevada significação ganha a terceira forma típica, que é a "paisagem de regeneração". O que houver de essencial, com relação à defesa ecológica, no sentido de alcançar a regeneração geral de uma paisagem, situa-se, em última análise, neste tipo de paisagem.

Encontra-se a paisagem de regeneração nos lugares em que as grandes concentrações urbanas e industriais não entram em cogitação por motivos geográficos, bem como onde a qualidade do solo não permite uma intensificação das atividades agrícolas. Este tipo de paisagem, que antigamente carregava também o símbolo da presença das chamadas terras improdutivas, transformou-se hoje [1973], sob o signo das ameaças representadas pela poluição ambiental, num sinal positivo.

Uma chance de sobrevivência, só existirá se esse terceiro tipo de paisagem for utilizado conscientemente como centro de regeneração. Dentro desta perspectiva, é possível criar liames bastante estreitos entre a paisagem de regeneração e os interesses da silvicultura e da defesa ecológica.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 173 e 174; foto: Diário do Nordeste.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 – nº 3   

A estrutura agrícola de hoje tem por objetivo maximizar sua produção

O segundo tipo [de estrutura paisagística] é representado pela "paisagem de produção agrícola", que hoje tem por objetivo maximizar sua produção por meio de ampla mecanização das empresas de produção agrícola. A paisagem de civilização, devido à sua concentração humana, só pode suprir sua demanda alimentar quando está presente a de produção agrícola.

Embora, nesta, os danos causados à paisagem primitiva local não sejam tão elevados como os ocasionados pela da civilização, continuam a predominar, com vistas à economia da natureza, os sinais negativos. Desmatamentos, monoculturas, o perigo das erosões, a regulagem dos cursos de água, a drenagem e o emprego excessivo de fertilizantes caracterizam este tipo de paisagem.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, página 173; foto: Geo Agri.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 - nº 2  

A paisagem de civilização fomenta a alteração do equilíbrio biológico

A alteração do equilíbrio ecológico (...) receberá um ponto final no dia em que se conseguir manter em sua forma original ou fazer retornar a ela as unidades paisagísticas hoje ameaçadas de extinção. (...) A evolução previsível [das terras improdutivas] conduz, mais ou menos, à formação característica de três tipos diferentes de formas ou estruturas paisagísticas [paisagem de civilização, paisagem de produção agrícola e paisagem de regeneração].

O primeiro tipo, a que se pode dar o nome de "paisagem de civilização", é assinalado pela concentração de pessoas, povoações e distritos industriais. A paisagem de civilização, por estar peculiarmente condicionada à economia, fomenta a alteração do equilíbrio biológico, representando assim um sinal negativo para a economia da natureza. É por isso que, com respeito a esse tipo de paisagem, deve-se prestar especial atenção ao cultivo de áreas verdes e ao plantio de árvores em geral. Essa paisagem não produz qualquer efeito regenerativo sobre a economia primitiva da natureza local.

Fonte: Hans Liebmann, Terra - um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 172 e 173; foto: Rádio Maringá.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Mensagem à COP 30 - nº 1 

A sobrevivência de uma humanidade sadia custa dinheiro, muito dinheiro

O problema principal da defesa ecológica é que, em se tratando do nosso meio ambiente, cada indivíduo deve se conscientizar de que tem de modificar, a esse respeito, seus conceitos e sua mentalidade. Quanto a isso, é preciso que se diga claramente que a sobrevivência de uma humanidade sadia custa dinheiro, muito dinheiro.  Cada membro de uma sociedade que se baseia no bem-estar social deverá estar disposto, para que isso se concretize, a grandes sacrifícios.

Muitas das coisas que hoje deixamos de fazer, no sentido de uma estruturação do meio ambiente, não poderão ser recuperadas amanhã, pois terão de ser consideradas como irremediavelmente perdidas.

Pode-se afirmar, com certeza, que o dinheiro que "hoje" se colocar à disposição da preservação do meio ambiente será menor do que o montante que se exigirá dentro de poucos anos. Se não se levar em consideração as exigências atuais da defesa ecológica, a soma a ser despendida crescerá dia a dia.

Fonte: Hans Liebmann, Terra - um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, páginas 153 e 154; foto: Portal Gov.br.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


COP29 termina com desacordos sobre o apoio financeiro para os países mais vulneráveis às mudanças climáticas

Um rascunho do acordo da COP29, a conferência climática das Nações Unidas que está sendo realizada em Baku (Azerbaijão), foi divulgado na manhã desta sexta-feira (22). O texto, porém, não agradou os países mais pobres, pois sugeriu um financiamento de US$ 250 bilhões anuais dos países ricos.

A cifra é bem menor do que esperado, pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano (aproximadamente R$ 7,55 trilhões, considerando a cotação atual), um dos pontos mais debatidos da cúpula. (...)

Fonte: G1



Consenso inédito na COP29 estabelece bases sobre mercado de carbono global
Mecanismo será administrado pela ONU e prevê a redução do custo de implementação dos planos climáticos nacionais em US$ 250 bilhões ao ano.

Representantes dos países reunidos no primeiro dia da COP29, em Baku, no Azerbaijão, chegaram a consenso sobre algumas das regras gerais que deverão orientar o mercado de carbono global e a criação de créditos de carbono no âmbito do Acordo de Paris (Artigo 6). A Cúpula, que reúne aproximadamente 70 mil delegados, é o principal fórum internacional para negociações climáticas e acontece até 22 de novembro.

A decisão permite que o mecanismo de mercado administrado pela Organização das Nações Unidas possa começar a detalhar os tipos de projetos e atividades que poderão gerar créditos de carbono. Segundo a presidência da COP29, o uso da ferramenta deve reduzir o custo de implementação dos planos climáticos nacionais em US$ 250 bilhões ao ano, ao estimular a cooperação entre países. Isso incentivará maior ação climática ao aumentar a demanda por créditos de carbono e garantir que o mercado internacional opere com integridade sob a supervisão da ONU. (...)

Fonte: Gov.br; foto: Ecoamazônia.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


COP 29
O documento brasileiro reassume a meta de neutralidade climática até 2050

O Brasil foi o segundo país a apresentar a terceira geração da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC na sigla em inglês), que define a redução de emissões de gases do efeito estufa de 59% até 67%, em 2035. O plano, que já havia sido apresentado no Brasil, foi oficialmente entregue ao secretário-executivo do clima das Nações Unidas, Simon Stiell, na 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29), em Baku, no Azerbaijão.

“O Brasil sai de um modelo negacionista, para a liderança e protagonismo no combate às mudanças climáticas. O presidente Lula tem total compromisso em o Brasil ser o exemplo de grande protagonista”, afirmou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

O documento entregue reassume a meta de neutralidade climática até 2050 e traz na sua apresentação “uma visão de um país que reconhece a crise climática, assume a urgência da construção de resiliência e desenha um roteiro para um futuro de baixo carbono para sua sociedade, sua economia e seus ecossistemas”.

Além de reunir um resumo de políticas públicas que se somam para viabilizar as metas propostas na NDC, como o, o Plano de Transformação  Ecológica documento também detalha por setor da economia brasileira, as ações que vêm sendo implementadas no país para que as emissões de gases do efeito estufa sejam mitigadas. (...)

De acordo com o documento, a nova ambição brasileira para emissões considera as diretrizes estabelecidas no Plano Clima, que é resultado de um processo de consulta da sociedade, setor privado, academia, estados e municípios.

Fonte: Agência Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Presidente da COP29 diz que 'mundo está a caminho da ruína'

Conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) começou nesta segunda-feira (11).

"Estamos a caminho da ruína. E não se trata de problemas futuros. A mudança climática já está aqui. Precisamos muito mais de todos vocês. A COP29 é um momento da verdade para o Acordo de Paris", disse Babaiev

A grande discussão neste ano é quem vai financiar o combate e a adaptação à crise climática. Em 2009, na COP15 de Copenhague, um acordo estabeleceu que os países industrializados concederiam 100 bilhões de dólares por ano, em ajuda direta ou empréstimos multilaterais. No entanto, o fundo não está funcionando e cientistas dizem que esses bilhões prometidos não são mais suficientes. Especialistas afirmam que é necessária uma quantia pelo menos 10 vezes superior.

O secretário executivo da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, Simon Stiell, lembrou que o financiamento da luta climática não é "caridade, e sim do interesse de todos, incluindo as nações mais ricas e maiores". Stiell defendeu uma reforma no sistema financeiro global e a transformação da cadeia produtiva com investimento na energia verde.

Havia uma expectativa de que os Estados Unidos pudessem encabeçar esse movimento. Mas agora, com a eleição de Donald Trump, o cenário não é muito animador. O republicano já deixou claro que a agenda climática não é prioridade na gestão dele e que vai investir pesado no petróleo.  No mandato anterior, ele tirou o país do Acordo de Paris e prometeu o mesmo movimento na nova gestão.

Fonte: G1

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Acordo de proteção à biodiversidade marinha é firmado na COP 16, na Colômbia

Tratado estabelece fundo de R$ 1,15 trilhão à conservação de recursos naturais até 2030

O primeiro grande acordo da COP 16, Conferência da ONU para a Biodiversidade, foi firmado nesta quarta-feira (30), em Cali, na Colômbia. O tratado estabelece um fundo de R$ 1,15 trilhão para a conservação e identificação de áreas marinhas até 2030. As pesquisas serão financiadas pela Alemanha, Bélgica, Canadá, Noruega e Suécia.

Apesar do acordo firmado da COP 16, o tema já estava em discussão há alguns anos. O tratado representa um avanço no que diz respeito à preservação da biodiversidade marinha e é considerado o primeiro passo para atingir as metas do Marco Global Kunming-Montreal, adotado na COP 15. O marco, firmado no Canadá em 2022, determina 23 objetivos para a biodiversidade global.

Com o trato da COP 16, pesquisadores de várias partes do planeta vão determinar as prioridades dentro dos parâmetros da diversidade biológica, garantindo a transparência na escolha das áreas. O grupo também contará com a participação de comunidades indígenas, mulheres e jovens envolvidos em projetos de conservação.
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A COP 16 foi realizada de 21 de outubro a 1º de novembro. O objetivo da reunião, que acontece a cada 2 anos, é debater medidas de preservação ao meio ambiente

Fonte: Náutica; foto: joaquincorbalan / Envato

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Pacto Global da ONU alerta que crise climática tem impacto maior nas comunidades mais vulneráveis


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Terminou nesta sexta-feira (20), em Nova York, a reunião anual do Pacto Global nas Nações Unidas. A iniciativa tem o apoio da Globo e estimula empresas, governos e sociedade civil a trabalharem pelo desenvolvimento sustentável e inclusivo no planeta.

O ano de 2024 não deixa dúvida: a crise climática impacta o mundo todo. Mas também ficou evidente que as comunidades mais vulneráveis são as mais atingidas. Esse foi um dos temas do Pacto Global, o maior evento de sustentabilidade corporativa do mundo. Em dois dias, ele reuniu centenas de pessoas na sede das Nações Unidas, em Nova York.

O primeiro painel do evento foi sobre as ameaças das mudanças climáticas para a saúde.

“Ela vai impactar a saúde, seja por eventos agudos como a gente teve no Brasil. O deslizamento de terra das chuvas no litoral norte, como foi o Rio Grande do Sul, e ao mesmo tempo passa um mês, nós temos uma onda de calor gigantesca com queimadas que estão cobrindo 60% do território brasileiro, com pessoas inalando partículas dentro da fumaça”, diz Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Albert Einstein.

Há décadas, a ONU estimula os debates para os países reconhecerem os riscos das mudanças climáticas. Mas sustentabilidade vai além da redução de emissões de carbono e do combate ao desmatamento. Temas sociais como igualdade salarial entre homens e mulheres, dignidade no trabalho e igualdade racial também fazem parte desse debate.

“O racismo ambiental, que eu mesmo trabalhando com a luta antirracista há tanto tempo, ainda não tinha mapeado. A gente chama de desigualdade, de falta de acesso a direitos, mas isso muitas vezes se expressa em uma cor. E esses dados estão aí", diz o autor e ator Lázaro Ramos.

As empresas que participam do Pacto Global se comprometem a fazer as mudanças necessárias para cumprir as metas de melhorias nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Já são 21 mil empresas em 160 países – 2 mil só no Brasil.

Fonte: G1, Jornal Nacional, 20 de setembro de 2024; foto: TRT4 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Plano de Transformação Ecológica do Brasil é lançado na COP 28

Ministro Fernando Haddad apresenta projeto de economia verde tendo Brasil como protagonista de uma globalização sustentável e inclusiva

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, divulgou o lançamento do Plano de Transformação Ecológica, na sexta-feira (1º/12), durante a 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP), realizada em Dubai, nos Emirados Árabes. De acordo com o ministro, quase uma centena de iniciativas relacionadas ao Plano serão apresentadas até a COP 30, cuja sede será em Belém (PA).

O Plano é um novo instrumento de engajamento diplomático que reposiciona o Brasil no sistema internacional e questiona paradigmas de desenvolvimento ao vislumbrar um novo papel para o Sul Global no mundo contemporâneo. Trata-se de uma proposta que apresenta a região como centro da economia verde ao defender uma globalização ambientalmente sustentável e socialmente inclusiva.

Em seu discurso, proferido no mesmo dia em que o Brasil passa a presidir o G20, Haddad disse que os primeiros estudos da iniciativa privada indicam que a transformação ecológica poderia gerar de 7,5 a 10 milhões de empregos em todos os setores - com enfoque no segmento de bioeconomia, agricultura e infraestrutura -, e oportunidades de geração de renda. (...)

Fonte: agência gov.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


COP 28: Petroleiras firmam acordo para reduzir emissões de gás

Cinquenta das maiores empresas petrolíferas do mundo anunciaram, neste sábado (2), a adesão a um pacto para a redução das emissões de suas operações, incluindo a Petrobras e gigantes como ExxonMobil, dos Estados Unidos, e Aramco, da Arábia Saudita.

No total, as empresas signatárias são responsáveis por 40% da produção mundial, de acordo com o comunicado oficial da COP28. Dessas companhias, mais da metade são estatais.

A Carta de Descarbonização do Petróleo e do Gás foi celebrada pelo presidente da COP28, Sultan Al Jaber, como “um grande primeiro passo”.  O documento prevê "operações neutras em termos de carbono" até 2050, a acabar com a queima de gás até 2030 e a reduzir as emissões de metano para quase zero.

"Se quisermos acelerar os avanços em toda a agenda climática, temos de reconhecer a responsabilidade de todos pela ação climática. Todos temos de nos concentrar na redução das emissões e aplicar uma visão positiva para impulsionar a ação climática e levar todos a agir”, disse Al Jaber.

O pacto prevê ainda o investimento em energias renováveis, "combustíveis com baixo teor de carbono" e "tecnologias de emissões negativas". (...)

Fonte: Folha de Pernambuco.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


O que você precisa saber sobre a COP 28

O que é que a COP 28?
É a 28a Conferência das Partes (ou “COP”) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), que é o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pelo clima. Na Conferência também se realizará a 28ª Reunião das Partes do Protocolo de Quioto.

A COP reúne as 198 “partes”, ou seja, os 197 países e a União Europeia que assinaram a Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. Este tratado é uma das três convenções do Rio de Janeiro adotadas na Cúpula da Terra, a Rio-92.

Onde e quando se realizará a COP28?
As reuniões são realizadas anualmente em uma cidade diferente, desde 1995 (exceto a COP26, que foi adiada em um ano devido à pandemia de covid-19). Este ano, a COP28 acontece de 30 de novembro e 12 de dezembro em Dubai, nos Emirados Árabes. A participação de milhares de delegados de todo o mundo também serve para celebrar, simultaneamente, a conferência das partes do Protocolo de Kyoto e a das 195 partes do Acordo de Paris de 2015.

Quem irá participar na conferência?
No final da conferência deverão ter passado por Dubai cerca de 50 mil participantes: delegados em representação dos países, observadores, membros da sociedade civil e jornalistas. 20 mil pessoas terão acreditação que dá acesso à conferência, enquanto que as restantes poderão participar em debates, visitar exposições e visionar filmes numa área dedicada à sociedade civil que será construída perto do centro de conferências.

O Brasil terá neste ano a maior comitiva já enviada a uma Conferência das Partes. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, 2,4 mil brasileiros se inscreveram para participar da cúpula em Dubai, dos quais, cerca de 400 são do governo. (...)

O que será discutido?
A COP reúne-se todos os anos para tomar decisões relativas à implementação da Convenção-Quadro e para combater as alterações climáticas. Estarão em debate os impasses a respeito das metas de redução de emissão de gases do efeito estufa e das políticas de compensação aos países mais pobres e atingidos pelas mudanças climáticas. (...)

Fonte: SEMA (Sec. do Meio Ambiente e Mudanças do Clima do Gov. do Estado do Ceará); foto: MundoCoop.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


As perdas e danos da COP 27

A COP 27, realizada em Sharm El Sheikh, no Egito, entrará para a história por ter finalmente posto na pauta das negociações o tema do financiamento de perdas e danos, um dos mais complexos previstos no Acordo de Paris; mas também pelo alto custo que pagou por esse avanço.

O mecanismo de perdas e danos do Acordo de Paris prevê que países que sofram danos humanos e materiais em decorrência das causas adversas do aquecimento global poderão ser compensados ou indenizados pelos países que causaram a alteração climática.

A complexidade do tema inicia-se na dificuldade de se estabelecer categoricamente o nexo causal entre determinados eventos climáticos extremos ou mudanças climáticas permanentes à emissão de gases de efeito estufa; mas passa também pelo fato de que os países desenvolvidos evitam se submeter a regras por meio das quais possam ser penalizados e condenados a indenizar.

A grande emissão de gases de efeito estufa por países ricos durante a revolução industrial se deu num contexto em que a prosperidade econômica era paga com sangue e enormes impactos ambientais nos países colonizados, em especial na África e na América Latina. Este processo de expropriação de recursos naturais e de queima de combustíveis fósseis, relegou os países que foram colonizados imediatamente ao subdesenvolvimento e tornou-os ainda mais vulneráveis às mudanças climáticas contemporâneas. (...)

Fonte: André Castro Santos, G1

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Calendário ecológico

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Nesta página apresento as datas comemorativas do meio ambiente, mas também datas de lutas ecológicas e sociais. Em algumas datas apresento informações sobre sua declaração ou sobre seu significado ecológico e ou social.

Datas de Comemorações e de Ações Ecológicas

1. Janeiro


 

Dia Mundial da Paz

 

O Dia Mundial da Paz, inicialmente chamado simplesmente de Dia da Paz, é comemorado em 1 de janeiro, tendo sido criado pelo papa Paulo VI em 1967. (...)

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre


 

Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos

 


  Dia de Combate à Intolerância Religiosa

Data de luta e de mudança cultural criada em 2007


 

Dia Mundial da Liberdade

 


 

Dia Internacional da Memória do Holocausto

 

Esta data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2005 para não esquecermos o assassinato de cerca de 5 milhões de judeus e ciganos europeus pelos nazistas alemães durante a Segunda Guerra Mundial, que durou de 1 de setembro de 1939 a 2 de setembro de 1945.


 

   Dia Nacional de Combate ao  Trabalho Escravo


 

         

Dia de Visibilidade Trans

45% dos trans-sexuais brasileiros já foram vítimas de transfobia em deslocamentos.


2. Fevereiro


 

Dia Mundial das Áreas Úmidas

 


 

Dia Mundial de Combate ao Câncer

 


 

Dia do Agente de Defesa Ambiental

 


   

Dia do Frevo

 

Garanhuns História: 09 de Fevereiro: Dia do Frevo

No dia 9 de fevereiro é comemorado o Dia do Frevo. A data faz referência à primeira vez que a palavra "frevo" foi citada na imprensa, em 1907, após o lançamento de uma música neste ritmo chamada "Eu frevo". Desde dezembro de 2012, o ritmo pernambucano foi considerado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Fonte: Google e informações próprias; foto: Garanhuns História

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Dia de Criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente - IBAMA

 


3. Março


 

Dia do Turismo Ecológico

 


 

Dia Nacional de Combate ao Contrabando

 


 

Dia Mundial da Obesidade

 


 

Dia da Mulher

 


 

Dia Internacional da Energia

 


 

Dia Mundial de Atingidos por Barragens

 


 

Dia Mundial dos Direitos do Consumidor

 


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Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas

 


 

Dia Mundial dos Doentes

 


 

Dia Internacional da Felicidade

 


 

Início do Outono

 


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Dia Mundial das Florestas

 

Geografia: 3 tópicos sobre as Florestas Tropicais - Notícias Concursos

No dia 21 de março é celebrado o Dia Internacional das Florestas

Para sensibilizar a população sobre a importância das florestas na manutenção dos ecossistemas e no desenvolvimento sustentável, a ONU criou o Dia Internacional das Florestas. (...)

Fonte: Brasil Escola; foto: Notícias Concursos

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


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Dia Mundial  de Combate à Discriminação Racial

 


 

Dia Mundial da Água

 

105 de Três Lagoas, conheça a história e suas curiosidades - ArapuaNews - Notícias de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Brasil e região

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. O dia 22 de março, de cada ano, é destinado à discussão sobre os diversos temas relacionadas a este importante bem natural.

(...) E como sabemos, grande parte das fontes desta água (rios, lagos e represas) está sendo contaminada, poluída e degradada pela ação predatória do homem. (...) Pensando nisso, foi instituído o Dia Mundial da Água, cujo objetivo principal é criar um momento de reflexão, análise, conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver tal problema.

No dia 22 de março de 1992, a ONU também divulgou um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água”. Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água. (...)

Fonte: sua pesquisa; foto: ArapuaNews.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia do Meteorologista

 


 

Dia Mundial do Estudante

 


 

Dia Mundial da Tuberculose

 


 

Dia Mundial do Teatro

 


 

Dia Nacional do Doador de Sangue

 



Dia Mundial da Juventude


4. Abril


 

Dia Mundial da Saúde

 


 

Dia Nacional de Combate ao Bullying

 


 

Dia Nacional dos Jornalistas

 


 

Dia Mundial da Doença de Chagas

 

Doença de Chagas: transmissão, sintomas, tratamento - Biologia Net

Barbeiro, o transmissor da doença de Chagas

Ao contrário do que muita gente pensa, a doença de Chagas ainda existe e afeta milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente na América Latina. Se não diagnosticada e tratada, a doença pode causar problemas no coração e no sistema digestivo por anos após a infecção.

Chagas afeta de seis a sete milhões de pessoas em 44 países no mundo, e outras 75 milhões correm o risco de contaminação, segundo a Organização Mundial da Saúde. Na América Latina, a doença de Chagas é endêmica em 21 países, incluindo o Brasil.

Fonte: Médicos Sem Fronteiras - MSF; Foto: Biologia Net.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia Nacional da Conservação do Solo

 


 

Dia Nacional da Botânica

 


 

Dia dos Povos Indígenas

 

Criança do povo indígena brasileiro Pataxó sentada com cocar na cabeça e colares típicos de sua cultura.

O Dia dos Povos Indígenas é uma data comemorativa celebrada no Brasil no dia 19 de abril e tem como propósito celebrar a diversidade das histórias e das culturas dos povos indígenas brasileiros; combater preconceitos contra os indígenas; e estabelecer políticas públicas que garantam os direitos dos povos originários.

Essa data comemorativa foi criada, em 1943, durante a ditadura do Estado Novo. Seu surgimento se deu, em boa medida, pela pressão de Marechal Rondon, importante indigenista brasileiro. Ainda, a data foi criada por influência do Congresso Indigenista Interamericano que havia sido realizado no México em abril de 1940.

Fonte: Mundo Educação

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Dia da Terra

 

Bandeira do Dia da Terra: O Planeta sobre um fundo azul.

O Dia da Terra foi criado pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, no dia 22 de abril de 1970

Tem por finalidade criar uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger a Terra. (...)

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

22 a 28 de abril - Semana da Educação

 


 

Dia Mundial de Luta Contra a Malária

 


 

Dia da Educação

 


 

Dia da Caatinga

 


5. Maio


 

Dia Internacional do Trabalho

 


 

Dia Internacional do Trabalhador

 


 

Dia Mundial de Liberdade de Imprensa

 


 

Dia do Sol

 


 

Dia do Solo

 


 

Dia do Pau-Brasil

 


 

Dia do Campo

 


 

Dia Mundial das Aves Migratórias

 


 

Dia Nacional da Segurança Social

 


 

Dia da Comunicação Social

 


 

Dia Internacional do Enfermeiro

 


 

Dia Internacional do Clima

 


 

Dia Internacional da Família

 


 

Dia Mundial da Reciclagem

 


 

Dia Internacional das Telecomunicações

 


 

Dia Internacional de Combate à Homofobia

 


 

Dia Internacional dos Museus

 


 

Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes 

 


 

Dia Nacional do Advogado

 


 

Dia Mundial de Doação de Leite Materno

 


 

Dia da Autonomia do Poder Local

 


 

Dia Mundial da Abelha e Dia do Apicultor

 


 

 

Dia Internacional da Biodiversidade

 


 

Dia Mundial do Trabalhador Rural

 


 

Dia da Mata Atlântica

 

A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo! São 20 mil espécies vegetais, 849 de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e 350 espécies de peixes.

Como a maioria das florestas, esse ecossistema está cada vez mais sofrendo pela ação do homem através do desmatamento e pelas queimadas principalmente.

Assim, por sua importância, dia 27 de maio é comemorado o Dia da Mata Atlântica e tem o objetivo de servir como ponto de reflexão sobre a necessidade de preservação e de conscientização a respeito das ações necessárias para mudar essa realidade. (...)

Fonte: Smart Kids

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia do Geógrafo

 


 

Dia Mundial sem Tabaco

 


6. Junho


 

1º a 7 de junho - Semana do Meio Ambiente

 


 

Dia Antinuclear Internacional

 


 

Dia Nacional em Defesa do Rio São Francisco

 


 

Dia Mundial do Meio Ambiente

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado no dia 5 de junho. Foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na resolução (XXVII) de 15 de dezembro de 1972 com a qual foi aberta a Conferência de Estocolmo, na Suécia, cujo tema central foi o Ambiente Humano.

Liderado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), o Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado anualmente no dia 5 de junho. (...)

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre e Nações Unidas

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia da Ecologia

 


 

Dia dos Oceanos

 


 

Dia Nacional da Imunização

 


 

Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil

 


 

Dia Mundial Contra a Seca

 


 

Dia Mundial de Luta Contra a Desertificação e a Seca

 


 

Dia Mundial do Refugiado

 


 

Início do Inverno

 


 

Dia das Nações Unidas (ONU)

 


 

Dia Mundial do Turismo

 


 

Dia Mundial da Pesca

 


 

Dia Mundial do Diabético

 


 

     Dia do Orgulho LGBT

 


 

Dia do Pescador

 


7. Julho


 

Dia Mundial da Arquitetura

 


 

Dia Internacional do Cooperativismo

 

Inicialmente denominada como “Dia da Cooperação” e, posteriormente, chamada de “Dia do Cooperativismo”, atualmente a data é conhecida como “Dia Internacional do Cooperativismo".

Embora a data oficial tenha sido criada em 1994, a Aliança Cooperativa Internacional (ACI) celebrou pela primeira vez o Dia Internacional em 1923, instituindo a data com o objetivo de comemorar, no primeiro sábado de julho de cada ano, a confraternização de todos os povos ligados ao cooperativismo. (...)

Fonte: Governo de Porto alegre
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

 

Dia Nacional da Ciência

 


 

Dia do Engenheiro Florestal

 


 

Dia do Engenheiro  Sanitarista

 


 

Dia da Liberdade de Pensamento

 


 

Dia da Proteção das Florestas

 


 

Dia do Amigo

 


 

Dia do Agricultor

 


    Dia Mundial de Proteção dos Manguezais

Os Principais Animais que Vivem no Manguezal - Educação!

O manguezal é considerado um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestre e marinho. Característico de regiões tropicais e subtropicais, está sujeito ao regime das marés, dominado por espécies vegetais típicas, às quais se associam a outros componentes vegetais e animais. (...)

A riqueza biológica dos ecossistemas costeiros faz com que essas áreas sejam os grandes "berçários" naturais, tanto para as espécies características desses ambientes, como para peixes e outros animais que migram para as áreas costeiras durante, pelo menos, uma fase do ciclo de sua vida.

Fonte: Departamento. de Ecologia, IB, USP; foto: Rotas de Viagem

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia Mundial da Conservação da Natureza

 

O Dia Mundial da Conservação da Natureza foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas  e comemora-se a 28 de Julho. Este dia tem como objetivo chamar a atenção para os problemas da conservação da Natureza.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.


8. Agosto

 

   

 Dia Mundial da Amamentação

 


 

Dia Nacional da Saúde

 

O Dia Nacional da Saúde foi oficializado e inserido no calendário oficial brasileiro através do Decreto de Lei nº 5.352, de 8 de novembro 1967, do Ministério da Saúde e da Educação e Cultura.

O dia 5 de agosto foi escolhido para celebrar o Dia Nacional da Saúde por ser a data de nascimento do sanitarista Oswaldo da Cruz, um importante personagem na história do combate e erradicação das epidemias da peste, febre amarela e varíola no Brasil, no começo do século XX.

Oswaldo da Cruz nasceu em 5 de agosto de 1872 e foi responsável pela criação do Instituto Soroterápico Federal (atualmente conhecido como Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ) e da fundação da Academia Brasileira de Ciências. (...)

Fonte: Calendarr Brasil

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia da Paz

 

Neste dia, em 1945, foi lançada a bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima, no Japão.


 

Dia Internacional dos Povos Indígenas

 

Dia do índio: quais são os principais vestibulares indígenas? | Educa Mais Brasil

Em 9 de agosto é comemorado o Dia Internacional dos Povos Indígenas. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1994.

O dia é dedicado a homenagear e reconhecer as tradições dos povos indígenas e promover a conscientização sobre a inclusão dos povos originários na sociedade, alertando sobre direitos e reafirmando as garantias previstas na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. (...)

Fonte: Radio Senado.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia Internacional de Qualidade do Ar

 


 

Dia do Psiquiatra

 

Desde 1966, a data de 13 de agosto ganhou um significado muito especial para a psiquiatria; foi neste dia que a sua Associação foi criada em uma sala do Instituto Municipal Philippe Pinel.

Em 2016, ano em que a instituição comemorou os seus 50 anos, ficou ainda mais estimado. Graças às solicitações do atual presidente da ABP, Dr. Antônio Geraldo da Silva, no dia 11 de agosto de 2016, foi instituído o Dia do Psiquiatra.

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


           

 

 Dia do Controle da Poluição Ambiental

 


 

Dia do Controle da Poluição Industrial

Dia de Combate à Poluição


 

       

 Dia do Filósofo

 

15.100+ Filósofo fotos de stock, imagens e fotos royalty-free - iStock

Filósofo é a pessoa responsável por estudar a natureza de todas as coisas existentes e as relações que possam existir entre estas coisas. Noções de valores, sentidos, fatos, além da conduta e destino do homem também são temas estudados por este profissional.

Fonte: Enciclopédia Significados; foto: iStock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

   

 Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua

 


 

Dia Mundial do Folclore

 


 

Dia da Limpeza Urbana

 


 

Aniversário do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio

 


    Dia Nacional do Voluntariado


 

Dia Nacional de Combate ao Fumo

 


9. Setembro


 

Dia do Biólogo

 


Dia da Mulher Indígena

 

Dia da Amazônia

Dia da Amazônia

O Dia da Amazônia é celebrado anualmente em 5 de setembro.

Esta data foi criada com o intuito de conscientizar as pessoas sobre a importância da maior floresta tropical do mundo e da sua biodiversidade para o planeta.

O dia escolhido faz referência a 5 de setembro de 1850, quando o Príncipe D. Pedro II decretou a criação da Província do Amazonas (atual Estado do Amazonas).

Não há muitos motivos para comemoração e sim para preocupação. A floresta amazônica atualmente está ameaçada pelos constantes desmatamentos ilegais, afetando diretamente a fauna e a flora da região, causando desequilíbrios e crises ambientais a nível global. (...)

Fonte: Calendarr Brasil

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia da Pátria

 

 


 

Dia do Médico Veterinário

 

 


 

Dia Nacional do Cerrado

 

Cerrado: características, onde fica, animais e vegetação típica | Biodiversidade | Um só Planeta

"O berço das águas"

O segundo maior bioma do Brasil é o Cerrado que cobre uma área de 2 milhões de km2, que corresponde a 204 milhões de hectares. Isso representa quase um quarto de toda a extensão territorial do país. Pra você ter uma ideia, um hectare, que mede 10.000 m2, equivale ao tamanho do gramado de um campo de futebol.

O bioma Cerrado é encontrado na parte mais central do País, incluindo os estados de Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal. Mas com esse tamanho todo (mais de 200 milhões de campos de futebol!), ele está presente também em pequenas porções dos estados do Paraná, no sul do Brasil, e de Rondônia, na região Norte.

Lá, onde o bioma Amazônia é predominante, a gente ainda encontra áreas enormes de vegetação típica de Cerrado, nos estados do Amapá, Roraima, Amazonas e Pará. (...)

O Cerrado é a savana tropical mais rica do mundo, pois nele há cerca de 5% de toda a diversidade do planeta. O Cerrado abriga 30% dos diversos seres vivos identificados no nosso país.

Fonte: Portal Embrapa; foto: Um só Planeta - Globo

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

14 a 21 de setembro - Semana da Árvore

 

 


 

Dia Internacional da Democracia

......

Democracia:

  1. Governo do povo; soberania popular; democratismo.
  2. Doutrina ou regime político baseado nos princípios de soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, isto é, dos poderes de decisão e de execução.

 Fonte: Novo Dicionário Aurélio, Editora Nova Fronteira, 1ª edição, 15ª impressão, página 430.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias

 

Melhores praias de Florianópolis: 10 praias imperdíveis para quem visita a cidade pela primeira vez | Mala de Aventuras

O Dia Mundial da Limpeza é um movimento cívico que une 191 países e milhões de pessoas em todo o mundo para limpar o planeta. Em um único dia! No dia 17 de setembro de 2022, o Dia Mundial da Limpeza acontecerá pela 5ª vez. Desde 2018, 50 milhões de pessoas saíram e limparam suas cidades, rios e comunidades dos resíduos.

Fonte: LimpaBrasil.org; foto: Mala de Aventuras.

Observação de setembro de 2025: Segundo a Meta AI, "Embora não haja uma data específica universalmente reconhecida para o Dia Mundial da Limpeza, existem vários eventos e campanhas ao longo do ano que se encaixam nesse tema.

Um dos eventos mais conhecidos é o "World Cleanup Day" (Dia Mundial da Limpeza), que geralmente ocorre em setembro. Durante esse dia, pessoas de todo o mundo se reúnem para limpar parques, praias, ruas e outras áreas públicas, além de discutir questões relacionadas ao lixo e à sustentabilidade."

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


           Dia Internacional de Preservação da Camada de Ozônio


 

 

Dia Mundial pela Limpeza da Água

 

 


 

Dia Internacional da Limpeza de Praia

 

 


 

Dia da Árvore

 

 


 

Dia Internacional da Paz

 

 

Dia comemorativo e de luta pela Paz estabelecido pela ONU


 

Dia Mundial do Alzheimer

 


 

21 a 27 de setembro - Semana Nacional da Fauna

 


 

Início da Primavera

 


 

Dia da Defesa da Fauna

 


 

Dia da Jornada sem Carro

 


 

Dia Nacional dos Surdos

 


10. Outubro


 

Dia Internacional do Idoso

 


 

Dia Internacional do Habitat

 

O habitat é o lugar onde um organismo vive e encontra o que necessita para sobreviver: refúgio, ar, água, alimento e espaço.

Dada a importância do habitat, o crescimento da população e as condições do meio ambiente, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 3 de outubro de 1985, decidiu estabelecer esta data para celebrar o Dia Mundial do Habitat.

A ONU criou também o Centro de Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (CNUAH) uma agência especializada na gestão e no desenvolvimento integral dos assentamentos Humanos. (...)

Fonte: Seu History

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia Nacional das Abelhas

 


 

Dia dos Animais

 


 

4 a 10 de outubro - Semana de Proteção aos Animais

 


 

Dia das Aves

 


 

Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos

 


 

Dia Mundial da Saúde Mental

 


 

Dia Nacional de Luta Contra a Violência à Mulher

 

O dia 10 de outubro foi escolhido para celebrar esta data porque foi em 10 de outubro de 1980 que um movimento de mulheres se reuniu nas escadarias do Teatro Municipal, em São Paulo, para iniciar um protesto contra o aumento de crimes de gênero no Brasil (hoje conhecidos como feminicídio, quando uma mulher é morta apenas por ser mulher).

Fonte: Calendário Brasil

Para queixas, disque 180

Rui Iwersen, editor d eGaiaNet.


 

Dia do Engenheiro  Agrônomo

 


 

Dia Mundial para a Prevenção de Desastres Naturais

 


 

Dia do Mar

 


 

Dia das Crianças

 


 

Dia do Consumo Consciente

 


 

Dia do Professor

 


 

Dia do Educador Ambiental

 


 

Dia Mundial da Alimentação

 


 

Dia do Médico

 

O dia 18 de outubro foi escolhido em homenagem ao nascimento de São Lucas, o protetor dos médicos.

São Lucas foi um dos seguidores de Jesus, segundo a tradição, escreveu um dos livros dos Evangelhos e o livro de Atos dos Apóstolos. Nestes livros, contou muitas histórias de Cristo, inclusive algumas das muitas curas e milagres que presenciou.

São Lucas estudou medicina em Antioquia (atual Turquia), e foi chamado pelo apóstolo Paulo de "amado médico" na epístola aos Colossenses. É considerado patrono dos médicos desde o século XV. (...)

Fonte: Academia Médica

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia Mundial das Nações Unidas

 


 

Dia da Informação sobre o Desenvolvimento

 


 

Dia do Livro

 


11. Novembro

 

 

Dia da Favela

 

A data de 4 de novembro foi escolhida como Dia da Favela porque nesta ocasião a expressão “favela” apareceu pela primeira vez em um documento oficial. Foi em 1900, no Rio de Janeiro, ...

Foto: Favela da Rocinha, Rio de Janeiro.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia da Ciência

 


 

Dia da cultura

 



Dia Mundial do Urbanismo

 

O Dia Mundial do Urbanismo é uma data comemorativa instituída em 1949, e é celebrado anualmente a cada dia 8 de Novembro, e tem como objetivo promover a consciência, a sustentação, a promoção e a integração entre a comunidade e o Urbanismo. 

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia Mundial contra o Racismo

 


 

Dia Mundial da Adoção

 


 

Dia Nacional do Pantanal

 


 

Dia Mundial do Diabetes

 


 

Dia da Alfabetização

 


 

Dia Internacional da Tolerância

 


 

Dia Mundial do Não Fumador

 


 

Dia Internacional do Estudante

 


 

Dia Mundial do Ar Puro

 


 

Dia Mundial do Banheiro

 

Uma questão de dignidade, de saúde individual, de saúde pública e de saúde ambiental.


 

Dia Nacional da Consciência Negra

 


 

Dia Internacional dos Direitos da Criança

 


 

Dia do Rio

 


 

Dia Nacional do Doador de Sangue

 


 

Dia Internacional do Combate à Violência contra as Mulheres

 


 

Dia do Estatuto da Terra

 


12. Dezembro


 

Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

 

Krankheiten: Aids - Krankheiten - Gesellschaft - Planet Wissen

O Dia Mundial da Luta Contra AIDS é um dia que, cada ano, deve servir para desenvolver e reforçar o esforço mundial da luta contra a AIDS. O objetivo deste dia é estabelecer o entrelaçamento de comunicação, promover troca de informações e experiências, e de criar um espírito de tolerância social.

O Dia Mundial da Luta Contra a AIDS dá a ocasião de se falar da infecção por HIV e da AIDS, de se ocupar das pessoas infectadas pelo HIV e com a AIDS, e de se saber mais sobre esta doença. Este dia internacional de ação coordenada contra a AIDS constitui já um evento anual na maior parte dos países.

Evocando as atividades de luta já em curso e encorajando novas iniciativas, o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS contribui para edificar uma ação durável contra a AIDS.

(Tradução e adaptação do "Journée Mondiale SIDA - Information n.º 1" da Organisation Mondiale de la Santé - Programme Mondial de Lutte Contre le SIDA).

Fonte: Gov org br; foto: Planet Wissen

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia Internacional dos Deficientes Físicos

 


 

Dia Mundial do Voluntariado

 


 

Dia do Pau-Brasil (Árvore Nacional Brasileira)

 


 

Dia Internacional Contra a Corrupção

 


 

Dia Mundial dos Direitos Humanos

 

Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos


 

Dia Internacional dos Povos Indígenas

 


 

Dia do Engenheiro de Pesca

 


 

Comemoração da Criação do Programa das Nações Unidas para o Ambiente - PNUMA

 


 

Dia Internacional do Migrante.

 


 

Início do Verão

 


     Dia da Consciência Ecológica

Comemorado em 22 de dezembro, o Dia da Consciência Ecológica surgiu como uma homenagem à data de morte do seringueiro e ecologista Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes.
Foto: The Applied Ecologist.
Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

 

Dia Mundial da Biodiversidade

 


 

Dia da Esperança

 


Fontes do Calendário Ecológico de GaiaNet

GaiaNet;  Ministério do Meio ambiente; Ser Melhor; Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Florianópolis; Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri); Google; Wikipédia.

 

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Saúde mental e meio ambiente

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Nesta página refletimos sobre as ações e reações psicológicas e psiquiátricas dos fenômenos e desastres naturais e sociais.

Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 56 

Os índios são envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita    

Considerados reserva de mão de obra utilizável nos momentos que as fainas agrícolas de plantio ou colheita chegam ao auge, os indígenas são para os agricultores regionais mais uma garantia do sucesso de seus empreendimentos, pelo menos no que se refere ao atendimento das necessidades de trabalho manual. Os índios são assim envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita, quase sempre sob o regime de empreitada ou diária.

O trabalho indígena em toda a região é bastante desvalorizado. Mas ninguém deixa de utilizá-lo. Na maioria dos postos indígenas tornou-se comum, aos domingos pela tarde, chegar caminhões para apanhar índios para o trabalho em fazendas ou em propriedades de pequenos ou médios agricultores das vizinhanças. Já existe uma certa institucionalização para o uso dessa mão de obra. O interessado obtém em primeiro lugar a anuência do chefe do Posto e em seguida acerta com um índio, quase sempre rotulado como "chefe de turma", as condições de trabalho, número de homens necessários, prazo de permanência e forma de pagamento. A supervisão do chefe do posto, em princípio, pretende eliminar formas vis de exploração, responsabilizando também o interessado quanto à condição particular de tutela a que estão sujeitos os indígenas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 - Uso do índio como produtor e consumidor; página 33; foto: Brasil de Fato. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

#OBrasilDepoisdeCabral
#SériedeGaiaNet
#IndígenasdoBrasil
#PovosOriginários
#GruposTribaisSobreviventes


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

O negacionismo das vacinas nos Estados Unidos

Os resultados [do negacionismo] já aparecem: em pleno 2025, os EUA vivem o maior surto de sarampo desde que ganharam o selo de livre do vírus pela OMS, em 2000. Já são mais de 1800 casos da doença (que é altamente contagiosa) e três mortes, sendo duas crianças.

O surto começou no Texas e está se espalhando para outros estados, cortesia da baixa vacinação. Se o problema não for contido até janeiro de 2026, o país pode perder o status de eliminação. Casos de coqueluche também aumentam rapidamente por lá.

Fonte: Super Interessante, edição 482, dezembro de 2025, O lobo do negacionismo está no poder, página 8; foto: Dr. Consulta. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 21

Os navajos voltaram para casa, mas muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos  

Antes de poderem partir [de volta para suas casas], os chefes tiveram de assinar o novo tratado (1º de junho de 1868), que começava assim: "A partir deste dia, deve cessar, para sempre, toda guerra entre as partes deste acordo". Barboncito assinou primeiro, depois Armijo, Delgadito, Manuelito, Herrero Grande e sete outros.

"As noites e os dias ficaram compridos antes que chegasse a hora de irmos para nossos lares", disse Manuelito. "Um dia antes da partida, andamos um pouco na direção de casa, porque estávamos muito ansiosos para partir. (...) Quando vimos o cimo da montanha de Albuquerque, imaginamos que fosse nossa montanha, sentimo-nos como que conversando com o chão, tanto gostávamos dele, e alguns dos velhos e das mulheres gritavam de alegria quando atingiram seus lares."

E assim, os navajos voltaram para casa. Quando as novas fronteiras da reserva foram demarcadas, muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos. A vida não seria fácil. Teriam de lutar para resistir. Apesar de tudo, os navajos viriam a saber que eram os menos infelizes dos índios do Oeste. Para os outros, mal começara a provação.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 - A longa marcha dos Navajos, páginas 52 e 53; foto: Native Indian Tribes.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 20

Os navajos defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com heroísmo 

Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros [indígenas] eram apenas bocas e corpos: (...) E nenhum defensor de Destino Manifesto jamais expressou seu apoio a essa filosofia mais lisonjeiramente que ele:

"O êxodo de todo esse povo da terra de seus pais é uma visão não só interessante, como também tocante. Combateram-nos corajosamente anos e anos; defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com um heroísmo que qualquer povo poderia se orgulhar de igualar; mas, quando afinal descobriram que seu destino, também como o de seus irmãos, tribo após tribo, no sentido contrário do nascer do sol, era dar lugar ao insaciável progresso de nossa raça, depuseram suas armas e, como homens corajosos merecedores de nossa admiração e respeito, vieram a nós com confiança em nossa magnanimidade, julgando que éramos um povo demasiado poderoso e justo para retribuir essa confiança com baixeza e negligência - achando que, tendo-nos sacrificado sua bela região, seus lares, as amizades de suas vidas, as cenas tornadas clássicas em suas tradições, não lhes daríamos uma recompensa miserável em troca do que eles e nós sabemos ser uma região magnífica."

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 - A longa marcha dos Navajos, páginas  48 e 49; foto: Texas Angels.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 18

Todas as árvores da região foram cortadas, só sobrando raízes para queimar 

Durante o outono, os navajos que haviam escapado do Bosque Redondo começaram a voltar para sua terra, com histórias terríveis do que estava acontecendo ali ao povo. Era uma terra ruim, disseram. Os soldados os empurravam com baionetas e os arrebanhavam em recintos de paredes de adobe, onde os chefes dos soldados sempre os estavam contando e anotando números em livrinhos. Os chefes dos soldados prometeram-lhes roupas, cobertores e melhor comida, mas suas promessas nunca foram cumpridas.

Todos os choupos-do-canadá e mesquites [árvores da região] foram cortados, só sobrando raízes para queimar. Para se abrigar da chuva e do sol, precisavam cavar buracos no chão arenoso, cobri-los e forrá-los com montes de grama trançada. Viviam como marmotas em tocas. Com as poucas ferramentas que os soldados lhes deram, rasgaram o solo das terras de aluvião do rio Pecos e plantaram cereal, mas as enchentes, as secas e os insetos mataram as colheitas e, agora, todos viviam com meia-ração. Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 - A longa marcha dos Navajos, páginas 47 e 48; foto: Got2Globe.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 17

Os navajos consideravam o escalpo um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis  

Em 18 de agosto [de 1863], o general [Carleton] decidiu "estimular o zelo" de suas tropas, estabelecendo um prêmio em dinheiro pelo gado navajo capturado. Ofereceu vinte dólares por "cada cavalo ou mula sadios e aproveitáveis" e um dólar por cabeça pelos carneiros trazidos ao oficial de intendência, em Fort Canby.

Como o salário dos soldados era de menos de vinte dólares mensais, a oferta generosa estimulou-os bastante, e alguns dos homens estenderam-na aos poucos navajos que podiam matar. Para provar suas habilidades militares, começaram a cortar o punhado de cabelo que os navajos prendiam com uma faixa vermelha na cabeça.

Os navajos não podiam acreditar que Carson [líder dos Casacos Azuis] permitisse o escalpo, que consideravam um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis. (Os europeus podem ou não ter introduzido o escalpo no Novo Mundo, mas colonos espanhóis, holandeses, franceses e ingleses tornaram popular o costume de se oferecerem prêmios pelos escalpos de seus respectivos inimigos.)

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, página 42; foto: FRRRKguys. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Alesc debate uso e acesso a medicamentos à base de cannabis em SC

A Santa Cannabis, uma associação dedicada ao acesso à cannabis medicinal, tem participado ativamente de debates e audiências públicas na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) para promover a regulamentação e o uso de tratamentos à base de cannabis no estado.

O uso medicinal da cannabis como alternativa para o tratamento de doenças crônicas e neurológicas foi debatido em Audiência Pública da Assembleia Legislativa na segunda-feira (25). O ponto central da discussão foi a regulamentação da Lei Estadual 19.136, aprovada pela Alesc em novembro de 2024, que determina a distribuição gratuita de medicamentos à base de cannabis pelo SUS em Santa Catarina.

Durante a Audiência discursaram: - deputada Paulinha (Podemos), proponente da audiência pública e autora da Lei 19.136/2024; - deputado Padre Pedro Baldissera (PT); - deputado Marcos José de Abreu (PSOL); - Diego Demarchi, secretario de Estado da Saúde; representantes da UFSC, de Associações de Produtores e de usuários do óleo de cannabis.

Fonte: Agência Alesc; foto: Notícias da UFSC.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 54

Acesso à água em tempos de guerra  

A ligação entre conflitos armados e escassez de água nem sempre é óbvia. Em Gaza, por exemplo, o controle da água se tornou uma arma de guerra desde o início da ofensiva israelense.

Em julho de 2024. um relatório da Oxfam apontou que as pessoas tinham acesso a apenas 4,74 litros por dia para todos os usos - incluindo beber, cozinhar e higiene pessoal -, muito menos que o padrão mínimo aceito internacionalmente para a sobrevivência básica em emergências, que é de 20 litros por dia.

Aa qualidade da pouca água disponível em Gaza também é preocupante...

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, página 7; foto: CNN Brasil.   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Dia Nacional da Saúde

A crise climática é uma crise de saúde

(...) Até alguns anos atrás, a emergência climática era associada a suas consequências mais visíveis, como inundações e tempestades, que destroem infraestrutura, moradias e meios de subsistência. E esse tipo de situação tem sem dúvida aumentado, mas há também implicações menos óbvias, que afetam a saúde e a vida das pessoas. Hoje, já não temos mais dúvida de que a crise climática é uma crise de saúde.

Que consequências para a saúde são essas?

São muitas, mas posso destacar o calor extremo, que atinge populações de áreas urbanas, especialmente idosos; e mudanças no regime de chuvas e na temperatura, que facilitam a propagação de vetores de doenças, como mosquitos, que passam a viver onde antes não estavam presentes. Também são mais frequentes secas e inundações, que afetam a agricultura, gerando desnutrição, movimentos migratórios e até disputas por territórios, que podem desencadear conflitos armados. Adicionalmente, a necessidade de se adaptar a essas mudanças tem impacto sobre a saúde mental. (...)

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, junho 2025; Entrevista, Renata Reis, diretora-executiva do MSF Brasil, página 8; foto: InfoMoney.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Dia Nacional da Saúde

Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 8

As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água 

Nas civilizações da região mediterrânea de antes de Cristo, no Egito, no Oriente Próximo (persas, hititas, assírios, babilônios) e no Suleste da Europa (etruscos, gregos, romanos) parece que três problemas de defesa ecológica desempenharam papel de relevo: 1. A economia dos recursos hídricos; 2. A erosão do solo; 3. A higiene.

1. As leis das águas foram os primeiros códigos dos homens

É característico que os primeiros documentos escritos da humanidade, obras dos sumérios, que os tornaram conhecidos por volta do ano 4000 a. C., continham instruções sobre a irrigação de lavouras dispostas em forma de terraços. Como nas modernas regiões industrializadas, também nas civilizações antigas as preocupações com a água foram, desde os seus primórdios, um fator econômico predominante. As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 84; foto: Portal Saneamento Básico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 15

Os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las 

Por tanto tempo quanto alguém podia lembrar, os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las; por tanto tempo quanto alguém podia recordar, os navajos revidavam com ataques contra os mexicanos.

Depois que os americanos chegaram a Santa Fé e chamaram o lugar de Novo México, protegeram os mexicanos, pois eles haviam se tornado cidadãos americanos. Os navajos não eram cidadãos, pois eram índios; quando atacavam os mexicanos, os soldados invadiam o território navajo para puni-los como fora da lei. Isso era um enigma terrível para Manuelito e seu povo, pois eles sabiam que muitos dos mexicanos tinham sangue índio; os soldados nunca perseguiam os mexicanos para puni-los por roubar crianças navajas.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 33 e 34; foto: Spiritualité autochtone. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47 

As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese

Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Tanto nos agrupamentos existentes nos postos, como naqueles localizados junto a áreas urbanas, incluindo neste caso famílias isoladas, os indivíduos mantêm em operação unidades de sua cultura tradicional de maneira bem mais característica do que entre Kaingang e Xokleng. Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (...)

As populações indígenas que viviam no litoral sul, à época da descoberta do Brasil, foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, trazidas pelo europeu, pela escravização e pelo próprio trabalho de catequese dos jesuítas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Instituto Búzios.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 31 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 11

Grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá

E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.

Do mesmo modo, na terra então conhecida como Canaã, a destruição de cidades-estado antes submetidas ao poder imperial do Egito, junto com a perda da própria influência egípcia, transformou completamente a história da região. Ali, grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá, celebrando sua libertação do domínio do Egito (que eles descreveram como uma escravidão em solo egípcio) e a fé num novo deus chamado Yahweh (ou Javé, na forma aportuguesada).

Começava assim a surgir a tradição religiosa que daria origem à Bíblia e as crenças judaicas, cristãs e islâmicas. Tal como no caso dos gregos, sem a destruição das antigas estruturas imperiais, esses caminhos inovadores talvez nunca chegassem a ser trilhados.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: VEJA. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 14

Em 1860 o número de índios diminuíra à metade desde a chegada dos primeiros colonos

Foi então, no começo da década de 1860, que os homens brancos entraram em guerra entre si - os Casacos Azuis contra os Casacos Cinza, a grande Guerra Civil. Em 1860, havia provavelmente trezentos mil índios nos Estados Unidos e territórios, a maioria deles vivendo a oeste do Mississippi. Segundo cálculos que variam, seu número diminuíra de metade, ou de dois terços, desde a chegada dos primeiros colonos à Virgínia e à Nova Inglaterra.

Os sobreviventes agora estavam pressionados entre as populações brancas em expansão no Leste e no litoral do Pacífico - mais de trinta milhões de europeus e seus descendentes. Se as tribos livres remanescentes acreditavam que a Guerra Civil dos homens brancos trouxesse qualquer trégua em suas pressões por territórios, logo se desiludiriam.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 27; foto: Portal Cavalus. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 46 

A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas 

As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. É comum também a opinião dos chefes de postos sobre a continua mobilidade desses índios. Dizem: "os Guarani não usam muito o posto. Ficam sempre localizados num fundo da área. Ali fazem uma rocinha; caçam; vez ou outra aparecem na sede para vender algum balaio. E quando a gente menos espera, desaparecem..."

Essa situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas. Não há na região sul um único posto para atendê-los. Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Gazeta do Povo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 10

Em Atenas surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História

Entretanto, foi justamente a queda dos governos palacianos que abriu espaço para uma reconstrução quase total da vida política e social na Grécia. Os antigos monarcas foram substituídos por assembleias dos proprietários de terras, que passaram a tomar decisões coletivamente.

E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Conhecimento Científico - R7. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 42

Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos

" (...) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam."

Efetivamente, os Xokleng passaram a enfrentar inimigos mais sutis, mas com maior poder destrutivo. Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos. Os sobreviventes tiveram de se adaptar à vida sedentária, substituindo suas atividades tradicionais de caça e coleta, pelo cultivo de roças. A dieta alimentar foi bruscamente alterada, contribuindo, hoje se sabe, para a disseminação de doenças. O desequilíbrio demográfico, por sua vez, alterou toda a organização tribal, tornando o grupo definitivamente dependente do organismo oficial de proteção.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: Terra.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos - nº 9

Os holandeses ordenaram o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam

Quando os holandeses chegaram à ilha de Manhattan, Peter Minuit comprou-a por sessenta florins em anzóis e contas de vidro, mas eles encorajaram os índios a permanecer e continuar trocando suas valiosas peles por tais bugigangas.

Em 1641, Willem Kieft cobrou tributos dos mahicans e enviou soldados à ilha Staten para punir os raritans por ofensas cometidas por colonos brancos, não por eles. Quando os índios revidaram, matando quatro holandeses, Kieft ordenou o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam. Os holandeses passaram à baioneta homens, mulheres e crianças, cortaram seus corpos em pedaços e arrasaram as aldeias com fogo.

Por mais dois séculos, esses fatos se repetiram, enquanto os colonos europeus deslocavam=se para o interior, através de passagens entre os montes Alleghenies, e para os rios que corriam no rumo oeste, para o Grandes Águas (o Mississippi) e para o Grande Barrento (o Missouri).

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio - A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 22; foto: InfoEscola.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 41

O convívio não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios

As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.

Assim sendo, compreende-se porque as técnicas de persuasão empregadas pelo novo e vigoroso Serviço de Proteção aos Índios, além da bravura do jovem Eduardo Hoerhan, convenceram a maioria dos Shokleng  sobreviventes ao convívio pacífico. Convívio que entretanto não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios. E isto se depreende nitidamente do seguinte depoimento do pacificador:

" (...) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morreriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam."

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: AgroSaber.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos - nº 8

O poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts 

Na época em que Massasoit, grande chefe dos wampanoags, morreu, em 1602, seu povo estava sendo expulso para as florestas. Seu filho Metacom previu que os índios chegariam ao fim, se não se unissem para resistir aos invasores. Embora os habitantes da Nova Inglaterra tentassem agradar Metacom, coroando-o rei Philip de Pokanoket, ele dedicou a maior parte de seu tempo à formação de alianças com os narradansetts e outras tribos da região.

Em 1675, depois de uma série de ações arrogantes por parte dos colonos, o rei Philip [Metacom] levou sua confederação índia a uma guerra destinada a salvar as tribos da extinção. Os índios atacaram 52 acampamentos, destruíram completamente doze, mas, depois de meses de luta, o poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts.

O rei Philip foi morto e sua cabeça exibida publicamente em Plymouth por vinte anos. Juntamente com outras mulheres e crianças índias capturadas, sua mulher e seu filho foram vendidos como escravos nas Índias Ocidentais.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio - A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 21 e 22; foto: eCycle.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 40

A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos

Um terceiro grupo [indígena], entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.

A resistência indígena foi enfrentada pelos governos locais e pelas companhias interessadas nos negócios de colonização, com a organização e estipêndio de grupos de bugreiros. A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos. Mas, segundo o objetivo depoimento de um bugreiro, "o negócio era afugentar pela boca da arma".

As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 21 e 22; foto: Café História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 50

Entre 2022 e 2023 mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos.

Há mais de 120 conflitos armados acontecendo no mundo todo. Muitos nem aparecem nos jornais. Mas em cada um deles há muitas crianças que são obrigadas a viver em meio à violência extrema. (...)

Em zonas de guerras, muitas salas de aula são atingidas por balas e bombardeios, enquanto outras transformam-se em abrigos temporários. Até o caminho torna-se perigoso, e milhões de crianças precisam atravessar campos minados e regiões afetadas por ataques constantes para chegar à sala de aula.

Apenas entre 2022 e 2023, mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos. Em regiões como Gaza, Ucrânia e República Democrática do Congo, centenas de escolas foram ameaçadas ou atingidas por tiros e bombardeios.

Fonte: Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), fevereiro de 2025; foto: Andes - SN

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 25 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 4

Uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental

No litoral dos atuais Síria, Líbano, Israel e Palestina, muitas cidades-estado antigas e poderosas viraram fumaça, entre as quais Ugarit, a grande senhora do comércio do Mediterrâneo Oriental na época.

Por fim, uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental. Nessa época, no lugar dos políticos e filósofos que fariam a fama da civilização grega bem mais tarde [após 5 séculos], a região era ocupada por vários pequenos reinos que pareciam "Egitos" em miniatura, na chamada civilização micênica. Os micênicos eram governados por reis extremamente poderosos, cercados de luxo, defendidos por guerreiros que lutavam em carros de guerra (ou bigas, como diriam os romanos). (...)

Quando a poeira do colapso baixou, tudo isso tinha deixado de existir. Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados, a população grega pode ter caído pela metade e até a arte da escrita foi completamente esquecida.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: cidade de Micenas; fonte: Apaixonados por História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos - nº 7

A primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses

Em Massachusetts, a história começou de modo algo diverso, mas acabou da mesma forma que na Virginia. Depois de os ingleses desembarcarem em Plymouth (1620), a maioria deles teria morrido de fome, não fosse a ajuda que receberam dos nativos amistosos do Novo Mundo. (...)

Por vários anos, esses ingleses e seus vizinhos índios viveram em paz, mas muitas outras levas de homens brancos continuaram a chegar. O barulho dos machados e o estrondo das árvores que caíam ecoavam pelas costas da terra que os homens brancos agora chamavam de Nova Inglaterra. As colônias começaram a se disseminar por toda parte.

Em 1625, alguns dos colonos pediram a Samoset [indígena designado missionário pelos ingleses] mais doze mil acres de terra dos pemaquids. Samoset sabia que a terra vinha do Grande Espírito, era infinita como o céu e não pertencia a homem algum. Para agradar os estrangeiros e seus costumes estranhos, ele participou  de uma cerimônia em que cedeu a terra e colocou sua marca num papel. Era a primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio - A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 21; foto: Dreamstime.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 39

A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi dramática

Os Xokleng estão localizados em Santa Catarina (...) Em Ibirama vivem 270 indivíduos. No núcleo de São João dos Pobres, há 4 sobreviventes Xokleng. Seus descendentes, mestiços, não se identificam como indígenas.

A história do contato entre os Xokleng e componentes da sociedade nacional foi particularmente dramática. A tribo tradicionalmente mantinha suas atividades de subsistência com base nas atividades de caça e coleta. Divididos em grupos de 50 a 200 pessoas, os Xokleng dominavam toda a área de floresta que encobre a área localizada entre o litoral e a encosta do planalto, desde as proximidades de Porto Alegre (RS) até Paranaguá (PR). Esta área somente começou a ser sistematicamente desbravada a partir do momento em que se iniciou a colonização no sul do País, em 1824.

Como o território ocupado pelos Xokleng, à época da colonização, já estava cercada por propriedades civilizadas, os indígenas não tinham para onde fugir. A resistência que opuseram à penetração dos brancos foi contínua e, somente depois da criação do SPI [Serviço de Proteção aos Índios, em 1910], foi possível o contato pacífico com alguns grupos. Assim, Eduardo Hoerhan, em 1914, contatou com um grupo no Alto Vale do Itajaí. Paralelamente, em 1920, João Gomes Pereira travou relações amistosas com o grupo de São João dos Pobres. Um terceiro grupo, entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 21; foto: Instituto Socioambiental.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 49

Cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição, uma doença grave causada pela falta de nutrientes essenciais para a vida saudável.

Estamos diante de uma crise absolutamente assustadora. Só no Sudão, estima-se que quase 5 milhões de crianças e mulheres grávidas ou amamentando estejam com desnutrição grave.

Fonte: Médicos Sem fronteiras, novembro de 2024.

Na República Centro-Africana (RCA), as mulheres são 138 vezes mais propensas a morrer de complicações de gravidez e do parto do que na União Europeia, enquanto uma criança no país tem 25 vezes mais chance de morrer antes do seu primeiro aniversário do que se tivesse nascido na Europa.

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, janeiro de 2025.

Foto: Sete Margens.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapso nº 24 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 3

O Egito nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze

As inscrições egípcias indicam, com segurança, que os Povos do Mar vinham de regiões periféricas dos grandes impérios da Idade do Bronze, e parecem ter operado como uma mescla de piratas e refugiados armados. Atacavam, pilhavam e incendiavam cidades costeiras (...)

No caso do Egito, deu ruim para os Povos do Mar, conforme Ramsés III conta em seus monumentos. O esforço de guerra, porém, drenou tanto os recursos egípcios, além de arrancar outras regiões da esfera de influência dos faraós, que o reino do Nilo nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze.

E os egípcios até que saíram no lucro. As invasões "bárbaras" parecem ter sido, por exemplo, um fator importante para o completo desaparecimento do Império Hitita, que tinha unificado quase todo o território da atual Turquia sob seu comando nos séculos anteriores. No litoral dos atuais Síria, Líbano, Israel e Palestina, muitas cidades-estado antigas e poderosas viraram fumaça, entre as quais Ugarit, a grande senhora do comércio do Mediterrâneo Oriental na época.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: Escola Kids - UOL.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos - nº 6

Em pouco tempo, os oito mil índios powhatan foram reduzidos a menos de mil

Porém a resistência dos arawak deu origem a que os invasores fizessem uso de armas de fogo e sabres, trucidando centenas de milhares de pessoas e destruindo tribos inteiras, em menos de uma década após Colombo ter pisado na praia de São Salvador, a 12 de outubro de 1492.

Eram lentas, naquela época, as comunicações entre as tribos do Novo Mundo, e raramente as notícias das barbaridades dos europeus ultrapassavam a disseminação rápida de novas conquistas e colonizações. Porém, bem antes dos homens brancos que falavam inglês chegarem à Virginia em 1607, os powhatan haviam ouvido algo sobre as técnicas civilizatórias dos espanhóis. Os ingleses passaram a usar métodos mais sutis.

E para garantir a paz por tempo suficiente, enquanto estabeleciam uma colônia em Jamestown, colocaram uma coroa de ouro na cabeça de Wahunsonacook, chamaram-no rei Powhatan e o convenceram de que deveria  pôr seu povo a trabalhar, fornecendo comida para os colonizadores brancos. (...) Depois da morte de Wahunsonacook, os powhatan insurgiram-se para mandar os ingleses de volta ao mar de onde haviam vindo, mas os índios subestimaram o poder das armas inglesas. Em pouco tempo, os oito mil powhatan foram reduzidos a menos de mil.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio - A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 20 e 21; foto: InfoEscola.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 38

Os brancos submeteram os indígenas a um contínuo processo de desintegração social, cultural e biológica

Paralelamente às disputas pelo domínio da terra, os brancos submeteram os indígenas a um contínuo processo de desintegração social, cultural e biológica. A utilização do indígena como mão de obra, desarticulou rapidamente o sistema econômico tribal, com reflexos diretos em todos os demais aspectos da sociedade, enquanto entidade autônoma.

O mesmo ocorreu em decorrência da utilização sexual da mulher indígena. A contaminação do grupo com doenças até então desconhecidas, e para as quais os indivíduos não apresentavam qualquer resistência biológica, rebentou definitivamente com as possibilidades de o grupo continuar a viver independente. A submissão foi total.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 18 e 19; foto: Mongabay Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Colapso nº 23 – O apocalipse da Idade do Bronze nº2

Os Povos do Mar parecem ter operado como uma mescla de piratas e refugiados armados

As semelhanças entre a Idade do Bronze tardia e o século 21 não podem ser desprezadas. Ambos são mundos fortemente conectados pelo comércio internacional, pela difusão de tecnologias e por relações diplomáticas e de competição entre civilizações. (...)

A globalização da Idade do Bronze não se esfacelou num único ano cabalístico. O processo foi mais gradual. (...) 1177 a.C. corresponde ao oitavo ano do reinado do faraó Ramsés III, devidamente registrado em monumentos construídos por ordem dele próprio. Foi quando o soberano egípcio enfrentou e derrotou duas vezes uma aliança de misteriosos invasores que, ao que tudo indica, já havia tocado o terror em outras áreas do Oriente Próximo algum tempo antes. Esse grupo de agressores costuma ser chamado coletivamente de "Povos do Mar". (...)

As inscrições egípcias indicam, com segurança, que os Povos do Mar vinham de regiões periféricas dos grandes impérios da Idade do Bronze, e parecem ter operado como uma mescla de piratas e refugiados armados. Atacavam, pilhavam e incendiavam cidades costeiras, mas também levavam consigo suas mulheres, filhos, carroças e animais domésticos, provavelmente com a intenção de se fixar nas terras onde desembarcavam.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 35; foto: Aventuras na História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos - nº 5

Dez anos após Colombo ter pisado na praia de São Salvador os espanhóis já haviam trucidado centenas de milhares de pessoas e destruído tribos inteiras 

 Como era costume do povo ao receber estrangeiros, os tainos da ilha de São Salvador [ilha de Guanahani, atual Bahamas] presentearam generosamente Colombo e seus homens com dádivas e os trataram com honra. (...) Colombo raptou dez de seus amistosos anfitriões tainos e levou-os à Espanha, onde eles poderiam ser apresentados para se adaptarem aos costumes do homem branco. Um deles morreu logo depois de chegar, mas não antes de ser batizado cristão. Os espanhóis gostaram tanto de possibilitar ao primeiro índio a entrada ao céu que se apressaram em espalhar a boa nova pelas Índias Ocidentais.

Os tainos e outros povos arawak não relutaram em se converter aos costumes religiosos europeus, mas resistiram fortemente quando hordas de estrangeiros barbudos começaram a explorar suas ilhas em busca de ouro e pedras preciosas. Os espanhóis saquearam e queimaram aldeias, raptaram centenas de homens e crianças e os mandaram à Europa para serem vendidos como escravos. Porém a resistência dos arawak deu origem a que os invasores fizessem uso de armas de fogo e sabres, trucidando centenas de milhares de pessoas e destruindo tribos inteiras, em menos de uma década após Colombo ter pisado na praia de São Salvador, a 12 de outubro de 1492.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio - A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 19 e 20; foto: Humanidades.com.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 37

A frente de expansão portuguesa estimulava a expulsão dos campos dos contingentes indígenas

No ano de 1728 abriu-se uma picada ligando o morro dos Conventos, ao sul de Santa Catarina, com os campos de Lages e Curitiba. Esse caminho passou a permitir que tropas, formadas com o gado arrebanhado no Rio Grande, fossem levadas diretamente às feiras de São Paulo. E em função desse comércio, altamente estimulado pelo auge da exploração das minas, surgiu a vila de Lages, em 1771. As fazendas de criação foram se instalando, determinando a busca de novas pastagens.

A disputa se faz ao índio. Em 1838, conquistaram-se os campos de Guarapuava. Em 1848, dominam-se os campos de Palmas. (...) A motivação econômica dessa frente de expansão estimulava a expulsão dos campos dos contingentes indígenas, substituindo-os por cabeças de gado. Nesse objetivo, os componentes da frente de expansão se valeram da experiência que a metrópole portuguesa acumulou durante o rápido período em que se expandiu, dominando e exterminando centenas de povos tribais da África, Ásia e América.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 18; foto: Viktor Walwell.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Colapso

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Página baseada nos livros Colapso, de Jared Diamond, e A Vingança de Gaia, de James Lovelock, e em informações sobre a crise ecológica e social que está apenas iniciando - o colapso ambiental. 

Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 41 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 9

No ano 249 surge outra pandemia que devasta a população imperial

A Peste Antonina durou até o ano 180 d.C.. Após uma década e meia de horror, seus efeitos mais graves começaram a se diluir, provavelmente porque quem sobreviveu ganhou imunidade à doença. (...) Não foi exatamente fácil, mas as instituições romanas aguentaram esse primeiro tranco.

A coisa mudou significativamente de figura, porém, no século seguinte. Mais uma vez, os sedimentos marinhos de Tarento registram uma queda abrupta da temperatura e da umidade, que começa por volta do ano 245 d.C. e se prolonga por pelo menos três décadas. Aí, no ano 249, surge outra pandemia que devasta a população imperial.

A doença ficou conhecida como Peste de Cipriano, por causa do santo de mesmo nome, então bispo da cidade de Cartago (atual Tunísia). Cipriano foi um dos responsáveis por registrar a chegada da moléstia. Há grandes dúvidas sobre o causador da pandemia, mas uma possibilidade é que se tratasse de um parente do vírus Ebola, por causa da presença de sintomas hemorrágicos severos. (...) A Peste de Cipriano durou até 262 d.C., e causou enorme destruição.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Brasil Escola - UOL.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 56 

Os índios são envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita    

Considerados reserva de mão de obra utilizável nos momentos que as fainas agrícolas de plantio ou colheita chegam ao auge, os indígenas são para os agricultores regionais mais uma garantia do sucesso de seus empreendimentos, pelo menos no que se refere ao atendimento das necessidades de trabalho manual. Os índios são assim envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita, quase sempre sob o regime de empreitada ou diária.

O trabalho indígena em toda a região é bastante desvalorizado. Mas ninguém deixa de utilizá-lo. Na maioria dos postos indígenas tornou-se comum, aos domingos pela tarde, chegar caminhões para apanhar índios para o trabalho em fazendas ou em propriedades de pequenos ou médios agricultores das vizinhanças. Já existe uma certa institucionalização para o uso dessa mão de obra. O interessado obtém em primeiro lugar a anuência do chefe do Posto e em seguida acerta com um índio, quase sempre rotulado como "chefe de turma", as condições de trabalho, número de homens necessários, prazo de permanência e forma de pagamento. A supervisão do chefe do posto, em princípio, pretende eliminar formas vis de exploração, responsabilizando também o interessado quanto à condição particular de tutela a que estão sujeitos os indígenas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 - Uso do índio como produtor e consumidor; página 33; foto: Brasil de Fato. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 24

Micróbios pioram o aquecimento global

O aumento na temperatura do planeta está derretendo o Ártico - e isso, como aponta um estudo publicado pela Universidade da Califórnia, vem estimulando a proliferação de micróbios que produzem metano, gás que retém calor na atmosfera e agrava o problema.

Os cientistas analisaram o nível de metano atmosférico entre 2006 e 2023 (período em que ele aumentou), e encontraram uma relação direta entre o teor desse gás no Ártico e o aquecimento global.

Além do fenômeno apontado pelo estudo, atividades humanas como a agricultura e a pecuária também geram muito metano -cada bovino arrota 100 kg desse gás, que se forma durante a digestão, por ano. (BG)

Super Interessante, edição 483, janeiro 2026, página 15; foto: Janela para a Rússia.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

Metade dos ambientes aquáticos contém lixo

E a grande maioria do detritos é de apenas dois tipos: plástico e bitucas.

Metade de todos os ambientes aquáticos (rios, praias e manguezais) do planeta está contaminada por lixo.

Essa  é a conclusão de um trabalho de cientistas da Unifesp, que analisaram 298 estudos sobre o tema.

Fonte: Super Interessante, edição 483, janeiro de 2026, página 12; foto: Revista Fapesp

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 40 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 8

O vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império

A sociedade romana já enfrentava uma crise na produção e distribuição de alimentos quando o vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império.

O estrago da pancada epidemiológica teria sido multiplicado pela dificuldade de levar recursos às populações afetadas, o que impulsionou a mortalidade. Era a primeira pandemia da época imperial. Mas não seria a última.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Gazeta do Povo.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 55 

A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa   

O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. A extração de erva mate não chega a garantir condições para a manutenção sazonal das famílias envolvidas nessa atividade. O mesmo ocorre com a coleta do fruto do pinhão.

Somente em Ibirama, onde os recursos existentes quanto à palmeira Euterp edulis eram fartos, os índios por largo tempo viveram dependentes da sua extração. A destruição sistemática dos recursos naturais, especialmente a flora, existentes nas reservas indígenas e procedida por civilizados, aniquilou, na maioria dos postos, a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa. Em Ibirama, por exemplo, a coleta de palmitos é feita fora da reserva indígena, atuando os Xokleng apenas como mão de obra na exploração de palmitais particulares.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 - Uso do índio como produtor e consumidor; páginas 32 e 33; foto: Jardineiro.net. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 39 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 7

Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma

E aquela mania de botar gladiadores para brigar com leões, girafas e rinocerontes no Coliseu era alimentada por contatos comerciais com a África subsaariana, que eram intermediados pela Núbia (mais ou menos o atual Sudão) e pelos funcionários provinciais do Egito - dominado por Roma desde os tempos de Augusto.

Tudo isso significava um intenso e constante deslocamento de bens, pessoas e micróbios. Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma. Do ponto de vista epidemiológico, o Império Romano era uma bomba-relógio. Ela explodiu pela primeira vez com a Peste Antonina.
E isso aconteceu no pior momento possível. A Peste Antonina estourou poucas décadas após o final do Ótimo Climático Romano, numa fase que, segundo o estudo paleoclimático de Harper, foi caracterizada por diversos pulsos de resfriamento e diminuição da chuva.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, páginas 50 e 51 ; foto: Toda Matéria 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 54 

Os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado aos indígenas  

Os índios de Ibirama, no caso, se viram momentaneamente privados de uma fonte de renda sem poder, obviamente, compreender as razões do impedimento. Mas, o aspecto que mais nos impressionou, foi reconhecer que os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado de modo inequívoco, aos indígenas.  No PI [Posto Indígena] Guarita, localizado no noroeste do Rio Grande do Sul, verificamos que os índios abandonaram as atividades de pescaria. "O rio não tem mais peixe bom. O que tem não se pode comer".

As plantações de soja das vizinhanças da área indígena, e as realizadas na própria área pela FUNAI, vêm sendo pulverizadas com inseticidas para a prevenção da lagarta. Tais inseticidas não só matam os insetos, como as aves que circulam pelas plantações e que, às vezes, comem insetos e larvas envenenadas. Quebrado o equilíbrio pelo desaparecimento das aves, as quantidades de insetos aumentam assustadoramente. A cada novo ano, torna-se necessário aumentar as quantidades de inseticidas e, assim, a contaminação passa para a terra. Com as chuvas, parte dessa terra contaminada é levada para o rio, aniquilando também a fauna fluvial.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 31; foto: Instituto Humanitas Unisinos. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 14

As latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, usavam a água que escoava dos banhos públicos  

Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia. (...) Já atendia à necessidade de se economizar água o simples fato de que as latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, não eram servidas com agua potável, pois se usava a água que escoava dos banhos públicos.

Nós, hoje em dia, acreditamos que, com relação ao consumo de água, podemos nos permitir maiores liberalidades que o normal das grandes cidades da Antiguidade: que erro mais fatal!

No futuro, como acontecia nos séculos passados, vamos ter de usar a água potável somente para beber. Do contrário, ela se tornará cara demais, principalmente porque temos de mantê-la livre não só de germes patogênicos mas também da presença de produtos de combate a animais daninhos, hormônios, detergentes, essências aromáticas, etc. Queiramos ou não, num futuro próximo teremos de adotar os antigos métodos que serviam para economizar a água potável.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, páginas 94 e 95; foto: MDig.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 38 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 6

Dia a dia os romanos empurravam as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada

Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da "região metropolitana" de Roma. Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.

Além disso, os romanos se transformaram numa superpotência dos cereais incorporando terras cada vez mais marginais (como encostas de morros na Itália, ou a beirada do deserto no Oriente Médio) em suas zonas cultivadas. "Dia a dia eles empurram as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada", escreveu o poeta Lucrécio, que morreu por volta do ano 55 a.C.

O problema é que essas são justamente as áreas mais vulneráveis a alterações no clima. Bastava esfriar alguns graus ou deixar de chover alguns dias por ano - e, no caso do clima do Mediterrâneo, não é incomum que essas coisas venham juntas - para que as plantações "de fronteira" se tornassem inviáveis, e até as áreas mais propícias para o cultivo passassem a produzir bem menos. Em suma, o lado agrícola do Império tinha bases frágeis.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 50; foto: National Geographic.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 21

Os navajos voltaram para casa mas muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos  

Antes de poderem partir [de volta para suas casas], os chefes tiveram de assinar o novo tratado (1º de junho de 1868), que começava assim: "A partir deste dia, deve cessar, para sempre, toda guerra entre as partes deste acordo". Barboncito assinou primeiro, depois Armijo, Delgadito, Manuelito, Herrero Grande e sete outros.

"As noites e os dias ficaram compridos antes que chegasse a hora de irmos para nossos lares", disse Manuelito. "Um dia antes da partida, andamos um pouco na direção de casa, porque estávamos muito ansiosos para partir. (...) Quando vimos o cimo da montanha de Albuquerque, imaginamos que fosse nossa montanha, sentimo-nos como que conversando com o chão, tanto gostávamos dele, e alguns dos velhos e das mulheres gritavam de alegria quando atingiram seus lares."

E assim, os navajos voltaram para casa. Quando as novas fronteiras da reserva foram demarcadas, muitos dos seus melhores pastos haviam sido tomados pelos colonos brancos. A vida não seria fácil. Teriam de lutar para resistir. Apesar de tudo, os navajos viriam a saber que eram os menos infelizes dos índios do Oeste. Para os outros, mal começara a provação.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 - A longa marcha dos Navajos, páginas 52 e 53; foto: Native Indian Tribes.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 53 

Em muitas reservas indígenas não existe uma única área coberta por floresta primária ou secundária   

Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados. (...)

Mas não só o pinheiro foi explorado. As madeiras de lei são, ainda hoje, a razão de diversos contratos, e o palmito foi motivo, inclusive, para que toda a população Xokleng abandonasse as atividades agrícolas que desde a sua pacificação vinham servindo como base para sua sobrevivência.

Não é de se estranhar, pois, que em muitas reservas indígenas não exista uma única área coberta por floresta primária ou secundária. A destruição da cobertura florestal, nesses casos, foi drástica. Com ela, naturalmente, desapareceu a fauna. Assim, a maioria dos índios não tem como complementar sua dieta alimentar, seja pela caça, seja pela coleta de frutos silvestres ou mel.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 29; foto: MST. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Colapsos nº 37 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 5

As condições climáticas ideais no Império Romano favoreceram uma explosão do cultivo de cereais 

A vida dentro dessas fronteiras [do Império Romano] costumava ser próspera e pacífica. Raramente algum inimigo ousava desafiar o imperador para valer. (...)

Para alcançar esse sucesso, é claro que Roma podia contar com exércitos profissionais muito bem organizados, estradas planejadas com esmero e uma engenharia civil de dar inveja a muitas prefeituras por aí. Mas a verdadeira base do mundo romano, assim como a de quase qualquer outra civilização antiga, era a produtividade agrícola. E as condições climáticas ideais até 130 d.C., junto com o crescimento de uma espécie de "agronegócio" (turbinado por trabalho escravo em grandes fazendas), favoreceram uma explosão do cultivo de cereais, em especial o trigo e a cevada.

Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da "região metropolitana" de Roma.

Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 49; foto: Padre Paulo Ricardo.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52 

Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena  

Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. Depois de mais de 20 anos de exploração em pequena escala, onde a conivência do chefe do posto indígena estabelecia a quantidade de pinheiros que seriam derrubados, a inspetoria do SPI em Curitiba decidiu formalizar um contrato de exploração com madeireiros locais. Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II - Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; páginas 28 e 29; foto: PrePara Enem. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 36 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 4

O Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C. 

... essa fase "ótima" se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.

Um estudo recente, assinado pela geóloga Karin Zonneveld, da Universidade de Bremen, e pelo historiador Kyle Harper, da Universidade de Oklahoma, reconstruiu as condições climáticas desse período e dos séculos que o seguiram. Os pesquisadores conseguiram fazer isso com alta precisão: sua margem de erro é de apenas três anos.

O estudo concluiu que o Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C.. É justamente a fase em que os exércitos romanos foram conquistando cada vez mais territórios Mediterrâneo afora, da Espanha á Ásia Menor (atual Turquia). A supremacia deles se tornou tão incontestável que eles passaram a chamar a bacia de Mare Nostrum: "nosso mar".

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Guia da Itália.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 19

O magnífico território pastoril e mineral que nos cederam é um território cujo valor dificilmente pode ser estimado  

Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.

Enquanto isso, o Chefe Estrelado Carleton convencera o vigário de Santa Fé a cantar um Te Deum em homenagem à bem-sucedida remoção dos navajos para o Bosque, empreendida pelo Exército. O general descreveu o lugar para seus em Washington como "uma excelente reserva... não há razão para que eles (os navajos) não sejam os índios mais felizes, prósperos e bem providos  dos Estados Unidos... De qualquer modo... podemos alimentá-los a preço bem menor do que guerrear com eles".

Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros eram apenas bocas e corpos:

"Essas seis mil bocas precisam comer, e esses seis mil corpos precisam se vestir. Quando se considera o magnífico território pastoril e mineral que nos cederam - um território cujo valor dificilmente pode ser estimado -, a ninharia, em comparação, que lhes deve ser dada para sobreviver representa uma insignificância como paga da sua herança natural."

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 - A longa marcha dos Navajos, página 48; foto: iStock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51 

A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento  

Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. O surgimento do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, basicamente não veio alterar este quadro.

Na medida em que os recursos naturais localizados na região eram explorados, o potencial existente nas terras ocupadas pelos índios começava a ser alvo do interesse de civilizados. No sul do Brasil, as reservas indígenas começaram inicialmente a ser exploradas em seus recursos florestais. Prevalecendo como cobertura florestal, na maioria das reservas, a Araucária angustifólia, espécie de grande valor econômico, foi explorada até seu quase esgotamento.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II - Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 28; foto: CicloVivo. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 35 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 3

Os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura

Os desastres ocorridos a partir de 166 d.C. talvez tenham sido ainda mais dolorosos porque vieram na esteira de alguns séculos de bonança, durante os quais as divindades pareciam ter abençoado as vastas terras regidas por Roma. De fato, de acordo com vários estudos paleoclimatológicos (que reconstroem o clima do passado), os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura.

Esse período foi tão bom que recebeu a designação oficial de "ótimo". Para ser mais exato, o de Ótimo Climático Romano (a palavra, nesse contexto, tem o sentido de "condições ideais"). Embora a Itália e as regiões vizinhas da bacia do mar Mediterrâneo, que sempre foram o núcleo mais importante da civilização romana, sejam notórias pela relativa instabilidade climática, com presença intermitente de grandes secas e invernos severos, essa fase "ótima" se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Itálica.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 55

Aquecimento global - a febre de Gaia, o planeta vivo doente

Dados confirmaram que 2024 foi o primeiro ano a ultrapassar a marca de 1,5 º C de aquecimento global em relação a níveis pré-industriais. (1)

Um estudo analisou 23 mil espécies de peixes e crustáceos de água doce - e descobriu que 24% correm risco de extinção. (2)

Fonte: Super Interessante, edição 472, fevereiro 2025, página 32; 1 - Organização Mundial de Meteorologia; 2 - International Union for Conservation of Nature (IUCN); foto: Pensamento verde.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 18

Todas as árvores da região foram cortadas, só sobrando raízes para queimar 

Durante o outono, os navajos que haviam escapado do Bosque Redondo começaram a voltar para sua terra, com histórias terríveis do que estava acontecendo ali ao povo. Era uma terra ruim, disseram. Os soldados os empurravam com baionetas e os arrebanhavam em recintos de paredes de adobe, onde os chefes dos soldados sempre os estavam contando e anotando números em livrinhos. Os chefes dos soldados prometeram-lhes roupas, cobertores e melhor comida, mas suas promessas nunca foram cumpridas.

Todos os choupos-do-canadá e mesquites [árvores da região] foram cortados, só sobrando raízes para queimar. Para se abrigar da chuva e do sol, precisavam cavar buracos no chão arenoso, cobri-los e forrá-los com montes de grama trançada. Viviam como marmotas em tocas. Com as poucas ferramentas que os soldados lhes deram, rasgaram o solo das terras de aluvião do rio Pecos e plantaram cereal, mas as enchentes, as secas e os insetos mataram as colheitas e, agora, todos viviam com meia-ração. Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 - A longa marcha dos Navajos, páginas 47 e 48; foto: Got2Globe.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 50 

A tônica do homem "civilizado" é produção e lucro  

Atraídos ao convívio com representantes da sociedade nacional, os integrantes dos diversos grupos indígenas logo ficaram em situação de dependência. Dependência decorrente, em termos de macro visão, do fato das sociedades indígenas não disporem de conhecimentos capazes de fundamentar uma oposição lógica à sua dominação. Daí se compreende que o destino de muitos grupos indígenas foi e é decidido por detentores de condições que permitem orientar os rumos da utilização dos espaços geográficos e seus recursos naturais.

No passado, isto ocorreu quando companhias julgaram conveniente, em termos financeiros, estimular a migração de contingentes europeus para as terras recém-descobertas da América. Hoje, quando se decide, com base em dados obtidos por meios tecnologicamente sofisticados, como por exemplo aqueles fornecidos pelos satélites, a exploração de jazidas minerais, a sistemática decisória continua a mesma. Apenas a agressividade com que as novas decisões são tomadas chama a atenção. Agressividade que se expressa pela rapidez com que recursos financeiros e humanos são alocados, para a obtenção, no menor prazo, de resultados compensadores. A tônica do homem "civilizado" é produção e lucro, e, nesse afă, ele está a utilizar e a destruir, irrefletidamente, largas parcelas do quadro natural existente na superfície terrestre.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II - Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, página 27; foto: AgroSaber. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 34 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 2

O Império Romano sofreu com mudanças climáticas

Novos estudos sobre os micróbios e o clima do passado têm revelado que os romanos tiveram de enfrentar forças ainda mais insidiosas e destrutivas que os deuses do Olimpo. Além dessa primeira pandemia [a Peste Antonina - provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas], que realmente ocorreu, o Império Romano sofreu com mudanças climáticas e, ironicamente, foi vítima de seu próprio sucesso, que o levara às regiões mais distantes da Ásia e da África - mas acabou tornando Roma vulnerável a uma sucessão de golpes do destino, que levaram seu poderio à fragmentação e ao desaparecimento.

Essa nova visão sobre o declínio e a queda do Império Romano não descarta, é claro, a relevância dos inimigos externos (principalmente os chamados bárbaros, em geral tribos guerreiras que falavam línguas germânicas, como as ancestrais do alemão e do inglês de hoje). Também não ignora as picuinhas e os duelos mortais que devastavam a elite romana de vez em quando, enfraquecendo ainda mais o domínio dos Césares. Esses fatores foram importantes - e podem ter sido alimentados pelos demais, criando uma espiral de desastres.

Mas a nova abordagem histórica de Roma admite a profunda dependência que as civilizações antigas, mesmo as mais sofisticadas, tinham em relação ao seu ambiente natural - algo que, num mundo de emergência climática e pandemias como o nosso, se torna cada vez mais familiar.

Fonte: Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 47 e 48; foto: PrePara Enem   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet



Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 17

Os navajos consideravam o escalpo um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis  

Em 18 de agosto [de 1863], o general [Carleton] decidiu "estimular o zelo" de suas tropas, estabelecendo um prêmio em dinheiro pelo gado navajo capturado. Ofereceu vinte dólares por "cada cavalo ou mula sadios e aproveitáveis" e um dólar por cabeça pelos carneiros trazidos ao oficial de intendência, em Fort Canby.

Como o salário dos soldados era de menos de vinte dólares mensais, a oferta generosa estimulou-os bastante, e alguns dos homens estenderam-na aos poucos navajos que podiam matar. Para provar suas habilidades militares, começaram a cortar o punhado de cabelo que os navajos prendiam com uma faixa vermelha na cabeça.

Os navajos não podiam acreditar que Carson [líder dos Casacos Azuis] permitisse o escalpo, que consideravam um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis. (Os europeus podem ou não ter introduzido o escalpo no Novo Mundo, mas colonos espanhóis, holandeses, franceses e ingleses tornaram popular o costume de se oferecerem prêmios pelos escalpos de seus respectivos inimigos.)

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, página 42; foto: FRRRKguys. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 49 

Pode-se dizer que os Xetá estão extintos 

Os Xetá eram nômades. Sua alimentação baseava-se na caça e na coleta de alimentos, destacando-se na sua dieta o aproveitamento dos frutos e da medula da palmeira macaúba. Possuíam aldeias temporárias, localizadas em pequenas clareiras. Não conheciam instrumentos de cerâmica. Usavam implementos feitos de ossos, dentes, pedras e madeira.

Seguramente, pode-se dizer que o grupo está extinto. Os Xetá sobreviventes foram localizados separadamente, de maneira que as possibilidades de socialização dos membros jovens segundo os padrões do grupo foram eliminadas. E, a tal ponto isto ocorreu, que as únicas crianças sobreviventes, com aproximadamente 12 e 10 anos de idade, falam a língua Kaingang e não Xetá.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 26; foto: JOTA.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 9

Documentos escritos antigos assinalam a significação que se dava ao uso da água

São muitos os dados contidos em antigos documentos escritos que assinalam a significação que se emprestava ao uso da água. No [rio] Eufrates, por exemplo, foi encontrada uma lápide de pedra calcária de mais ou menos 2300 a.C., com a seguinte inscrição: "Ur - Namu foi quem ordenou que se realizassem as obras dos canais; mas ele cede aos deuses a honra de fornecer a dádiva que é a água, abençoada, que dá fertilidade às terras".

Também no Velho Testamento se encontram inúmeros indícios da importância que se conferia à água. Eis um exemplo: "Empreendi grandes obras, edifiquei para mim casas, plantei para mim vinhas. Fiz jardim e pomares para mim, e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie. Fiz para mim açudes para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores." (Eclesiastes 2, vers. 4 a 6).

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 86; foto: Pngtree.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 33 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 1

Como o Império Romano realmente acabou

As invasões bárbaras e os conflitos da elite romana foram importantes. Mas outros elementos podem ter sido igualmente fortes: as mudanças climáticas e, com elas, uma sucessão de epidemias e crises agrícolas. Conheça as novas descobertas que estão reescrevendo a história de Roma.

Estamos no ano 166 d.C. O exército romano, sob liderança do senador Avídio Cássio, cerca a rica cidade de Selêucia (na região da atual Bagdá, no Iraque). Selêucia rapidamente se rende ante o poderio de Roma, mas os homens de Cássio iniciam um saque de grandes proporções mesmo assim. Um dos soldados invade o templo do deus Apolo e abre uma antiga arca. Reza a lenda que esse ato de sacrilégio fez com que saísse do baú um vapor pestilento, o qual "poluía tudo com contágio e morte, desde as fronteiras da Pérsia até o rio Reno e a Gália [França]", segundo cronistas da época.

Assim teria começado a Peste Antonina - provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas, ou 10% da população do Império Romano, na época o Estado mais populoso e poderoso do planeta. Jogar a culpa da tragédia no desrespeito a Apolo casava bem com a cultura greco-romana.

Fonte: Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 46 e 47; foto: National Geographic  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 54

Acesso à água em tempos de guerra  

A ligação entre conflitos armados e escassez de água nem sempre é óbvia. Em Gaza, por exemplo, o controle da água se tornou uma arma de guerra desde o início da ofensiva israelense.

Em julho de 2024. um relatório da Oxfam apontou que as pessoas tinham acesso a apenas 4,74 litros por dia para todos os usos - incluindo beber, cozinhar e higiene pessoal -, muito menos que o padrão mínimo aceito internacionalmente para a sobrevivência básica em emergências, que é de 20 litros por dia.

Aa qualidade da pouca água disponível em Gaza também é preocupante...

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, página 7; foto: CNN Brasil.   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 16

O capitão Graydon enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando  

Grayton fingiu grande amizade pelos mescaleros, chegando a lhes dar farinha de trigo e carne para a longa viagem. Pouco tempo depois, perto de Gallina Springs, o grupo de Graydon encontrou outra vez os mescaleros. Ninguém sabe o que aconteceu, pois nenhum mescalero sobreviveu ao incidente. Um oficial branco fez o seguinte relato:

"A operação foi realizada de forma estranha e pelo  que pude saber, ele enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando; os índios, sem dúvida, acharam que ele viera com propósitos amistosos, já que lhes tinha dado farinha de trigo, carne e provisões."

Os outros três chefes, Cadette, Chato e Estrella, chegaram a Santa Fé e garantiram ao general Carleton que seu povo estava em paz com os brancos e apenas queria ser deixado sozinho em suas montanhas. "Vocês são mais fortes que nós", disse Cadette. "Lutaríamos com vocês se tivéssemos rifles e pólvora; mas suas armas são melhores que as nossas. Deem-nos armas iguais e nos deixem livres, que também os combateremos; mas estamos abatidos; não temos mais ânimo; não temos provisões, nenhum meio de vida; suas tropas estão em toda parte; nossas fontes e nossos poços estão ocupados ou vigiados por seus jovens. Vocês nos tiraram de nosso último e melhor baluarte, e não temos mais ânimo. Façam conosco o que bem entenderem, mas não se esqueçam de que somos homens e bravos.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 38 e 39; foto: InfoEscola. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 48 

No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio. 

Sobrevivem apenas 8 indivíduos do grupo indígena Xetá, no presente. No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes, pelo que se tem conhecimento na literatura e junto aos órgãos oficiais, sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio.

Os Xetá ocupavam a região da serra de Dourados, nó noroeste do Paraná. Com a movimentação da frente pioneira que se instalou no norte do Paraná, a partir dos anos trinta [do século XX], o território indígena foi alcançado e pulverizado. Em 1949, quando começou a divisão em glebas da serra de Dourados, falou-se da presença de índios. A seguir, em 1952, uma criança Xetá foi aprisionada e entregue a um funcionário do antigo SPI [Serviço de Proteção aos Índios]. Mas só em 1955, quando, depois de um rigoroso inverno, um grupo de índios com visíveis sinais de fome crônica se apresentou na fazenda Santa Clara, foi que o SPI tomou as primeiras providências para socorrê-los e protegê-los.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 25; foto: SciELO.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 32

Civilização maia: motivo para o declínio é surpreendente e liga alerta

Você sabe o que causou o fim da civilização maia? Novos estudos sugerem um novo motivo, que deve ligar o alerta para os tempos atuais.


Cidade Maia de Chichen Itza (Crédito: Aleksandr Medvedkov/ Shutterstock)

A civilização maia foi uma das mais sofisticadas e impressionantes da América pré-colonização, tendo existido onde atualmente é o sul do México, Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador entre os séculos III e XV a.C. [do século XX a.C. ao século XVII d.C. segundo o Google e o Chat GPT]. Depois disso, no entanto, os maias tiveram um declínio misterioso. Agora, os pesquisadores associam esse fim a mudanças climáticas [locais e contemporâneas].
Os maias se organizavam em cidades-estados e a agricultura era a base de sua subsistência, mas, além disso, eles também se dedicavam às ciências, astronomia, arte e matemática, tendo deixado para trás pirâmides e observatórios.
Fonte: Olhar Digital
Rui Iwersen, editor de GaiaNet

Série de GaiaNet nº 20 

Saúde do Planeta nº 53

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados  

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados como arsênio, cádmio, cobalto, cromo, níquel e chumbo. Essa é a estimativa alarmante de um grupo de pesquisadores chineses, que analisaram os dados de 1.493 estudos realizados em diversas regiões do planeta, totalizando mais de 796 mil amostras do solo.

Esses metais podem estar naturalmente presentes na terra, ou chegar até ela por meio do descarte de resíduos industriais. As plantas acabam absorvendo esses elementos, que são altamente tóxicos e podem estar contaminando a alimentação de centenas de milhões de pessoas.

Fonte: Super Interessante, edição 475, maio 2025; Supernovas, página 13; foto: Geo Agri   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 24 

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 15

Os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las 

Por tanto tempo quanto alguém podia lembrar, os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las; por tanto tempo quanto alguém podia recordar, os navajos revidavam com ataques contra os mexicanos.

Depois que os americanos chegaram a Santa Fé e chamaram o lugar de Novo México, protegeram os mexicanos, pois eles haviam se tornado cidadãos americanos. Os navajos não eram cidadãos, pois eram índios; quando atacavam os mexicanos, os soldados invadiam o território navajo para puni-los como fora da lei. Isso era um enigma terrível para Manuelito e seu povo, pois eles sabiam que muitos dos mexicanos tinham sangue índio; os soldados nunca perseguiam os mexicanos para puni-los por roubar crianças navajas.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 33 e 34; foto: Spiritualité autochtone. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47 

As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese

Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Tanto nos agrupamentos existentes nos postos, como naqueles localizados junto a áreas urbanas, incluindo neste caso famílias isoladas, os indivíduos mantêm em operação unidades de sua cultura tradicional de maneira bem mais característica do que entre Kaingang e Xokleng. Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (...)

As populações indígenas que viviam no litoral sul, à época da descoberta do Brasil, foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, trazidas pelo europeu, pela escravização e pelo próprio trabalho de catequese dos jesuítas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Instituto Búzios.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 7

Hoje em dia vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente

É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?

Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente. Lesões pulmonares devidas ao péssimo ar que respiramos, lesões do fígado através dos tóxicos presentes na nossa alimentação, doenças infecciosas causadas por agentes patogênicos (transmitidas principalmente através das águas e dos esgotos) e crescentes manifestações alérgicas fazem que, anualmente, milhões de pessoas pereçam em conseqüência do meio ambiente doentio. Ao contrário dos nossos antepassados da Antiguidade, conhecemos hoje, perfeitamente, as correlações aí atuantes e as formas de ação dos germes patogênicos, inclusive seu ciclo de desenvolvimento.

Sabemos também que um grande número de personalidades históricas encontrou a morte devida a doenças infecciosas, pois não dominavam o seu meio ambiente - a começar pelos faraós, em cujas múmias foram encontrados transmissores de doenças altamente nocivos à vida humana (...) Existem muitos outros exemplos que nos fazem supor que os danos causados ao meio ambiente intervieram também, em larga escala, na História.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 83 ; foto: Socialismo Criativo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 52

Em regiões costeiras a redução das vazões fluviais pode provocar o avanço de água salgada em direção ao continente 

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.

Isso pode impactar a segurança hídrica e alimentar, diminuindo a disponibilidade de água para o abastecimento humano e a irrigação; a segurança energética, reduzindo o volume de água nos reservatórios [das hidrelétricas]; e os serviços ecossistêmicos, uma vez que é essencial manter uma vazão mínima no rio para garantir a conservação da vida no ecossistema aquático.

Em regiões costeiras, a redução das vazões fluviais pode provocar a intrusão salina, que ocorre quando a menor chegada de água doce ao oceano permite o avanço de água salgada em direção ao continente. Isso pode comprometer a saúde das pessoas que consomem água com alto teor de sal, aumentando o risco de hipertensão; danificar sistemas de adutoras e tubulações; além de comprometer o solo e a flora local.

Fonte: Super Interessante, edição 474, Rios brasileiros correm o risco de perder água; abril 2025, página 12; foto: Freepik  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 31 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 11

Grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá

E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.

Do mesmo modo, na terra então conhecida como Canaã, a destruição de cidades-estado antes submetidas ao poder imperial do Egito, junto com a perda da própria influência egípcia, transformou completamente a história da região. Ali, grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá, celebrando sua libertação do domínio do Egito (que eles descreveram como uma escravidão em solo egípcio) e a fé num novo deus chamado Yahweh (ou Javé, na forma aportuguesada).

Começava assim a surgir a tradição religiosa que daria origem à Bíblia e as crenças judaicas, cristãs e islâmicas. Tal como no caso dos gregos, sem a destruição das antigas estruturas imperiais, esses caminhos inovadores talvez nunca chegassem a ser trilhados.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: VEJA. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 14

Em 1860 o número de índios diminuíra à metade desde a chegada dos primeiros colonos

Foi então, no começo da década de 1860, que os homens brancos entraram em guerra entre si - os Casacos Azuis contra os Casacos Cinza, a grande Guerra Civil. Em 1860, havia provavelmente trezentos mil índios nos Estados Unidos e territórios, a maioria deles vivendo a oeste do Mississippi. Segundo cálculos que variam, seu número diminuíra de metade, ou de dois terços, desde a chegada dos primeiros colonos à Virgínia e à Nova Inglaterra.

Os sobreviventes agora estavam pressionados entre as populações brancas em expansão no Leste e no litoral do Pacífico - mais de trinta milhões de europeus e seus descendentes. Se as tribos livres remanescentes acreditavam que a Guerra Civil dos homens brancos trouxesse qualquer trégua em suas pressões por territórios, logo se desiludiriam.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 27; foto: Portal Cavalus. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 46 

A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas 

As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. É comum também a opinião dos chefes de postos sobre a continua mobilidade desses índios. Dizem: "os Guarani não usam muito o posto. Ficam sempre localizados num fundo da área. Ali fazem uma rocinha; caçam; vez ou outra aparecem na sede para vender algum balaio. E quando a gente menos espera, desaparecem..."

Essa situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas. Não há na região sul um único posto para atendê-los. Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Gazeta do Povo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 6

Grandes eventos históricos se devem ao fracasso do homem ao enfrentar o seu meio ambiente 

Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos! Ocorreu algo semelhante com as antigas civilizações da região mediterrânea? Será que, talvez, o ocaso das antigas culturas que existiram no mundo foi amplamente condicionado pelo meio ambiente?

É possível que a história da China tivesse seguido outros rumos se, já nos tempos pré-cristãos, o desmatamento de vastas áreas na região dos rios Hoang e langtsé, vítimas então de grandes inundações, não tivesse deflagrado a cada vez a fome, e esta, por sua vez, as revoluções? É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?

Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 83 ; foto: História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 10

Em Atenas surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História

Entretanto, foi justamente a queda dos governos palacianos que abriu espaço para uma reconstrução quase total da vida política e social na Grécia. Os antigos monarcas foram substituídos por assembleias dos proprietários de terras, que passaram a tomar decisões coletivamente.

E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Conhecimento Científico - R7. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 13

Os europeus eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios - juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais

Em 1848, foi descoberto ouro na Califórnia. Em alguns meses, gente do Leste aos milhares, buscando fortuna, estava cruzando o território índio. Índios que viviam ou caçavam no longo das trilhas de Santa Fé e Oregon acostumaram-se a ver uma caravana ocasional de carroções, autorizada para comerciantes, caçadores ou missionários. Agora, de repente, as trilhas estavam cheias de carroções, e os carroções estavam cheios de gente branca. A maioria indo rumo ao ouro da Califórnia, mas alguns se dirigindo para o sul, para o Novo México ou para o norte, para o território do Oregon.

Para justificar essas quebras da "fronteira índia permanente", os homens que tomavam decisões em Washington Inventaram o Destino Manifesto, uma expressão que elevava a fome de terras a um plano sublime. Os europeus e seus descendentes haviam sido escolhidos pelo destino para dominar toda a América. Eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios - juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais. Só os habitantes da Nova Inglaterra, que haviam destruído ou expulsado todos seus índios, falaram contra Destino Manifesto.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 26 e 27; foto: mozaWeb. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral – nº 45 

Os Guarani que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos

Os Guarani estão dispersos em pequenos grupos por vários postos indígenas e, também, por núcleos urbanos. Os que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos. Os grupos desassistidos pelo órgão oficial não têm aldeamentos permanentes. Perambulando de um lugar para outro, esses grupos ora estão na periferia de Porto Alegre, ora nas vizinhanças de Florianópolis ou Curitiba.

Todas as informações que logramos reunir indicam que esses contingentes Guarani pertencem ao grupo Mbüa, oriundos do noroeste da Argentina, do Paraguai e sul do Mato Grosso, sua região tradicional. Esses contingentes não são remanescentes das antigas populações Guarani que, à época da descoberta, ocupavam o litoral do sul do Brasil.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, páginas 23 e 24; foto: Povos Indígenas no Brasil Mirim.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 5

Os maias fracassaram por não terem conseguido solucionar os problemas ecológicos

A concentração de massas humanas cada vez maiores tornou acentuadamente mais difícil o abastecimento de géneros alimentícios. De onde, porém, os habitantes das cidades obtinham suas provisões alimentares? Em que lugares e sob que condições faziam as suas plantações? Havia possibilidades de se incrementar o cultivo agrícola e a criação de animais?

Os maias fracassaram, por exemplo, por não terem conseguido solucionar esses problemas. Embora as suas cidades estivessem localizadas nas úmidas matas tropicais - nas florestas virgens de Palenque e Tical, por exemplo - tiveram que, por fim, abandonar as suas cidades devido à carência de água e à erosão do solo, ocasionada pela derrubada da mata virgem primitiva. Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, páginas 82 e 83 ; foto: BigViagem.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 9

A Idade do Bronze acaba, dando origem à Idade do Ferro

O caso dos habitantes da ilha de Chipre tem algumas semelhanças com a dos fenícios. (...) mas [o arqueólogo americano Eric] Cline destaca outro ponto-chave: inovação tecnológica. "Eles são inovadores, inventivos. Conseguiram mudar de ramo, passando da produção de cobre para a de ferro, embora a de cobre não desapareça totalmente, claro", explica. Não é por acaso, afinal de contas, que a Idade do Bronze (metal que tem o cobre como uma de suas matérias primas [com o estanho]) tenha acabado, dando origem justamente à Idade do Ferro.

Na verdade, a produção de ferro já era conhecida por algumas das civilizações da Idade do Bronze, mas os processos usados para transformar o metal em armas e utensílios mais confiáveis e bem mais baratos que os de bronze ainda estavam sendo desenvolvidos. E os cipriotas desempenharam um papel crucial nisso.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Mega Curioso. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 12

A grande nação cherokee, que sobrevivera a mais de cem anos de guerras, agora seria dizimada 

Para os índios, parecia que os europeus odiavam tudo na natureza – as florestas vivas e seus pássaros e bichos, as extensões de grama, a água, o solo e o próprio ar.

A década que se seguiu ao estabelecimento da "fronteira índia permanente" foi um período ruim para as tribos orientais. A grande nação cherokee sobrevivera a mais de cem anos de guerras, doenças e uísque do homem branco, mas agora seria dizimada. Como os cherokees eram milhares, sua deslocação para o Oeste havia sido planejada em etapas gradativas, mas a descoberta de ouro apalachiano dentro de seu território causou um clamor por seu êxodo total e imediato.

Durante o outono de 1888, os soldados do general Winfield Scott os cercaram e os concentraram em acampamentos. (...) Dos campos de prisioneiros, começaram a partir para o Oeste, rumo ao Território Índio. Na longa jornada de inverno, um entre quatro cherokees morreu de frio, fome ou doença. Chamaram-na de marcha do "caminho de lágrimas".

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 25 e 26; foto: Portal Cavalus. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 44

Os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento

A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. "A reserva é um desânimo só", disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.

Em São João dos Pobres, os Xokleng estão em vias de rápido desaparecimento. Vivem sem assistência oficial. São 4 indivíduos apenas. Um homem e  três mulheres. Outrora, em 1920, ano da atração, somavam 50. A terra que ocupam jamais foi regularizada pelos órgãos assistenciais. O precário apoio que recebem é obtido junto aos postos assistenciais dos governos municipais.

O desaparecimento desse grupo, entretanto, está a ocorrer dentro de um quadro muito especial. Trata-se da negativa flagrante dos descendentes mestiços do grupo a assumir a identificação indígena, decorrente dos estereótipos altamente negativos que os regionais mantêm sobre os índios.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xokleng, página 23; foto: Conselho Indigenista Missionário - Cimi.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 51

Rios brasileiros correm o risco de perder água

Pesquisadores da USP analisaram 17.972 poços localizados a menos de 1 km de rios de todo o Brasil, e encontraram um sinal preocupante: mais da metade deles (55 %) apresentou nível inferior ao do rio mais próximo - indicando que, a longo prazo, os rios podem perder água. (...)

Isso indica que, se existir uma conexão hidráulica entre o rio e o aquífero, esse rio pode estar perdendo água para o aquífero. É um processo natural. Se o nível do aquífero estiver acima do nível do rio, o rio potencialmente está recebendo água do aquífero. Caso contrário, ele está potencialmente perdendo água para o aquífero.

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.

Fonte: Super Interessante, edição 474, abril 2025, página 12; foto: Jota 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 4

As antigas realizações técnicas tinham relações com a defesa, a obtenção e o armazenamento de água

O acúmulo de dezenas de milhares de pessoas num espaço reduzido, depois mesmo de centenas de milhares de pessoas, levou o homem, já na Antiguidade, a se ver confrontado com problemas de defesa ecológica, tal como os conhecemos também nas nossas metrópoles.

De um lado, as águas produzidas por fontes nas proximidades das grandes cidades tinham de ser captadas, armazenadas e conduzidas às povoações. Vincula-se a isso a eliminação das águas servidas, ou seja, os esgotos. Não devemos pois nos admirar de que as antigas realizações técnicas do homem tivessem de manter restritas relações com o desenvolvimento de instalações destinadas à defesa, à obtenção e ao armazenamento de água. Foi no âmbito da economia dos recursos hídricos que primeiro se obtiveram conhecimentos que continuam a ser proveitosos ainda nos nossos dias.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 82 ; foto: Guia do Estudante.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 29 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 8

Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário

A sorte de ambas essas potências mesopotâmicas [Assíria e Babilônia] é que, para começo de conversa, elas estavam relativamente longe do Mediterrâneo - e, portanto, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar. O segundo ingrediente da sobrevivência: liderança com a cabeça no lugar. (...)

E há, é claro, um fator ainda mais crucial: água. Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário. "Assírios e babilônios podiam contar com o Tigre e o Eufrates, que continuavam fornecendo água em quantidades adequadas mesmo durante a grande seca", diz o arqueólogo americano [Eric Cline]. "Os egípcios tinham o Nilo. Já os hititas não contavam com nenhum rio tão resiliente em seu território."

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Facebook. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos - nº 11

Para os índios parecia que os europeus odiavam tudo na natureza 

No continente, os wampanoags de Massasoit e do rei Philip haviam desaparecido, junto com os chesapeakes, os chickahominys e os potomacs da grande confederação Powhatan. (Só Pocahontas era lembrada). Dispersos ou reduzidos a sobreviventes: os pequots, montauks, nanticokes, machapungas, catawbas, cheraws, miamis, hurons, eries, mohawks, senecas e mohegans. (Só Uncas era lembrado). Seus nomes, que se celebrizaram na história da sua pátria, permaneceram para sempre fixados na terra americana; mas seus ossos estavam abandonados, esquecidos em mil aldeias queimadas, perdidos em florestas que logo desapareciam diante dos machados de vinte milhões de invasores.

Os rios, de cujas águas límpidas e cristalinas se serviam eșses povos, a maioria com nomes índios, já estavam turvados pelo lodo e pelos detritos dos intrusos; a própria terra estava sendo devastada e dissipada. Para os índios, parecia que os europeus odiavam tudo na natureza - as florestas vivas e seus pássaros e bichos, as extensões de grama, a água, o solo e o próprio ar.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio - A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 25; foto: Portal dos Mitos. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 43

A maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais

Orientando o posto indígena desde a pacificação [em 1910] até 1954, Eduardo Hoerhan logrou resguardar a área indígena de Ibirama da exploração dos civilizados regionais. Com a sua destituição, entretanto, esse quadro logo se modificou. Em pouco tempo, os Xokleng passaram a ser utilizados pela sociedade regional em seu potencial de mão de obra e capacidade de consumo, enquanto o potencial florestal da reserva começou a ser sistematicamente explorado.

Sujeitos a situações de trabalho em que predomina a espoliação, a maioria dos Xokleng hoje sobrevive pela execução de atividades de extração de palmitos em áreas florestais localizadas fora do posto indígena. A agricultura é praticada de modo bastante precário, pois não há condição para os índios, isoladamente, dinamizarem tal atividade. A exploração de madeiras que continuamente vem se fazendo na reserva, pela associação da FUNAI com madeireiros regionais, não utiliza em nenhum momento a mão de obra indígena. A prostituição não é desconhecida por muitos dos elementos do sexo feminino. A esperança de viver dias melhores já desapareceu para a maioria da população. "A reserva é um desânimo só", disse-me há alguns dias um regional interessado na situação dos índios.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 23; foto: BBC News.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 3

O que mais o impressionou um pigmeu que vivia ainda na selva foi a água canalizada de nossas cidades

Quando, há algumas décadas, foi trazido para uma metrópole australiana um pigmeu que vivia ainda na selva, num ambiente da Idade da Pedra, perguntaram-lhe, depois de lhe terem mostrado todas as conquistas da civilização, o que lhe tinha causado maior impressão. Ao contrário do que se esperava, ele não respondeu que tinham sido os "arranha-céus". O que mais o impressionou foi o fato de que, ao se abrir uma simples torneira, escorria "água" da canalização, em grande quantidade.

Com seu instinto seguro, o pigmeu tinha reconhecido que não invejava o homem civilizado por possuir aquelas torres de cimento e tijolos e suas autoestradas. Portanto, só podia causar-lhe admiração, realmente, o fato de que se podia obter, pela canalização, qualquer quantidade de água, a toda hora do dia ou da noite.

Tratando-se do elemento básico, que é sobreviver na luta pela existência no nosso planeta, a água límpida e potável é mais importante do que o mais rápido e maior dos jatos tipo Jumbo que atravessam os oceanos em tempo recorde.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 81 ; foto: Inforpress.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 28 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 7

As potências mesopotâmicas estavam relativamente longe do Mediterrâneo, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar

Seja como for, o cenário geral da desgraça e suas causas estão ficando razoavelmente claros. O apocalipse da Idade do Bronze está relacionado a guerras e fenômenos climáticos, com suas consequências políticas e econômicas. (...)

Na categoria dos sobreviventes, cada caso é um caso, mas há alguns pontos interessantes em comum. Talvez a situação mais simples de entender seja a da Mesopotâmia (grosso modo, o atual Iraque), onde a Assíria, no norte, e a Babilônia, no sul, mantiveram sua estrutura estatal mais ou menos intacta.

A sorte de ambas essas potências mesopotâmicas é que, para começo de conversa, elas estavam relativamente longe do Mediterrâneo - e, portanto, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar. O segundo ingrediente da sobrevivência: liderança com a cabeça no lugar. "Eles tiveram os líderes certos na hora certa. Enquanto o Império Hitita, por exemplo, bem no momento em que a grande seca causava seus piores efeitos, acabou dilacerado por uma guerra entre membros da família real."

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, páginas 36 e 39; foto: Planejativo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos - nº 10

Os europeus que seguiram Colombo destruíram a vegetação e seus habitantes - homens, animais, pássaros e peixes - da ilha de São Salvador 

Mais de três séculos haviam se passado desde que Cristóvão Colombo desembarcara em São Salvador, mais de dois séculos desde que os colonos ingleses haviam chegado à Virginia e à Nova Inglaterra. Nesse espaço de tempo, os amistosos tainos que receberam Colombo na praia haviam sido completamente dizimados.

Bem antes do último dos tainos morrer, a simplicidade de sua cultura de lavoura e artesanato fora destruída e substituída por plantações de algodão onde trabalhavam escravos. Os colonos brancos abateram as florestas tropicais para aumentar seus campos; os algodoeiros cansaram o solo; sem o escudo das florestas, ventos cobriam os campos de areia.

Quando Colombo viu a ilha pela primeira vez, descreveu-a como "muito grande, muito alta e com árvores muito verdes... o conjunto é tão verde que é um prazer olhá-lo". Os europeus que o seguiram destruíram sua vegetação e seus habitantes - homens, animais, pássaros e peixes - e, depois de a transformarem num deserto, abandonaram-na.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio - A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 24 e 25; foto: Mundo Educação - UOL.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 42

Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos

" (...) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam."

Efetivamente, os Xokleng passaram a enfrentar inimigos mais sutis, mas com maior poder destrutivo. Epidemias grassaram no grupo, ceifando a maior parte dos índios que haviam sido atraídos. Os sobreviventes tiveram de se adaptar à vida sedentária, substituindo suas atividades tradicionais de caça e coleta, pelo cultivo de roças. A dieta alimentar foi bruscamente alterada, contribuindo, hoje se sabe, para a disseminação de doenças. O desequilíbrio demográfico, por sua vez, alterou toda a organização tribal, tornando o grupo definitivamente dependente do organismo oficial de proteção.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: Terra.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 2

Nas épocas pré-cristãs das civilizações mediterrâneas existiam metrópoles que já enfrentavam problemas ecológicos

Já há algumas décadas comecei a me conscientizar de que a humanidade se encontra à beira do maior perigo que enfrentou até hoje. Nem a mais devastadora das guerras, nem a destruição de que são capazes as bombas atômicas têm o poder de ameaçar a existência humana na mesma proporção que o fará a catástrofe ecológica que se avizinha. Eis porque surge, óbvia, a indagação: será que os danos ecológicos são um sinal característico da moderna civilização ou também exerceram marcante influência na Antiguidade?

Nas épocas pré-cristãs das civilizações mediterrâneas existiam metrópoles que, certamente, já enfrentavam problemas de defesa ecológica. Como, por essa época, a utilização da técnica ainda não tinha progredido como hoje em dia, podemos excluir a ameaça da poluição atmosférica. Porém, devemos voltar a nossa atenção para os danos ecológicos ocasionados pelo desmatamento, pela erosão do solo, pelos esgotos e pelo lixo doméstico.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, páginas 79 e 80; foto: iStock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Gelo polar deve seguir derretendo até 2300

Mesmo se a humanidade cortar drasticamente as suas emissões de CO2, em quantidade suficiente para alcançar  o estado de "carbono negativo"(situação em que o carbono da atmosfera começa a diminuir), e fizer isso relativamente rápido, já a partir de 2050, o Círculo Polar Ártico deve continuar derretendo por muito tempo, pelo menos até o ano 2300.

Essa é a conclusão pouco animadora de uma simulação feita por cientistas da Coréia do Sul, que analisaram áreas cobertas por permafrost: regiões polares onde o gelo normalmente nunca derrete, mas devido às mudanças climáticas começou a fazer isso [derreter].

Segundo o estudo, os polos vão continuar descongelando porque o aquecimento global já tomou muito impulso - e também porque, ao derreter, o permafrost libera CO2 e metano, que retêm calor na atmosfera e realimentam o processo [e libera também micro-organismos, talvez nocivos à saúde humana ou de outros animais].

Fonte: Bruno Garattoni, Supernovas, Super Interessante, edição 473, março 2025, página 10; foto: Aventuras no Conhecimento.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 27 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 6

O apocalipse da Idade do Bronze está relacionado a guerras e fenômenos climáticos 

"Dois anos contínuos [de seca] costumam destruir as estratégias de resiliência a longo prazo, fazendo com que, por exemplo, não seja mais possível alimentar animais domésticos nas fazendas. Um terceiro ano consecutivo é muito raro, e muito sério", afirma Manning [Stuart Manning, da Universidade Cornell (EUA)]. "No mundo pré-moderno, isso acabaria minando a autoridade do rei, tanto pela incapacidade de coletar impostos e alimentar o Exército quanto também do ponto de vista simbólico: claramente os deuses abandonaram e rejeitaram os governantes." (...)

Por outro lado, as colheitas ruins também podem ter estimulado revoltas internas em vários reinos - até porque, na maioria dos casos, não há indício de que uma população vinda de fora tenha conquistado os domínios palacianos.

Seja como for, o cenário geral da desgraça e suas causas estão ficando razoavelmente claros. O apocalipse da Idade do Bronze está relacionado a guerras e fenômenos climáticos, com suas consequências políticas e econômicas.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 36; foto: Notícias Concursos.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 1 

Apresento, a partir de hoje, esta nova Série de GaiaNet com cerca de 60 pequenos artigos extraídos dos capítulos III - O Meio Ambiente na Antiguidade, IV - O Meio Ambiente na Idade Média e V - Como Escapar da Catástrofe Ecológica do livro Terra -Um Planeta Inabitável? do alemão Hans Liebmann, de 1973.

Estamos fazendo que o nosso planeta acabe por se tornar artificialmente inabitável nas próximas décadas 

A alteração do equilíbrio biológico do nosso meio ambiente e os  tantos focos de perigo que nós próprios criamos  através da poluição do nosso espaço vital, quer terrestre, aquático ou atmosférico - todos esses sinais de alarma e suas consequências para cada um de nós em particular são de tal forma graves que não podemos ficar à espera de medidas legais que possam salvar o nosso planeta. Já tão-somente o nosso instinto de conservação deveria ser suficiente para nos livrar dos terríveis acontecimentos que se anunciam.

No entanto, sabemos todos nós muito bem que isso não acontece e que, a passos de gigante, por nos afastarmos sempre mais da vida natural, estamos fazendo que o nosso planeta acabe por se tornar artificialmente inabitável nas próximas décadas.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 79; foto: Dreamstime.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos - nº 9

Os holandeses ordenaram o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam

Quando os holandeses chegaram à ilha de Manhattan, Peter Minuit comprou-a por sessenta florins em anzóis e contas de vidro, mas eles encorajaram os índios a permanecer e continuar trocando suas valiosas peles por tais bugigangas.

Em 1641, Willem Kieft cobrou tributos dos mahicans e enviou soldados à ilha Staten para punir os raritans por ofensas cometidas por colonos brancos, não por eles. Quando os índios revidaram, matando quatro holandeses, Kieft ordenou o massacre de duas aldeias inteiras enquanto os habitantes dormiam. Os holandeses passaram à baioneta homens, mulheres e crianças, cortaram seus corpos em pedaços e arrasaram as aldeias com fogo.

Por mais dois séculos, esses fatos se repetiram, enquanto os colonos europeus deslocavam=se para o interior, através de passagens entre os montes Alleghenies, e para os rios que corriam no rumo oeste, para o Grandes Águas (o Mississippi) e para o Grande Barrento (o Missouri).

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio - A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 22; foto: InfoEscola.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 41

O convívio não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios

As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.

Assim sendo, compreende-se porque as técnicas de persuasão empregadas pelo novo e vigoroso Serviço de Proteção aos Índios, além da bravura do jovem Eduardo Hoerhan, convenceram a maioria dos Shokleng  sobreviventes ao convívio pacífico. Convívio que entretanto não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios. E isto se depreende nitidamente do seguinte depoimento do pacificador:

" (...) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morreriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam."

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, página 22; foto: AgroSaber.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 26 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 5

Um estudo da Universidade Cornell (EUA) mostrou que todo o século anterior ao colapso do Mediterrâneo Oriental foi marcado por secas

Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados, a população grega pode ter caído pela metade e até a arte da escrita foi completamente esquecida. Mas os Povos do Mar (quem quer que fossem eles) não podem ser responsabilizados sozinhos por tanta desgraça.

Tudo indica que, para que eles conseguissem causar tanto estrago, foi preciso que boa parte do Mediterrâneo Oriental já tivesse sido desestabilizada por outros fatores, e o principal parece ter sido o clima. Num estudo publicado em 2023 no periódico especializado Nature, uma equipe liderada por Stuart Manning, da Universidade Cornell (EUA), mostrou que todo o século anterior ao colapso foi marcado por condições cada vez mais secas na esfera de influência dos hititas, por exemplo. Situações parecidas podem ter afetado as ilhas do mar Egeu, a Grécia e talvez a Itália.

Por fim, pouco depois de 1200 a.C., três anos consecutivos de seca totalmente fora do comum chegaram, coincidindo, ao que parece, com o abandono de Hattusa, a capital hitita.

Fonte: Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, páginas 35 e 36; foto: Escola Kids - UOL.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos - nº 8

O poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts 

Na época em que Massasoit, grande chefe dos wampanoags, morreu, em 1602, seu povo estava sendo expulso para as florestas. Seu filho Metacom previu que os índios chegariam ao fim, se não se unissem para resistir aos invasores. Embora os habitantes da Nova Inglaterra tentassem agradar Metacom, coroando-o rei Philip de Pokanoket, ele dedicou a maior parte de seu tempo à formação de alianças com os narradansetts e outras tribos da região.

Em 1675, depois de uma série de ações arrogantes por parte dos colonos, o rei Philip [Metacom] levou sua confederação índia a uma guerra destinada a salvar as tribos da extinção. Os índios atacaram 52 acampamentos, destruíram completamente doze, mas, depois de meses de luta, o poder de fogo dos colonos praticamente exterminou os wampanoags e narragansetts.

O rei Philip foi morto e sua cabeça exibida publicamente em Plymouth por vinte anos. Juntamente com outras mulheres e crianças índias capturadas, sua mulher e seu filho foram vendidos como escravos nas Índias Ocidentais.

Fonte: Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio - A dramática história dos índios norte-americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 21 e 22; foto: eCycle.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 40

A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos

Um terceiro grupo [indígena], entretanto, continuou perambulando nas florestas do sul do estado de Santa Catarina. Descendentes desse grupo, segundo tudo indica, ainda vagam nas escassas pontas de floresta que cobrem a serra do Taboleiro.

A resistência indígena foi enfrentada pelos governos locais e pelas companhias interessadas nos negócios de colonização, com a organização e estipêndio de grupos de bugreiros. A ordem era de afugentar os índios para lugar onde não mais pudessem incomodar os brancos. Mas, segundo o objetivo depoimento de um bugreiro, "o negócio era afugentar pela boca da arma".

As pressões exercidas pela frente de expansão sobre o território ocupado pelos Xokleng foi de tal ordem que, em vários episódios onde os índios assaltaram os brancos, evidencia-se claramente que a fome era a razão do ataque.

Fonte: Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I - Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, páginas 21 e 22; foto: Café História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 50

Entre 2022 e 2023 mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos.

Há mais de 120 conflitos armados acontecendo no mundo todo. Muitos nem aparecem nos jornais. Mas em cada um deles há muitas crianças que são obrigadas a viver em meio à violência extrema. (...)

Em zonas de guerras, muitas salas de aula são atingidas por balas e bombardeios, enquanto outras transformam-se em abrigos temporários. Até o caminho torna-se perigoso, e milhões de crianças precisam atravessar campos minados e regiões afetadas por ataques constantes para chegar à sala de aula.

Apenas entre 2022 e 2023, mais de 6 mil escolas sofreram ataques e mais de 10 mil estudantes e professores foram feridos. Em regiões como Gaza, Ucrânia e República Democrática do Congo, centenas de escolas foram ameaçadas ou atingidas por tiros e bombardeios.

Fonte: Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), fevereiro de 2025; foto: Andes - SN

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Aquecimento global

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Nesta página apresento informações sobre aquecimento global e suas mudanças ambientais, sanitárias e sociais.

Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 24

Micróbios pioram o aquecimento global

O aumento na temperatura do planeta está derretendo o Ártico - e isso, como aponta um estudo publicado pela Universidade da Califórnia, vem estimulando a proliferação de micróbios que produzem metano, gás que retém calor na atmosfera e agrava o problema.

Os cientistas analisaram o nível de metano atmosférico entre 2006 e 2023 (período em que ele aumentou), e encontraram uma relação direta entre o teor desse gás no Ártico e o aquecimento global.

Além do fenômeno apontado pelo estudo, atividades humanas como a agricultura e a pecuária também geram muito metano -cada bovino arrota 100 kg desse gás, que se forma durante a digestão, por ano. (BG)

Super Interessante, edição 483, janeiro 2026, página 15; foto: Janela para a Rússia.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 57

No Brasil, a maior parte dos gases de efeito estufa vem da troca de florestas por pastos ou lavouras   

Enquanto a queima de carvão mineral - principalmente por China e Estados Unidos para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras.

Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO, equivalente (o cálculo de CO, equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990.

Galileu, edição 329, dezembro 2018, O país do futuro, página 27; foto: Blog do Valdemir.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 56

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas arrotando metano 

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas (218 milhões, conforme dados do IBGE, no Brasil). E esses animais arrotam metano, que piora o aquecimento global: esse gás permanece menos tempo na atmosfera do que o CO₂, mas, enquanto está lá, é capaz de reter [20 vezes] mais calor do que ele .

Super Interessante, edição 467, setembro 2024, Vacina [no gado] promete ajuda contra aquecimento global, página 11; foto: Brasilagro.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


A pecuária e as emissões de gases geradores de efeito estufa

A pecuária é responsável por 7.4% das emissões mundiais de gases geradores de efeito estufa. O desmatamento para a produção de soja (que vira ração) e pasto (para abrigar gado) reduz a capacidade das florestas de absorver carbono.

Além disso, o sistema digestivo dos bois não está exatamente preocupado com a crise climática: esses animais liberam metano (CH) no ambiente na forma de puns abundantes.

Super Interessante, edição 470, dezembro 2024, Hambúrguer de proveta, página 40; foto: Climainfo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 55

Aquecimento global - a febre de Gaia, o planeta vivo doente

Dados confirmaram que 2024 foi o primeiro ano a ultrapassar a marca de 1,5 º C de aquecimento global em relação a níveis pré-industriais. (1)

Um estudo analisou 23 mil espécies de peixes e crustáceos de água doce - e descobriu que 24% correm risco de extinção. (2)

Fonte: Super Interessante, edição 472, fevereiro 2025, página 32; 1 - Organização Mundial de Meteorologia; 2 - International Union for Conservation of Nature (IUCN); foto: Pensamento verde.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Dia Nacional da Saúde

A crise climática é uma crise de saúde

(...) Até alguns anos atrás, a emergência climática era associada a suas consequências mais visíveis, como inundações e tempestades, que destroem infraestrutura, moradias e meios de subsistência. E esse tipo de situação tem sem dúvida aumentado, mas há também implicações menos óbvias, que afetam a saúde e a vida das pessoas. Hoje, já não temos mais dúvida de que a crise climática é uma crise de saúde.

Que consequências para a saúde são essas?

São muitas, mas posso destacar o calor extremo, que atinge populações de áreas urbanas, especialmente idosos; e mudanças no regime de chuvas e na temperatura, que facilitam a propagação de vetores de doenças, como mosquitos, que passam a viver onde antes não estavam presentes. Também são mais frequentes secas e inundações, que afetam a agricultura, gerando desnutrição, movimentos migratórios e até disputas por territórios, que podem desencadear conflitos armados. Adicionalmente, a necessidade de se adaptar a essas mudanças tem impacto sobre a saúde mental. (...)

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, junho 2025; Entrevista, Renata Reis, diretora-executiva do MSF Brasil, página 8; foto: InfoMoney.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Gelo polar deve seguir derretendo até 2300

Mesmo se a humanidade cortar drasticamente as suas emissões de CO2, em quantidade suficiente para alcançar  o estado de "carbono negativo"(situação em que o carbono da atmosfera começa a diminuir), e fizer isso relativamente rápido, já a partir de 2050, o Círculo Polar Ártico deve continuar derretendo por muito tempo, pelo menos até o ano 2300.

Essa é a conclusão pouco animadora de uma simulação feita por cientistas da Coréia do Sul, que analisaram áreas cobertas por permafrost: regiões polares onde o gelo normalmente nunca derrete, mas devido às mudanças climáticas começou a fazer isso [derreter].

Segundo o estudo, os polos vão continuar descongelando porque o aquecimento global já tomou muito impulso - e também porque, ao derreter, o permafrost libera CO2 e metano, que retêm calor na atmosfera e realimentam o processo [e libera também micro-organismos, talvez nocivos à saúde humana ou de outros animais].

Fonte: Bruno Garattoni, Supernovas, Super Interessante, edição 473, março 2025, página 10; foto: Aventuras no Conhecimento.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


ONU alerta para o aumento do nível do mar com o aquecimento das águas do Pacífico Sul

Relatório das Nações Unidas afirma que, no Rio de Janeiro, o Atlântico pode avançar mais de 20 cm até 2050.

A Organização das Nações Unidas divulgou um alerta mundial com uma previsão sombria: o nível do mar deve subir de forma dramática nas próximas décadas, em consequência do aquecimento global.

O problema é mais urgente no sul do Oceano Pacífico. Lá, o nível do mar subiu 15 cm nos últimos 30 anos. E é um risco à existência de nações inteiras. Os números são de um relatório da ONU, divulgado nesta terça-feira (27) no Fórum Anual das Ilhas do Pacífico, em Tonga – um país ameaçado. O secretário-Geral da ONU, António Guterres, saiu da formalidade para dizer:

"Esta é uma situação maluca. Não existe um barco salva-vidas para nos levar até um local seguro”.

O relatório mostra também que a temperatura da água no sul do Pacífico aumentou três vezes mais rápido do que a média global. Esse calor faz o volume da água se expandir - o oceano, aquecido, ocupa mais espaço e, consequentemente, o nível do mar sobe.

Um leão-marinho ilhado. Esta cena representa outra causa para o avanço dos oceanos: o derretimento do gelo na Antártida e na Groenlândia. Dados divulgados recentemente pela Nasa mostram que, entre 1985 e 2022, a Groenlândia perdeu 1 bilhão de toneladas de gelo. Em 2017, um bloco de gelo gigante se desprendeu da costa e quase colidiu com um pequeno vilarejo. O derretimento das geleiras e o aumento do nível do mar são uma ameaça não só para as ilhas, mas também para cidades costeiras em várias partes do mundo.

Outro relatório divulgado pela ONU afirma que, na cidade de Nova York, o mar pode subir 26 cm até 2050. Por isso, a prefeitura já começou a tomar medidas para evitar futuras inundações. Um gramado, por exemplo, tem uma função importante: drenar o excesso de água.

O relatório cita também o Brasil. Na cidade do Rio de Janeiro e no distrito de Atafona, no município de São João da Barra, o nível do mar aumentou 13 cm entre 1990 e 2020. Até 2050, pode subir mais 21 cm. Pode parecer pouca coisa, mas é o suficiente para colocar bairros e comunidades em risco.

Fonte: G1, Jornal Nacional; foto: Portal Ambiente Legal.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Nasa revela aumento 'inesperado' do nível do mar em 2024

A Nasa, a agência espacial norte-americana, revelou nesta quinta-feira (13) que o nível global do mar apresentou uma elevação superior à esperada no ano de 2024, principalmente devido ao aquecimento dos oceanos. De acordo com a análise conduzida pela agência, a taxa de elevação atingiu 0,59 centímetros, valor consideravelmente superior à projeção inicial de 0,43 centímetros anuais.

"Os dados que coletamos em 2024 demonstram um aumento além do que nossos modelos previram", explicou Josh Willis, pesquisador especializado em níveis oceânicos do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência.

"Embora existam variações anuais, a tendência geral é inequívoca: os oceanos continuam subindo, e a velocidade desse processo está se intensificando progressivamente." A pesquisa indica uma importante alteração no padrão de contribuição para a elevação do nível do mar. Tradicionalmente, cerca de dois terços desse aumento eram atribuídos à água proveniente do derretimento de geleiras e camadas de gelo terrestres, enquanto aproximadamente um terço resultava da expansão térmica da água oceânica. Em 2024, contudo, essa proporção inverteu-se, com dois terços da elevação sendo consequência direta da expansão térmica.

"O ano de 2024 registrou as temperaturas mais elevadas já documentadas, e os oceanos do planeta respondem diretamente a esse fenômeno, alcançando seus níveis mais altos em três décadas de monitoramento", afirmou Nadya Vinogradova Shiffer, responsável pelos programas de oceanografia física e pelo Observatório Integrado do Sistema Terrestre na sede da Nasa em Washington.

Fonte: G1

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Ano mais quente da história, 2024 supera o limite de aquecimento de 1,5°C do Acordo de Paris

Para o diretor do observatório Copernicus, a humanidade não está preparada para o novo e ‘monumental’ desafio climático

O ano de 2024 foi o mais quente da história e o primeiro a romper a barreira de 1,5°C de aumento na temperatura média da Terra, estipulado como limite crítico pelo Acordo de Paris. Os dados mostram um aumento de 1,6°C na temperatura média global, que chegou a 15,10°C, e foram divulgados nesta sexta (10) pelo observatório europeu Copernicus.

O recorde que foi batido em todos os continentes superou o ano de 2023 que, desde que os registros começaram em 1850, tinha também sido o mais quente da história. O dia mais quente de 2024 foi 22 de julho, quando a temperatura média do planeta atingiu 17,16°C. O cenário está diretamente ligado ao aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera, consequência de atividades humanas tais como a queima de combustíveis fósseis.

De acordo com o estudo, a aumento da temperatura global no ano passado teve maior responsabilidade humana do que de fenômenos naturais, como o El Niño. Em 2024, o índice de aumento de dióxido de carbono foi o maior já visto. Os resultados do relatório alertam para a distância entre a realidade e as promessas de transição do uso de combustíveis fósseis como petróleo, gás e carvão que foram feitas durante a Conferência Climática da ONU em Dubai, em dezembro de 2023. Segundo o estudo, se seguir como está caminhando, o mundo deve chegar a um aquecimento de 2,7 °C até o fim do século. (...)

Fonte: Brasil de Fato; foto: O Globo. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Mundo registra um dia com temperatura média global 2°C acima da era pré-industrial

Dados do Copernicus (C3S) mostram que recorde foi batido na sexta (17/11): anomalia foi de 2,07°C. Meta do Acordo de Paris é reduzir emissões dos gases de efeito estufa para limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Na sexta-feira 17 de novembro, o mundo bateu um marco considerado preocupante no cenário climático: pela 1ª vez, a média global de temperatura ultrapassou os 2°C de anomalia e atingiu exatos 2,07°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900). O valor provisório para o sábado (18) é 2,06°C.

Fonte: G1; foto: Portal iMulher

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 46

Os desertos surgem do esgotamento lento do solo através de uma exploração crescente de seus recursos

Quando a erosão do solo alcança determinados níveis, a terra se torna estéril. Os efeitos dos desmatamentos podem ser detectados em todo o mundo, nas suas consequências mais devastadoras.

Sobre isso escrevem, por exemplo, Jacks e White: "Os desertos da China Setentrional, Pérsia, Mesopotâmia e da África do Norte contam, todos eles, a mesma história do esgotamento lento do solo através de uma exploração crescente de seus recursos, determinada por uma civilização que foi se expandindo. Ele foi explorado de tal forma que não lhe restou força alguma para se recuperar. Naturalmente, à exaustão do solo seguiu-se - um fato que hoje se pode constatar - a erosão. (...)"

Fonte: Hans Liebmann, Terra - um planeta inabitável?, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, página 33; foto: Freepik.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 45

Acredita-se em contaminação por mercúrio a morte de botos e tucuxis na região amazônica do Médio Solimões

As cenas foram de cortar o coração: ao menos 130 botos e tucuxis apareceram mortos em Tefé, na região amazônica do Médio Solimões. As causas ainda estão sendo investigadas, mas acredita-se em contaminação, possivelmente por mercúrio.

A temperatura da água dos rios, que atingiu mais de 40 graus, certamente também contribuiu para a tragédia. Os picos do termômetro provocaram a mais severa seca da história e alguns trechos do Rio Negro ficaram completamente secos. Para além do triste cenário revelado pela fauna - um barco com piscina abrigava os animais resgatados com vida -, há implicações para as populações ribeirinhas, de circulação restrita, sem acesso a escolas e a alimentos que chegam de barcos.

Fonte: Veja, Editora Abril, edição 2862, ano 56, número 40, 6 de outubro de 2023, Tragédia Amazônica, página 23; foto: Projeto Colabora.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 43

O Brasil registrou 68.635 focos de queimadas em agosto

O Brasil registrou 68.635 focos de queimadas em agosto, de acordo com dados do “Programa Queimadas”, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

É o pior resultado para o mês desde 2010, quando 90.444 focos ativos foram detectados pelo satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Considerando os dados históricos coletados pelo Inpe desde 1998, os números do governo federal colocam o período como o quinto pior mês de agosto no total de focos de queimadas para o Brasil.

A taxa também mais que dobrou na comparação com o ano passado, quando o país teve 28.056 focos no mesmo período. A média de queimadas para o mês é de 46.529 focos. Já o mínimo de focos registrado pelo Inpe aconteceu em 2013, quando cerca de 21 mil foram contabilizados em todo o país. Ainda segundo o Inpe, mais de 80% desses focos ocorreram na Amazônia e no Cerrado.

Na Amazônia, a temporada de incêndios geralmente ocorre entre junho e outubro, mas fazendeiros, garimpeiros e grileiros derrubam a floresta e se preparam para queimá-la durante todo o ano. E de acordo com o Programa Queimadas, o bioma registrou 65.667 focos de fogo desde janeiro até agora (1º setembro). O número representa um aumento de 104% quando comparado com o mesmo período do ano passado, quando 32.145 focos foram contados pelo instituto. (...)

Fonte: G1; Foto: Blog Nossa Voz.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


A desertificação e a seca ameaçam vidas e meios de subsistência em todo o planeta

Mais de 2 bilhões de hectares das terras do mundo estão degradados, afetando mais de 3 bilhões de pessoas.
A desertificação e a seca ameaçam vidas e meios de subsistência em todo o planeta. Ecossistemas vitais e inúmeras espécies estão sob ameaça.
Em face de secas mais severas e prolongadas, tempestades de areia e aumento das temperaturas, é fundamental encontrar maneiras de impedir que a terra seca se transforme em deserto, que as fontes de água doce evaporem e que o solo fértil se transforme em pó.
De empresas e governos a indivíduos, todos podem ajudar a acabar com a degradação da terra, restaurar paisagens destruídas e criar um planeta habitável para as próximas gerações.
Fonte: Programa da ONU para o meio ambiente.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 42

Dia da Sobrecarga da Terra, indicador calculado desde 1971, mostra que em 2023 usamos 75% mais recursos do que o planeta pode suportar

Hoje, o aquecimento global e outros problemas ambientais são temas dominantes - e urgentes. Todo ano, a ong americana Global Footprint Network calcula o chamado Dia da Sobrecarga da Terra, a data em que ultrapassamos a capacidade do planeta de reequilibrar seus sistemas ecológicos e regenerar recursos naturais.

Esse indicador é calculado desde 1971; naquele ano, a humanidade atravessou o limite em dezembro. Já em 2023, isso aconteceu no dia 2 de agosto. Isso significa que, no ano passado, usamos 75% mais recursos do que o planeta pode suportar.

Fonte: Super Interessante, edição 459, janeiro de 2024, O fim da superpopulação, página 22; foto: A Terra é Redonda.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20 

Saúde do Planeta nº 41

Modelo teórico mostra a dinâmica do colapso ambiental 

Os vínculos intrincados entre algas que vivem nos oceanos, produção de gás enxofre, química atmosférica, física das nuvens e clima vêm, aos poucos, sendo descobertos em dezenas de laboratórios ao redor do mundo. (...)

Quando executamos nosso modelo aumentando gradualmente a entrada de calor do Sol, ou  mantendo o Sol constante mas aumentando a entrada de dióxido de carbono, como estamos fazendo agora no mundo real, o modelo mostrou um bom equilíbrio, com os ecossistemas oceânico e terrestre desempenhando seus papéis. Mas, quando a quantidade de dióxido de carbono se aproximou de 500 ppm, o equilíbrio começou a falhar, e ocorreu um súbito aumento de temperatura. A causa foi o colapso do ecossistema oceânico. Com o aquecimento do mundo, a expansão da superfície morna dos oceanos privou as algas de nutrientes, até que elas se extinguissem. Com a diminuição da área de oceano coberta por algas, seu efeito resfriador diminuiu e a temperatura disparou.

James Lovelock, A Vingança de Gaia, Editora Intrínseca, 2006, páginas 40 e 41; foto: Olhar Digital.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Biodiversidade - Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 13

Efeito das mudanças climáticas sobre os animais silvestres

"50% das espécies animais brasileiras estão mudando de habitat."

Fonte: Globo News, Cidades e Soluções, 2 de junho de 2024; foto: Uninter Notícias.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 38

Ondas de calor estão ficando mais lentas

Elas [as ondas de calor] ficam mais tempo sobre cada lugar, e isso - além de causar verões infernais - pode aumentar o risco de fenômenos climáticos extremos, como ciclones, tornados, secas e inundações.

Essa foi a conclusão de cientistas chineses, que analisaram registros históricos e constataram que a duração média das ondas de calor, em todo o mundo, aumentou de 8 dias (entre 1979 e 1984) para 12 dias (entre 2016 e 2020). Além disso, sua velocidade também caiu: hoje, as ondas de calor se deslocam 10% mais lentamente (andando em média 300 km por dia).

Segundo os pesquisadores, trata-se de um resultado direto das mudanças climáticas provocadas pela ação humana.

Fonte: Super Interessante, edição 462, abril de 2024, Supernovas, página 15; foto: Observatório do Clima.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Colapsos - Série de GaiaNet nº 22

Colapso nº 13 - Entrevista com Jared Diamond

A magnitude atual das mudanças climáticas ultrapassa muito qualquer variação natural verificada nos últimos milhões de anos 

Nos últimos anos temos visto um aumento dos ciclos de calor em certas áreas e o declínio em outras. (...) Como você enxerga essa questão?

A essência da mudança climática é que, no final das contas, o mundo está ficando mais quente. Algumas áreas estão ficando mais frias, porém um número maior delas está mais quente. Ou seja: o mundo está ficando mais variável.

Os céticos dizerem que isto é apenas "um ciclo natural da Terra" é o mesmo que dizer que não deveríamos nos preocupar se 500 pessoas forem assassinadas todos os dias em São Paulo ou Los Angeles porque morrer é parte do ciclo natural da vida. A magnitude atual das mudanças climáticas ultrapassa muito qualquer variação natural verificada nos últimos milhões de anos.

Em uma escala de 0  a 10, qual a chance de entrarmos em colapso?

Eu diria que a chance é de 4,99 (o que é um risco grande) se tivermos políticas sérias [para conter os problemas atuais]. Agora, se não mudarmos nosso estilo de vida, a probabilidade é de 9,99 em 10.

Fonte: Super Interessante, Edição Especial, Apocalipse – O fim do mundo, Edição 291-A, maio de 2011, página 68; foto: Waves.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Varal ecológico

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Varal Ecológico é uma atividade que divulgo desde 1983 em encontros ou atividades ecológicas. Nesta página apresento, desde 2009, imagens com pequenas sínteses de alguns dos artigos editados em GaiaNet.

Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

Metade dos ambientes aquáticos contém lixo

E a grande maioria do detritos é de apenas dois tipos: plástico e bitucas.

Metade de todos os ambientes aquáticos (rios, praias e manguezais) do planeta está contaminada por lixo. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 16

Logo se chegou à ideia de armazenar a água em cisternas, guardando-a para épocas de carência

Como já se tinha reconhecido que, para as épocas de carência de água, a solução eram os reservatórios especiais (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

O negacionismo das vacinas nos Estados Unidos

Os resultados [do negacionismo] já aparecem: em pleno 2025, os EUA vivem o maior surto de sarampo desde que ganharam o selo de livre do vírus pela OMS, em 2000. (...)

Leia mais nas páginas Reflexões ecológicas, Saúde ambiental e Saúde mental e meio ambiente.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 55 

A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa   

O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Florestas brasileiras, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 15

Existia o perigo de que o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água

(...) Além disso, a luta pela existência também coagia os nossos antepassados, mas por motivo diverso daquele, a economizar água: (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 14

As latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, usavam a água que escoava dos banhos públicos  

Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


 

Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

 

Krankheiten: Aids - Krankheiten - Gesellschaft - Planet Wissen

O Dia Mundial da Luta Contra AIDS é um dia que, cada ano, deve servir para desenvolver e reforçar o esforço mundial da luta contra a AIDS. (...)

Leia mais nas páginas Calendário ecológico e Reflexões ecológicas.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 37 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 5

As condições climáticas ideais no Império Romano favoreceram uma explosão do cultivo de cereais 

A vida dentro dessas fronteiras [do Império Romano] costumava ser próspera e pacífica. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 20

Os navajos defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com heroísmo 

Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros [indígenas] eram apenas bocas e corpos: (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Reflexões ecológicas, Saúde ambiental e Saúde mental e meio ambiente.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52 

Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena  

Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Florestas brasileiras, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 36 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 4

O Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C. 

... essa fase "ótima" se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 56

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas arrotando metano 

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas (218 milhões, conforme dados do IBGE, no Brasil). (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Aquecimento global, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51  

A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento  

Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Florestas brasileiras, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


A pecuária e as emissões de gases geradores de efeito estufa

A pecuária é responsável por 7.4% das emissões mundiais de gases geradores de efeito estufa. (...)

Leia mais nas páginas Aquecimento global, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 35 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 3

Os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura

Os desastres ocorridos a partir de 166 d.C. talvez tenham sido ainda mais dolorosos porque vieram na esteira de alguns séculos de bonança (...)

Leia mais nas páginas Colapso, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 55

Aquecimento global - a febre de Gaia, o planeta vivo doente

Dados confirmaram que 2024 foi o primeiro ano a ultrapassar a marca de 1,5 º C de aquecimento global em relação a níveis pré-industriais. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Aquecimento global, Colapso, Reflexões ecológicas, Saúde ambiental e Teoria de Gaia.



Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 17

Os navajos consideravam o escalpo um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis  

(...) (... colonos espanhóis, holandeses, franceses e ingleses tornaram popular o costume de se oferecerem prêmios pelos escalpos de seus respectivos inimigos.)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Reflexões ecológicas e Saúde mental e meio ambiente.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 9

Documentos escritos antigos assinalam a significação que se dava ao uso da água

(...) Também no Velho Testamento se encontram inúmeros indícios da importância que se conferia à água. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Alesc debate uso e acesso a medicamentos à base de cannabis em SC

O uso medicinal da cannabis como alternativa para o tratamento de doenças crônicas e neurológicas foi debatido em Audiência Pública da Assembleia Legislativa na segunda-feira (25). (...)

Leia mais nas páginas Conferências ecológicas, Reflexões ecológicas e Saúde mental e meio ambiente.



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 54

Acesso à água em tempos de guerra  

A ligação entre conflitos armados e escassez de água nem sempre é óbvia.

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Dia Nacional da Saúde

Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 8

As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água 

(...) 1. As leis das águas foram os primeiros códigos dos homens (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Reflexões ecológicas, Saúde ambiental e Saúde mental e meio ambiente.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47 

As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese

(...) Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Florestas brasileiras, Reflexões ecológicas, Saúde ambiental e Saúde mental e meio ambiente.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 7

Hoje em dia vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente

(...) Existem muitos outros exemplos que nos fazem supor que os danos causados ao meio ambiente intervieram também, em larga escala, na História.

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Reflexões ecológicas e Saúde ambiental.


Teoria de Gaia

Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra

(...) Ele evita que as noites sejam insuportavelmente frias, e mantém a temperatura média do globo em um patamar agradável de 14 °C. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Reflexões ecológicas, Saúde ambiental e Teoria de Gaia.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 52

Em regiões costeiras a redução das vazões fluviais pode provocar o avanço de água salgada em direção ao continente 

(...) Isso pode comprometer a saúde das pessoas que consomem água com alto teor de sal, aumentando o risco de hipertensão; danificar sistemas de adutoras e tubulações; além de comprometer o solo e a flora local.

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 46 

A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas 

As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. (...)

Leia mais nas páginas Antropoceno, Colapso, Florestas brasileiras, Reflexões ecológicas e Saúde mental e meio ambiente.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 10

Em Atenas surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História

Entretanto, foi justamente a queda dos governos palacianos que abriu espaço para uma reconstrução quase total da vida política e social na Grécia. (...)

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Como animais extintos estão voltando às florestas de Florianópolis

(...) "O fato de estarmos numa ilha dificulta a refaunação natural. Por isso, a reintrodução acaba sendo uma ferramenta importante para espécies que dificilmente voltariam naturalmente" (...)

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Dia Mundial do Meio Ambiente

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado no dia 5 de junho. Foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas na resolução (XXVII) de 15 de dezembro de 1972...

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 5

Os maias fracassaram por não terem conseguido solucionar os problemas ecológicos

A concentração de massas humanas cada vez maiores tornou acentuadamente mais difícil o abastecimento de gêneros alimentícios. (...)

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 9

A Idade do Bronze acaba, dando origem à Idade do Ferro

(...) Na verdade, a produção de ferro já era conhecida por algumas das civilizações da Idade do Bronze, mas...

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DIA NACIONAL DA MATA ATLÂNTICA

A Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo. (...)

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Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 12

A grande nação cherokee, que sobrevivera a mais de cem anos de guerras, agora seria dizimada 

Para os índios, parecia que os europeus odiavam tudo na natureza – as florestas vivas e seus pássaros e bichos, as extensões de grama, a água, o solo e o próprio ar. (...)

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 4

As antigas realizações técnicas tinham relações com a defesa, a obtenção e o armazenamento de água

(...) De um lado, as águas produzidas por fontes nas proximidades das grandes cidades tinham de ser captadas, armazenadas e conduzidas às povoações. (...)

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 29 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 8

Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário

(...) E há, é claro, um fator ainda mais crucial: água. Água em abundância faz toda a diferença do mundo para um império agrário. (...)

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Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 11

Para os índios parecia que os europeus odiavam tudo na natureza 

No continente, os wampanoags de Massasoit e do rei Philip haviam desaparecido, junto com os chesapeakes, os chickahominys e os potomacs da grande confederação Powhatan. (...)

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 3

O que mais o impressionou um pigmeu que vivia ainda na selva foi a água canalizada de nossas cidades

(...) Com seu instinto seguro, o pigmeu tinha reconhecido que não invejava o homem civilizado por possuir aquelas torres de cimento e tijolos e suas autoestradas. (...)

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 28 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 7

As potências mesopotâmicas estavam relativamente longe do Mediterrâneo, fora do alcance direto dos navios dos Povos do Mar

(...) Na categoria dos sobreviventes, cada caso é um caso, mas há alguns pontos interessantes em comum. Talvez a situação mais simples de entender seja a da Mesopotâmia. (...)

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 2

Nas épocas pré-cristãs das civilizações mediterrâneas existiam metrópoles que já enfrentavam problemas ecológicos

Já há algumas décadas comecei a me conscientizar de que a humanidade se encontra à beira do maior perigo que enfrentou até hoje. (...)

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Gelo polar deve seguir derretendo até 2300

(...) Essa é a conclusão pouco animadora de uma simulação feita por cientistas da Coréia do Sul, que analisaram áreas cobertas por permafrost: (...)

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Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 41

O convívio não fez cessar a violência e a dramaticidade das relações entre índios e não-índios

" (...) se pudesse prever que iria vê-los morrer tão miseravelmente, os teria deixado na mata, onde ao menos morreriam mais felizes e defendendo-se de armas nas mãos contra os bugreiros que os assaltavam."

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Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 nº 6   

Podemos transformar em mata mista milhares de hectares dos milhões de hectares de terras improdutivas

(...) O que mais importa, nessas tradicionais zonas de cultivo, é realizar florestamento limitado, para conservar, por exemplo, os vales relvados dos maciços centrais e os pastos no alto das serras.(...)

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 26 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 5

Um estudo da Universidade Cornell (EUA) mostrou que todo o século anterior ao colapso do Mediterrâneo Oriental foi marcado por secas

(...) Por fim, pouco depois de 1200 a.C., três anos consecutivos de seca totalmente fora do comum chegaram, coincidindo, ao que parece, com o abandono de Hattusa, a capital hitita.

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Série de GaiaNet nº 25

Mensagem à COP 30 nº 5   

É preciso que amplas áreas sejam reservadas à defesa do meio ambiente

Deve-se encarar a paisagem de regeneração como uma nova forma de exploração do solo, que respeita não só a preservação da natureza, mas que também deve servir ao fomento do turismo. (...)

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Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 25 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 4

Uma onda de destruição se abateu também na Grécia continental

(...) Quando a poeira do colapso baixou, tudo isso tinha deixado de existir. Os palácios luxuosos foram incendiados ou abandonados (...)

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Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 7

A primeira transferência documentada de terra índia a colonos ingleses

Depois de os ingleses desembarcarem em Plymouth (1620), a maioria deles teria morrido de fome, não fosse a ajuda que receberam dos nativos amistosos do Novo Mundo. (...)

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Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 49

Cerca de metade das mortes de crianças menores de 5 anos de idade está relacionada à desnutrição 

(...) desnutrição, uma doença grave causada pela falta de nutrientes essenciais para a vida saudável. (...)

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Série de GaiaNet nº 22

Colapso nº 24 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 3

O Egito nunca mais voltou a ser a potência internacional que havia sido na Idade do Bronze

No caso do Egito, deu ruim para os Povos do Mar, conforme Ramsés III conta em seus monumentos. (...)

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Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 23

O panda se separou mais cedo do ancestral comum do grupo de ursos

Oito espécies de ursos compõem a família Ursidae. Entre todas, a Ailuropoda melanoleuca - o panda - foi a que se separou mais cedo do ancestral comum do grupo, há milhões de anos. (...)

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Área queimada no Brasil cresce 79% em 2024

Território devastado pelo fogo no ano passado é maior que o da Itália; Amazônia foi o bioma mais atingido

A área devastada por queimadas no Brasil cresceu 79% em 2024 com relação a 2023, segundo dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas. (...)

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21 de janeiro de 2025

Série de GaiaNet nº 24: A dramática história dos índios norte-americanos - nº 6

Em pouco tempo, os oito mil índios powhatan foram reduzidos a menos de mil

(...) mas os índios subestimaram o poder das armas inglesas. Em pouco tempo, os oito mil powhatan foram reduzidos a menos de mil.

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Série de GaiaNet nº 20: Saúde do Planeta nº 48

99% do território original do pandas foi perdido devido ao desmatamento e à interferência humana

Os pandas são especialmente sensíveis a mudanças ambientais: qualquer diminuição na área de floresta de bambu pode significar morrer de fome. (...)

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Série de GaiaNet nº 25: Mensagem de 1973 à COP 30 – nº 3   

A estrutura agrícola de hoje tem por objetivo maximizar sua produção

O segundo tipo [de estrutura paisagística] é representado pela "paisagem de produção agrícola", que hoje tem por objetivo maximizar sua produção (...)

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Série de GaiaNet nº 23: Biodiversidade nº 22

Carnes de laboratório

O cultivo de "carne de laboratório" existe desde 2013. (...)

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Série de GaiaNet nº 21: 1501 – O Brasil depois de Cabral nº 37

A frente de expansão portuguesa estimulava a expulsão dos campos dos contingentes indígenas

No ano de 1728 abriu-se uma picada ligando o morro dos Conventos, ao sul de Santa Catarina, com os campos de Lages e Curitiba. (...)

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Série de GaiaNet nº 25: Mensagem de 1973 a nós e à COP 30 - nº 2  

A paisagem de civilização fomenta a alteração do equilíbrio biológico

A alteração do equilíbrio ecológico (...) receberá um ponto final no dia em que se conseguir manter em sua forma original ou fazer retornar a ela as unidades paisagísticas hoje ameaçadas de extinção. (...)

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Dessalinização de águas

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Nesta página de GaiaNet apresento técnicas, ações e instrumentos de dessalinização da água do mar e de águas salobras para a obtenção de água potável e de sais minerais, no Brasil e em outros países.

 

O QUE É A DESSALINIZAÇÃO

A dessalinização é o processo através do qual se eliminam os sais minerais dissolvidos na água. Atualmente, tal processo, aplicado à água do mar, é um dos mais usados para obter água doce para consumo humano ou agrícola.

A dessalinização ocorre de forma natural durante o ciclo da água: a evaporação da água do mar deixa atrás o sal para formar nuvens que geram a chuva. Aristóteles observou que a água do mar evaporada e condensada era doce e Da Vinci compreendeu que era fácil obtê-la usando um alambique.

Durante os séculos posteriores a dessalinização da água do mar foi utilizada sobretudo em embarcações e submarinos para fornecer água doce à tripulação durante longas travessias. No entanto, esse processo não esteve disponível em larga escala até a revolução industrial e, especialmente, até o desenvolvimento das plantas de dessalinização.

Fonte: Iberdrola; foto Ciclo Orgânico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


A dessalinização da água do mar: um método para lutar contra a escassez?

Usina de dessalinização de água em Dubai

A água é um dos recursos mais preciosos do planeta e, de acordo com a ONU, sua escassez já afeta mais de 40 % da população mundial. Um dado que disparou todos os alarmes e impulsiona a busca de soluções. Uma delas, e não necessariamente nova, é a dessalinização, que consiste em eliminar os minerais (majoritariamente sal) da água do mar mediante processos físicos e químicos. É fundamental aumentar a capacidade das dessalinizadoras reduzindo simultaneamente seu impacto ambiental nos próximos anos.

A água cobre 70 % de nosso planeta, por isso é fácil pensarmos que é mais do que suficiente. No entanto, a água doce é um recurso cada vez mais escasso no mundo — apenas 3% das águas são doces — e dois terços não estão disponíveis, uma vez que estão em forma de gelo ou são inacessíveis. Cerca de 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo não têm acesso à água doce e 2,7 bilhões sofrem com sua escassez durante pelo menos um mês por ano. Mas, paradoxalmente, em muitas das áreas afetadas pela escassez de água doce, o mar está muito perto; portanto, é aí onde a dessalinização pode ajudar.

Fonte: Iberdrola

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


A anomalia da água útil para dessalinizar a água do mar

A água é menos densa no estado sólido que no líquido, desafia a gravidade e congela mais rápido se está fervendo. Essas são algumas das mais de 70 anomalias da água: um conjunto de características que nenhum outro líquido do Universo tem. (...)

Um dos problemas que a cientista Márcia Barbosa encarou é que a água se move mais rápido - e não mais devagar - quando está contida num espaço apertado. (...) Que tal, então, experimentar água passando por nanotubos - cilindros 80 mil vezes menor que um fio de cabelo? Nessa situação, as moléculas, que estão em grupos de quatro, mudam de estratégia: passam a se organizar em uma fila, fazendo apenas duas ligações: uma com o grupo de H2O que vai na frente, uma com o que vai atrás. (...) O fluxo de água em nanotubos é centenas ou até milhares de vezes maior do que o previsto pelas leis da hidrodinâmica.

Essa pressa toda deu à cientista uma ideia: aplicar os nanotubos na dessalinização de água do mar para consumo humano. O H2O passa e os sais vão ficando para trás. A nanotecnologia poderia reduzir as usinas a um décimo do tamanho atual, e salvar a pele de países em regiões áridas, que vão sofrer com o aquecimento global.

(...) Agora, buscamos na água uma solução para não ficar sem ela.

Água - uma anomalia, Super Interessante, edição 422, dezembro de 2020, páginas 48, 52 e 53; foto: Sustentável 

Rui Iwersen


Dessalinização da água: do mar ao copo

Entenda como é feita a dessalinização, tecnologia que transforma água do mar em água potável e garante o abastecimento de milhões de pessoas no mundo

A dessalinização é um processo físico-químico de tratamento de água que retira o excesso de sais minerais, micro-organismos e outras partículas sólidas presentes na água salgada e na água salobra, com a finalidade de obter água potável para consumo.

A dessalinização da água pode ser realizada por meio de dois métodos convencionais: a destilação térmica ou  a osmose reversa. A destilação térmica procura imitar o ciclo natural da chuva. Através de energia fóssil ou solar, a água em estado líquido é aquecida - o processo de evaporação transforma a água de estado líquido para gasoso e as partículas sólidas ficam retidas, enquanto o vapor d'água é captado pelo sistema de resfriamento. Ao ser submetido a temperaturas mais baixas, o vapor d'água se condensa, retornando ao estado líquido.

Já a osmose reversa procura fazer o processo contrário ao fenômeno natural da osmose. Na natureza, a osmose é o deslocamento de um fluído através de uma membrana semipermeável, no sentido do meio menos concentrado para o mais concentrado, buscando o equilíbrio entre os dois fluidos. A osmose reversa exige um sistema de bombeamento capaz de exercer pressão superior à encontrada na natureza, para vencer o sentido natural do fluxo. Dessa forma, a água salgada ou salobra, que é o meio mais concentrado, se desloca no sentido do menos concentrado. A membrana semipermeável permite somente a passagem de líquidos, retendo partículas sólidas, possibilitando a dessalinização da água do mar.

Aplicabilidade

A Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) publicou, em seu relatório sobre dessalinização e energias renováveis, que a dessalinização é a maior fonte de água para saciar a sede humana e irrigação no Oriente Médio, Norte da África e em algumas ilhas do Caribe. Segundo informação disponível no site da International Desalination Assossiation (IDA), mais de 300 milhões de pessoas são abastecidas diariamente por meio da dessalinização no mundo.

Existem pelo menos 150 países que usam o método de dessalinização para seu abastecimento regular, em especial os de regiões desérticas ou com dificuldades de abastecimento, como os do Oriente Médio e do norte da África. Um dos líderes nessa tecnologia é Israel, onde cerca de 80% da água potável consumida pela população é proveniente do mar. (...)

A utilização da energia solar e a recuperação da energia a partir das águas residuais são alternativas indicadas tanto pela ONU quanto pela Irena para diminuir os custos da dessalinização. Outras fontes de energia apropriadas seriam a eólica e a geotérmica. (...)

Fonte:  Equipe eCycle
Matéria enviada pelo colaborador Jorge Fernando Schneider



Métodos de dessalinização

A dessalinização da água pode acontecer através da:

• Osmose Inversa:
É um processo de separação da água e do sal por meio de pressão sobre o líquido.

• Dessalinização Térmica:
É um processo onde primeiramente evapora-se a água para fazer a separação entre esta e o sal e logo após submete-a ao processo de condensação para que retorne ao estado líquido.

• Destilação Simples:
É um processo semelhante à dessalinização térmica, porém mais simples. A água é aquecida a 100ºC para evaporar-se e logo em seguida é encaminhada a um condensador onde retorna ao estado líquido.

A forma mais utilizada nesta transformação é a osmose inversa, pois seu custo é bastante acessível e além de separar o sal da água, também retira dela os possíveis vírus, bactérias e fungos existentes. (...)

Matéria editada originalmente nesta página em 3 de junho de 2008

Rui Iwersen, editor



Rio tem projeto de usina que torna potável água do mar para 1 milhão de pessoas

A instalação de uma usina dessalinizadora para transformar água salgada em potável e que atenderia a 1 milhão de pessoas no estado do Rio de Janeiro está em estudos pelo governo estadual para reforçar o abastecimento na região metropolitana, informou hoje (12) o governador Luiz Fernando Pezão.
O governador disse que se reuniu com técnicos espanhóis envolvidos na instalação de usinas desse tipo em 25 países e pediu um orçamento para o projeto. "Achei muito viável. Os preços são um terço do que eram dez anos atrás", disse o governador.

A intenção é instalar a usina perto dos polos industriais do município de Itaguaí e do bairro de Santa Cruz, na zona oeste da capital, e estabelecer uma parceria público-privada para a operação. No mês passado, o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, chegou a dizer que as indústrias da região teriam o abastecimento afetado, se a situação nos reservatórios não melhorasse.

Além da usina que tornaria potável a água da Baía de Sepetiba, o governo do estado avalia a instalação de uma unidade na Baía de Guanabara ou no município de São Gonçalo, o que ainda depende do custo estimado dos empreendimentos

Segundo o governador, o estado do Rio de Janeiro continuará fazendo campanhas para estimular a redução do consumo de água. Ele anunciou que tomará mais medidas preventivas se a estiagem continuar muito forte.

Fonte: Agência Brasil e  www.istoe.com.br



Programa Água Doce

O Programa Água Doce (PAD) é uma ação do Governo Federal coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, em parceria com instituições federais, estaduais, municipais e sociedade civil. Visa o estabelecimento de uma política pública permanente de acesso à água de boa qualidade para o consumo humano, promovendo e disciplinando a implantação, a recuperação e a gestão de sistemas de dessalinização ambiental e socialmente sustentáveis para atender, prioritariamente, as populações de baixa renda em comunidades difusas do semi-árido.

(...) O PAD está estruturado em seis componentes: gestão, pesquisa, sistemas de dessalinização, sustentabilidade ambiental, mobilização social e sistemas de produção. O componente da gestão é responsável pela formação de recursos humanos, elaboração de diagnósticos técnicos e ambientais, manutenção e operacionalização dos sistemas, além de dar o apoio ao gerenciamento e manutenção dos sistemas. (...)

Com o compromisso de garantir o uso sustentável dos recursos hídricos, promovendo a convivência com o semiárido a partir da sustentabilidade ambiental e social, o PAD beneficia cerca de 100 mil pessoas em 154 localidades do Nordeste, ampliando suas ações para garantir o acesso à água de qualidade nas comunidades difusas do semiárido.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente - www.mma.gov.br

O Programa Água Doce está no Portal Brasil. Clique aqui para acessar a página

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Reflexões ecológicas

terça-feira, 10 março 2009 by Rui Iwersen

Pequenas sínteses de pensadores como Darwin, Freud, James Lovelock, Jared Diamond, Richard Dawkins e Yuval Harari, e reflexões sobre o Universo, a Terra, a natureza, a vida, o Homem e a História.

 

Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 41 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 9

No ano 249 surge outra pandemia que devasta a população imperial

A Peste Antonina durou até o ano 180 d.C.. Após uma década e meia de horror, seus efeitos mais graves começaram a se diluir, provavelmente porque quem sobreviveu ganhou imunidade à doença. (...) Não foi exatamente fácil, mas as instituições romanas aguentaram esse primeiro tranco.

A coisa mudou significativamente de figura, porém, no século seguinte. Mais uma vez, os sedimentos marinhos de Tarento registram uma queda abrupta da temperatura e da umidade, que começa por volta do ano 245 d.C. e se prolonga por pelo menos três décadas. Aí, no ano 249, surge outra pandemia que devasta a população imperial.

A doença ficou conhecida como Peste de Cipriano, por causa do santo de mesmo nome, então bispo da cidade de Cartago (atual Tunísia). Cipriano foi um dos responsáveis por registrar a chegada da moléstia. Há grandes dúvidas sobre o causador da pandemia, mas uma possibilidade é que se tratasse de um parente do vírus Ebola, por causa da presença de sintomas hemorrágicos severos. (...) A Peste de Cipriano durou até 262 d.C., e causou enorme destruição.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Brasil Escola - UOL.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 56 

Os índios são envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita    

Considerados reserva de mão de obra utilizável nos momentos que as fainas agrícolas de plantio ou colheita chegam ao auge, os indígenas são para os agricultores regionais mais uma garantia do sucesso de seus empreendimentos, pelo menos no que se refere ao atendimento das necessidades de trabalho manual. Os índios são assim envolvidos em atividades de derrubadas de mato, cultivo das roças e colheita, quase sempre sob o regime de empreitada ou diária.

O trabalho indígena em toda a região é bastante desvalorizado. Mas ninguém deixa de utilizá-lo. Na maioria dos postos indígenas tornou-se comum, aos domingos pela tarde, chegar caminhões para apanhar índios para o trabalho em fazendas ou em propriedades de pequenos ou médios agricultores das vizinhanças. Já existe uma certa institucionalização para o uso dessa mão de obra. O interessado obtém em primeiro lugar a anuência do chefe do Posto e em seguida acerta com um índio, quase sempre rotulado como "chefe de turma", as condições de trabalho, número de homens necessários, prazo de permanência e forma de pagamento. A supervisão do chefe do posto, em princípio, pretende eliminar formas vis de exploração, responsabilizando também o interessado quanto à condição particular de tutela a que estão sujeitos os indígenas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 - Uso do índio como produtor e consumidor; página 33; foto: Brasil de Fato. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

#OBrasilDepoisdeCabral
#SériedeGaiaNet
#IndígenasdoBrasil
#PovosOriginários
#GruposTribaisSobreviventes


Série de GaiaNet nº 23

Biodiversidade nº 24

Micróbios pioram o aquecimento global

O aumento na temperatura do planeta está derretendo o Ártico - e isso, como aponta um estudo publicado pela Universidade da Califórnia, vem estimulando a proliferação de micróbios que produzem metano, gás que retém calor na atmosfera e agrava o problema.

Os cientistas analisaram o nível de metano atmosférico entre 2006 e 2023 (período em que ele aumentou), e encontraram uma relação direta entre o teor desse gás no Ártico e o aquecimento global.

Além do fenômeno apontado pelo estudo, atividades humanas como a agricultura e a pecuária também geram muito metano - cada bovino arrota 100 kg desse gás, que se forma durante a digestão, por ano. (BG)

Super Interessante, edição 483, janeiro 2026, página 15; foto: Janela para a Rússia.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

Metade dos ambientes aquáticos contém lixo

E a grande maioria do detritos é de apenas dois tipos: plástico e bitucas.

Metade de todos os ambientes aquáticos (rios, praias e manguezais) do planeta está contaminada por lixo.

Essa  é a conclusão de um trabalho de cientistas da Unifesp, que analisaram 298 estudos sobre o tema.

Fonte: Super Interessante, edição 483, janeiro de 2026, página 12; foto: Revista Fapesp

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 16

Logo se chegou à ideia de armazenar a água em cisternas, guardando-a para épocas de carência

Como já se tinha reconhecido que, para as épocas de carência de água, a solução eram os reservatórios especiais, dotados de canos de escoamento em alturas diversas, também se chegou à ideia, óbvia, de que se poderia tentar encontrá-la dentro dos muros da cidade.

Só que nas cidades de então, que, por motivos estratégicos, eram construídas nas encostas das montanhas, apenas raramente se encontravam fontes perenes dentro de seus muros. No entanto, sempre acontecia, durante os períodos chuvosos, que caía mais água dos céus do que se necessitava naquele momento. É por isso que logo se chegou à ideia de armazenar essa água em cisternas, guardando-a para épocas de carência.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, páginas 95 e 96; foto: Reddit.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 40 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 8

O vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império

A sociedade romana já enfrentava uma crise na produção e distribuição de alimentos quando o vírus da varíola, talvez vindo de mamíferos africanos, chegou ao império.

O estrago da pancada epidemiológica teria sido multiplicado pela dificuldade de levar recursos às populações afetadas, o que impulsionou a mortalidade. Era a primeira pandemia da época imperial. Mas não seria a última.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 51; foto: Gazeta do Povo.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 58

O negacionismo das vacinas nos Estados Unidos

Os resultados [do negacionismo] já aparecem: em pleno 2025, os EUA vivem o maior surto de sarampo desde que ganharam o selo de livre do vírus pela OMS, em 2000. Já são mais de 1800 casos da doença (que é altamente contagiosa) e três mortes, sendo duas crianças.

O surto começou no Texas e está se espalhando para outros estados, cortesia da baixa vacinação. Se o problema não for contido até janeiro de 2026, o país pode perder o status de eliminação. Casos de coqueluche também aumentam rapidamente por lá.

Fonte: Super Interessante, edição 482, dezembro de 2025, O lobo do negacionismo está no poder, página 8; foto: Dr. Consulta. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 55 

A destruição sistemática dos recursos naturais aniquilou a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa   

O envolvimento dos índios em atividades mais ou menos permanentes de extração de produtos florestais é mínima na região sul. A extração de erva mate não chega a garantir condições para a manutenção sazonal das famílias envolvidas nessa atividade. O mesmo ocorre com a coleta do fruto do pinhão.

Somente em Ibirama, onde os recursos existentes quanto à palmeira Euterp edulis eram fartos, os índios por largo tempo viveram dependentes da sua extração. A destruição sistemática dos recursos naturais, especialmente a flora, existentes nas reservas indígenas e procedida por civilizados, aniquilou, na maioria dos postos, a possibilidade dos índios manterem qualquer atividade extrativa. Em Ibirama, por exemplo, a coleta de palmitos é feita fora da reserva indígena, atuando os Xokleng apenas como mão de obra na exploração de palmitais particulares.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-2 - Uso do índio como produtor e consumidor; páginas 32 e 33; foto: Jardineiro.net. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 15

Existia o perigo de que o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água

Como ficou explicado [no artigo anterior], as condições climáticas dominantes naquelas épocas remotas nas regiões em que se desenvolviam as antigas civilizações conduziram à necessidade de se armazenar água, pois o volume de água das vertentes e dos rios estava sujeito a consideráveis variações, de acordo com as estações do ano.

Além disso, a luta pela existência também coagia os nossos antepassados, mas por motivo diverso daquele, a economizar água: é que muitos dos dispositivos técnicos descritos, que serviam para o transporte e o armazenamento de água, encontravam-se fora das muralhas de proteção das cidades. Existia pois o perigo de que, por ocasião de algum cerco, o inimigo pudesse cortar o tão vital fornecimento de água.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 95; foto: Metrópoles.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 39 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 7

Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma

E aquela mania de botar gladiadores para brigar com leões, girafas e rinocerontes no Coliseu era alimentada por contatos comerciais com a África subsaariana, que eram intermediados pela Núbia (mais ou menos o atual Sudão) e pelos funcionários provinciais do Egito - dominado por Roma desde os tempos de Augusto.

Tudo isso significava um intenso e constante deslocamento de bens, pessoas e micróbios. Doenças infecciosas de três continentes passaram a ter imensa facilidade para seguir todos os caminhos que levavam a Roma. Do ponto de vista epidemiológico, o Império Romano era uma bomba-relógio. Ela explodiu pela primeira vez com a Peste Antonina.
E isso aconteceu no pior momento possível. A Peste Antonina estourou poucas décadas após o final do Ótimo Climático Romano, numa fase que, segundo o estudo paleoclimático de Harper, foi caracterizada por diversos pulsos de resfriamento e diminuição da chuva.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, páginas 50 e 51 ; foto: Toda Matéria 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 57

No Brasil, a maior parte dos gases de efeito estufa vem da troca de florestas por pastos ou lavouras   

Enquanto a queima de carvão mineral - principalmente por China e Estados Unidos para produzir energia elétrica é a principal responsável pelo aquecimento global, por aqui com mais de 80% de energia renovável, a maior parte dos gases de efeito estufa (GEE) vem da troca de florestas por pastos ou lavouras.

Devido ao desmatamento, cada morador de Rondônia emitiu em 2016 uma média de 74 toneladas de CO, equivalente (o cálculo de CO, equivalente converte o potencial de aquecimento de todos os GEE). É 3,7 vezes mais do que um norte-americano, 2,5 vezes mais do que um australiano e 7,4 vezes mais do que um japonês. No Pará, a emissão foi o dobro da verificada no estado de São Paulo. Tudo pelas árvores cortadas ou incendiadas, que representam dois terços de todos os GEE liberados pelo país desde 1990.

Galileu, edição 329, dezembro 2018, O país do futuro, página 27; foto: Blog do Valdemir.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 54 

Os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado aos indígenas  

Os índios de Ibirama, no caso, se viram momentaneamente privados de uma fonte de renda sem poder, obviamente, compreender as razões do impedimento. Mas, o aspecto que mais nos impressionou, foi reconhecer que os problemas de poluição e equilíbrio ecológico haviam chegado de modo inequívoco, aos indígenas.  No PI [Posto Indígena] Guarita, localizado no noroeste do Rio Grande do Sul, verificamos que os índios abandonaram as atividades de pescaria. "O rio não tem mais peixe bom. O que tem não se pode comer".

As plantações de soja das vizinhanças da área indígena, e as realizadas na própria área pela FUNAI, vêm sendo pulverizadas com inseticidas para a prevenção da lagarta. Tais inseticidas não só matam os insetos, como as aves que circulam pelas plantações e que, às vezes, comem insetos e larvas envenenadas. Quebrado o equilíbrio pelo desaparecimento das aves, as quantidades de insetos aumentam assustadoramente. A cada novo ano, torna-se necessário aumentar as quantidades de inseticidas e, assim, a contaminação passa para a terra. Com as chuvas, parte dessa terra contaminada é levada para o rio, aniquilando também a fauna fluvial.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 31; foto: Instituto Humanitas Unisinos. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 14

As latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, usavam a água que escoava dos banhos públicos  

Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia. (...) Já atendia à necessidade de se economizar água o simples fato de que as latrinas dotadas de água corrente, utilizadas pelos romanos, não eram servidas com agua potável, pois se usava a água que escoava dos banhos públicos.

Nós, hoje em dia, acreditamos que, com relação ao consumo de água, podemos nos permitir maiores liberalidades que o normal das grandes cidades da Antiguidade: que erro mais fatal!

No futuro, como acontecia nos séculos passados, vamos ter de usar a água potável somente para beber. Do contrário, ela se tornará cara demais, principalmente porque temos de mantê-la livre não só de germes patogênicos mas também da presença de produtos de combate a animais daninhos, hormônios, detergentes, essências aromáticas, etc. Queiramos ou não, num futuro próximo teremos de adotar os antigos métodos que serviam para economizar a água potável.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, páginas 94 e 95; foto: MDig.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 38 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 6

Dia a dia os romanos empurravam as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada

Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da "região metropolitana" de Roma. Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.

Além disso, os romanos se transformaram numa superpotência dos cereais incorporando terras cada vez mais marginais (como encostas de morros na Itália, ou a beirada do deserto no Oriente Médio) em suas zonas cultivadas. "Dia a dia eles empurram as florestas, fazendo-as recuar montanha acima e ceder seu lugar à terra cultivada", escreveu o poeta Lucrécio, que morreu por volta do ano 55 a.C.

O problema é que essas são justamente as áreas mais vulneráveis a alterações no clima. Bastava esfriar alguns graus ou deixar de chover alguns dias por ano - e, no caso do clima do Mediterrâneo, não é incomum que essas coisas venham juntas - para que as plantações "de fronteira" se tornassem inviáveis, e até as áreas mais propícias para o cultivo passassem a produzir bem menos. Em suma, o lado agrícola do Império tinha bases frágeis.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 50; foto: National Geographic.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

 

Krankheiten: Aids - Krankheiten - Gesellschaft - Planet Wissen

O Dia Mundial da Luta Contra AIDS é um dia que, cada ano, deve servir para desenvolver e reforçar o esforço mundial da luta contra a AIDS. O objetivo deste dia é estabelecer o entrelaçamento de comunicação, promover troca de informações e experiências, e de criar um espírito de tolerância social.

O Dia Mundial da Luta Contra a AIDS dá a ocasião de se falar da infecção por HIV e da AIDS, de se ocupar das pessoas infectadas pelo HIV e com a AIDS, e de se saber mais sobre esta doença. Este dia internacional de ação coordenada contra a AIDS constitui já um evento anual na maior parte dos países.

Evocando as atividades de luta já em curso e encorajando novas iniciativas, o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS contribui para edificar uma ação durável contra a AIDS.

(Tradução e adaptação do "Journée Mondiale SIDA - Information n.º 1" da Organisation Mondiale de la Santé - Programme Mondial de Lutte Contre le SIDA).

Fonte: Gov org br; foto: Planet Wissen

Editado originalmente na página Calendário ecológico de GaiaNet.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 53 

Em muitas reservas indígenas não existe uma única área coberta por floresta primária ou secundária   

Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados. (...)

Mas não só o pinheiro foi explorado. As madeiras de lei são, ainda hoje, a razão de diversos contratos, e o palmito foi motivo, inclusive, para que toda a população Xokleng abandonasse as atividades agrícolas que desde a sua pacificação vinham servindo como base para sua sobrevivência.

Não é de se estranhar, pois, que em muitas reservas indígenas não exista uma única área coberta por floresta primária ou secundária. A destruição da cobertura florestal, nesses casos, foi drástica. Com ela, naturalmente, desapareceu a fauna. Assim, a maioria dos índios não tem como complementar sua dieta alimentar, seja pela caça, seja pela coleta de frutos silvestres ou mel.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II – Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 29; foto: MST. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 13

Nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia 

A água subterrânea sobe ou desce de acordo com as precipitações pluviais. Se o volume de água que jorra das vertentes aumenta ou diminui, a mesma coisa acontece com as águas dos rios. Este fato era tão conhecido na Antiguidade como hoje em dia. Só que nos períodos de carência de água os nossos antepassados sabiam economizá-la melhor do que o fazemos hoje em dia.

Lavar o carro quando há falta de água, usar água potável na descarga dos vasos sanitários, utilizar água pura para a limpeza das ruas, são coisas a que só nós nos damos ao luxo. Nos últimos tempos, porém, já estão aparecendo exemplos de uso econômico da água. Em Paris, a limpeza das sarjetas é realizada, de quando em quando, não com água potável mas com água retirada do Sena.

Na Antiguidade, as pessoas encarregadas do suprimento de água educaram a tempo a população para que a usasse com parcimônia.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, páginas 93 e 94; foto: Culturalizando.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 37 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 5

As condições climáticas ideais no Império Romano favoreceram uma explosão do cultivo de cereais 

A vida dentro dessas fronteiras [do Império Romano] costumava ser próspera e pacífica. Raramente algum inimigo ousava desafiar o imperador para valer. (...)

Para alcançar esse sucesso, é claro que Roma podia contar com exércitos profissionais muito bem organizados, estradas planejadas com esmero e uma engenharia civil de dar inveja a muitas prefeituras por aí. Mas a verdadeira base do mundo romano, assim como a de quase qualquer outra civilização antiga, era a produtividade agrícola. E as condições climáticas ideais até 130 d.C., junto com o crescimento de uma espécie de "agronegócio" (turbinado por trabalho escravo em grandes fazendas), favoreceram uma explosão do cultivo de cereais, em especial o trigo e a cevada.

Era o suficiente para abastecer com regularidade centenas de milhares de soldados estacionados nas fronteiras do Império, ou para oferecer de graça trigo (mais tarde, pão, azeite e até carne de porco) a cerca de 200 mil moradores da "região metropolitana" de Roma.

Um feito realmente impressionante. Mas as lavouras da Antiguidade eram muito mais frágeis, com menos recursos tecnológicos, do que a agricultura do século 21.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império Romano realmente acabou, página 49; foto: Padre Paulo Ricardo.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 20

Os navajos defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com heroísmo 

Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros [indígenas] eram apenas bocas e corpos: (...) E nenhum defensor de Destino Manifesto jamais expressou seu apoio a essa filosofia mais lisonjeiramente que ele:

"O êxodo de todo esse povo da terra de seus pais é uma visão não só interessante, como também tocante. Combateram-nos corajosamente anos e anos; defenderam suas montanhas e seus estupendos cânions com um heroísmo que qualquer povo poderia se orgulhar de igualar; mas, quando afinal descobriram que seu destino, também como o de seus irmãos, tribo após tribo, no sentido contrário do nascer do sol, era dar lugar ao insaciável progresso de nossa raça, depuseram suas armas e, como homens corajosos merecedores de nossa admiração e respeito, vieram a nós com confiança em nossa magnanimidade, julgando que éramos um povo demasiado poderoso e justo para retribuir essa confiança com baixeza e negligência - achando que, tendo-nos sacrificado sua bela região, seus lares, as amizades de suas vidas, as cenas tornadas clássicas em suas tradições, não lhes daríamos uma recompensa miserável em troca do que eles e nós sabemos ser uma região magnífica."

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 - A longa marcha dos Navajos, páginas 48 e 49; foto: Texas Angels.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


 

O que é a COP

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC ou UNFCCC, na sigla em inglês) criou a Conferência das Partes (COP) como órgão responsável por tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos pelos países no combate à mudança do clima. A COP é composta por todos os países que assinaram e ratificaram a Convenção. Atualmente, 198 países participam da UNFCCC, o que faz dela um dos maiores órgãos multilaterais do sistema das Nações Unidas (ONU).

A COP é assessorada por um Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) e outro de Aconselhamento Científico e Tecnológico (SBSTA). Além disso, a COP também atua como Reunião das Partes no Protocolo de Quioto (CMP, na sigla em inglês) e no Acordo de Paris (CMA, na sigla em inglês).

O que é conhecido como “COP” são as cúpulas anuais de mudança do clima, que normalmente acontecem em novembro ou dezembro. Nesse contexto, reúnem-se não apenas a COP, mas também a CMP, a CMA, o SBI e o SBSTA.

Fonte: COP30 Brasil: foto; ONU 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 52 

Em apenas dois anos cerca de 60.000 pinheiros foram derrubados na área indígena  

Na área indígena de Xapecó, localizada no município de Xanxerê, a comercialização dos recursos florestais pertencentes aos indígenas assumiu proporções de escândalo nacional. Depois de mais de 20 anos de exploração em pequena escala, onde a conivência do chefe do posto indígena estabelecia a quantidade de pinheiros que seriam derrubados, a inspetoria do SPI em Curitiba decidiu formalizar um contrato de exploração com madeireiros locais. Fixado o contrato, posteriormente reconhecido como altamente lesivo aos índios e à fazenda nacional, em dois anos apenas cerca de 60.000 pinheiros, segundo as informações mais otimistas, foram derrubados

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II - Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; páginas 28 e 29; foto: PrePara Enem. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 12

O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais 

Acompanhando a construção dos aquedutos, foram erguidos também castelos de água (castella) que em geral possuíam três câmaras. A câmara central, que recebia o excedente de ambas as câmaras externas, alimentava as fontes, enquanto que das câmaras externas saíam os encanamentos para os banhos públicos e para as casas de particulares.

O suprimento de água para as residências particulares só se podia conseguir mediante licença do imperador por méritos especiais. Nas canalizações eram construídos tanques de sedimentação (piscinae) que serviam de filtro, dispositivo que já se conhecia dos encanamentos dos palácios micênicos. Não se sabe ainda com certeza se esses tanques serviam, além disso, como tanques de peixes ou tanques experimentais de peixes, utilizados para se verificar a qualidade da água segundo o comportamento dos peixes. Tal como nós, hoje em dia, construímos tanques experimentais de peixes vinculados aos medidores estacionários da qualidade das águas, para daí se tirarem as correspondentes conclusões quanto à qualidade da água, de acordo com o comportamento dos peixes, é possível também que os romanos usassem seus tanques com idêntica finalidade.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, páginas 92 e 93; foto: Conhecimento Científico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 36 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 4

O Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C. 

... essa fase "ótima" se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.

Um estudo recente, assinado pela geóloga Karin Zonneveld, da Universidade de Bremen, e pelo historiador Kyle Harper, da Universidade de Oklahoma, reconstruiu as condições climáticas desse período e dos séculos que o seguiram. Os pesquisadores conseguiram fazer isso com alta precisão: sua margem de erro é de apenas três anos.

O estudo concluiu que o Ótimo Climático Romano manteve o tempo relativamente úmido e quente na região entre mais ou menos 200 a.C. e 130 d.C.. É justamente a fase em que os exércitos romanos foram conquistando cada vez mais territórios Mediterrâneo afora, da Espanha á Ásia Menor (atual Turquia). A supremacia deles se tornou tão incontestável que eles passaram a chamar a bacia de Mare Nostrum: "nosso mar".

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Guia da Itália.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 56

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas arrotando metano 

O mundo tem 1,5 bilhão de bois e vacas (218 milhões, conforme dados do IBGE, no Brasil). E esses animais arrotam metano, que piora o aquecimento global: esse gás permanece menos tempo na atmosfera do que o CO₂, mas, enquanto está lá, é capaz de reter [20 vezes] mais calor do que ele .

Super Interessante, edição 467, setembro 2024, Vacina [no gado] promete ajuda contra aquecimento global, página 11; foto: Brasilagro.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 19

O magnífico território pastoril e mineral que nos cederam é um território cujo valor dificilmente pode ser estimado  

Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.

Enquanto isso, o Chefe Estrelado Carleton convencera o vigário de Santa Fé a cantar um Te Deum em homenagem à bem-sucedida remoção dos navajos para o Bosque, empreendida pelo Exército. O general descreveu o lugar para seus em Washington como "uma excelente reserva... não há razão para que eles (os navajos) não sejam os índios mais felizes, prósperos e bem providos  dos Estados Unidos... De qualquer modo... podemos alimentá-los a preço bem menor do que guerrear com eles".

Aos olhos do Chefe Estrelado, seus prisioneiros eram apenas bocas e corpos:

"Essas seis mil bocas precisam comer, e esses seis mil corpos precisam se vestir. Quando se considera o magnífico território pastoril e mineral que nos cederam - um território cujo valor dificilmente pode ser estimado -, a ninharia, em comparação, que lhes deve ser dada para sobreviver representa uma insignificância como paga da sua herança natural."

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 - A longa marcha dos Navajos, página 48; foto: iStock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 51 

A Araucária angustifólia foi explorada até seu quase esgotamento  

Vencidas as fases iniciais de conquista e domínio dos territórios tribais, os indígenas sobreviventes passaram a ser utilizados em seu potencial de mão de obra pelos componentes das várias frentes pioneiras. O surgimento do Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, basicamente não veio alterar este quadro.

Na medida em que os recursos naturais localizados na região eram explorados, o potencial existente nas terras ocupadas pelos índios começava a ser alvo do interesse de civilizados. No sul do Brasil, as reservas indígenas começaram inicialmente a ser exploradas em seus recursos florestais. Prevalecendo como cobertura florestal, na maioria das reservas, a Araucária angustifólia, espécie de grande valor econômico, foi explorada até seu quase esgotamento.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II - Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, II-1 = A utilização dos recursos existentes nas reservas; página 28; foto: CicloVivo. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 11

Os grandiosos aquedutos de Roma mostravam o poderio político do império

O motivo principal de tão grandiosos aquedutos [de Roma] gira em torno de uma auto-afirmação do poderio político do império que justifica a construção de arcos tão grandes que podem ser vistos à distância. Já naquela época, quando se tratava da construção de aquedutos, entravam em linha de conta certas contingencias políticas. É por isso que mesmo a história do desenvolvimento das estações de tratamento de água não se orienta apenas pelos conhecimentos proporcionados pelo progresso técnico.

Também aqui têm influência certos aspectos ligados à política da época. Toda pessoa que exerce atividade no setor da economia hídrica sabe que, por motivos tanto ópticos como políticos, é mais difícil conseguir verbas para a construção de canalizações e câmaras subterrâneas de tratamento de água do que para uma estação de tratamento que pode ser vista e visitada por qualquer pessoa; isto é, o político pode mostrar o que vem realizando. Tais ponderações não são realmente apenas de hoje, pois já eram conhecidas na Antiguidade.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 91; foto: Shutterstock.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


A pecuária e as emissões de gases geradores de efeito estufa

A pecuária é responsável por 7.4% das emissões mundiais de gases geradores de efeito estufa. O desmatamento para a produção de soja (que vira ração) e pasto (para abrigar gado) reduz a capacidade das florestas de absorver carbono.

Além disso, o sistema digestivo dos bois não está exatamente preocupado com a crise climática: esses animais liberam metano (CH) no ambiente na forma de puns abundantes.

Super Interessante, edição 470, dezembro 2024, Hambúrguer de proveta, página 40; foto: Climainfo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 35 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 3

Os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura

Os desastres ocorridos a partir de 166 d.C. talvez tenham sido ainda mais dolorosos porque vieram na esteira de alguns séculos de bonança, durante os quais as divindades pareciam ter abençoado as vastas terras regidas por Roma. De fato, de acordo com vários estudos paleoclimatológicos (que reconstroem o clima do passado), os romanos expandiram e consolidaram seu domínio numa época extremamente favorável para a agricultura.

Esse período foi tão bom que recebeu a designação oficial de "ótimo". Para ser mais exato, o de Ótimo Climático Romano (a palavra, nesse contexto, tem o sentido de "condições ideais"). Embora a Itália e as regiões vizinhas da bacia do mar Mediterrâneo, que sempre foram o núcleo mais importante da civilização romana, sejam notórias pela relativa instabilidade climática, com presença intermitente de grandes secas e invernos severos, essa fase "ótima" se caracterizou pela constância de chuvas relativamente abundantes, e temperaturas um pouco mais altas que a média dos milênios anteriores.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, página 48; foto: Itálica.    

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 55

Aquecimento global - a febre de Gaia, o planeta vivo doente

Dados confirmaram que 2024 foi o primeiro ano a ultrapassar a marca de 1,5 º C de aquecimento global em relação a níveis pré-industriais. (1)

Um estudo analisou 23 mil espécies de peixes e crustáceos de água doce - e descobriu que 24% correm risco de extinção. (2)

Fonte: Super Interessante, edição 472, fevereiro 2025, página 32; 1 - Organização Mundial de Meteorologia; 2 - International Union for Conservation of Nature (IUCN); foto: Pensamento verde.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 18

Todas as árvores da região foram cortadas, só sobrando raízes para queimar 

Durante o outono, os navajos que haviam escapado do Bosque Redondo começaram a voltar para sua terra, com histórias terríveis do que estava acontecendo ali ao povo. Era uma terra ruim, disseram. Os soldados os empurravam com baionetas e os arrebanhavam em recintos de paredes de adobe, onde os chefes dos soldados sempre os estavam contando e anotando números em livrinhos. Os chefes dos soldados prometeram-lhes roupas, cobertores e melhor comida, mas suas promessas nunca foram cumpridas.

Todos os choupos-do-canadá e mesquites [árvores da região] foram cortados, só sobrando raízes para queimar. Para se abrigar da chuva e do sol, precisavam cavar buracos no chão arenoso, cobri-los e forrá-los com montes de grama trançada. Viviam como marmotas em tocas. Com as poucas ferramentas que os soldados lhes deram, rasgaram o solo das terras de aluvião do rio Pecos e plantaram cereal, mas as enchentes, as secas e os insetos mataram as colheitas e, agora, todos viviam com meia-ração. Amontoados como estavam, as doenças começaram a exigir seu tributo dos mais fracos. Era um lugar ruim e, embora a fuga fosse difícil e perigosa, sob os olhos vigilantes dos soldados, muitos arriscavam suas vidas para escapar.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2 - A longa marcha dos Navajos, páginas 47 e 48; foto: Got2Globe.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 50 

A tônica do homem "civilizado" é produção e lucro  

Atraídos ao convívio com representantes da sociedade nacional, os integrantes dos diversos grupos indígenas logo ficaram em situação de dependência. Dependência decorrente, em termos de macro visão, do fato das sociedades indígenas não disporem de conhecimentos capazes de fundamentar uma oposição lógica à sua dominação. Daí se compreende que o destino de muitos grupos indígenas foi e é decidido por detentores de condições que permitem orientar os rumos da utilização dos espaços geográficos e seus recursos naturais.

No passado, isto ocorreu quando companhias julgaram conveniente, em termos financeiros, estimular a migração de contingentes europeus para as terras recém-descobertas da América. Hoje, quando se decide, com base em dados obtidos por meios tecnologicamente sofisticados, como por exemplo aqueles fornecidos pelos satélites, a exploração de jazidas minerais, a sistemática decisória continua a mesma. Apenas a agressividade com que as novas decisões são tomadas chama a atenção. Agressividade que se expressa pela rapidez com que recursos financeiros e humanos são alocados, para a obtenção, no menor prazo, de resultados compensadores. A tônica do homem "civilizado" é produção e lucro, e, nesse afă, ele está a utilizar e a destruir, irrefletidamente, largas parcelas do quadro natural existente na superfície terrestre.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo II - Os grupos tribais em suas relações de subordinação com a sociedade nacional, página 27; foto: AgroSaber. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 10

Bem cedo foi notado que a presença de água límpida em quantidade suficiente podia saciar a sede e atender as exigências higiênicas 

No início, as povoações sempre foram erguidas nas proximidades de fontes de água. Com a transformação dos povoados em cidades, as reservas das vertentes das proximidades deixavam, em muitos casos, de ser suficientes, ainda mais que se encontravam muito expostas à contaminação.

Bem cedo foi notado que, graças à presença de água límpida em quantidade suficiente, não só se podia saciar a sede e fazer funcionar muitos poços e banhos públicos, mas também, além disso, podia-se atender a exigências higiênicas importantes. O que nos deve causar admiração não é o fato de que a água potável tenha sido transportada através de longas distâncias, mas que tenha sido reconhecida a tempo a necessidade de se realizarem tais obras para manter saudáveis as populações.

Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 88; foto: Mega Curioso.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.



Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 34 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 2

O Império Romano sofreu com mudanças climáticas

Novos estudos sobre os micróbios e o clima do passado têm revelado que os romanos tiveram de enfrentar forças ainda mais insidiosas e destrutivas que os deuses do Olimpo. Além dessa primeira pandemia [a Peste Antonina - provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas], que realmente ocorreu, o Império Romano sofreu com mudanças climáticas e, ironicamente, foi vítima de seu próprio sucesso, que o levara às regiões mais distantes da Ásia e da África - mas acabou tornando Roma vulnerável a uma sucessão de golpes do destino, que levaram seu poderio à fragmentação e ao desaparecimento.

Essa nova visão sobre o declínio e a queda do Império Romano não descarta, é claro, a relevância dos inimigos externos (principalmente os chamados bárbaros, em geral tribos guerreiras que falavam línguas germânicas, como as ancestrais do alemão e do inglês de hoje). Também não ignora as picuinhas e os duelos mortais que devastavam a elite romana de vez em quando, enfraquecendo ainda mais o domínio dos Césares. Esses fatores foram importantes - e podem ter sido alimentados pelos demais, criando uma espiral de desastres.

Mas a nova abordagem histórica de Roma admite a profunda dependência que as civilizações antigas, mesmo as mais sofisticadas, tinham em relação ao seu ambiente natural - algo que, num mundo de emergência climática e pandemias como o nosso, se torna cada vez mais familiar.

Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 47 e 48; foto: PrePara Enem   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet



Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 17

Os navajos consideravam o escalpo um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis  

Em 18 de agosto [de 1863], o general [Carleton] decidiu "estimular o zelo" de suas tropas, estabelecendo um prêmio em dinheiro pelo gado navajo capturado. Ofereceu vinte dólares por "cada cavalo ou mula sadios e aproveitáveis" e um dólar por cabeça pelos carneiros trazidos ao oficial de intendência, em Fort Canby.

Como o salário dos soldados era de menos de vinte dólares mensais, a oferta generosa estimulou-os bastante, e alguns dos homens estenderam-na aos poucos navajos que podiam matar. Para provar suas habilidades militares, começaram a cortar o punhado de cabelo que os navajos prendiam com uma faixa vermelha na cabeça.

Os navajos não podiam acreditar que Carson [líder dos Casacos Azuis] permitisse o escalpo, que consideravam um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis. (Os europeus podem ou não ter introduzido o escalpo no Novo Mundo, mas colonos espanhóis, holandeses, franceses e ingleses tornaram popular o costume de se oferecerem prêmios pelos escalpos de seus respectivos inimigos.)

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, página 42; foto: FRRRKguys. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 49 

Pode-se dizer que os Xetá estão extintos 

Os Xetá eram nômades. Sua alimentação baseava-se na caça e na coleta de alimentos, destacando-se na sua dieta o aproveitamento dos frutos e da medula da palmeira macaúba. Possuíam aldeias temporárias, localizadas em pequenas clareiras. Não conheciam instrumentos de cerâmica. Usavam implementos feitos de ossos, dentes, pedras e madeira.

Seguramente, pode-se dizer que o grupo está extinto. Os Xetá sobreviventes foram localizados separadamente, de maneira que as possibilidades de socialização dos membros jovens segundo os padrões do grupo foram eliminadas. E, a tal ponto isto ocorreu, que as únicas crianças sobreviventes, com aproximadamente 12 e 10 anos de idade, falam a língua Kaingang e não Xetá.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 26; foto: JOTA.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 9

Documentos escritos antigos assinalam a significação que se dava ao uso da água

São muitos os dados contidos em antigos documentos escritos que assinalam a significação que se emprestava ao uso da água. No [rio] Eufrates, por exemplo, foi encontrada uma lápide de pedra calcária de mais ou menos 2300 a.C., com a seguinte inscrição: "Ur - Namu foi quem ordenou que se realizassem as obras dos canais; mas ele cede aos deuses a honra de fornecer a dádiva que é a água, abençoada, que dá fertilidade às terras".

Também no Velho Testamento se encontram inúmeros indícios da importância que se conferia à água. Eis um exemplo: "Empreendi grandes obras, edifiquei para mim casas, plantei para mim vinhas. Fiz jardim e pomares para mim, e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie. Fiz para mim açudes para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores." (Eclesiastes 2, vers. 4 a 6).

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 86; foto: Pngtree.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Alesc debate uso e acesso a medicamentos à base de cannabis em SC

A Santa Cannabis, uma associação dedicada ao acesso à cannabis medicinal, tem participado ativamente de debates e audiências públicas na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) para promover a regulamentação e o uso de tratamentos à base de cannabis no estado.

O uso medicinal da cannabis como alternativa para o tratamento de doenças crônicas e neurológicas foi debatido em Audiência Pública da Assembleia Legislativa na segunda-feira (25). O ponto central da discussão foi a regulamentação da Lei Estadual 19.136, aprovada pela Alesc em novembro de 2024, que determina a distribuição gratuita de medicamentos à base de cannabis pelo SUS em Santa Catarina.

Durante a Audiência discursaram: - deputada Paulinha (Podemos), proponente da audiência pública e autora da Lei 19.136/2024; - deputado Padre Pedro Baldissera (PT); - deputado Marcos José de Abreu (PSOL); - Diego Demarchi, secretario de Estado da Saúde; representantes da UFSC, de Associações de Produtores e de usuários do óleo de cannabis.

Fonte: Agência Alesc; foto: Notícias da UFSC.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 33 - A crise climática que acabou com o Império Romano nº 1

Como o Império Romano realmente acabou

As invasões bárbaras e os conflitos da elite romana foram importantes. Mas outros elementos podem ter sido igualmente fortes: as mudanças climáticas e, com elas, uma sucessão de epidemias e crises agrícolas. Conheça as novas descobertas que estão reescrevendo a história de Roma.

Estamos no ano 166 d.C. O exército romano, sob liderança do senador Avídio Cássio, cerca a rica cidade de Selêucia (na região da atual Bagdá, no Iraque). Selêucia rapidamente se rende ante o poderio de Roma, mas os homens de Cássio iniciam um saque de grandes proporções mesmo assim. Um dos soldados invade o templo do deus Apolo e abre uma antiga arca. Reza a lenda que esse ato de sacrilégio fez com que saísse do baú um vapor pestilento, o qual "poluía tudo com contágio e morte, desde as fronteiras da Pérsia até o rio Reno e a Gália [França]", segundo cronistas da época.

Assim teria começado a Peste Antonina - provavelmente uma pandemia de varíola, que correu o mundo antigo e teria exterminado 7 milhões de pessoas, ou 10% da população do Império Romano, na época o Estado mais populoso e poderoso do planeta. Jogar a culpa da tragédia no desrespeito a Apolo casava bem com a cultura greco-romana.

Fonte: Super Interessante, edição 471, janeiro 2025, Como o Império romano realmente acabou, páginas 46 e 47; foto: National Geographic  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet



Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 54

Acesso à água em tempos de guerra  

A ligação entre conflitos armados e escassez de água nem sempre é óbvia. Em Gaza, por exemplo, o controle da água se tornou uma arma de guerra desde o início da ofensiva israelense.

Em julho de 2024. um relatório da Oxfam apontou que as pessoas tinham acesso a apenas 4,74 litros por dia para todos os usos - incluindo beber, cozinhar e higiene pessoal -, muito menos que o padrão mínimo aceito internacionalmente para a sobrevivência básica em emergências, que é de 20 litros por dia.

Aa qualidade da pouca água disponível em Gaza também é preocupante...

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, página 7; foto: CNN Brasil.   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 16

O capitão Graydon enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando  

Grayton fingiu grande amizade pelos mescaleros, chegando a lhes dar farinha de trigo e carne para a longa viagem. Pouco tempo depois, perto de Gallina Springs, o grupo de Graydon encontrou outra vez os mescaleros. Ninguém sabe o que aconteceu, pois nenhum mescalero sobreviveu ao incidente. Um oficial branco fez o seguinte relato:

"A operação foi realizada de forma estranha e pelo  que pude saber, ele enganou os índios, indo direto ao acampamento, dando-lhes bebida, depois atirando e matando; os índios, sem dúvida, acharam que ele viera com propósitos amistosos, já que lhes tinha dado farinha de trigo, carne e provisões."

Os outros três chefes, Cadette, Chato e Estrella, chegaram a Santa Fé e garantiram ao general Carleton que seu povo estava em paz com os brancos e apenas queria ser deixado sozinho em suas montanhas. "Vocês são mais fortes que nós", disse Cadette. "Lutaríamos com vocês se tivéssemos rifles e pólvora; mas suas armas são melhores que as nossas. Deem-nos armas iguais e nos deixem livres, que também os combateremos; mas estamos abatidos; não temos mais ânimo; não temos provisões, nenhum meio de vida; suas tropas estão em toda parte; nossas fontes e nossos poços estão ocupados ou vigiados por seus jovens. Vocês nos tiraram de nosso último e melhor baluarte, e não temos mais ânimo. Façam conosco o que bem entenderem, mas não se esqueçam de que somos homens e bravos.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 38 e 39; foto: InfoEscola. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 48 

No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio. 

Sobrevivem apenas 8 indivíduos do grupo indígena Xetá, no presente. No Brasil, nenhum grupo humano em épocas recentes, pelo que se tem conhecimento na literatura e junto aos órgãos oficiais, sofreu campanha mais violenta e rápida de extermínio.

Os Xetá ocupavam a região da serra de Dourados, nó noroeste do Paraná. Com a movimentação da frente pioneira que se instalou no norte do Paraná, a partir dos anos trinta [do século XX], o território indígena foi alcançado e pulverizado. Em 1949, quando começou a divisão em glebas da serra de Dourados, falou-se da presença de índios. A seguir, em 1952, uma criança Xetá foi aprisionada e entregue a um funcionário do antigo SPI [Serviço de Proteção aos Índios]. Mas só em 1955, quando, depois de um rigoroso inverno, um grupo de índios com visíveis sinais de fome crônica se apresentou na fazenda Santa Clara, foi que o SPI tomou as primeiras providências para socorrê-los e protegê-los.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Xetá, página 25; foto: SciELO.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Dia Nacional da Saúde

A crise climática é uma crise de saúde

(...) Até alguns anos atrás, a emergência climática era associada a suas consequências mais visíveis, como inundações e tempestades, que destroem infraestrutura, moradias e meios de subsistência. E esse tipo de situação tem sem dúvida aumentado, mas há também implicações menos óbvias, que afetam a saúde e a vida das pessoas. Hoje, já não temos mais dúvida de que a crise climática é uma crise de saúde.

Que consequências para a saúde são essas?

São muitas, mas posso destacar o calor extremo, que atinge populações de áreas urbanas, especialmente idosos; e mudanças no regime de chuvas e na temperatura, que facilitam a propagação de vetores de doenças, como mosquitos, que passam a viver onde antes não estavam presentes. Também são mais frequentes secas e inundações, que afetam a agricultura, gerando desnutrição, movimentos migratórios e até disputas por territórios, que podem desencadear conflitos armados. Adicionalmente, a necessidade de se adaptar a essas mudanças tem impacto sobre a saúde mental. (...)

Fonte: Médicos Sem Fronteiras, Revista Informação, junho 2025; Entrevista, Renata Reis, diretora-executiva do MSF Brasil, página 8; foto: InfoMoney.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Dia Nacional da Saúde

Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 8

As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água

Nas civilizações da região mediterrânea de antes de Cristo, no Egito, no Oriente Próximo (persas, hititas, assírios, babilônios) e no Suleste da Europa (etruscos, gregos, romanos) parece que três problemas de defesa ecológica desempenharam papel de relevo: 1. A economia dos recursos hídricos; 2. A erosão do solo; 3. A higiene.

1. As leis das águas foram os primeiros códigos dos homens

É característico que os primeiros documentos escritos da humanidade, obras dos sumérios, que os tornaram conhecidos por volta do ano 4000 a. C., continham instruções sobre a irrigação de lavouras dispostas em forma de terraços. Como nas modernas regiões industrializadas, também nas civilizações antigas as preocupações com a água foram, desde os seus primórdios, um fator econômico predominante. As primeiras leis da humanidade, fixadas por escrito, são códigos que regulam o uso da água.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 84; foto: Portal Saneamento Básico.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 32

Civilização maia: motivo para o declínio é surpreendente e liga alerta

Você sabe o que causou o fim da civilização maia? Novos estudos sugerem um novo motivo, que deve ligar o alerta para os tempos atuais.


Cidade Maia de Chichen Itza (Crédito: Aleksandr Medvedkov/ Shutterstock)

A civilização maia foi uma das mais sofisticadas e impressionantes da América pré-colonização, tendo existido onde atualmente é o sul do México, Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador entre os séculos III e XV a.C. [do século XX a.C. ao século XVII d.C. segundo o Google e o Chat GPT]. Depois disso, no entanto, os maias tiveram um declínio misterioso. Agora, os pesquisadores associam esse fim a mudanças climáticas [locais e contemporâneas].
Os maias se organizavam em cidades-estados e a agricultura era a base de sua subsistência, mas, além disso, eles também se dedicavam às ciências, astronomia, arte e matemática, tendo deixado para trás pirâmides e observatórios.
Fonte: Olhar Digital
Rui Iwersen, editor de GaiaNet

Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 53

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados  

17% de todas as terras agrícolas no mundo podem estar contaminadas por metais pesados como arsênio, cádmio, cobalto, cromo, níquel e chumbo. Essa é a estimativa alarmante de um grupo de pesquisadores chineses, que analisaram os dados de 1.493 estudos realizados em diversas regiões do planeta, totalizando mais de 796 mil amostras do solo.

Esses metais podem estar naturalmente presentes na terra, ou chegar até ela por meio do descarte de resíduos industriais. As plantas acabam absorvendo esses elementos, que são altamente tóxicos e podem estar contaminando a alimentação de centenas de milhões de pessoas.

Fonte: Super Interessante, edição 475, maio 2025; Supernovas, página 13; foto: Geo Agri   

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 24 

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 15

Os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las 

Por tanto tempo quanto alguém podia lembrar, os mexicanos atacavam os navajos para roubar suas crianças e escravizá-las; por tanto tempo quanto alguém podia recordar, os navajos revidavam com ataques contra os mexicanos.

Depois que os americanos chegaram a Santa Fé e chamaram o lugar de Novo México, protegeram os mexicanos, pois eles haviam se tornado cidadãos americanos. Os navajos não eram cidadãos, pois eram índios; quando atacavam os mexicanos, os soldados invadiam o território navajo para puni-los como fora da lei. Isso era um enigma terrível para Manuelito e seu povo, pois eles sabiam que muitos dos mexicanos tinham sangue índio; os soldados nunca perseguiam os mexicanos para puni-los por roubar crianças navajas.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo 2, páginas 33 e 34; foto: Spiritualité autochtone. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 47 

As populações indígenas que viviam no litoral sul foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, pela escravização e pela catequese

Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Tanto nos agrupamentos existentes nos postos, como naqueles localizados junto a áreas urbanas, incluindo neste caso famílias isoladas, os indivíduos mantêm em operação unidades de sua cultura tradicional de maneira bem mais característica do que entre Kaingang e Xokleng. Talvez a busca de isolamento no interior da reserva e o estabelecimento de elos mínimos de dependência da sociedade nacional, contribuam para a manutenção dos valores tribais. (...)

As populações indígenas que viviam no litoral sul, à época da descoberta do Brasil, foram aniquiladas durante o correr do século XVI pelas doenças, trazidas pelo europeu, pela escravização e pelo próprio trabalho de catequese dos jesuítas.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Instituto Búzios.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 7

Hoje em dia vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente

É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?

Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente. Lesões pulmonares devidas ao péssimo ar que respiramos, lesões do fígado através dos tóxicos presentes na nossa alimentação, doenças infecciosas causadas por agentes patogênicos (transmitidas principalmente através das águas e dos esgotos) e crescentes manifestações alérgicas fazem que, anualmente, milhões de pessoas pereçam em conseqüência do meio ambiente doentio. Ao contrário dos nossos antepassados da Antiguidade, conhecemos hoje, perfeitamente, as correlações aí atuantes e as formas de ação dos germes patogênicos, inclusive seu ciclo de desenvolvimento.

Sabemos também que um grande número de personalidades históricas encontrou a morte devida a doenças infecciosas, pois não dominavam o seu meio ambiente - a começar pelos faraós, em cujas múmias foram encontrados transmissores de doenças altamente nocivos à vida humana (...) Existem muitos outros exemplos que nos fazem supor que os danos causados ao meio ambiente intervieram também, em larga escala, na História.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, páginas 83 e 84; foto: Socialismo Criativo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Teoria de Gaia

Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra

A superfície da Terra e a água do mar absorvem luz solar durante o dia. À noite, esse calorzinho vai sendo liberado de volta na atmosfera na forma de radiação infravermelha, e sobe até escapar para o vácuo do espaço. Parte da radiação, porém, não chega a sair da Terra: fica retida por moléculas como o gás carbônico (CO₂) e o metano (CH). Dai eles se chamarem gases de efeito estufa: é como se estivéssemos sob uma redoma.

Em doses saudáveis, o efeito estufa é fundamental para a vida na Terra. Ele evita que as noites sejam insuportavelmente frias, e mantém a temperatura média do globo em um patamar agradável de 14 °C. Sem o dito-cujo, seriam 18 °C negativos. O tanto exato de calorzinho noturno em cada lugar do planeta, é claro, flutua conforme particularidades geográficas: cidades litorâneas são abafadas à noite porque a água do mar é eficaz em guardar calor, enquanto as areias de um deserto esfriam rápido e causam noites congelantes. Um céu nublado, por sua vez, é ótimo em evitar que o infravermelho escape enquanto você dorme.

Fonte: Super Interessante, edição 474, Oráculo; abril 2025, página 60; foto: Brasil Escola - UOL 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 20

Saúde do Planeta nº 52

Em regiões costeiras a redução das vazões fluviais pode provocar o avanço de água salgada em direção ao continente 

O bombeamento de água subterrânea pode rebaixar o nível do aquífero, fazendo com que um rio que antes recebia água passe a perdê-la para o aquífero. A longo prazo, dependendo das condições geológicas e climáticas, isso pode reduzir a vazão do rio.

Isso pode impactar a segurança hídrica e alimentar, diminuindo a disponibilidade de água para o abastecimento humano e a irrigação; a segurança energética, reduzindo o volume de água nos reservatórios [das hidrelétricas]; e os serviços ecossistêmicos, uma vez que é essencial manter uma vazão mínima no rio para garantir a conservação da vida no ecossistema aquático.

Em regiões costeiras, a redução das vazões fluviais pode provocar a intrusão salina, que ocorre quando a menor chegada de água doce ao oceano permite o avanço de água salgada em direção ao continente. Isso pode comprometer a saúde das pessoas que consomem água com alto teor de sal, aumentando o risco de hipertensão; danificar sistemas de adutoras e tubulações; além de comprometer o solo e a flora local.

Fonte: Super Interessante, edição 474, Rios brasileiros correm o risco de perder água; abril 2025, página 12; foto: Freepik  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 31 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 11

Grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá

E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.

Do mesmo modo, na terra então conhecida como Canaã, a destruição de cidades-estado antes submetidas ao poder imperial do Egito, junto com a perda da própria influência egípcia, transformou completamente a história da região. Ali, grupos que sobreviveram à catástrofe criaram os novos reinos de Israel e Judá, celebrando sua libertação do domínio do Egito (que eles descreveram como uma escravidão em solo egípcio) e a fé num novo deus chamado Yahweh (ou Javé, na forma aportuguesada).

Começava assim a surgir a tradição religiosa que daria origem à Bíblia e as crenças judaicas, cristãs e islâmicas. Tal como no caso dos gregos, sem a destruição das antigas estruturas imperiais, esses caminhos inovadores talvez nunca chegassem a ser trilhados.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: VEJA. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos nº 14

Em 1860 o número de índios diminuíra à metade desde a chegada dos primeiros colonos

Foi então, no começo da década de 1860, que os homens brancos entraram em guerra entre si - os Casacos Azuis contra os Casacos Cinza, a grande Guerra Civil. Em 1860, havia provavelmente trezentos mil índios nos Estados Unidos e territórios, a maioria deles vivendo a oeste do Mississippi. Segundo cálculos que variam, seu número diminuíra de metade, ou de dois terços, desde a chegada dos primeiros colonos à Virgínia e à Nova Inglaterra.

Os sobreviventes agora estavam pressionados entre as populações brancas em expansão no Leste e no litoral do Pacífico - mais de trinta milhões de europeus e seus descendentes. Se as tribos livres remanescentes acreditavam que a Guerra Civil dos homens brancos trouxesse qualquer trégua em suas pressões por territórios, logo se desiludiriam.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, página 27; foto: Portal Cavalus. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral - nº 46 

A situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas 

As entrevistas que temos realizado com índios Guarani sempre têm indicado que os informantes possuem uma larga experiência de viagens. É comum também a opinião dos chefes de postos sobre a continua mobilidade desses índios. Dizem: "os Guarani não usam muito o posto. Ficam sempre localizados num fundo da área. Ali fazem uma rocinha; caçam; vez ou outra aparecem na sede para vender algum balaio. E quando a gente menos espera, desaparecem..."

Essa situação particular dos Guarani leva-os a viver como verdadeiros marginais dentro das áreas indígenas. Não há na região sul um único posto para atendê-los. Todos os postos foram originariamente criados para atender aos Kaingang ou aos Xokleng. Devido a disputas tribais, responsáveis pelo desenvolvimento de muitos estereótipos que um grupo tribal tem sobre o outro, os Guarani são muitas vezes identificados como intrusos, ou apontados como índios diferentes, o que não se entende.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I –Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, página 24; foto: Gazeta do Povo.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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Série de GaiaNet nº 26

A Trajetória Poluidora da Humanidade nº 6

Grandes eventos históricos se devem ao fracasso do homem ao enfrentar o seu meio ambiente 

Os maias não conseguiram superar os problemas ecológicos! Ocorreu algo semelhante com as antigas civilizações da região mediterrânea? Será que, talvez, o ocaso das antigas culturas que existiram no mundo foi amplamente condicionado pelo meio ambiente?

É possível que a história da China tivesse seguido outros rumos se, já nos tempos pré-cristãos, o desmatamento de vastas áreas na região dos rios Hoang e langtsé, vítimas então de grandes inundações, não tivesse deflagrado a cada vez a fome, e esta, por sua vez, as revoluções? É possível que uma chave explicativa e pouco usada até o momento para esclarecer os grandes eventos históricos se encontre no frequente fracasso do homem ao ter de enfrentar o seu meio ambiente?

Não há dúvida de que, hoje em dia, vivem na Terra milhões de pessoas cuja saúde está sendo afetada pelo meio ambiente.

Fonte: Hans Liebmann, Terra – um planeta inabitável? - Da antiguidade até os nossos dias toda a trajetória poluidora da humanidade, 1973, Biblioteca do Exército Editora, 1979, Capítulo III - O meio ambiente na Antiguidade, página 83 ; foto: História.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 22

Colapsos nº 30 – O apocalipse da Idade do Bronze nº 10

Em Atenas surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História

Entretanto, foi justamente a queda dos governos palacianos que abriu espaço para uma reconstrução quase total da vida política e social na Grécia. Os antigos monarcas foram substituídos por assembleias dos proprietários de terras, que passaram a tomar decisões coletivamente.

E, com o passar dos séculos, em vários lugares, como a famosa Atenas, surgiram alguns dos primeiros experimentos de política democrática da História. Sem o desastre, seria muito mais difícil que isso acontecesse.

Super Interessante, edição 466, agosto de 2024, O apocalipse da Idade do Bronze, página 39; foto: Conhecimento Científico - R7. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 24

A dramática história dos índios norte-americanos – nº 13

Os europeus eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios - juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais

Em 1848, foi descoberto ouro na Califórnia. Em alguns meses, gente do Leste aos milhares, buscando fortuna, estava cruzando o território índio. Índios que viviam ou caçavam no longo das trilhas de Santa Fé e Oregon acostumaram-se a ver uma caravana ocasional de carroções, autorizada para comerciantes, caçadores ou missionários. Agora, de repente, as trilhas estavam cheias de carroções, e os carroções estavam cheios de gente branca. A maioria indo rumo ao ouro da Califórnia, mas alguns se dirigindo para o sul, para o Novo México ou para o norte, para o território do Oregon.

Para justificar essas quebras da "fronteira índia permanente", os homens que tomavam decisões em Washington Inventaram o Destino Manifesto, uma expressão que elevava a fome de terras a um plano sublime. Os europeus e seus descendentes haviam sido escolhidos pelo destino para dominar toda a América. Eram a raça dominante e, portanto, responsável pelos índios - juntamente com suas terras, suas florestas e suas riquezas minerais. Só os habitantes da Nova Inglaterra, que haviam destruído ou expulsado todos seus índios, falaram contra Destino Manifesto.

Dee Brown, Enterrem meu coração na curva do rio – A dramática história dos índios norte- americanos, 1970, Coleção L&PM Pocket, 2003; Capítulo I, páginas 26 e 27; foto: mozaWeb. 

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Como animais extintos estão voltando às florestas de Florianópolis

Em Florianópolis, o Vem Passarinhar começou a ser realizado em 2022 como uma forma de engajar as pessoas a verem os animais que tinham sido tratados, a partir de resgate, apreensão e entrega voluntária de todo o estado, e depois reintroduzidos na natureza pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama (Cetas). (...)

Em 2023 nasceu o Instituto Fauna Brasil, que deu continuidade ao Vem Passarinhar e ao projeto dos papagaios, além de expandir as espécies para reintrodução na Ilha de Santa Catarina, onde fica Florianópolis, desta vez com foco na fauna extinta: bugios-ruivos e pequenos felinos. "O fato de estarmos numa ilha dificulta a refaunação natural. Por isso, a reintrodução acaba sendo uma ferramenta importante para espécies que dificilmente voltariam naturalmente", explica Vanessa Kanaan. No ano passado, o primeiro projeto de soltura de silvestres trouxe de volta cinco grupos de bugios-ruivos aos remanescentes de Mata Atlântica. (...)

1763 tinha sido o último ano  dos bugios-ruivos (Alouatta guariba) nas florestas da ilha de Santa Catarina, segundo relatos científicos. A extinção deles e de tantas outras espécies ali se deu principalmente devido à fragmentação de habitats, ao desmatamento e à caça ilegal. Em 2024, a extinção dos bugios começou a ser revertida com a reintrodução de 16 indivíduos na natureza, sendo três famílias no norte da ilha, no Parque Estadual do Rio Vermelho, e duas famílias no sul, no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri. (...) Cada bugio [resgatado de outras regiões do estado] recebeu um microchip de identificação, e as famílias foram reintroduzidas uma por vez ao longo do primeiro semestre, depois de passar quatro semanas em um recinto telado na floresta para se acostumar com o ambiente novo. (...)

Segundo estudos do Projeto Fauna Floripa, a ilha tem capacidade para abrigar até 1500 indivíduos da espécie. (...) "já sinalizamos para os órgãos ambientais que, no segundo semestre, nós conseguiríamos atender animais encontrados em situação de deslocamento, que vêm de vida livre, de Santa Catarina, Rio Grande do Sul ou da Argentina, que é a nossa unidade genética", afirma Vanessa. (...)

O trabalho do Instituto para trazer de volta pequenos felinos começou em 2023, com base nos estudos do Projeto Fauna Floripa, que identificou a extinção de seis espécies da família na ilha: suçuarana, onça-pintada, jaguatirica, gato-mourisco, gato-maracajá e gato-do-mato-pequeno. (...) A ausência desses predadores perturbou o equilíbrio natural dos ecossistemas da ilha, provocando, entre outros problemas, o avanço de espécies exóticas invasoras, como os saguis, que estão predando aves nativas. (...)

O projeto também inclui ações de sensibilização e educação ambiental com as comunidades locais, incluindo uma pesquisa de percepção humana online e de porta em porta em relação à possível volta dos felinos, que depende ainda de autorização do governo. As pesquisadoras também estão elaborando materiais para capacitar os professores para falarem das reintroduções  de fauna e flora na ilha. (...)

Letícia Klein, Mongabay Brasil, Ecoa e UOL; artigo integral enviado pelo colaborador de GaiaNet Rodrigo Iwersen de São Thiago; foto: Instituto Fauna Brasil.

Rui Iwersen, editor de GaiaNet.


Série de GaiaNet nº 21

1501 – O Brasil depois de Cabral nº 45 

Os Guarani que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos

Os Guarani estão dispersos em pequenos grupos por vários postos indígenas e, também, por núcleos urbanos. Os que vivem junto aos postos indígenas somam 878 indivíduos. Os grupos desassistidos pelo órgão oficial não têm aldeamentos permanentes. Perambulando de um lugar para outro, esses grupos ora estão na periferia de Porto Alegre, ora nas vizinhanças de Florianópolis ou Curitiba.

Todas as informações que logramos reunir indicam que esses contingentes Guarani pertencem ao grupo Mbüa, oriundos do noroeste da Argentina, do Paraguai e sul do Mato Grosso, sua região tradicional. Esses contingentes não são remanescentes das antigas populações Guarani que, à época da descoberta, ocupavam o litoral do sul do Brasil.

Silvio Coelho dos Santos, Educação e sociedades tribais, Editora Movimento, 1975, Capítulo I – Grupos tribais sobreviventes no sul do Brasil, Os Guarani, páginas 23 e 24; foto: Povos Indígenas no Brasil Mirim.  

Rui Iwersen, editor de GaiaNet. 

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